terça-feira, 17 de março de 2020

Uberização em marcha

Uberização em marcha

As contradições do sistema econômico, e seu desenvolvimento descombinado nos diversos países do mundo, tornam ainda mais complexas as análises das diferentes sociedades atualmente existentes. A brasileira, por exemplo, possui um sistema agroindustrial altamente tecnificado, de baixa contratação de força de trabalho, dominado por grandes latifundiários capitalistas mecanizados, tendo como alvo principal de sua produção, como na época colonial, o mercado externo. Tal sistema, além de receber grandes financiamentos do sistema financeiro estatal, extrai uma alta renda fundiária do uso da terra e paga uma reduzida taxa tributária ao Estado. O que o incentiva a se tornar um devastador dos biomas florestais e a transformar tais biomas em terrenos agricultáveis de alta lucratividade, pouco se importando com as consequências destrutivas causadas por sua ação, a serem arcadas pelo conjunto da sociedade. Uberização em marcha Correio da Cidadania 17 de março de 2020 17:38 s2sdefault Na cidade do Rio de Janeiro mais de 50 mil pessoas estão vivendo como entregadores de pizza e outras comidas. Na capital paulista o número desses entregadores já é superior a 100 mil. E nas demais capitais do país o crescimento desse e de outros tipos precários de trabalho é crescente. Um dos aspectos impressionantes de tal processo consiste no fato de que parte desses entregadores motorizados de refeições, assim como dos motoristas uberizados, possui curso superior, incluindo engenheiros, economistas, advogados, músicos... Mais impressionante ainda é que os atuais agentes governamentais consideram isso um avanço nas taxas de emprego. E que outros comentaristas da atualidade brasileira considerem tal organização da vida econômica apenas um esforço humano para “obter lucro”. As tendências materialistas do ser humano o levariam a escolher formas menos penosas e mais lucrativas para seu trabalho. Portanto, a uberização resultaria apenas dessas tendências, da criatividade mercantil e da racionalidade econômica. Os mercados, mais uma vez, estariam demonstrando força indutora para solucionar as questões que surgem no processo histórico espontâneo de desenvolvimento. Em sentido oposto, alguns críticos defendem que o mercado e suas diversas manifestações de funcionamento são o contrário do que pretendem os seres humanos. Estes, ao longo da história, teriam sempre se oposto às exigências do mercado e lutado contra elas. As motivações intrinsecamente humanas jamais teriam sido de ordem econômica. A ideia sobre uma hipotética atividade econômica dos homens num mercado só teria surgido modernamente, mas jamais teria passado de uma suposição, sem base na realidade. No entanto, numa abordagem mais condizente com a história real da humanidade, é evidente que a organização e a reorganização da vida econômica e social têm sido historicamente sistemáticas e progressivas. Ao descobrirem e desenvolverem forças produtivas mais avançadas e ampliarem os tipos de produtos para suprir sua vida, os seres humanos têm sido levados a reorganizar seus processos produtivos, assim como suas relações de trabalho e as formas de troca dos seus produtos. Tais motivações evoluíram historicamente para um crescente caráter econômico e, portanto, para sistemas econômicos apropriados. Todas num sentido contrário à suposição de que as motivações intrinsecamente humanas de alimentar-se, paramentar-se, mover-se, e realizar outras atividades, nada teriam de econômicas. O mercado, por exemplo, foi criação desse processo evolutivo, à medida que a produção para atender às necessidades de sobrevivência dos seres humanos, vivendo numa determinada área geográfica, teria suplantado aquelas necessidades, criando excedentes. Tal momento surgiu primeiro quando os humanos substituíram a coleta, a caça e a pesca primitivas pela pecuária e pela agricultura. Foi esse salto tecnológico no processo de sobrevivência humana que levou à substituição das guerras primitivas, por campos de coleta e de caça, nas quais os concorrentes eram simplesmente eliminados, por um sistema econômico no qual os perdedores passaram a ser capturados e escravizados para o trato de campos pecuários e agrícolas dos vencedores. Depois do escravismo, esse processo humano de desenvolvimento econômico e social ainda teve que atravessar o também longo período feudal, no qual as terras pertenciam à nobreza senhorial, mas produziam pelo trabalho dos súditos camponeses e artesãos. Essa divisão da propriedade econômica das terras, embora impusesse aos camponeses a entrega de parte de sua produção e a prestação de outros serviços ao senhor feudal, lhes dava a oportunidade de comerciar a parte que lhes cabia da produção agrícola, assim como desenvolver produtos artesanais e vendê-los. Isso incentivou a mercantilização, a criação de áreas e urbes comerciais, o desenvolvimento de novos meios de transporte terrestres e navais, e a criação de novos instrumentos produtivos e financeiros, até explodir, entre os séculos 16 e 19, numa nova revolução científica e tecnológica. Esta, além de ampliar em muito a capacidade produtiva dos seres humanos, acabou por lhes impor um novo sistema econômico de produção, o capitalismo. Neste, a maior parte dos seres humanos passou a ter, como única propriedade privada, sua força de trabalho. Força que pode vender a quem, tendo capital, queira utilizá-la para a produção de outras mercadorias. Assim, mais do que nas épocas históricas anteriores, o sistema capitalista de produção e de troca firmou as motivações econômicas como principais, porque determinantes para a sobrevivência dos seres humanos. Ao realizarem, ainda no século 19, a crítica teórica do sistema econômico capitalista através de uma série considerável de textos, na qual se destaca O Capital, Karl Marx e Friedrich Engels, chegaram à conclusão de que a sociedade capitalista faz parte do processo histórico de emergência e superação de um tipo de sociedade por outra, mais avançada. Afirmaram, peremptoriamente, que cada época é moldada por uma sociedade específica, gerada pela época anterior, que configura, em sua evolução, uma nova sociedade, tendo como motores de seu desenvolvimento a criação e o aperfeiçoamento de novas forças produtivas e de novas relações de produção. O comunismo primitivo foi a época histórica da caça e da pesca. O escravismo surgiu quando a humanidade foi capaz de realizar a revolução agrícola e pecuária. O feudalismo se desenvolveu quando o escravismo se tornou um empecilho ao desenvolvimento e surgiram novos instrumentos de produção artesanal e de comércio. O capitalismo foi criado pelo desenvolvimento comercial e pela revolução industrial, elevando a capacidade produtiva humana a níveis jamais pensados antes. Ou seja, cada uma dessas diferentes épocas históricas gerou as condições contraditórias de sua própria superação. O capitalismo, por exemplo, ao elevar seu sistema tecnológico ao ponto de substituir o trabalho vivo (humano) pelo trabalho morto (máquinas robóticas), mata sua própria natureza produtiva ao criar um crescente desemprego tecnológico e forçar a redução do mercado de consumo. Essas contradições do sistema econômico, e seu desenvolvimento descombinado nos diversos países do mundo, tornam ainda mais complexas as análises das diferentes sociedades atualmente existentes. A brasileira, por exemplo, possui um sistema agroindustrial altamente tecnificado, de baixa contratação de força de trabalho, dominado por grandes latifundiários capitalistas mecanizados, tendo como alvo principal de sua produção, como na época colonial, o mercado externo. Tal sistema, além de receber grandes financiamentos do sistema financeiro estatal, extrai uma alta renda fundiária do uso da terra e paga uma reduzida taxa tributária ao Estado. O que o incentiva a se tornar um devastador dos biomas florestais e a transformar tais biomas em terrenos agricultáveis de alta lucratividade, pouco se importando com as consequências destrutivas causadas por sua ação, a serem arcadas pelo conjunto da sociedade. Além do sistema agrário predador, o Brasil convive com sistemas industriais itinerantes, nos quais predominam empresas estrangeiras que buscam sempre outras regiões mundiais de baixo preço da força de trabalho e de mercados consumidores mais fortes, onde possam obter lucros maiores. Portanto, a desindustrialização brasileira se deve não ao aumento da produtividade industrial, como pensam alguns, mas às tendências migratórias do capitalismo atual. Para piorar, a subordinação ao oligopólio automobilístico fez com que as antigas ferrovias brasileiras, ao invés de serem modernizadas e transformadas nos principais e mais baratos meios de transporte do país, fossem crescentemente substituídas por rodovias para atender às necessidades do pool de empresas automobilísticas estrangeiras. O transporte doméstico de mercadorias se tornou, desse modo, crescentemente encarecido. Essas tendências impostas à economia brasileira pioram a situação de desemprego do país, levando diversos setores trabalhadores a buscarem sua sobrevivência através da uberização e de outras formas precárias de trabalho e emprego, profundamente relacionadas com a estrutura econômica brasileira. Na prática, elas levam o Brasil a conformar-se como uma estrutura econômica de padrão colonial, com alta participação de seus produtos minerais e agrícolas no mercado externo e um rebaixamento crescente da indústria, tanto no mercado externo quanto no interno. Esse processo tem consequências diretas e perversas tanto na geração geral da riqueza nacional, quanto no emprego da força de trabalho, seja de seus setores com formação científica e técnica, seja daqueles de baixa qualificação profissional. Nessas condições, as reformas do governo Bolsonaro, que têm o Posto Ipiranga como principal articulador, tendem a piorar de forma ainda mais selvagem as tendências descritas acima, assim como o meio ambiente. Com a privatização das empresas estatais, elas reduzem ainda mais a capacidade nacional de geração de empregos e de produção de novas riquezas. Com o rebaixamento de salários e aposentadorias e com sua total concordância com o processo de desindustrialização e de expansão do agronegócio, aumentam a pobreza e a miséria. É isso que faz da industrialização, da reforma agrária e da reforma do sistema logístico os principais geradores de riqueza, de postos de trabalho e de desenvolvimento científico e tecnológico, e assim retomarem a condição de questões estratégicas para o povo brasileiro. Sem enfrentá-las de forma adequada e avançada, numa perspectiva socialista, ficará difícil às forças de esquerda colocarem a nu a responsabilidade da burguesia e do governo bolsonarista pela piora do desastre econômico e social promovido pelas reformas neoliberais, que tendem a desmontar ainda mais a economia brasileira e a disseminar o desemprego e a pobreza também de forma ainda mais intensa. Wladimir Pomar Escritor e Analista Político Clique aqui para ver página original

Lucrando com o corona II

Lucrando com o corona II

A real razão da "histeria" do Coronavirus EXAME 16 de março de 2020 20:31 Seguindo Um mapa mundial dos casos da gripe causada pelo Covid-19 mostra que na China o pior passou. Eu realmente acredito que a saúde pública é importante, realmente acredito que cada vida vale o mesmo, e pouco importa a causa de uma morte, todas as mortes devem ser evitadas sempre que isso for possível. Desta convicção é que vem minha vontade de espalhar ao mundo as consequências mais graves que a histeria propalada e apoiada por indivíduos nos governos que sobrevivem, ou se perpetuam, pela opinião pública que influencia tantos votos das próximas eleições majoritárias. Primeiro vamos a alguns dados públicos e amplamente aceitos: Fonte: indexmundi.com População 0 – 14 anos 15 – 24 anos 25 – 54 anos 55 – 64 anos 65 + China 1.386.000.000 17,1% 13,27% 48,42%, 10,87% 10,35% Europa 741.000.000 15,5% 10,9% 41,8% 12,9% 19,1% Itália 60.480.000 13,69% 9,74% 42,46% 12,73% 21,37% Brasil 209.300.000 22,79% 16,43% 43,84% 8,89% 8,06% Letalidade do coronavírus por faixa etária (em %) 0-9 anos = 0 10-19 anos = 0,2 20-29 anos = 0,2 30-39 anos = 0,2 40-49 anos = 0,4 50-59 anos = 1,3 60-69 anos = 3,6 70-79 anos = 8 80 anos ou mais = 14,8 Fatores de aumento de risco (em vezes) Doença cardiovascular = 11,7 Diabetes = 8,1 Doença respiratória crônica = 7 Hipertensão = 6,7 Ter 80 anos ou mais = 6,4 Câncer = 6,2 Fontes: Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, Organização Mundial da Saúde (OMS) Se pararmos aqui podemos erradamente concluir que morrerão 14,8% das pessoas com 80 anos ou mais , 8% daqueles entre 70 e 79 anos e também quase 4% de quem tem 60 a 69 anos. Pois isso não é correto. Veja que a China com 1.386.000.000 teve 81.000 casos ou 0,0000584% da população, isso é a realidade. E aí você pode argumentar que esse número só é tão baixo pois, lá na China, as autoridades fizeram rapidamente o isolamento de doentes e contiveram a propagação da doença. Isso é correto mas, vamos agora aos números da Itália. Lá, enquanto escrevo este artigo, foram 1.809 casos ou 0,00002991% um número muito menor que o da China. Então por que a Itália parou? Por que países europeus como Alemanha, Espanha, etc, determinam que suas populações fiquem em casa por algo que mata menos que muitas outras causas também contagiosas? Não haveria ninguém com essa visão quantitativa e qualitativa que eu relato aqui? Antes de continuar e mostrar o real motivo disso tudo, volto a salientar que toda vida é importante e toda morte deve ser evitada sempre que isso for possível. Veja que, segundo o atlas de violência do IPEA em 2017, no Brasil 60.559 homens foram mortos no Brasil e isso nunca teve a mesma repercussão que as 80 mil vítimas chinesas. No mesmo ano 4.936 mulheres foram mortas , essas mortes já contam maior cobertura mas, também algo muito longe da ênfase dada aos casos italianos de Covid-19. Mas afinal por que isso acontece? O motivo é o bolso do governo. Sim, isso mesmo. Os governos democráticos no mundo todo tem uma responsabilidade sobre o caixa que administram e a vontade sem fim de performar muito bem na próxima eleição. Por isso farão quase qualquer coisa para manter a saúde financeira do estado e a sua própria imagem como boa, proba, responsável e diligente assim como dos governantes, que são pessoas como eu e você. Então veja agora o gráfico que explica tudo. Se você não entendeu eu explico. Vamos lá, ponto a ponto. 1- Cada país tem seu próprio número limitado de leitos no serviço hospitalar, no Brasil em 2017 era de 1,7 para cada 1.000 habitantes. Veja o gráfico seguinte. 2- Sim, o vírus se espalha rápido e os grupos mais vulneráveis, acima descritos, têm alta probabilidade de internação e, portando demandariam tais leitos escassos. Estaríamos o cenário da curva azul no quadro acima. 3- Ao demandar um leito, recursos orçamentários são usados até o limite previsto e além dele. Isso acontece pois, os todos outros casos previstos não parariam de chegar. 4- Vidas, e dinheiro, se perderiam pela incapacidade do sistema em dar o atendimento correto. 5- Para preservar vidas (isso sim é importante), mas principalmente dinheiro e reputações políticas, é necessário achatar a curva de modo ao sistema conseguir absorver os casos mais graves e termos o cenário da curva vermelha. Bem , se você é político, marketeiro de político, assessor ou qualquer coisa que o valha já deve estar me odiando por mostrar as coisas por esse prisma. Com certeza os políticos de todos partidos, de todas ideologias, pouco importam quem sejam, usarão todos os instrumentos de divulgação, incluindo suas próprias redes sociais e imprensa tradicional sempre para dizer que tudo estão fazendo para preservar vidas humanas. Se isto fosse verdade, teríamos, no Brasil, 100% da população com coleta de esgoto em suas residências, temos somente 52%. Não teríamos cobrança de IPTU sobre imóveis sem habite-se com riscos de desmoronamento e, principalmente, não teríamos tantas mortes como aquelas mostradas pelo Atlas da Violência , esse sim um número epidêmico. Teríamos ainda um número crescente de hospitais e não o contrário como mostra este gráfico Gostaria, imensamente de ser convencido do contrário mas, ao que tudo indica, no mundo todo o quadro é o mesmo. Governos sacrificando suas economias em médio e longo prazo para não se mostrarem nus no curto prazo, prazo onde ocorre o pleito eleitoral. E mais uma vez, repito as vidas são muito importantes e devemos evitar todas as mortes que pudermos, TODAS, inclusive as de sarampo, que voltaram a acontecer, as de dengue, as pneumonia, câncer, leptospirose, de homicídios ou feminicídios, etc, etc, etc. Ibovespa, o principal índice da bolsa de valores brasileira caindo e dólar disparando podem interferir nas vidas das pessoas de forma mais grave e permanente que uma gripe. Uma gripe, com o atendimento correto que como vimos não temos, pode ser curada. Desemprego em família pode durar anos e interferir na vida de mais de uma geração. E sim, os governos devem ficar histéricos, só assim preservarão suas imagens de probos, responsáveis e diligentes. Para isso, neste caso, dispõem do escudo do discurso de salvar vidas, coisa que não fazem em outras situações. Clique aqui para ver página original

Lucrando com o corona I

Lucrando com o corona I

A real razão da "histeria" do Coronavirus EXAME 16 de março de 2020 20:31 Seguindo Um mapa mundial dos casos da gripe causada pelo Covid-19 mostra que na China o pior passou. Eu realmente acredito que a saúde pública é importante, realmente acredito que cada vida vale o mesmo, e pouco importa a causa de uma morte, todas as mortes devem ser evitadas sempre que isso for possível. Desta convicção é que vem minha vontade de espalhar ao mundo as consequências mais graves que a histeria propalada e apoiada por indivíduos nos governos que sobrevivem, ou se perpetuam, pela opinião pública que influencia tantos votos das próximas eleições majoritárias. Primeiro vamos a alguns dados públicos e amplamente aceitos: Fonte: indexmundi.com População 0 – 14 anos 15 – 24 anos 25 – 54 anos 55 – 64 anos 65 + China 1.386.000.000 17,1% 13,27% 48,42%, 10,87% 10,35% Europa 741.000.000 15,5% 10,9% 41,8% 12,9% 19,1% Itália 60.480.000 13,69% 9,74% 42,46% 12,73% 21,37% Brasil 209.300.000 22,79% 16,43% 43,84% 8,89% 8,06% Letalidade do coronavírus por faixa etária (em %) 0-9 anos = 0 10-19 anos = 0,2 20-29 anos = 0,2 30-39 anos = 0,2 40-49 anos = 0,4 50-59 anos = 1,3 60-69 anos = 3,6 70-79 anos = 8 80 anos ou mais = 14,8 Fatores de aumento de risco (em vezes) Doença cardiovascular = 11,7 Diabetes = 8,1 Doença respiratória crônica = 7 Hipertensão = 6,7 Ter 80 anos ou mais = 6,4 Câncer = 6,2 Fontes: Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, Organização Mundial da Saúde (OMS) Se pararmos aqui podemos erradamente concluir que morrerão 14,8% das pessoas com 80 anos ou mais , 8% daqueles entre 70 e 79 anos e também quase 4% de quem tem 60 a 69 anos. Pois isso não é correto. Veja que a China com 1.386.000.000 teve 81.000 casos ou 0,0000584% da população, isso é a realidade. E aí você pode argumentar que esse número só é tão baixo pois, lá na China, as autoridades fizeram rapidamente o isolamento de doentes e contiveram a propagação da doença. Isso é correto mas, vamos agora aos números da Itália. Lá, enquanto escrevo este artigo, foram 1.809 casos ou 0,00002991% um número muito menor que o da China. Então por que a Itália parou? Por que países europeus como Alemanha, Espanha, etc, determinam que suas populações fiquem em casa por algo que mata menos que muitas outras causas também contagiosas? Não haveria ninguém com essa visão quantitativa e qualitativa que eu relato aqui? Antes de continuar e mostrar o real motivo disso tudo, volto a salientar que toda vida é importante e toda morte deve ser evitada sempre que isso for possível. Veja que, segundo o atlas de violência do IPEA em 2017, no Brasil 60.559 homens foram mortos no Brasil e isso nunca teve a mesma repercussão que as 80 mil vítimas chinesas. No mesmo ano 4.936 mulheres foram mortas , essas mortes já contam maior cobertura mas, também algo muito longe da ênfase dada aos casos italianos de Covid-19. Mas afinal por que isso acontece? O motivo é o bolso do governo. Sim, isso mesmo. Os governos democráticos no mundo todo tem uma responsabilidade sobre o caixa que administram e a vontade sem fim de performar muito bem na próxima eleição. Por isso farão quase qualquer coisa para manter a saúde financeira do estado e a sua própria imagem como boa, proba, responsável e diligente assim como dos governantes, que são pessoas como eu e você. Então veja agora o gráfico que explica tudo. Se você não entendeu eu explico. Vamos lá, ponto a ponto. 1- Cada país tem seu próprio número limitado de leitos no serviço hospitalar, no Brasil em 2017 era de 1,7 para cada 1.000 habitantes. Veja o gráfico seguinte. 2- Sim, o vírus se espalha rápido e os grupos mais vulneráveis, acima descritos, têm alta probabilidade de internação e, portando demandariam tais leitos escassos. Estaríamos o cenário da curva azul no quadro acima. 3- Ao demandar um leito, recursos orçamentários são usados até o limite previsto e além dele. Isso acontece pois, os todos outros casos previstos não parariam de chegar. 4- Vidas, e dinheiro, se perderiam pela incapacidade do sistema em dar o atendimento correto. 5- Para preservar vidas (isso sim é importante), mas principalmente dinheiro e reputações políticas, é necessário achatar a curva de modo ao sistema conseguir absorver os casos mais graves e termos o cenário da curva vermelha. Bem , se você é político, marketeiro de político, assessor ou qualquer coisa que o valha já deve estar me odiando por mostrar as coisas por esse prisma. Com certeza os políticos de todos partidos, de todas ideologias, pouco importam quem sejam, usarão todos os instrumentos de divulgação, incluindo suas próprias redes sociais e imprensa tradicional sempre para dizer que tudo estão fazendo para preservar vidas humanas. Se isto fosse verdade, teríamos, no Brasil, 100% da população com coleta de esgoto em suas residências, temos somente 52%. Não teríamos cobrança de IPTU sobre imóveis sem habite-se com riscos de desmoronamento e, principalmente, não teríamos tantas mortes como aquelas mostradas pelo Atlas da Violência , esse sim um número epidêmico. Teríamos ainda um número crescente de hospitais e não o contrário como mostra este gráfico Gostaria, imensamente de ser convencido do contrário mas, ao que tudo indica, no mundo todo o quadro é o mesmo. Governos sacrificando suas economias em médio e longo prazo para não se mostrarem nus no curto prazo, prazo onde ocorre o pleito eleitoral. E mais uma vez, repito as vidas são muito importantes e devemos evitar todas as mortes que pudermos, TODAS, inclusive as de sarampo, que voltaram a acontecer, as de dengue, as pneumonia, câncer, leptospirose, de homicídios ou feminicídios, etc, etc, etc. Ibovespa, o principal índice da bolsa de valores brasileira caindo e dólar disparando podem interferir nas vidas das pessoas de forma mais grave e permanente que uma gripe. Uma gripe, com o atendimento correto que como vimos não temos, pode ser curada. Desemprego em família pode durar anos e interferir na vida de mais de uma geração. E sim, os governos devem ficar histéricos, só assim preservarão suas imagens de probos, responsáveis e diligentes. Para isso, neste caso, dispõem do escudo do discurso de salvar vidas, coisa que não fazem em outras situações. Clique aqui para ver página original