quinta-feira, 30 de abril de 2020

VIVA A MORTE!!! MORTE AOS POBRES!!!

Filósofa francesa defende que método de seleção aplicado nos campos de concentração nazistas está na base da estratégia neoliberal implementada em escala mundial 

A solução final capitalista
Laymert Garcia dos Santos

Há dez anos, o poeta e dramaturgo alemão Heiner Müller deixou claro, numa entrevista, que não via Auschwitz como um desvio ou exceção, mas sim como altar do capitalismo, último estágio das Luzes e modelo de base da sociedade tecnológica. Auschwitz seria o altar do capitalismo porque ali o homem é sacrificado em nome do progresso tecnológico, porque o critério da máxima racionalidade reduz o homem ao seu valor de matéria-prima, de material; seria o último estágio das Luzes ao realizar plenamente o cálculo, por elas inaugurado; e, finalmente, seria o modelo de base da sociedade tecnológica porque o extermínio em escala industrial consagra até mesmo na morte a busca de funcionalidade e eficiência, princípios fundamentais do sistema técnico moderno. O comentário de Müller volta com força total à mente quando se lê o último livro de Susan George, que acaba de ser publicado na França, traduzido do inglês. "Le Rapport Lugano" (O Relatório Lugano) mostra que a lógica da "solução final" não se dissolveu com o fim dos campos de concentração; muito ao contrário, ela está aí, mais atual do que nunca, maquinando a estratégia neoliberal implementada em escala planetária. A aproximação pode parecer abusiva, mas não é: Müller sabia que a estratégia nazista de aceleração total, tanto econômica quanto tecnocientífica, obedecia ao princípio da seleção, isto é, do direito do mais forte; George sabe que a estratégia neoliberal repousa sobre esse mesmo princípio, ao colocar a mesma questão totalitária: quem tem o direito de sobreviver, quem está condenado a desaparecer. Ambos odeiam e combatem a seleção porque ela conduz ao genocídio.
 

Perspectiva sem complacência
Susan George percebeu o caráter genocida implícito na estratégia global do neoliberalismo quando, constatando que o sistema atual é uma máquina universal de destruição do ambiente e de produção de perdedores, procurou colocar-se na posição daqueles que mais lucram com ela e descobriu que eles estavam inquietos. "(O presidente do Banco Central dos EUA) Alan Greenspan se inquietava com a exuberância irracional do mercado, (o megainvestidor) George Soros se inquietava com os excessos do capitalismo, o principal economista do Banco Mundial se inquietava com o impacto e a severidade dos programas de ajuste estrutural nos países pobres, o diretor responsável pela economia mundial do banco Morgan Stanley se inquietava com "o impiedoso confronto pelo poder entre o capital e o trabalho" que se anunciava, e muitas pessoas se inquietavam com a polarização social e o desmoronamento do ambiente. Entretanto ninguém parecia fazer a ligação entre todos os aspectos dessa situação, pelo menos em público." Se fosse tão rica e poderosa quanto eles, pensou então George, daria tudo para obter uma perspectiva do processo global traçada sem complacência, já que, por uma questão de sobrevivência, os senhores da terra precisam de um diagnóstico do sistema e de recomendações para assegurar o controle de sua evolução futura. Ora, se tal estudo existisse, seria feito por esses "policy intellectuals" que transitam entre as universidades de prestígio e as altas esferas governamentais. É muito provável que tais análises existam, mas elas, evidentemente, jamais viriam a público. George decidiu então escrever o que precisaria saber, se fizesse parte do seletíssimo clube que decide a estratégia de sobrevivência da "classe express"; e, para poder escrever, concebeu um recurso literário extremamente instigante: imaginou que alguns incógnitos membros da elite global encomendaram a um grupo de trabalho formado por especialistas de todas as ciências humanas um estudo sigiloso destinado a "definir os dados estratégicos que permitirão manter, desenvolver e reforçar o domínio da economia capitalista liberal de mercado e os processos que o termo "globalização" resume de modo eficiente". Reunido em Lugano, pacato e belo refúgio suíço de milionários, o grupo de trabalho teria então elaborado o seu diagnóstico e, em novembro de 1999, entregue o "Relatório Lugano", que tem por título oficial "Assegurar a Perenidade do Capitalismo no Século 21".
 

A encomenda secreta
A invenção da encomenda secreta agora tornada pública é o único elemento ficcional dessa avaliação implacável -todo o resto é documentado por meio da massa de dados devidamente ponderados e apresentados na linguagem fria e imparcial da tecnocracia. Mas em vez de criar um efeito literário, a articulação entre ficção e realidade tem o poder de captar a dimensão monstruosa do processo em curso. Com efeito, tudo se passa como se Susan George tivesse recorrido à situação fictícia para pensar até o fim o pensamento dos neoliberais, para levar às últimas consequências suas premissas econômicas, políticas, comerciais, financeiras, ecológicas e demográficas. A primeira parte do "Relatório" é dedicada às ameaças que pesam sobre o sistema, ao papel das instituições internacionais de controle e ao impacto gerado pela atual relação explosiva entre consumo, tecnologia e população. Eis algumas das conclusões do grupo de trabalho: 1) Os governantes tentam convencer os governados de que a ordem econômica neoliberal pode incluir todo mundo em toda parte, por mais numerosos que sejam no presente e no futuro. Mas não há a menor possibilidade de integrar uma população mundial de 6 a 8 bilhões de pessoas. 2) Antes da globalização, os processos econômicos eram sobretudo nacionais e operavam por adição. Hoje, precisamente porque se tornaram internacionalizados, operam por subtração; é o chamado "downsizing", quanto mais se eliminam elementos humanos custosos (mão-de-obra), mais os lucros aumentam. 3) A cultura capitalista se caracteriza pela concorrência e pela "destruição criadora". Mas os países onde a economia mercantil deu forma a uma cultura capitalista dominante durante séculos constituem hoje apenas 10% da humanidade. Tal porcentagem é de muito mau augúrio para o futuro do sistema. 4) As condições mínimas para que o capitalismo global perdure e triunfe não podem ser satisfeitas nas atuais condições demográficas. Não se pode ao mesmo tempo apoiar o capitalismo e continuar tolerando a presença de bilhões de humanos supérfluos. 5) Uma população total do planeta mais reduzida é o único meio de garantir a felicidade e o bem-estar da maioria das pessoas. Tal opção pode parecer dura, mas é ditada pela razão e pela compaixão. Se desejamos preservar o sistema liberal, não há alternativa.
 

Limpeza social
Uma vez colocada a questão da redução de população, o "Relatório" passa a discutir as estratégias para "resolver" o problema dos excluídos por meio do que Müller chama de "limpeza social". De saída os sistemas genocidas como o Holocausto são considerados estratégias ruins por várias razões: apóiam-se em enorme burocracia, são caros demais e ineficientes, conferem demasiado poder e responsabilidade ao Estado, não passam despercebidos, atraem a ruína e o opróbrio a seus autores. Diz o relatório:
"O modelo de Auschwitz é o contrário do que precisamos para atingir o objetivo. (...) A seleção das "vítimas" não deve ser responsabilidade de ninguém, senão das próprias "vítimas". Elas selecionarão a si mesmas a partir de critérios de incompetência, de inaptidão, de pobreza, de ignorância, de preguiça, de criminalidade e assim por diante; numa palavra, elas encontrar-se-ão no grupo dos perdedores".
Definidos os objetivos e os quatro pilares que fundamentam a ambiciosa empresa, o pilar da ideologia e da ética, o econômico, o político e o psicológico, o "Relatório" propõe, como estratégias de redução da população, uma atualização concertada dos flagelos configurados pelos quatro cavaleiros do Apocalipse: a Conquista, a Guerra, a Fome e a Peste. Vistos nessa perspectiva, os conflitos regionais, as crises, as epidemias e os desmanches que assolam as economias e sociedades do Terceiro Mundo adquirem uma inteligibilidade espantosa, até então irreconhecível. Mas a produção de destruição não tem apenas inspiração bíblica: há também estratégias que nem São João de Patmos nem Malthus poderiam conceber, porque são preventivas e dependem da política e da tecnologia do século 20: aqui têm lugar os inibidores de reprodução, como as esterilizações em massa, a contracepção forçada etc.
Às duas partes do "Relatório" Susan George acrescenta um capítulo de comentários sobre as maneiras de reagir a ele e um posfácio, no qual revela como e porque inventou sua ficção. Leitora do antigo estrategista chinês Sun Tzu, ela simplesmente aplicou seu preceito:
não faça o que mais gostaria de fazer. Faça o que o seu adversário menos gostaria que fizesse.

Laymert Garcia dos Santos é professor livre-docente do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e autor de "Tempo de Ensaio" (Companhia das Letras), entre outros.

Onde encomendar
O livro "The Lugano Report" (Ed. Pluto, 208 págs., US$ 14,95) pode ser encomendado, em SP, à livraria Cultura (tel. 0/xx/11/285-4033) e, no RJ, à livraria Leonardo da Vinci (tel. 0/xx/ 21/ 533-2237).

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Índice
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Keane, John; Fairy Tales of London; Ferens Art Gallery
Publicado in
Folha de São Paulo, Caderno +mais!, domingo, 24 de setembro de 2000.
Nota: publicação original do livro de Susan George “The Lugano Report”, Ed. Pluto, 208 págs. Edição brasileira “O relatório Lugano”, Editora Boitempo, 2002, 224 pgs.
Imagem: Fairy Tales of London, John Keane.
Este post também está disponível em: Espanhol
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domingo, 26 de abril de 2020

Janaína Pascoal e o plano de afastamento do bolsofake

Janaína, explica o plano para quem acha que é teoria da conspiração... Janina Pascoal Eles têm pressa em tirar Bolsonaro, não estão a fim de passar por um demorado e desgastante processo de impeachment, ainda mais agora que a população acompanha e se revoltaria com os partidos que votassem para retirar o capitão. A única solução é gerar o caos e esvaziar o governo, forçando o pedido de 'demissão'. Fernando Henrique Cardoso pediu a mesma coisa. Entendeu? O alvo agora é o DEM forçando a saída da Ministra Tereza Cristina e um grupo liberal forçando Paulo Guedes a abandonar o barco, em troca de apoio político logo mais. Uma pena que Sérgio Moro aceitou o plano. Eis o texto postado por Janaína, “o plano”: “Nunca defendi pessoas. Sempre defendi e defendo ideias e ações. Nunca vocês me ouviram adjetivar quem quer que seja. Nós não votamos em Bolsonaro! Votamos em dois grandes compromissos! Os compromissos com a luta contra a corrupção e com uma política econômica liberal. Já durante a campanha, o compromisso com uma política econômica liberal foi personalizado no Ministro Paulo Guedes. Após a eleição, o compromisso com a luta contra a corrupção foi personalizado no Ministro Sérgio Moro. O país não precisa de Bolsonaro. Bolsonaro tem feito muito mal ao Brasil. O país precisa desses pilares. General Mourão foi eleito democraticamente! Ninguém pode acusá-lo de ser de esquerda. Se os Ministros Militares retirarem o apoio a Bolsonaro e Mourão garantir esses dois pilares, bem representados por Guedes e Moro, poderemos colocar o país no rumo rapidamente. Não há tempo para um processo de impeachment moroso e desgastante. Eu tenho experiência para falar. Bolsonaro precisa, ao menos uma vez, colocar o Brasil acima, retirando-se. Temos um vírus a combater, temos empregos a resgatar, precisamos de alguma estabilidade!” Fonte: DO JCO

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Sergio Moro demite-se do governo Bolsonaro

URGENTE: Moro caiu The Intercept Brasil 24 de abril de 2020 12:43 Responder para: us11-7ffbfdc654-2d5314d746@inbound.mailchimpapp.net Para: institutouniversidadepanameria@gmail.com Responder | Responder a todos | Encaminhar | Imprimir | Excluir | Mostrar original Sexta-feira, 24 de abril de 2020 Sergio Moro está fora do governo Bolsonaro Estrela do ministério, convidado durante a campanha eleitoral quando ainda era juiz, anunciou há pouco sua saída numa entrevista coletiva no Ministério da Justiça. Sua cara era de total abatimento. Moro foi decisivo para a eleição de Jair Bolsonaro: vale lembrar que ele levantou o sigilo da delação podre de Antonio Palocci – levantamento que nem mesmo Deltan Dallagnol conseguiu defender. O ex-juiz sai do governo muito menor do que entrou. Deu a Bolsonaro parcela considerável da sua credibilidade junto à opinião pública, transferiu seu cacife político ao presidente. Em troca, recebeu seguidas humilhações de Bolsonaro e de seu entorno. Tiraram dele o Coaf, vetaram nomeações, interferiram na PF. Durante a coletiva de hoje, Moro disse que teve apoio de Bolsonaro em alguns projetos, “mas em outros não”. O estopim da queda foi a troca do diretor-geral da Polícia Federal. Ainda Moro, na coletiva: “o problema não é o nome, mas por que trocar?”. Moro não disse, mas o motivo é claro: proteger a família Bolsonaro dos casos de corrupção nos quais estão envolvidos. Sobre esse ponto, Moro elogiou o PT por ter mantido a autonomia da PF durante seus governos. Moro poderá sempre se dizer surpreendido pelo comportamento do agora ex-chefe. O que não muda é que jamais poderia ter sido ministro. Se tivesse qualquer apreço pela justiça e pela democracia não deveria ter aceitado o cargo, dado o histórico da família Bolsonaro, seu apreço por torturadores e desprezo pelas instituições democráticas. Além disso, em qualquer país sério, o juiz que tirou da corrida presidencial outro candidato com chances de ser eleito não assumiria um cargo no governo do candidato vencedor. Seria um escândalo, como foi. Mas a sede de poder de Moro ficou escancarada, como demonstramos inúmeras vezes nos arquivos secretos da Lava Jato. Chego então à Vaza Jato. Depois das revelações que fizemos, Sergio Moro não deveria ter permanecido no Ministério. As improbidades cometidas quando ocupava a 13ª Vara Federal de Curitiba são gravíssimas, interferiram na condução dos rumos da República e colocam em xeque todo o desenrolar da operação Lava Jato. Afinal, como aceitar que um juiz que evita investigar políticos para não "melindrar alguém cujo o apoio é importante" ocupe a pasta da Justiça? É isso o que chamam de bandido de estimação? O ciclo de Sergio Moro no Ministério se encerrou hoje. A vergonha da sua participação no governo Bolsonaro, no entanto, é eterna. E para que não esqueçamos também de que ele sempre teve apreço pelo autoritarismo e pelo desrespeito às instituições, vale a pena ver de novo os melhores momentos do ex-juiz na Vaza Jato: 1. O agora ex-ministro trabalhou em parceria com a força-tarefa de Curitiba sugerindo troca de fases da operação, interferindo nas investigações e dando pistas sobre elas. "Não é muito tempo sem operação?", ele questionou a Dallagnol em certa ocasião. 2. “Moro viola sempre o sistema acusatório e é tolerado por seus resultados”. Eu também acho, mas quem disse isso foi a procuradora Monique Cheker em uma conversa onde vários membros da força-tarefa reclamavam das violações do ex-juiz e de sua possível ida para o governo Bolsonaro (sempre bom lembrar que Monique é Monique). 3. Acostumado a interferir nos rumos da política brasileira, Sergio Moro também sugeriu que os procuradores vazassem trechos de delação para interferir na política da Venezuela. “Talvez seja o caso de tornar pública a delação da Odebrecht sobre propinas na Venezuela”, sugeriu a Dallagnol numa clara demonstração de desrespeito a qualquer princípio democrático e diplomático. 4. Dallagnol já sabia que Moro estava se metendo numa enrascada ao aceitar o convite de Bolsonaro. Ninguém em sã consciência comprou a ideia de que Bolsonaro é um militante anticorrupção, né? "Seja como for, presidente não vai afastar o filho. E se isso tudo acontecer antes de aparecer vaga no supremo?”, profetizou Deltan. 5. Acostumado desde os tempos de Curitiba a interferir na PF, Moro certamente não gostou de ver Bolsonaro passando por cima da sua autoridade. O ex-juiz gosta do poder, e durante sua carreira na magistratura não só direcionou ações do MPF como também fazia dobradinha com a PF. Há muito mais coisas sobre as impropriedades de Moro durante a Lava Jato. O acervo é enorme e pode ser consultado aqui. É impossível saber o que a saída do ex-juiz significa para os rumos de um governo que vem desmoronando em praça pública. É certo que se não estivéssemos em meio a uma pandemia, Bolsonaro estaria hoje muito vulnerável a um processo de impeachment. O presidente se protege com o vírus. Chega a ser poético. Moro está fora, mas não se iludam: a campanha presidencial de 2022 começou, e Moro e Bolsonaro, bem,,, são uma coisa só. O ex-ministro continua sendo o político mais popular do Brasil, apesar de sair do ministério pela porta dos fundos – ele disse, na coletiva, que soube da exoneração de Valeixo pelo Diário Oficial, e que não assinou o documento, apesar de sua assinatura constar no pé de página. Se Moro diminuiu a ponto de ser chutado por Bolsonaro, certamente foi também pela força do jornalismo independente, que não se deixa seduzir por super-heróis e que não se comporta como porta-voz de autoridade. Um abraço, Leandro Demori Editor Executivo Quantas práticas ilegais, corruptas e injustas estariam ocultas sem o trabalho dos nossos jornalistas? Você tem a chance de nos ajudar hoje a expor ainda mais o que eles querem esconder. FAÇA PARTE DO TIB →

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Oii General!!

Ei, general… The Intercept Brasil 23 de abril de 2020 17:47 Para: institutouniversidadepanameria@gmail.com Responder | Responder a todos | Encaminhar | Imprimir | Excluir | Mostrar original Quinta-feira, 23 de abril de 2020 Ei, general... O Brasil hoje é o 11º em mortes por coronavírus no mundo e o país que menos faz testes entre esses 11. São 1,3 mil testes por milhão de habitantes, enquanto a Holanda, por exemplo, que vem logo acima, faz 10.000 testes por milhão. A nossa realidade no momento é: poucos testes, pouca ação do governo federal e muitas mortes. Por isso a foto de Michael Dantas com as covas em Manaus é um retrato fiel do que estamos vivendo. Liderados pelo governo da morte, resta-nos abrir imensas covas coletivas: Foto: Michael Dantas/AFP via Getty Images Foi nesse cenário que o alto escalão fardado do Planalto reuniu-se ontem em entrevista coletiva para falar à população. Não vou nem entrar no tema do constrangedor plano de recuperação econômica. Deixarei isso para os especialistas. O ponto alto da coletiva foi a cara de pau do Ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos. Ele reclamou das imagens de caixão e da divulgação do número de mortos e pediu que a imprensa noticiasse coisas boas: "eu conclamo e peço encarecidamente, tem tanta coisa positiva acontecendo". O apreço dos militares brasileiros por censura é amplamente conhecido. Mas a fala de Ramos não se resume a isso. Aparentemente, o ministro acredita que o problema da pandemia é a informação. Estaríamos melhores se o governo federal estivesse matando por debaixo dos panos, penso, seguindo a lógica dele. Se as UTIs lotadas não fossem noticiadas. Se o aumento exponencial de mortes e internações por questões respiratórias fosse escondido da população. O ministro foi extremamente sincero em sua fala ontem: a política assassina do governo federal está em curso e o que eles querem é esconder isso de você. O novo ministro da Saúde disse que não faremos testes em massa. Ou seja: omitir para mentir. Também não vai haver um auxílio financeiro expressivo para as pequenas empresas, não vai haver qualquer política de assistência para os mais fragilizados, os famintos e os desempregados. "Mas tem muita coisa positiva acontecendo! Noticiem!" Não, ministro, nós não vamos obedecer. O jornalismo independente vai continuar batendo duro, denunciando, investigando. Como eu gosto de dizer, a missão do Intercept é revelar aquilo que eles querem esconder. E isso nunca fez tanto sentido. Você pode, hoje, desobedecer ao ministro general e nos ajudar a revelar ainda mais. Vai perder essa chance? VAMOS DESOBEDECER JUNTOS → Um abraço, Leandro Demori Editor executivo

quarta-feira, 22 de abril de 2020

BOLSODROGA

HOME ASSUNTOS PODCAST VÍDEOS BLOGS COLUNISTAS Revista Fórum - Outro mundo em debate. logo 2' ‌ Ernesto Araújo (Reprodução) CORONAVÍRUS 22 DE ABRIL DE 2020, 06H42 “Comunavírus”: Ernesto Araújo alerta para plano comunista na pandemia e ataca OMS Ministro questiona eficácia da OMS e diz que comunistas pretendem utilizá-la como primeiro passo na construção de uma dominação "planetária" Por Luisa Fragão ‌ ‌ ‌ ‌ O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, foi às redes sociais na madrugada desta quarta-feira (22) para alertar sobre um “plano comunista”, o qual ele chama de “comunavírus”, de apropriação da pandemia do Covid-19 para “subverter a democracia liberal”. “Não bastasse o Coronavírus, precisamos enfrentar também o Comunavírus. No meu blog, analiso o livro ‘Virus’; de Slavoj Žižek e seu projeto de usar a pandemia para instaurar o comunismo, o mundo sem nações nem liberdade, um sistema feito para vigiar e punir”, escreveu o ministro no Twitter. ‌ ‌ ‌ Em seu blog, o ministro de Relações Exteriores aproveita para atacar a Organização Mundial da Saúde (OMS) e diz que transferir poderes nacionais à organização não tem eficácia comprovada. Ele diz ainda que o “plano comunista” em curso pretende utilizar a OMS como “primeiro passo na construção da solidariedade comunista planetária”. “Sim, não é o comunismo de outrora, que instalava ora num país, ora noutro, um sistema de planejamento econômico central, sempre fracassado em proporcionar bem-estar, sempre exitoso em controlar e oprimir a sociedade. Trata-se agora de um planejamento central mundial, que certamente traria o mesmo fracasso e o mesmo êxito desse modelo quando aplicado no passado na escala nacional”, escreve o ministro. ‌ Em outro trecho, Araújo comenta as reflexões do autor de “Vírus” sobre a quarentena durante a pandemia. “Žižek não se preocupa com o resultado da quarentena para a contenção do coronavírus, ele não se preocupa em conter o coronavírus, mas sim em favorecer ao máximo o contágio do outro vírus, esse que ele mesmo denomina o vírus ideológico, “diferente e muito mais benéfico”. Ele louva a quarentena justamente pelo seu potencial destrutivo. Seu mundo dos sonhos é Wuhan quarentenada”, escreve. ‌ Confira: ‌ ‌ Não bastasse o Coronavírus, precisamos enfrentar também o Comunavírus. No meu blog, analiso o livro "Virus" de Slavoj Žižek e seu projeto de usar a pandemia para instaurar o comunismo, o mundo sem nações nem liberdade, um sistema feito p/ vigiar e punir:https://t.co/LYsfO2K9fg — Ernesto Araújo (@ernestofaraujo) April 22, 2020 Quantas matérias por dia você lê da Fórum? Mais em Home Doria se diz arrependido pelo voto em Bolsonaro: “Não imaginava comportamentos tão irresponsáveis” CORONAVÍRUS DORIA SE DIZ ARREPENDIDO PELO VOTO EM BOLSONARO: “NÃO IMAGINAVA COMPORTAMENTOS TÃO IRRESPONSÁVEIS” Ministros do STF dizem que investigação sobre atos golpistas pode atingir Bolsonaro Fora do ministério, Mandetta ataca EUA, critica herança escravocrata e defende SUS Alemanha e Reino Unido iniciam testes em humanos de vacina contra coronavírus Mulher oferece gotinhas milagrosas contra o coronavírus e é presa no litoral de São Paulo Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já. Apoie a Fórum ‌ #tags #coronavirus#Ernesto Araújo#OMS ‌ Sugestão de pautaReportar erro Luisa Fragão Luisa Fragão Jornalista. ‌ ‌ Comentários Cabelo cresce nas entradas: tônico que reativa células-tronco é liberado pela ANVISA Hair Power | Patrocinado Dores nas articulações? Pesquisadores descobrem algo incrível FlexCaps | Patrocinado Nutricionista revela como queimar gordura abdominal Receitas Modernas | Patrocinado Dispositivo antirronco super comentado no Brasil SleepQuiet | Patrocinado Fatia, rala e corta em segundos! Master Cut chega ao Brasil. Master Cut | Patrocinado A gordura da barriga pode reduzir drasticamente usando isto. Confira! Fito One | Patrocinado O queridinho dos artistas! showdeoculos.com | Patrocinado Famosos que morreram e ninguém te falou, respire fundo Gloriousa | Patrocinado Irmão de vítima do coronavírus em Manaus grava vídeo de enterro em vala coletiva "É a hora do adeus", diz irmão de vítima enquanto grava a cena de caixões sendo cobertos por terra jogada por um trator em uma vala coletiva feita em cemitério da cidade; assista Revista Fórum HOJE EM HOME 3' ‌ João Doria (Foto: Divulgação) CORONAVÍRUS 22 DE ABRIL DE 2020, 06H34 Doria se diz arrependido pelo voto em Bolsonaro: “Não imaginava comportamentos tão irresponsáveis” Na tarde desta quarta, Doria vai anunciar um plano de saída do isolamento, o primeiro estado a fazer isso Por Redação ‌ ‌ ‌ ‌ Em entrevista à Folha publicada nesta quarta-feira (22), o governador de São Paulo, João Doria, afirmou ser um dos arrependidos por ter votado no presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido-RJ). “Fiz campanha me posicionando contra esquerda, o PT. O outro candidato era Jair Bolsonaro. Por ser candidato, eu tinha que ter um lado, que não poderia ser o do nulo ou em branco. Nunca fiz isso. Mas não tinha a perspectiva de ter um presidente que pudesse vir a ter comportamentos tão irresponsáveis, tão distantes da verdade, tão condenáveis sobretudo numa situação de pandemia como essa”, afirmou Doria. ‌ ‌ ‌ O governador disse ainda que Bolsonaro “felizmente não conseguiu implementar a sua irresponsabilidade, pois os 27 governadores dos estados tiveram uma posição oposta e defenderam a vida”. Sobre o fato da troca de elogios entre ele e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) ter consequência nas próximas eleições, Doria disse não estar preocupado com 2022. “Estou preocupado em salvar vidas, e, na sequência, recuperar a economia. Não há sentido político, eleitoral, ideológico no que tenho feito, e tenho certeza que os que estão no caminho certo têm este sentimento”. ‌ Sobre as manifestações antidemocráticas, que pedem a volta do AI-5 e o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF), Doria disse que apesar de não concordar com elas, não vai mandar a Polícia Militar reprimir. “Entendo que, ainda que sejam condenáveis, do ponto de vista de serem inconstitucionais e até repugnantes —e digo isso na condição de ser filho de um ex-deputado federal cassado pelo golpe de 1964 e que sofreu dez anos de exílio, com dois dos quais eu convivi—, a manifestação é de livre direito de quem quer se manifestar”. ‌ “Desde que não seja uma autoridade pública, evidentemente. Uma autoridade pública com mandato não deve se pronunciar em circunstâncias como essa, ferindo a Constituição”, aproveita a deixa para fazer mais uma crítica a Bolsonaro, que compareceu a uma das manifestações, em Brasília, no último domingo. ‌ ‌ Na tarde desta quarta (22), Doria vai anunciar um plano de saída do isolamento, o primeiro estado a fazer isso. Sobre o assunto, ele afirmou que não será permitido o confronto de prefeitos nas decisões do estado porque elas se aplicam, até 10 de maio, a todos os 645 municípios. “Na etapa posterior, aí sim, [a quarentena] será estabelecida por regiões e cidades e, em algumas cidades onde for possível haver relaxamento, ele será aplicado em etapas, de forma zelosa e cuidadosa”. Quantas matérias por dia você lê da Fórum? Mais em Home Doria se diz arrependido pelo voto em Bolsonaro: “Não imaginava comportamentos tão irresponsáveis” CORONAVÍRUS DORIA SE DIZ ARREPENDIDO PELO VOTO EM BOLSONARO: “NÃO IMAGINAVA COMPORTAMENTOS TÃO IRRESPONSÁVEIS” Ministros do STF dizem que investigação sobre atos golpistas pode atingir Bolsonaro Fora do ministério, Mandetta ataca EUA, critica herança escravocrata e defende SUS Alemanha e Reino Unido iniciam testes em humanos de vacina contra coronavírus Mulher oferece gotinhas milagrosas contra o coronavírus e é presa no litoral de São Paulo Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já. 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segunda-feira, 13 de abril de 2020

A pandemia desnuda a Era dos Empregos de Merda

O melhor da semana - Biopolítica de uma catástrofe anunciada | Sobre nossa finitude, as ameaças e o dinheiro | Que mundo virá depois da pandemia? Outras Palavras 12 de abril de 2020 10:04 Para: institutouniversidadepanameria@gmail.com Mostrar original Seleção semanal nº 45 - 12/4/2020 leia no navegador Biopolítica de uma catástrofe anunciada A pandemia nasce da pecuária industrial e da devastação da Saúde pública. Mas o problema que revela é, além do capitalismo em si, o capitalismo em mim. Oxalá o desejo de viver nos dê criatividade e empenho para a transformação indispensável Por Ángel Lara A pandemia desnuda a Era dos Empregos de Merda Agora, bilhões descobrem que podem trabalhar em casa, sem os controles burocráticos de sempre. Jornada de trabalho poderia ser reduzida drasticamente, em relações pós-capitalistas. Mas haverá imensa pressão para que tudo volte ao “normal” Entrevista de David Graeber A Quarentena, a normalidade à espreita e o espectro de Toritama Se nada fizermos, o recolhimento do capitalismo para o interior das residências será a promessa de que tudo voltará a ser como antes. Ou – pior – sinal de que as fronteiras entre trabalho e tempo livre estão prestes a se apagar por completo Por Claudio Medeiros e Victor Galdino Sobre nossa finitude, as ameaças e o dinheiro As bolhas de conforto e negação estouraram. A vida não está protegida por cápsulas: a casa, o carro, o shopping. Espalham-se riscos como a mudança climática, a falta de alimentos e as bactérias resistentes. Enfrentá-las exige desafiar as cegueiras do capital Por George Monbiot Uma amarga prévia da catástrofe do clima Gradual e presente há anos, crise climática assemelha-se à pandemia: enfrenta negacionismo, impacta economia, sobrecarrega hospitais e aflige população mais pobre. Ambas são sintomas de um mundo insustentável - e da urgência de transformá-lo Por Sharon Zhang Vulnerabilidade, essência da Educação pós-capitalista Frente à ameaça invisível, a fragilidade humana -- e a necessidade de outra formação. Daí, diz Judith Butler, também virá a busca coletiva por proteção. Das angústias da pandemia, o Comum poderá surgir como alternativa ao ultraliberalismo Por Roberto Rafael Dias da Silva O vírus transparente e os unicórnios invisíveis Entre o reino transcendente, dos deuses e mercados; e o mundano, das desigualdades e devastação, há uma esfera intermediária. Três seres astutos e terríveis a habitam. Sua força está em não serem percebidos – e em agirem em conjunto Por Boaventura de Sousa Santos [Podcast] Vigilância e controle na quarentena Trabalho e Educação à distância abrem oportunidade perfeita para gigantes da tecnologia abocanharem mais de nossos dados pessoais. De quebra, facilitam superexploração do tempo e dos corpos. Mas há brechas na desmercantilização da internet Entrevista de Rafael Evangelista [Vídeo] Governo estrangula (ainda mais) ciência brasileira Em todo o mundo, a busca pela vacina ao coronavírus. Enquanto no Brasil, mais desmonte: governo atinge as pesquisas da Capes, precarizando-as, e elitiza a carreira científica. Mais bolsas serão cortadas -- só ano passado, foram 8 mil Flávia Calé em entrevista a Rôney Rodrigues [Vídeo] Que mundo virá depois da pandemia? Neste exato instante, dois movimentos opostos estão pleno curso, em alta velocidade. O 0,1% mais rico tenta ampliar seu controle sobre todo tipo de poder. Em contrapartida, as redes de solidariedade sugerem um mundo livre da ditadura dos mercados ...

sexta-feira, 10 de abril de 2020

MORTES AOS MILHARES

DIÁRIO DA COVID-19: MORTES AOS MILHARES Padre de máscara ouve confissão de fiel em Varsóvia. Foto de Wojtek Radwanski (AFP) Será uma Sexta-Feira Santa de choro e (muitas) mortes pelo mundo. Em seu Diário da Covid-19, no #Colabora, José Eustáquio Diniz Alves contabiliza que o martírio atingiu a casa de 100 mil óbitos - e o Brasil cumpre trajetória ascendente. Com os casos dobrando a cada cinco dias, país alcançou a 11ª posição no ranking da pandemia.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

As Falas-Pronunciamentos Do Bolsofake

ASSUSTADOR, PAVOROSO Eis o que eu, Negreiros Deuzimar Menezes, 65, Professor (de Professar...), penso e como avalio agora, andragogicamente, [daquilo que interpretamos sobre o que aconteceu (nosso julgamento)] sobre as falas-pronunciamentos do bolsofake. Hoje, 08-04-20, não foi diferente: Assustador, pavoroso ouviu as falas-pronunciamentos do bolsofake pensando e preocupado com sua reeleição e do ministro da saúde fazendo louvor ao seu “presidente” Jair..., também pensando em sua eleição em 2022... Quanta hipocrisia, quanta falsidade nas falas-pronunciamentos. Do mesmo modo, nas “redes sociais”, dos seus iguais, os bolsonaristas-raiz. Em sua orgulhosa ignorância, bolsofake age o tempo todo para impor suas “verdades” egoicas, falsas, fantasiosas a um determinado povo que ele sabe ser de intelecto raso afetado por crenças estúpidas que ele agora ajuda e disseminar. O QUE BOLSOFAKE RECOMENDA E SEUS IGUAIS, OS BOLSONARISTAS-RAIZ REPLICAM, NADA TEM DE COMPROVAÇÃO E VALIDADE CIENTÍFICA, DE EMBASAMENTO EM EVIDÊNCIAS DA EFICIÊNCIA E SEGURANÇA CLÍNICA HOSPITALAR. .......... Do mesmo modo, assustador, pavoroso vê como o Brasil foi entregue eleitoralmente, a partir do voto de parte do eleitorado, para corjas de hipócritas, canalhas, patifes, mentirosos, falsários, criminosos, genocidas... Todos fascistas por crenças na autoridade da fé, em detrimento, nulidade do científico, da ciência. Do óbvio!! .......... Negreiros Deuzimar Menezes, 65, num canto, de um lugar qualquer, em 08 de abril de 2020.

Biopolítica de uma catástrofe anunciada

8/4 - Biopolítica de uma catástrofe anunciada | Que mundo virá depois da pandemia? | Vulnerabilidade, essência da Educação pós-capitalista Caixa de entrada Adicionar estrela Outras Palavras 8 de abril de 2020 21:41 Para: institutouniversidadepanameria@gmail.com Responder | Responder a todos | Encaminhar | Imprimir | Excluir | Mostrar original Boletim de atualização nº 1382 - 8/4/2020 leia no navegador Biopolítica de uma catástrofe anunciada A pandemia nasce da pecuária industrial e da devastação da Saúde pública. Mas o problema que revela é, além do capitalismo em si, o capitalismo em mim. Oxalá o desejo de viver nos dê criatividade e empenho para a transformação indispensável Por Ángel Lara Vulnerabilidade, essência da Educação pós-capitalista Frente à ameaça invisível, a fragilidade humana -- e a necessidade de outra formação. Daí, diz Judith Butler, também virá a busca coletiva por proteção. Das angústias da pandemia, o Comum poderá surgir como alternativa ao ultraliberalismo Por Roberto Rafael Dias da Silva OUTRO OLHAR Que mundo virá depois da pandemia? Neste exato instante, dois movimentos opostos estão pleno curso, em alta velocidade. O 0,1% mais rico tenta ampliar seu controle sobre todo tipo de poder. Em contrapartida, as redes de solidariedade sugerem um mundo livre da ditadura dos mercados Por Antonio Martins Domésticas pelo direito à quarentena remunerada Explodem os casos de diaristas dispensadas sem garantia de renda – e muitas ficarão de fora do programa de ajuda emergencial. Em Recife, trabalhadora CLT teve salário assegurado e, nas redes sociais, promove campanha em defesa das companheiras Por Helena Dias, no Marco Zero O JOIO E O TRIGO Obesos, mal-nutridos e… desnacionalizados Três processos paralelos mudaram nutrição dos brasileiros, nos últimos trinta anos. Nunca fomos tão obesos. Comemos muito mais ultraprocessados. E corporações transnacionais controlaram produção de alimentos. Será mera coincidência? Por Giulia Afiune OUTRA SAÚDE A ultradireita procura um bode expiatório Depois de negligenciar por meses a covid-19, e ver EUA convertidos no epicentro da doença, Trump ataca… a OMS! Veja também: no Brasil, o ministério da Saúde vacila, a quarentena afrouxa e país fica sob ameaça de tragédia humanitária Por Maíra Mathias e Raquel Torres A pandemia alcança Alter do Chão No deslumbrante distrito paraense, frequentado por turistas de todo o mundo, anciã indígena morre e outros dois estão internados, graves. Doença pode se espalhar para outros vinte municípios. Hospital mais próximo tem apenas com 20 leitos de UTI Por João Soares, na DW Brasil DE OLHO NOS RURALISTAS Criminosos invadem terras e expõem indígenas ao vírus No interior da Amazônia, grileiros e madeireiros aproveitam-se da falta de fiscalização durante a pandemia para aterrorizar territórios ancestrais. Falta estrutura para atender povos originários, mais vulneráveis à doença e distantes dos hospitais, já sobrecarregados. Especialistas temem genocídio Por Caio de Freitas Paes Índia: como superar a pandemia quando falta água Mais de 600 milhões de pessoas sofrem com a precariedade do sistema de saneamento -- e não terão como manter higiene contra a doença. Nas favelas e no campo, população depende de caminhões-pipa e os banheiros públicos são superlotados Por Praveen S., no Brasil de Fato Na metrópole infectada, uma normalidade melancólica É a hora em que as panelas batem, mas aqui não há panelas. No centro de SP, nove da noite, há ainda movimento. A polícia nas ruas, os sem-teto nas escadas, os camelôs vendendo cigarros. Estranha rotina, à beira do iminente desastre social Uma crônica de Tarântula Nosso jornalismo de profundidade precisa se expandir Temos novos projetos. Em meio à crise civilizatória e à ameaça da extrema direita, sustentamos que o pós-capitalismo é possível. Queremos fazê-lo ainda mais intensamente. Participe: R$ 15 mensais R$ 30 mensais R$ 60 mensais

quarta-feira, 8 de abril de 2020

A PESTE

The Intercept Brasil 4 de abril de 2020 09:35 Responder para: us11-7ffbfdc654-0cf86dfcde@inbound.mailchimpapp.net Para: institutouniversidadepanameria@gmail.com Responder | Responder a todos | Encaminhar | Imprimir | Excluir | Mostrar original Sábado, 4 de abril de 2020 A Peste “A grande cidade silenciosa não passava então de um aglomerado de cubos maciços e inertes, entre os quais as efígies taciturnas de benfeitores esquecidos ou de grandes homens antigos, sufocados para sempre no bronze, tentavam sozinhos, com seus falsos rostos de pedra ou de bronze, evocar uma imagem degradada do que fora o homem. Esses ídolos medíocres reinavam sob um céu espesso nas encruzilhadas sem vida, brutos insensíveis que bem representavam o reino imóvel em que havíamos entrado ou pelo menos, a sua ordem última, a de uma necrópole em que a peste, a pedra e a noite teriam feito calar, enfim, todas as vozes. Mas a noite também estava em todos os corações, e as verdades, como as lendas que se contavam sobre os enterros, não eram feitas para tranquilizar nossos concidadãos. Porque é efetivamente necessário falar dos enterros, e o narrador pede desculpas. Sente naturalmente a crítica que lhe poderia ser feita a respeito, mas a única justificativa é que houve enterros durante toda essa época e que, de certo modo, o obrigaram, como obrigaram a todos os nossos concidadãos, a preocupar-se com enterros. Não é que ele goste desse tipo de cerimônias, preferindo, pelo contrário, a sociedade dos vivos, e, para dar um exemplo, os banhos de mar. Mas, afinal, os banhos de mar tinham sido suprimidos, e a sociedade dos vivos receava durante todo o dia ser obrigada a ceder lugar à sociedade dos mortos. Era a evidência. Na verdade era sempre possível esforçar-se por não vê-la, fechar os olhos e recusá-la, mas a evidência tem uma força terrível que acaba sempre vencendo. Qual o meio, por exemplo, de recusar os enterros no dia em que nossos entes queridos precisam ser enterrados? Pois bem, o que caracterizava no início nossas cerimônias era a rapidez. Todas as formalidades haviam sido simplificadas e, de uma maneira geral, a pompa fúnebre fora suprimida. Os doentes morriam longe da família e tinham sido proibidos os velórios rituais, de modo que os que morriam à tardinha passavam a noite sós e os que morriam de dia eram enterrados sem demora. Naturalmente, a família era avisada, mas, na maior parte dos casos, não podia deslocar-se por estar de quarentena, se tinha vivido perto do doente. No caso de a família não morar com o defunto, apresentava-se à hora indicada da partida para o cemitério, depois de o corpo ter sido lavado e colocado no caixão. (...) Num extremo do cemitério, num local coberto de árvores, tinham sido abertas duas enormes fossas. Havia a fossa dos homens e a das mulheres. Sob esse aspecto, as autoridades respeitavam as conveniências, e foi só muito mais tarde que, pela força das circunstâncias, este último pudor desapareceu e se enterraram de qualquer maneira, uns sobre os outros, sem preocupações de decência, os homens e as mulheres. Para todas essas operações era preciso pessoal e este estava sempre prestes a faltar. Muitos desses enfermeiros e coveiros, primeiros oficiais, depois improvisados, morreram de peste. Por mais precauções que se tomassem, o contágio acabava por se fazer um dia. No entanto, quando se pensa bem, o mais extraordinário é que nunca faltaram homens para exercer essa profissão durante todo o tempo da epidemia. (...) Mas, a partir do momento em que a peste se apossou realmente de toda a cidade, então seu próprio excesso provocou consequências bastante cômodas, pois ela desorganizou a vida econômica e suscitou assim um número considerável de desempregados. (...) Sabia também que, se as estatísticas continuassem a subir, nenhuma organização, por melhor que fosse, resistiria; que os homens viriam a morrer amontoados e apodrecer na rua, apesar da prefeitura, e que a cidade veria, nas praças públicas, os mortos agarrarem-se aos vivos, com um misto de ódio legítimo e de estúpida esperança.” – Trechos de A Peste, de Albert Camus, 1947. Leandro Demori Editor Executivo Destaques A missão do Intercept é responsabilizar capitalistas, governos e megacorporações pelos danos que causam ao conjunto da população. Venha fazer o jornalismo que muda vidas com a gente hoje. FAÇA PARTE DO TIB → A crise do coronavírus Coronavírus: startup educacional de Luciano Huck dispensa professores sem qualquer ajuda financeira Hyury Potter O apresentador da rede é um dos principais investidores e garoto-propaganda da Alicerce, escola de reforço escolar presente em São Paulo, Paraná e Minas Gerais. LEIA MAIS → A crise do coronavírus Coronavírus: ‘fomos abandonadas pela USP durante a pandemia, e não podemos nem morrer porque nossos filhos dependem de nós’ Nathan Fernandes Mãe conta como é a rotina de isolamento com a filha em um dormitório estudantil da universidade. LEIA MAIS → A crise do coronavírus Coronavírus: ‘É justo meu pai morrer abandonado e sozinho?’ Thais Lazzeri A jornada de uma filha para testar, tratar e se despedir do pai. LEIA MAIS → A crise do coronavírus Entrevista: ‘O número de infectados por coronavírus pode ser muito maior que 11 casos para cada confirmado’ diz sanitarista Rafael Moro Martins Para Claudio Maierovitch, pesquisador da Fiocruz e ex-presidente da Anvisa, falta de testes e de comando político fragiliza a defesa do país. LEIA MAIS → A crise do coronavírus Coronavírus: motivado por Trump, americano toma produto com cloroquina e morre Robert Mackey Casal ouviu Trump dizer que remédio usado para tratar a malária poderia curar a covid-19 e bebeu uma versão da cloroquina não destinada ao uso humano. LEIA MAIS → A crise do coronavírus Coronavírus: Bolsonaro só acredita na ‘ciência’ quando o resultado lhe interessa Rosana Pinheiro-Machado Os fanáticos bolsonaristas recorrem a um recorte conveniente e oportunista da ciência. É uma espécie de populismo científico que hoje se mostra letal. LEIA MAIS → A crise do coronavírus Coronavírus: Equador entra em colapso sanitário e serve de alerta para o Brasil Maurício Brum Vizinho já tem o segundo maior número de mortes da América Latina, mesmo tendo apenas a oitava população do continente. LEIA MAIS → Recebeu este e-mail encaminhado por alguém? Assine! É grátis. Mudou de ideia e não quer receber nossa newsletter? Clique aqui para cancelar a inscrição. 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PSTU - Opinião Socialista


Opinião Socialista O peixe (e o canalha) morre pela boca O empresário bolsonarista Ju¬nior Durski, dono da rede de restaurantes Madero (sócio de Luciano Huck), já tinha ficado famoso por dizer que o Brasil não podia parar por causa de “5 ou 7 mil mortes”. Diante da repercussão negativa, o empre¬sário tentou se justificar: “A mi¬nha empresa tem condições, re¬cursos e caixa para passar três, quatro, cinco ou seis meses para¬da. Não estou preocupado comi¬go, já disse que manterei o em¬prego dos nossos empregados.” E completou: “Estou preocupa¬do com milhões de pessoas que não terão um emprego em 2021.” Pois bem, no dia 1º de abril, ele demitiu de uma só vez 600 funcionários. “Foi o dia mais triste da minha vida”, disse ao jornal Folha de S.Paulo na maior cara de pau. Opinião Socialista Twitter apaga fake news de Silas Malafaia Após apagar mensagens do presidente Bolsonaro com fake news sobre o coronavírus, o Twitter apagou sete posts do pastor Silas Malafaia. As men¬sagens apagadas chamavam a quarentena de “farsa”, insta¬va as pessoas a irem às ruas e elogiava Bolsonaro. “Estão querendo enganar o povo brasileiro. Essa quarentena é uma piada desde que começou”, dizia o picareta. “Não tem uma pessoa internada em UTI por co¬ronavírus. Não tem uma”. Pelo visto, a baixa na arrecadação do dízimo mexeu com a cabe¬ça desse povo. Opinião Socialista CLOROQUINA: A FAKE NEWS DE BOLSONARO Do muito que não se sabe so¬bre o coronavírus, algumas coisas são já consenso entre a comunidade científica. Uma delas é a necessidade do iso¬lamento social estrito e a tes¬tagem em massa da popula¬ção. No entanto, isso custa dinheiro. Seria mais fácil, rá¬pido e barato apresentar uma solução mágica que, além de tudo, servisse para tranqui¬lizar a população e forçar a volta ao trabalho, expondo¬-se ao risco. É isso que Bolsonaro faz com a cloroquina, medicação ori-ginalmente prescrita para o tratamento da malária, cujos estudos para enfrentar a CO¬VID-19 apenas começaram. Bolsonaro anunciou que o Exército aumentará a produ¬ção do medicamento e chegou a dizer que ele não tem efeito colateral. O absurdo é tão gritante que o Twitter e o Face¬book se viram obrigados a re¬tirar do ar um vídeo do presi¬dente defendendo a utilização da droga. Um estadunidense morreu por automedicar-se com o produto. Uma coisa é testar cientifi¬camente a substância, como está ocorrendo; outra é ven¬der a cloroquina como uma mágica, a fim de minimizar a pandemia, como Bolsonaro vem fazendo. Opinião Socialista Bolsonaro rebaixa salário e não garante estabilidade Entenda a Medida Provisória 936 1 “ESTABILIDADE” PROVISÓRIA NO EMPREGO Empresas que aderirem à redução de salários e à jornada ou suspensão de contrato de trabalho deverão garantir estabilidade provisória no emprego pelo dobro do tempo que durar a redução ou a suspensão de contrato. Neste período, poderão demitir mediante pagamento de multas trabalhistas adicionais. 2 REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO COM REDUÇÃO DOS SALÁRIOS As empresas ficam autorizadas a reduzir a jornada de trabalho com redução proporcional do salário em 25%, 50% ou 70%. O trabalhador receberá parte do salário da empresa e outra do governo, que complementará uma parcela do valor não pago pela empresa, tendo como base o que o empregado receberia de seguro-desemprego. Por exemplo, se a empresa quiser reduzir em 70% o salário e a jornada, o trabalhador receberá apenas 30% do salário atual da empresa e 70% do seguro-desemprego que o trabalhador teria direito. Como o seguro-desemprego é menor do que o salário atual, haverá redução de salário maior para cada faixa salarial superior ao teto de R$ 1.813. 3 SUSPENSÃO DOS CONTRATOS DE TRABALHO É permitido suspender o contrato de trabalho por dois meses. Empresas que tiveram receita bruta menor que R$ 4,8 milhões em 2019 não pagarão nada ao funcionário, e o Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda será equivalente a 100% do valor do seguro-desemprego ao qual o trabalhador teria direito. Empresas com receita anual igual ou superior a R$ 4,8 milhões terão de pagar apenas 30% do salário do trabalhador, e o Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda restituirá o equivalente a 70% do valor do seguro-desemprego ao qual o trabalhador teria direito. 4 NEGOCIAÇÃO INDIVIDUAL PATRÃO E TRABALHADOR A empresa pode alterar a relação de trabalho sem negociação prévia com o sindicato da categoria nas reduções de salário até 25% e em acordo individual para trabalhadores que recebem até 3 salários mínimos ou mais de 2 tetos do RGPS (R$ 12.202,12) no caso de optarem por reduzir 50% a 70% ou para suspensão de contratos de trabalho. 5 MICROEMPRESAS E PEQUENOS NEGÓCIOS Institui linha de crédito especial (carência de seis meses para início do pagamento, podendo ser em 36 parcelas) para financiar a folha de pagamento por dois meses para pequenas e médias empresas com faturamento entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões. A concessão do crédito está condicionada à garantia provisória do emprego por dois meses. Opinião Socialista BOLSONARO MENTE É possível combater o coronavírus e garantir emprego e renda Bolsonaro mente à popu¬lação não só quando des¬preza a pandemia do co¬ronavírus. Todo o seu discurso coloca uma falsa escolha: ou se combate a doença com as medi¬das de isolamento social ou se protege os empregos e a renda dos trabalhadores, sobretudo dos mais pobres. Quando fala que é necessá¬rio “evitar ao máximo qualquer perda de vidas humanas” e “ao mesmo tempo, evitar a destrui¬ção de empregos”, como fez no pronunciamento do último dia 31, faz parecer que são duas me¬didas contraditórias. Mas não são. A existência do coronavírus não depende da vontade e das ações do governo. Sua propaga¬ção e os efeitos que terá sobre a população, principalmente o número de mortos, sim. Assim como sobre os efeitos sociais que uma necessária quarentena terá. JOGANDO COM A VIDA DO POVO Bolsonaro, na verdade, faz terrorismo e chantagem com a vida do povo. Poderia muito bem tomar as medidas de iso¬lamento social preconizadas pelos órgãos de saúde a fim de proteger a vida dos trabalhadores e da população impondo quarentena a todos os setores não essenciais. E o desempre¬go? Bastaria decretar a proibi¬ção das demissões durante a crise, como já ocorre em paí¬ses como Espanha e Argentina. O presidente diz estar preocu¬pado com o “camelô, ambulante, o vendedor de churrasquinho, a diarista, o ajudante de pedrei¬ro, caminhoneiro e dos outros autônomos”. Pois bem, se fosse realmente séria essa preocupa¬ção, liberaria recursos para man¬ter esses trabalhadores e setores mais vulneráveis, basicamen¬te informais, desempregados e microempresários e empresas de pequeno porte. Mas faz jus-tamente o contrário. Até o valor insuficiente de R$ 600 aprovado pelo Congresso Nacional encon¬tra resistência em seu governo. Enquanto fechávamos esta edição, Bolsonaro nem havia publicação a sanção do coro¬navoucher, que dormia em sua mesa há dois dias. Seu ministro da Economia, Paulo Guedes, ia à imprensa mentir dizendo que não havia recursos para a me¬dida, e que o Congresso Nacio¬nal deveria aprovar uma PEC (Proposta de Emenda Constitu¬cional) a fim de liberar esse di¬nheiro. Já o ministro da Cidada¬nia, Onyx Lorenzoni, afirmou que os R$ 600 só estarão dis¬poníveis a partir de 16 de abril. Isso seria condenar à fome e à miséria absoluta milhões de trabalhadores. Opinião Socialista Para banqueiros e empresários, tem ajuda na hora Na verdade, se o governo realmente quisesse, poderia liberar já essa ajuda, como fez com os banqueiros e grandes empresários num montante bastante superior a esse. O Banco Central anunciou a li¬beração de R$ 1,2 trilhão para o mercado de créditos, que se somam aos R$ 135 bilhões que já haviam sido liberados aos bancos. Já o coronavoucher custará só R$ 45 bilhões. Bolsonaro também anun¬ciou uma Medida Provisória que permite a suspensão dos contratos de trabalho com a redução dos salários em até 70%. Uma Medida Provisória depende só de uma caneta¬da do presidente. Isso mostra que não há qualquer empeci¬lho para o pagamento dos R$ 600, muito pelo contrário. O governo teria todas as condi¬ções para proibir as demis¬sões, estatizar as empresas que demitirem e áreas essen¬ciais para o combate à pan¬demia, garantindo empregos, direitos e salários aos funcio¬nários, além de garantir con-dições dignas de sobrevivên¬cia à massa de trabalhadores informais, desempregados e precarizados com um subsí¬dio de 2,5 salários mínimos, e não apenas R$ 600. Bolsonaro e seu governo, porém, não só se negam a li¬berar recursos aos trabalhado¬res, como, ao contrário, apro¬fundam os ataques que já vi¬nha fazendo antes da pande¬mia. Se para os trabalhadores e o povo pobre o coronavírus é uma ameaça à vida, para Bol¬sonaro e Guedes é uma opor¬tunidade para aumentar os lucros dos banqueiros e dos grandes empresários. Opinião Socialista CORRUPÇÃO BOLSONARISTA LUCRA COM A MORTE Enquanto aumenta o nú¬mero de mortos pela CO¬VID-19, empresários liga¬dos ao governo lucram em contratos sem licitação e preços superfaturados. Foi o que mostrou uma repor-tagem do The Intercept Brasil, que revela que, com o estado de calamidade pú¬blica, o Ministério da Saú¬de comprou máscaras ci-rúrgicas da empresa Farma Suply, pagando um valor de R$ 18,2 milhões, 67% mais caras que as concor¬rentes. O dono da empre-sa, Marcelo Sarto Bastos, é militar. Opinião Socialista CRISE A falência da mão invisível do mercado Diante da falta de álco¬ol em gel no Brasil, segundo maior produtor de álcool do mundo, os defensores do mer¬cado como regulador da pro-dução dizem: “Para que haja máscaras e álcool para todos, só há uma solução, deixar os preços subirem.”. E os preços subiram 900%, mas o álcool em gel não apareceu na quan¬tidade suficiente. A frase acima também pode ser lida assim: “até que os preços do álcool subam o suficiente para que outras em¬presas migrem para produzi¬-lo, milhares de pessoas de¬vem morrer.” Conclusão: o mercado capitalista demons¬trou-se completamente inca¬paz de prevenir, deter e curar os afetados da pandemia. O reconhecimento social do que se produz é pela ven¬da ou pelo mercado. Assim, o que ocorre todos os dias em tempos “normais” – desperdício de mercadorias que não são vendidas, quantidades ex-cessivas de produtos supérflu¬os e escassez dos necessários – converte-se em genocídio na pandemia. A expansão da produção social aumenta a capacidade produtiva e desorganiza a so¬ciedade na mesma velocidade. Não existe um planejamento para produzir de acordo com as necessidades sociais, pois os interesses da propriedade privada comandam. Engels nos ensina: “O prin¬cipal instrumento com o qual o modo de produção capita¬lista promove essa anarquia na produção social é precisamente o inverso da anarquia: a crescente produção com ca¬ráter social, dentro de cada es¬tabelecimento de produção.” A organização da produção no interior de cada empresa cresceu de forma tão espeta¬cular que os grandes monopó¬lios concentram entre si 80% do comércio mundial. Um exemplo disso é a indús¬tria eletrônica: os produtos são desenhados para durar somen¬te alguns meses para manter a produção ininterrupta. A ve¬locidade de renovação implica uma grande escala de matérias¬-primas extraídas da nature¬za. Enquanto a maior parte da montagem dos produtos é reali¬zada na China, 90% dos gastos em pesquisas são de empresas estadunidenses e europeias, e somente quatro empresas de¬têm 75% do mercado, resultan¬do em desperdício, agressão ao meio ambiente e concentração da produção e dos lucros. A sociedade não pode li¬dar com esta imensa potên¬cia produtiva sem um plane¬jamento e, para impor o pla¬nejamento, a expropriação da propriedade é uma necessi¬dade. A propriedade privada e as fronteiras nacionais não podem controlar essas forças produtivas. Por isso, de tem¬pos em tempos, essas con¬tradições explodem de forma violenta: guerra, catástrofe social e pandemia. Opinião Socialista PROPAGAÇÃO Um vírus que segue a rota das mercadorias Um celular montado na Chi¬na tem seus componentes fabri¬cados em sete países. Já se foi o tempo em que o dono de uma grande empresa podia bater no peito e dizer: minha fábrica pro¬duziu este celular. O fato de mais de 60% de todo o comércio mundial cor¬responder à troca de produtos (bens intermediários) entre as empresas utilizadas no processo de produção indica que o mun¬do é um organismo econômi¬co único. As grandes empresas conseguem um superlucro com a dominação e a desigualdade entre os países, subdividindo a fabricação de uma mercadoria entre vários deles. As relações econômicas en¬tre Estados Unidos e China li¬deram essa cadeia produtiva. Não é mera coincidência que a primeira e a segunda economia do mundo estejam no centro da pandemia. O colossal trânsito de bens, serviços e pessoas não é apenas o meio do contágio viral, é também o eixo sobre o qual o capitalismo mundial gira e a chave para entender a propaga¬ção do vírus. O marxismo denominou essa divisão social e mundial do tra¬balho de produção social. A ex¬pansão exponencial da produção social dentro de um país e a es¬cala mundial são acompanhadas de uma profunda contradição: a apropriação privada. Essa imen¬sa produção de riqueza na forma de mercadorias tem um objetivo medíocre: acumular lucros nas mãos de uns poucos indivíduos. A demora para decretar a quarentena social não significa¬ria desabastecimento de bens es¬senciais para a população mun¬dial quando o vírus apareceu em Whuan. Porém interromperia a chamada “cadeia de valor”, ou seja, as exportações e importa¬ções dos componentes indus¬triais entre as grandes empresas. Não é a falta de comida, de energia, de água, tampouco de celulares, que atrasou as medi¬das para conter a disseminação do vírus pelo mundo. As gran¬des multinacionais (Walmart, Shell, General Electric, Gene¬ral Motors, Pepsi e IBM) e as de 400 empresas de alta tecnologia, que fornecem componentes para outras empresas, não quiseram interromper temporariamente a exportação e importação que sustenta a cadeia de valor mun¬dial. Isso causou a disseminação do vírus. Parar a China teria um efeito imediato sobre os EUA: 20% das exportações chinesas vão para lá. O pior é que esse genocídio premeditado é realizado num momento em que existe uma sa¬turação de carros e celulares en¬tre a população que pode adqui¬ri-los. Em abril de 2019, existia 230 milhões de smartphones em uso no Brasil. Interromper sua importação por um período não provocaria a falta de aparelhos. A produção social em escala mundial também se choca com as fronteiras dos Estados. Na medida em que a cadeia pro¬dutiva é mundial, as decisões dos Estados isolados se cho¬cam com a concorrência entre as empresas: “não posso parar minha empresa se o meu con¬corrente seguir produzindo.” O que se impõe é uma corrida para o abismo, pois cada gover¬no tomou decisões isoladas. A demora da Itália em decretar a quarentena enquanto ela foi decretada na China permitiu o avanço da pandemia. Opinião Socialista

NEWSLETTER DO DIA - OUTRAS PALAVRAS


CATEGORIA: NEWSLETTER DO DIA Termo de busca 505 artigos encontrados mostrando resultados dos canais: OUTRASPALAVRAS OUTRASMÍDIAS BLOGDAREDAÇÃO OUTRASAÚDE OUTRASAÚDE A ultra-direita procura um bode expiatório Depois de negligenciar por meses a Covid-19, e ver EUA convertidos no epicentro da doença, Trump ataca… a OMS! Veja também: no Brasil, o ministério da Saúde vacila, a quarentena afrouxa e país fica sob ameaça de tragédia humanitária NEWSLETTER DO DIA | por Redação OUTRASAÚDE O dia em que Bolsonaro latiu mas não mordeu História de uma não-demissão. Com o país em pandemia, presidente perde-se em intrigas palacianas, vê governo dividido e não consegue afastar Mandetta. Leia também: empresários querem liberdade eterna para demitir e cortar NEWSLETTER DO DIA | por Redação OUTRASAÚDE Ministério da Saúde adverte: falta tudo conta a pandemia País não tem leitos, equipamentos de proteção nem profissionais experientes. Cinco estados estão entrando em fase de “aceleração descontrolada” da covid-19. Leia também: o desastre econômico e social à vista NEWSLETTER DO DIA | por Redação OUTRASAÚDE A realidade submersa sob a marca de 1 milhão Em uma semana, casos dobraram; ontem, foram 5 mil mortos no mundo. Mas dimensão real da pandemia é subnotificada — e pânico pode aumentar quando mais testes forem feitos ou mortes superarem estatísticas, como no Equador NEWSLETTER DO DIA | por Redação OUTRASAÚDE O coronavírus encontra um país devastado Brasil não produz respiradores suficientes. Faltam máscaras nos hospitais. Mandetta pede poucos recursos ao Congresso. Governo autoriza corte de salários e demissões. Só milagre evita tragédia. Veja também: guia sobre a covid-19 para crianças NEWSLETTER DO DIA | por Redação OUTRASAÚDE Medo e delírios na coronocracia Na Hungria, estado de emergência por tempo indefinido. Em Israel, vigilância e Parlamento fechado. No Peru, salvo-conduto para policiais e militares matarem. Em diversos países, pandemia é usada para justificar ataques à democracia NEWSLETTER DO DIA | por Redação OUTRASAÚDE Governo prepara novo ataque aos trabalhadores Planalto debate nova MP devastadora: cortes de até 70% nos salários e autorização para afastar todos os funcionários das empresas. Leia também: Correios descontam parte do salário de funcionários que trabalham de casa NEWSLETTER DO DIA | por Redação OUTRASAÚDE Bolsonaro, último governante a manter-se patife Ao defender lucros em detrimento da população, presidente isola-se até de ultradireitistas como Trump e Narendra Modi — que já decretaram quarentena. Mandetta volta a mostrar face técnica — e defende “importância de parar” comércios NEWSLETTER DO DIA | por Redação OUTRASAÚDE Renda Básica aprovada: demos um primeiro passo Passou, na Câmara, benefício de R$ 600 a trabalhadores informais, o triplo do proposto por Guedes. Mas, enquanto o tempo passa, governo tarda em tirar medidas do papel. Leia também: o estranho erro de cálculo do Ministério da Saúde NEWSLETTER DO DIA | por Redação OUTRASAÚDE Mandetta escancara apego ao cargo Antes preocupado com o colapso do sistema de saúde, agora ministro também defende economia em detrimento à população. Esforça-se para despolitizar pandemia e salvar cargo. Leia também: Doria busca “capitalizar” erros do governo NEWSLETTER DO DIA | por Redação

sábado, 4 de abril de 2020

CARTA DA CHINA

Carta aberta a Eduardo Bolsonaro Em 03 de abril de 2020. Por Li Yang, cônsul-geral da República Popular da China no Rio de Janeiro. Deputado Eduardo, no tuíte que você postou no dia 1º de abril, chamou o Covid-19 de “vírus chinês”, o que se trata de mais um insulto à China que você fez depois de ter postado tuítes em 18 de março para atacar maliciosamente a China. Você é realmente tão ingênuo e ignorante? Como deputado federal da República Federativa do Brasil que possui alguma experiência em tratar dos assuntos internacionais, você deveria saber que os vírus que causam pandemia são inimigos comuns do ser humano, e a comunidade internacional nunca chama os vírus pelo nome de um país ou região para evitar a estigmatização e a discriminação contra qualquer grupo étnico específico. A Organização Mundial da Saúde seguiu esta regra do direito internacional para chamar o novo coronavírus de “Covid-19”. Além disso, ainda está por confirmar a origem deste vírus. O surto de Covid-19 em Wuhan não significa necessariamente que Wuhan foi a fonte inquestionável do novo coronavírus. O diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos já reconheceu que, durante a chamada “epidemia de gripe” nos Estados Unidos, no ano passado, algumas pessoas teriam morrido por Covid-19. Isso justifica que, muito provavelmente, os Estados Unidos foram a fonte de Covid-19. Mas podemos batizar o Covid-19 como “vírus norte-americano”? Não! Do mesmo modo, ninguém no mundo pode chamar o Zika como “vírus brasileiro”, apesar do fato da epidemia de Zika ter acontecido e ainda acontecer casos frequentemente no Brasil. É por causa do seu ódio à China que ataca frequentemente a China? Mas de onde vem esse ódio? A aproximação entre a China e o Brasil é resultado de um desenvolvimento histórico com alicerce natural. Tanto a China como o Brasil são grandes países emergentes com território e população gigantes, com culturas ricas e coloridas e povos simpáticos e amigos. Ambos os países possuem planos grandiosos para promover a prosperidade e riqueza nacionais, bem como ambição para salvaguardar a paz e justiça internacionais. É ainda mais importante o fato de que não há divergências históricas, nem conflitos atuais entre os dois países que já se tornaram parceiros estratégicos globais. O povo chinês sempre abraça o povo brasileiro com sincera amizade, tratando o Brasil como nosso país irmão e parceiro. O respeito recíproco e a cooperação de ganhos mútuos de longo prazo entre os dois países trazem benefícios pragmáticos para os dois povos. Por dois anos consecutivos, dois terços do superávit do comércio exterior do Brasil vieram da China, o seu maior parceiro comercial! É por isso que tanto a geração do seu pai como a da sua idade estão todos se dedicando a promover a cooperação amigável sino-brasileira. Em resumo, os seus comportamentos remam contra a maré e não só colocam você no lugar adverso do povo chinês de 1,4 bilhões, mas também deixam a maioria absoluta dos brasileiros com vergonha, bem como criam transtornos ao seu pai, que é o Presidente da República. É realmente uma prova de ignorância a respeito do tempo atual! Será que você recebeu uma lavagem cerebral dos Estados Unidos e quer ir firmemente na esteira deles contra a China? Os Estados Unidos eram realmente um país grande e glorioso. No entanto, neste ponto crítico do avanço da civilização humana, os EUA perderam sua posição histórica e o sentido de desenvolvimento, tornando-se quase totalmente causadores de problemas nos assuntos internacionais, e uma fonte de ameaça à paz e segurança mundiais. Os líderes atuais norte-americanos já se esqueceram dos ideais dos fundadores do país de assegurar a justiça. Ademais, tornaram-se monstros políticos cheios de preconceitos ideológicos contra os outros países e sem capacidade de governar, o que pode ser justificado pelo desempenho horrível no combate à pandemia de Covid-19 nos EUA. Por outro lado, sendo uma potência cheia de vitalidade e em ascensão, o Brasil deve e é capaz de fazer contribuições importantes para o progresso da civilização humana, desde que tenha sua própria visão estratégica, possua sua perspectiva correta sobre os assuntos internacionais e desempenhe seu próprio papel construtivo. O Brasil não deve tornar-se um vassalo ou uma peça de xadrez de um outro país, senão o resultado seria uma derrota total num jogo com boas cartas, como diz um provérbio chinês. Deputado Eduardo, há pelo menos uma semelhança entre a cultura confucionista chinesa e a cultura cristã brasileira que é a crença em que sempre existe a causalidade em tudo, razão pela qual temos que pensar nas consequências antes de fazer qualquer coisa. Como não é uma pessoa comum, você deveria entender melhor essa razão. O que é o mais importante para o Brasil agora? Sem dúvida, é salvaguardar a vida e a saúde de centenas de milhões de pessoas, e reduzir ao mínimo o impacto da pandemia na economia do Brasil, da China e do mundo, através da cooperação China-Brasil no combate ao Covid-19. A China nunca quis e nem quer criar inimizades com nenhum país. No entanto, se algum país insistir em ser inimigo da China, nós seremos o seu inimigo mais qualificado! Felizmente, mesmo com todos os seus insultos à China, você não conseguirá tornar a China inimiga do Brasil, porque você realmente não pode representar o grande país que é o Brasil. Porém, como é um deputado federal, as suas palavras inevitavelmente causarão impactos negativos nas relações bilaterais. Isso seria uma grande pena! Contaminaria e poluiria totalmente o ambiente saudável que China e Brasil conquistaram até aqui. Portanto, é melhor ser mais sábio e racional. Você pode não pensar na China, mas não pode deixar de pensar no Brasil. O demônio do Covid-19 chegou finalmente à maravilhosa terra brasileira. Neste momento crucial da cooperação bilateral no combate à pandemia de Covid-19, seria mais prudente não criar mais confusões. Ainda mais importante, seja um verdadeiro brasileiro responsável, ao invés de ser usado como arma pelos outros!

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