quarta-feira, 5 de junho de 2019

A Amazônia Vira Savana

A Amazônia Vira Savana

Mídia desperta, enfim, para a grande tragédia da devastação amazônica Brasil 247 4 de junho de 2019 22:17 Seguindo A iminente possibilidade de a Amazônia virar um Cerrado ou uma Savana Africana começa a despertar, embora ainda timidamente, o interesse da mídia nacional em alertar os brasileiros para os graves riscos econômicos e socioambientais que ameaçam o grande diferencial que o país tem para mostrar e oferecer ao mundo, como é o caso da Amazônica, considerada a maior, mais rica e mais bonita floresta tropical do planeta. O despertar da mídia nacional para tal preocupação começa quando o país já apresenta desmatamento de mais de 20% de sua grande floresta, que há muito vem sendo considerada por cientistas de todo o mundo como essencial ao equilíbrio climático da Terra. Isso ocorre porque, além de deixar de absorver parte do gás carbônico produzido pelo resto do mundo, a eliminação da floresta por si só contribui para a emissão dos gases de efeito estufa, os responsáveis pelo aquecimento global. A mídia nacional também despertou para o gigantesco desastre ambiental que vai representar o fim da Amazônia só depois que os cientistas passaram a advertir ao mundo que se o desmatamento na grande floresta passar nos próximos anos dos 25% de sua área original de 500 milhões de hectares (59% do território brasileiro e 60% da Amazônia sul-americana), vai complicar muito a vida não só das 20 milhões de pessoas que moram na região, mas também das que habitam no Sudeste, Sul e Centro-Oeste, onde vive a grande maioria da população brasileira. Essas regiões brasileiras, assim como as dos outros países do Cone Sul (Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai), ficariam sem água suficiente para beber e produzir alimentos porque as chuvas que chegam à região são formadas pelos "rios voadores" da Amazônia, como já são chamados popularmente os grandes cursos d'água atmosféricos originários da grande floresta brasileira. Nos últimos dias, a mídia nacional, a começar da Rede Globo, através de reportagens especiais no Jornal Nacional, publicou matérias de cunho científico mostrando que vários cientistas brasileiros estão fazendo um mapeamento bastante detalhado da região amazônica, tanto por terra quanto pelo ar, com o objetivo de avaliar o papel da gigantesca floresta brasileira no clima do planeta. Pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Paulo Barreto destaca que 42% de toda a poluição causada pelo Brasil, que influencia o clima, provêm do desmatamento. Em outra reportagem, o Jornal Nacional aponta que pesquisas conduzidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) demonstram que os cientistas já sabem da importância da grande floresta amazônica para o planeta e para as pessoas, pois ela absorve 10% do gás carbônico atualmente jogado no ar em todo o mundo. Intitulada "Desmatamento da Amazônia avança depois de anos em queda", matéria do site da revista Exame destaca que algo alarmante escapou à atenção de grande parte do mundo, que é o fato do desmatamento estar crescendo há anos. Na Amazônia brasileira, segundo a revista, o nível de desmatamento aumentou 73% entre 2012 e 2018, revertendo um esforço bem-sucedido para refrear a atividade de madeireiros, de pecuaristas e de agricultores ao longo de quase uma década. Ao lembrar que, no ano passado, houve desmates de quase 800 mil hectares de floresta, uma área maior que a de Xangai, a matéria da revista aponta como principais razões para o avanço do desmatamento a anistia a fazendeiros que desmataram ilegalmente a floresta, a criação de lei que facilitou a obtenção de direito de propriedade de terras ocupadas ilegalmente e a redução das inspeções ambientais na região. Por fim, a reportagem da revista prevê a ampliação do desastre ambiental na região com o plano do governo de Jair Bolsonaro de aumentar o acesso à Amazônia com iniciativas de afrouxar as restrições às atividades do agronegócio da soja, da pecuária e da mineração em áreas protegidas da região, inclusive em terras indígenas. "Para os ambientalistas que monitoram o aumento do aquecimento global, isso significa desastre", assinala a matéria. Reportagem publicada pelo Portal G1, da Globo.com, por sua vez, também divulga estudo apontando que o Brasil é de longe o país, entre os nove incluídos no bioma amazônico sul-americano, que mais alterou leis que deveriam proteger a Amazônia, promovendo 66 das 115 alterações legislativas ocorridas entre os anos de 1961 e 2017. Baseado em dados levantados por pesquisadores liderados pela ONG Conservação Internacional, o estudo intitulado "O futuro incerto das terras e águas protegidas" revela que dos 18 milhões de hectares da Amazônia que tiveram o status de conservação alterado entre 1961 e 2017, 11 milhões de hectares estão no território nacional. Artigos recentes Bolsonaro e seu governo estão simplesmente obcecados em colocar em prática tal hecatombe ambiental contra a última grande floresta tropical do mundo, nem que, para isso, tenha que enfrentar a fúria do mundo científico e das organizações internacionais da sociedade civil Revela o colega jornalista Marcelo Leite, especializado em ciência e meio ambiente, que corre no setor de sensoriamento remoto por satélites o rumor de que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles prepara um sistema alternativo para monitorar o desmatamento no país, com a assessoria de imprensa da pasta não confirmando e nem desmentindo a informação Corre no setor de sensoriamento remoto por satélites o rumor de que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles prepara um sistema alternativo para monitorar o desmatamento no país, com a assessoria de imprensa da pasta não confirmando e nem desmentindo a informação As comunidades tradicionais devem esperar mais algumas décadas para terem acesso aos benefícios da energia elétrica, de valor infinitas vezes menor que o papel que elas exercem, há séculos, de preservar a floresta que mais ajuda a equilibrar o clima do planeta, entre outros valiosos ativos ambientais que oferece ao mundo A regressão de até 100 anos prevista pelo economista Marcio Pochmann para a economia brasileira, durante o governo retrógrado de Jair Bolsonaro, deve começar a fulminar setores que o próprio presidente defende ardorosamente, como é o caso do agronegócio Clique aqui para ver página original

Terceirizando a Amazônia

Terceirizando a Amazônia
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Ricardo Salles quer terceirizar Amazônia Brasil 247 3 de junho de 2019 23:34 Seguindo O ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles quer terceirizar o monitoramento do desmatamento da Amazônia; Salles recebeu representantes da Santiago & Cintra, empresa que ele pretende contratar para fazer o monitoramento realizado atualmente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); o órgão é vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, chefiado pelo astronauta Marcos Pontes Da Rede Brasil Atual - O ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles pretende terceirizar o monitoramento do desmatamento da Amazônia. De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo publicada hoje (3), Salles recebeu representantes da empresa paulista de geoprocessamento Santiago & Cintra, que ele pretende contratar para fazer o monitoramento realizado atualmente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O órgão é vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, chefiado pelo astronauta Marcos Pontes. A reportagem da RBA apurou que a Santiago & Cintra, no entanto, é controlada pela Blackbridge Networks Ltd. Situada em Lethbridge, província de Alberta, Canadá, a companhia é uma das gigantes do setor de armazenamento de dados. Opera como um provedor de serviços de tecnologia e oferece serviços de replicação e backup, nuvem híbrida corporativa e rede a clientes em todo o mundo. Os dados coletados na Amazônia estariam sendo geridos por empresa que tem no setor uma de suas fontes de lucro. Segundo a Junta Comercial de São Paulo (Jucesp), a Blackbridge é sócia da empresa, com valor de participação na sociedade de R$ 600.000,00. Os dois outros sócios somam R$ 78.000,00. Ainda conforme a Folha, a Santiago & Cintra Amazônia foi contratada pelo governo do Pará para prestar serviço de fornecimento de imagens e dados de desmatamento. Iniciado em março de 2017 com a promessa de melhorar o combate ao desmatamento, mas o Pará continua sendo o estado mais problemático do país. AlertasDo começo do ano até 15 de maio, o Inpe enviou aos órgãos de fiscalização 3.860 alertas de desmatamento, obtidos por um sistema chamado Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter-B), do órgão. Ou seja, uma média de 28,6 alertas/dia. A reportagem da Folha informa que um novo monitoramento de desmatamento, a partir de um convênio sem custos, administrado por uma iniciativa que envolve ONGs, universidades e empresas de tecnologia para mapear o uso da terra – a MapBiomas – já forneceu ao Ibama 1.845 alertas de desmatamento, em março. Os dados resultam de diversos bancos de dados, como o Deter-B, o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais (Sinaflor) e são acompanhados de laudos que incluem até imagens de alta resolução da área antes e depois do desmatamento. Apesar disso, o Ibama só aplicou 850 multas por desmatamento na Amazônia Legal no mesmo período, ou seja, 6,2/dia. O baixo número se deve à política de combate às fiscalizações e de punição aos agentes fiscalizadores implementada por Ricardo Salles, com aval do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Clique aqui para ver página original