sexta-feira, 18 de setembro de 2015

agropecuária capitalista

agropecuária capitalista

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Economia

Opinião

Como a agropecuária vai lidar com as transformações do capitalismo?

É preciso saber como conciliar a emergência de classes subalternas, a financeirização, o trabalho e a proteção ao meio ambiente
por Rui Daher publicado 18/09/2015 06h25
AFP
Agricultura na China
Área de agricultura em Chongqing, na China: o setor emprega 300 milhões de chineses
Quando em maio de 2013 aceitei o convite para manter coluna semanal sobre o agronegócio neste site de CartaCapital, prometi conversar ora vendo o setor “assim do alto” ora “com uma lupa”. É o que tenho feito, embora perceba comentários trocando as bolas.
Podem incomodar. Muito. Mas a maioria traz informações, reflexões e ajuda a reformular posições. Os demais permitem lembrar palavrões geriátricos, hoje em desuso.
Sempre alguém contestará seu estilo de escrita, como se cromossomo de Eça de Queiroz fosse. Não percebe que temas áridos são mais agradáveis se levados na forma de crônicas. Na coluna anterior, soberba moça categorizou: “texto fraquíssimo”. Corri à farmácia em busca de vitaminas.
Expor a fragmentação do agronegócio como excepcional vantagem de um país com diversidade parece ser pouco entendido. Os vários segmentos têm carências e formas de apoio específicas. O primordial, creiam, os portugueses já nos deram: extensão e posição territoriais.
Para mim, o tema mais importante a ser discutido hoje em dia, e visto de altos estratosféricos, é como a cadeia originada na agropecuária irá seguir as transformações do atual estágio do capitalismo e seus novos vetores.
Pouco a ver com as mudanças ocorridas a partir do final da Segunda Guerra Mundial. Estas, consolidadas e envelhecidas, viveram ambiente de hegemonia gestado ainda nos séculos 19 e 20.
A atual mostra necessidade de conhecer e projetar novas interações e modificações nas esferas de produção e distribuição das atividades rural e agroindustrial.
A emergência de classes sociais subalternas em países pobres nas duas últimas décadas, que excitaram a demanda, e o desarranjo nas economias hegemônicas causado pela desregulamentada financeirização, são processos irreversíveis quando o assunto é produção de alimentos, fibras e energia renovável.
Difícil será coaduná-los com preservação do trabalho de homens e mulheres, recursos naturais e meio ambiente. Ponto.
Que não se espere milagres espontâneos, como responsabilidade sobre consumo de luxo e lixo. O ser capitalista é assim. Quer cada vez mais. Quem leu o livro de Thomas Piketty e acompanha as preocupações do papa Francisco sabe da crescente concentração de riqueza no planeta.
Tanto que contingentes enormes de pessoas com deficiências nutricionais pouco podem com inovações tecnológicas de baixo custo, na contramão de interesses dos maiores fabricantes de agroquímicos.
Ao Brasil falta inteligência e boa vontade prospectivas. Saber o que tem e o que não deve ceder para o futuro. Por assim pensar, Mangabeira Unger acaba de pedir demissão como ministro da secretaria de Assuntos Estratégicos.
O século 21 exibe reordenação de hegemonias, predominância do setor de serviços, financeirização da economia. Resulta precarização do setor produtivo e do trabalho.
Nada disso pode ser visto apenas em curto prazo ou na simplificação do que fazer, em 2050. Teremos até lá os tais 9 bilhões de bocas a alimentar? Talvez, sim. Se a devastação do planeta, por guerras, epidemias, consumo desenfreado, concentração de renda, não contrariarem as preces dos papas Francisco e José Graziano da Silva.
Blasfemei? Por que Francisco e Zé Graziano?
Bem, o que se pode esperar do papa Francisco se não lamentar e pedir que parem os massacres na Síria? Ou que EUA e Cuba se aproximem e termine o embargo? Ou, ainda, que casais gays tenham direito às leis e permissões gerais da sociedade?
O consumismo individualista é praga de um sistema de meritocracia que pouco tem a ver com a Bíblia.
O mesmo acontece com o papa Zé. Como agrônomo, conhece a fundo as questões agrárias e de segurança alimentar. Bem, Andanças Capitais mostram-me nem todos agrônomos assim.
Nomeado ministro, em 2003, no governo Lula, instituiu o programa Fome Zero, que levou ao Bolsa Família, com consequências conhecidas por todos, inclusive dos que acham que transformou o Brasil num país de vagabundos e acomodados.
Logo de cara, levou um baita pau das folhas e telas cotidianas, e dos ruralistas que não perceberam o quanto isso poderia encher-lhes os bolsos, mesmo que ajudando a quem poucos ligam.
Graziano picou a mula e até hoje (acaba de ser reeleito) é diretor-geral da FAO, o organismo da ONU responsável por alimentação e agricultura. Como Francisco, Zé precisa acreditar que a humanidade deu certo e é possível tornar o planeta mais justo. Tem uma fé imensa.
Acreditou nos Objetivos do Milênio, quando 191 países se reuniram, em setembro de 2000, para acabar com a fome até 2015. Na época, 1,2 milhão de pessoas viviam na pobreza extrema, com um dólar per capita por dia. Também acreditou nas diversas Rodadas Doha, piqueniques em cidades aprazíveis que continuarão a acontecer.
Agora, incansável, diz que ainda existem 800 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza. Propõe nova etapa, com erradicação da fome até 2030. Pela redução que houve nos últimos 15 anos, se nada mais impactante for feito, chegaremos a 2030 ainda com 650 milhões de pessoas nessa situação.
E olha que a economia dos países emergentes foi responsável por grande parte dessa redução, e que seus mares hoje não estão para peixes tão grandes.
Se a economia mundial melhorar, pode ser que alguma franja de bondade sobre para os famintos. Caso contrário, os 800 milhões de hoje aumentarão, assim como voltarão à miséria os 40 milhões de zumbis que o Brasil colocou no estreito limiar da classe média.
Se não mudar de ideia, volto ao assunto.

las oligarquías brasileñas que quieren en los huesos a Petrobas y a Brasil fuera de los BRICS

post em andradetalis

Dilma es atacada por las oligarquías brasileñas que quieren en los huesos a Petrobas y a Brasil fuera de los BRICS

by Talis Andrade
Entre el patriarcado, la violencia de género y la deslealtad
apatia povo

Desestabilizar a los gobiernos progresistas de Latinoamérica

Ilka Oliva Corado
Rebelión
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Entre el patriarcado, la violencia de género y la deslealtad
Siempre me genera duda lo incomprensible que resulta lo obvio para algunos ilustrados, analistas reconocidos en Latinoamérica y el mundo, gente que se autodenomina progresista y de izquierda. Hablo de filósofos, periodistas, analistas políticos, estadistas, catedráticos de universidades reconocidas mundialmente, gente que conoce muy bien de dictaduras, de la historia y del presente. Gente que conoce por dentro y por fuera el entramado de lo que está hecha esta Latinoamérica herida y que lucha por reconstruir su tejido social y liberarse de la plutocracia que siempre ataca.
Nunca será igual para el patriarcado que la presidenta de un país sea una mujer, ella siempre será discriminada, desvalorizada, ella siempre tendrá que esforzarse el doble que un hombre para demostrar su capacidad: analítica y humana. Nunca estará a la altura aunque su inteligencia, su intrepidez, su honestidad y su consecuencia humana demuestren que está sobre capacitada para dirigir el gobierno de un país. La tacharán de emocional para descalificarla, nunca la reconocerán racional.
No podemos olvidar que sucedió en su momento con Michelle Bachelet presidenta de Chile, en su primer mandato la misoginia de muchos analistas que se sintieron heridos en virilidad machista la trató de desacreditar y minimizar, hoy en día la siguen atacando. Carentes de integridad y de humanismo, amparados por el patriarcado el ataque es personal. Es totalmente permitido que se cuestione el proceder de un gobernante, que se exija que se cumpla lo que prometió, que se investigue, que se pongan las cartas sobre la mesa, lo que no es permitido es la violencia de género.
Tampoco desvalorizar el progreso de un gobierno, así sea mínimo. No se le puede tachar con ingratitud de un retroceso, eso es injusto. Hay que ser Latinoamérica en el pasado y en el presente, lo obvio por evidente tiene que entenderse con simpleza.
Y no hablo del los ataques fascistas, de los ataques que organizan y son financiados desde Estados Unidos pasando por las oligarquías latinoamericanas. Eso los hemos tenido siempre y para muestra están los ultrajes de la dictaduras y las heridas que aún no secan en nuestra Memoria Histórica.
Hablo de los que decidieron bajarse antes de la parada, de los que encuentran cómodo atacar las partes débiles de un gobierno y que son incapaces de reconocer los logros solo porque es una mujer la presidenta. Hablo de esa izquierda latinoamericana que desde los últimos meses resulta ser el remedo de la derecha oligárquica. Y dejo muy claro que el amor que yo profeso por Bachelet, Cristina y Dilma no hace de este artículo un texto subjetivo ni parcial. Sé de los males y sé de las virtudes de sus gobiernos.
Bachelet no puede con todo, el cambio somos todos. Que el socialismo lo construimos todos. Le agradezco la El Proyecto de Ley de Aborto, la Ley de la Unión Civil. ¿Cuándo haría esto un presidente hombre en Chile? Y esto es de valorarlo porque es ir en contra total del patriarcado, de la iglesia y de una sociedad inhumana.
Se puede, se debe y se tiene que exigir honestidad a un gobierno, esa es nuestra obligación ciudadana. Lo que no es permitido es el ataque personal y la violencia de género. Yo le cuestiono al gobierno de Bachelet seguir con la represión al Pueblo Mapuche y el ataque de Carabineros a los estudiantes que salen con todo el derecho del mundo a manifestar.
Por un momento las izquierdas patriarcales dejaron en paz a Bachelet y ahora es la derecha la que ha tomado el mando completo de la mediatización, como siempre ha sido.
Ahora la izquierdas patriarcales atacan ferozmente a Cristina y Dilma. El ataque viene con esa misoginia tan bien marcada de quien tiene prejuicios en su cerebro, de quien no sabe reconocer a una mujer como jefa de gobierno. Esas izquierdas no critican, no cuestionan, no debaten, no analizan desde la postura política, social y humana el proceder de los gobiernos, lo que hacen es atacarlas por la espalda y en los costados.
¿No es obvio el avance de Argentina con el gobierno de Néstor y posteriormente con los dos de Cristina? ¿Acaso se les tiene que explicar con manzanas?
¿Qué dicen de los juicios a torturadores y criminales que gracias a Cristina son una política de Estado? ¿Se recuerdan cuando existía la amnistía? No, las Madres y Abuelas de la Plaza de Mayo no apoyan a Cristina porque sean comadres, la solvencia es porque su gobierno se ha comprometido con la Memoria Histórica del país y en la reconstrucción del tejido social. La ley de Identidad de Género (26.743 -23 de mayo 2012) también es obra del gobierno de Cristina. Esta Ley la apoyó la Comunidad LGBT y es triunfo no solo de Cristina sino de quienes lucharon por obtenerla. “La Patria es el otro.”
La Ley de Matrimonio Igualitario (15 de julio de 2010). También en el gobierno de Cristina, siendo Argentina el primer país en Latinoamérica en legalizarlo. El mundo celebró cuando Estados Unidos lo legalizó hace unos meses, pero antes fue Argentina y en el gobierno de Cristina, de ningún tirano. El aumento del 30% a la Asignación Universal por Hijo. De 39 universidades públicas que existían en el país, en el gobierno de Argentina aumentan a 54. El Centro Cultural Kichner, el más grande de Latinoamérica y uno de los 6 más importantes en el mundo. El gobierno de Argentina ha invertido en educación, en la cultura. La economía de Argentina tuvo un cambio visible, y es imposible que no lo notemos, que no lo note la derecha que por eso la ataque día y noche y que no lo note la izquierda que debería valorar tener una presidenta como ella. Repito sí es obligatorio cuestionar pero también es obligatorio valorar los avances. A Cristina yo le reclamo la Ley de Aborto, la necesitamos en Argentina. Se va ir y nos deja con ese yugo a las mujeres. Una cosa es que ella no esté de acuerdo con el aborto y otra es que nos niegue ese derecho a las mujeres. Es una incoherencia de género y humana no apoyar una Ley de Aborto. En este caso en Argentina no se aprueba la Ley de Aborto porque Cristina está en contra y no la apoya. Habráse visto…
Una más y reciente del gobierno de la genial Cristina, la victoria contra los Fondos Buitres ante la ONU. Y a esta no le pueden tirar piedras, ni llamarle yegua, bruja, con esta victoria se tienen que tragar sus palabras quienes ven en Cristina el reflejo de una dictadura. Con 136 votos a favor, 4 en contra y 41 abstenciones la ONU votó el tratamiento de un marco legal para la reestructuración de deuda y los Fondos Buitre. Este documento adoptado en el mes de julio por el Comité sobre Procesos de Reestructuración de Deuda de ONU (que es por supuesto un plan argentino sobre las restricciones a los fondos buitres) contiene los principios sobre soberanía, buena fe, transparencia, imparcialidad, tratamiento equitativo, inmunidad soberana, legitimidad, sostenibilidad y reestructuración de la mayoría. Es un triunfo de 40 millones de Argentinos, en palabras de Cristina. Y sin lugar a dudas marca un precedente mundial. Esto fue señoras y señores en el gobierno de Cristina. Estados Unidos como siempre se opuso pero hoy no pudo salirse con la suya.
Mucho se habla del escándalo de corrupción en el gobierno de Dilma Rousseff, pero es impronunciable para la derecha internacional y para la izquierda patriarcal el Programa Más Médicos en Brasil implementado por Dilma en el año 2013, en él participan médicos brasileños tanto como cubanos. Este programa atiende a 63 millones de personas. En 34 distritos especiales indígenas y en 4 mil 58 municipios. Estamos hablando que este programa cubre el 72.8% de las ciudades de Brasil. Por supuesto atendiendo a la población más pobre, la que sobrevive en la desigualdad social. ¿No es un logro inmenso del gobierno de Dilma, acaso? ¿Qué gobierno “democrático” había pensando en la salud de la clase marginada en Brasil? ¿Qué gobierno “democrático” ha entrado a las favelas y no para atemorizar? Tuvo que venir un gobierno progresista.
Dilma en el 2013 aprobó y convirtió en Ley el Decreto PLC3/2013 que autoriza la distribución de un fármaco abortivo en todo el sistema sanitario del país. Se trata de la Píldora del día después. Es una ley que busca prevenir el aborto en mujeres que han sido víctimas de una violación. No es una Ley de Aborto como la que quisiéramos, como a la que tenemos derecho, pero también sabemos que Dilma no puede hacer todo sola, que todos somos el socialismo, que todos somos la humanidad y que los Derechos Humanos es obligación de todos hacerlos valer. Aplaudo esa Ley porque es un paso en el avance de los Derechos Humanos de la mujeres. Falta mucho por hacer, pero con el 70% de la sociedad brasileña en contra del aborto, es prácticamente imposible.
Pronto olvidan algunos, (cuando les conviene) y en la historia quedó el frente que le hizo Dilma al ataque feroz de los fondos Buitres a Petrobas que fue al mismo tiempo en que esos mismos Buitres querían dar un golpe blando al gobierno de Cristina cuando la embestida del caso Nisman. ¿Quién sacó la cara por Brasil? Fue Dilma que con uñas y dientes defendió a Petrobas. ¿Qué pensador izquierdoso se lo agradeció? Ninguno. En economía internacional viene la creación del BRICS (Brasil, Rusia, India, China y Sudáfrica) como una bloque que busca un intercambio comercial alternativo. Que por cierto en la reciente visita de Lula a Argentina la semana pasada, Cristina le propuso también formar parte de BRICS que de hacerse realidad sería BRICSA con Argentina entre ellos. Si después viene Venezuela y se anima, aquello pasaría de ser prosa a copla. BRICS no es visto con buenos ojos por Estados Unidos ni por las potencias mundiales capitalistas. Y la izquierda patriarcal no es capaz de ver la inmensidad que esto significa para Latinoamérica y propiamente para Brasil y es incapaz de reconocer a Dilma al mando.
Dilma es atacada por las oligarquías brasileñas que quieren en los huesos a Petrobas y a Brasil fuera de los BRICS. El escándalo de corrupción es parte de la estrategia. Además no olvidemos que dentro de los gobiernos progresistas están legisladores que ha escogido la sociedad clasista y la oligarquía y esto es un impedimento para cualquier avance y sin embargo estos gobiernos han logrado cambios significativos.
Por supuesto que es evidente el ataque del gobierno a los Pueblos Indígenas y esto hay que decirlo, se debe denunciar y con voz fuerte. El pueblo tiene todo el derecho a exigir respeto, cuidado de sus tierras y el cuidado a la vida.
Pero es inhumano y desleal decir que estos gobiernos no han creado cambios significativos para sus pueblos porque los hechos demuestran lo contrario. Si queremos cambios exijámoslos y seamos parte de ellos. Ya es suficiente con el ataque mediático, económico y con amplia estrategia política de los Estados Unidos en conjunto con las oligarquías latinoamericanas, como para que la izquierda venga y se ponga de alfombra y les limpie el camino. Si no son tienen la capacidad de asimilar la inteligencia y la capacidad de una mujer como jefa de Estado, tampoco es necesario que las ataquen demostrando con esto su deslealtad a todo un pueblo que las eligió en absoluta democracia. No seamos parte de la destrucción, seamos parte del cambio.
No olvidemos jamás que Cristina, Dilma y Michelle Bachelet han hecho historia en Latinoamérica y no tienen por qué estar bajo la sombra de ningún hombre ni sus capacidades ponerse a prueba de ninguna sociedad misógina. No tenemos ningún derecho a descalificarlas por su género, combatamos todos este patriarcado que no nos deja crecer como humanidad.
povo governo falta de verna nao se faz nada que preste para o povo
Talis Andrade | setembro 18, 2015 às 1:06 pm | Tags: Argentina, BRICs, Chile, Dilma, machismo, patriarcado | Categorias: Colonialismo, Imperialismo | URL: http://wp.me/p1uVgF-cMy
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vergonhosa aliança entre a Justiça e a mídia

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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Paulo Nogueira: A vergonhosa aliança entre a Justiça e a mídia.

Postado em 18 set 2015
Um retrato da indecência
Um retrato da indecência
Esta foto é um retrato da indecência.
Nela, Gilmar Mendes e Merval Pereira aparecem numa alegre confraternização que é um pesadelo para a sociedade.
Era o lançamento de um livro de Merval. Não um livro original, mas uma compilação de artigos seus sobre o Mensalão.
Numa sociedade avançada, e o Brasil aspira a ser uma delas, a imprensa e a Justiça se autofiscalizam.
Uma deve coibir excessos da outra.
Quando esses dois poderes se abraçam, como ilustra à perfeição a foto de Gilmar e Merval, perdemos todos nós.
“Jornalista não tem amigo”. Esta é uma frase clássica de um dos maiores editores da história do jornalismo.

Em meus dias de editor, tinha esta frase pregada no mural de minha sala. Repetia-a com frequência aos repórteres, passíveis de se deslumbrar com as potenciais amizades que o jornalismo lhes traz.
A lógica de Pulitzer, expressa há mais de um século, é eterna.
Um jornalista não cobre devidamente um amigo. Fecha os olhos para certas coisas e enaltece qualquer bobagem.
Merval é o anti-Pulitzer.
O mesmo ensinamento pulitzeriano se aplica integralmente à Justiça.
Um juiz não pode ter amigos.
Claro que não estou falando dos amigos do bairro, do clube, da padaria ou até do lupanar.
Falo dos amigos do âmbito profissional.
Como Gilmar, para ficar neste caso, poderia julgar uma causa na qual Merval estivesse porventura envolvido?
É por isso que é simplesmente abjeto juízes aceitarem premiações de empresas jornalísticas. Isso cria um laço, uma cumplicidade danosa à sociedade. Aos cidadãos. A nós, enfim.
A Globo premiou, nos últimos anos, Joaquim Barbosa e Sérgio Moro.
O decoro deveria tê-los impedido de aceitar. Mas, ao contrário, o que vimos foi a felicidade rutilante de ambos ao lado dos Marinhos.
Por que eles estavam sendo premiados? Porque, cada qual a seu jeito, os dois lideraram movimentos visceralmente antipetistas, o Mensalão e a Lava Jato.
Não foi pelo talento, pela inovação, pela transformação que Barbosa ou Moro trouxeram ao enferrujado, patético sistema jurídico nacional.
Gilmar é o símbolo supremo desse sistema.
Ele não pratica justiça, e sim política. Vale-se para isso do posto privilegiado  que FHC lhe garantiu no STF.
Seria digno ele sair desse pedestal que lhe foi dado em troca de defender as causas de FHC e se submetesse às urnas.
Mas é querer demais de quem posa, alegremente, ao lado de jornalistas.
Luciana Genro defendeu, em 2008, o impeachment de Gilmar, mas ficou numa luta solitária e vã.
O assunto deveria ser retomado agora.
Não é possível que a sociedade seja obrigada a tolerar, por anos intermináveis, um juiz que faz política.
(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).
Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

morte da democracia e a farsa neoliberal

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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Andrea Fumagalli: A morte da democracia e a farsa neoliberal da neutralidade da moeda.

Entrevista especial com Andrea Fumagalli

UNISINOS - Sexta, 18 de setembro de 2015
Quando “hierarquias do mercado ditarem escolhas da política econômica e o próprio mercado estabelecer as regras das relações humano-sociais, a democracia, entendida como processo de decisão resultante de um princípio dialético, está morta”, adverte economista italiano
Foto: direitoagesn.blogspot.com
“O pensamento neoliberal fundamenta-se no conceito de neutralidade da moeda e na suposição da perfeita competição nos mercados financeiros. Na verdade, os mercados financeiros não são imparciais e neutros, mas expressão de uma hierarquia bem precisa: longe de serem concorrenciais, escondem uma pirâmide que vê, na parte superior, poucosoperadores financeiros controlando mais de 65% de fluxos globais e, na base, uma miríade de pequenos investidores e operadores desempenhando uma função passiva. Tal estrutura permite que poucas empresas tenham capacidade de atingir e afetar a dinâmica do mercado. Asagências de rating (amiúde em conluio com as financeiras) ratificam, de modo instrumental, decisões oligárquicas, tomadas de tempos em tempos. Com tal farsa, o pensamento neoliberal tenta fazer passar como objetiva, neutra e naturalmente dada, uma estrutura de poder que, ao contrário, objetiva favorecer uma distribuição que vai dos mais pobres para os mais ricos”. A reflexão é do economista italiano Andrea Fumagalli, em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line. E acrescenta: “A democracia está morta exatamente no momento que tem início a parábola do capitalismo cognitivo”.
Andrea Fumagalli (foto abaixo) é Doutor em Economia Política, professor no Departamento de Economia Política e Método Quantitativo da Faculdade de Economia e Comércio da Università di Pavia, Itália. Seus temas de interesse são teoria macroeconômica, teoria do circuito monetário; economia da inovação e da indústria, flexibilidade do mercado de trabalho e mutação do capitalismo contemporâneo: o paradigma do capitalismo cognitivo, entre outros.

Dentre seus vários livros publicados, citamos: Il lavoro. Nuovo e vecchio sfruttamento (Milão: Punto Rosso, 2006),Bioeconomia e capitalismo cognitivo. Verso un nuovo paradigma di accumulazione (Roma: Carocci Editore, 2007) eLa crisi economica globale (Verona: Ombre corte, 2009).
Em 2010 Fumagalli participou com uma conferência do XI Simpósio Internacional IHU: O (des)governo biopolítico da vida humana, quando falou sobre A financeirização como forma de biopoder.
Confira a entrevista.
Foto: wikimedia.org
IHU On-Line - O que une bioeconomia e capitalismo cognitivo?
Andrea Fumagalli - O atual paradigma de acumulação chama-se "capitalismo cognitivo". Conforme Carlo Vercellone, "o termo capitalismodesigna aquelas variáveis fundamentais do sistema capitalista que permanecem, mesmo transformando-se: em particular, a preponderância do lucro e da relação salarial ou, mais precisamente, as diferentes formas de trabalho dependente, dais quais se extrai a mais-valia; o atributo cognitivo evidencia a nova natureza do trabalho, as fontes de valorização e a estrutura da propriedade, sobre as quais se funda o processo de acumulação e das contradições que esta mutação gera".
centralidade das economias de aprendizagem e do trabalho em rede, típicas do capitalismo cognitivo, vai sendo questionada no início do novo milênio, na sequência do rebentamento da bolha especulativa da Net-Economy, em março de 2000. O novo paradigma cognitivo não é capaz de evitar sozinho a instabilidade do sistema socioeconômico que o caracteriza. É necessário injetar nova liquidez nos mercados financeiros.
A capacidade de os mercados financeiros gerarem "valor", na verdade, depende do desenvolvimento de "convenções" (bolhas especulativas), capazes de criar expectativas tendencialmente homogêneas, que empurram os principais operadores financeiros a se concentrarem em determinados tipos de atividades financeiras. Nos anos 1990, de fato, foi a Net-Economy, na década de 2000 a atração veio do desenvolvimento dos mercados asiáticos (a China entrando na OMC, em dezembro de 2001) e imobiliário.
Hoje a tendência é concentrar-se na manutenção do welfare europeu. Independentemente do tipo de acordo dominante, o capitalismo contemporâneo está constantemente procurando novas áreas sociais e vitais, onde devorar e mercantilizar, até interessar-se, crescentemente, nas que são as faculdades vitais dos seres humanos. É o que, nos últimos anos, chamou-se de bioeconomia e biocapitalismo. Podemos, então, propor a junção do capitalismo cognitivo com a bioeconomia: “capitalismo biocognitivo” é a definição terminológica do capitalismo contemporâneo.

“A polarização das rendas aumenta o risco de insolvência das dívidas, que estão na base do crescimento da mesma base financeira, e diminui o salário médio”


IHU On-Line - Por que a crise financeira, enfrentada em diversos países, é uma crise de governança financeira do biopoder atual? A partir deste cenário, em que medida se pode dizer que a financeirização atinge todas as áreas de nossas vidas? Quais são as implicações fundamentais?
Andrea Fumagalli - Os mercados financeiros são o coração batendo, o conhecimento do cérebro, as atividades relacionais, o sistema nervoso. O capitalismo biocognitivo é um corpo único, no qual não é possível separar a esfera do "real" da esfera "financeira"; a esfera produtiva, da esfera improdutiva; o tempo de trabalho, do tempo de vida; e a produção, da reprodução e do consumo.
Em geral, a financeirização marca a transição final do dinheiro-mercadoria para o dinheiro-símbolo. Com a desmaterialização total do dinheiro (após o colapso de Bretton Woods, em 1971, e do fim da paridade fixa dólar-ouro), os mercados financeiros definiram convenções sociais e hierárquicas capazes de fixar, em pouco tempo, o valor da moeda. E, ao mesmo tempo, permitem que se mantenham abertas as relações de débito e crédito, contanto que haja confiança suficiente nos operadores.
Os mercados financeiros, portanto, fornecem o lubrificante para o processo de acumulação: no sistema capitalista, no entanto, não existe acumulação sem endividamento. Não é por acaso que, dos anos 1990 em diante, proveem o financiamento das atividades de acumulação: a liquidez atraída pelos mercados financeiros premia a reestruturação da produção voltada a explorar os conhecimentos e os controles dos espaços externos da empresa.
Em segundo lugar, na presença de mais-valia, os mercados financeiros desempenham, no sistema econômico, o mesmo papel que no capitalismo fordista-industrial era desempenhado pelo multiplicador keynesiano (ativado pelos gastos deficitários). No entanto - ao contrário do clássico multiplicador keynesiano -, o novo multiplicador financeiro leva a uma redistribuição distorcida da renda. Para que este multiplicador seja operacional (>1) requer-se que a base financeira (ou seja, a extensão dos mercados financeiros) esteja constantemente em aumento, e que os ganhos decapital acumulados sejam, em média, superiores à perda do salário mediano. Por outro lado, a polarização das rendas aumenta o risco de insolvência das dívidas, que estão na base do crescimento da mesma base financeira, e diminui o salário médio. Daqui resulta que o biocapitalismo cognitivo é estruturalmente instável.
Quando o lucro vira renda
Em terceiro lugar, os mercados financeiros, canalizando de forma forçada parte crescente da renda do trabalho(liquidação e previdência, além das rendas que, através do Estado social, se traduzem em instituições de tutela da saúde e da educação pública), substituem, assim, o Estado como segurador social. Deste ponto de vista, eles representam a privatização da esfera reprodutiva da vida.
Finalmente, os mercados financeiros são o lugar onde se fixa hoje a valorização capitalista, ou seja, o local da medição da exploração da cooperação social e do intelecto geral através da dinâmica de valores de mercado. O lucro é transformado, assim, em renda (cf. Tese 3), e os mercados financeiros tornam-se o lugar da determinação do valor-trabalho, que é transformado em valor-financeiro, que não é senão a expressão subjetiva de futuros lucros obtidos pelos mercados financeiros, que se apropriaram, dessa forma, de uma anuidade. Os mercados financeiros exercem, por conseguinte, o biopoder.

“A democracia está morta exatamente no momento que tem início a parábola do capitalismo cognitivo”

 



IHU On-Line - Neste contexto, que importância tem o neoliberalismo como fundamento da financeirização?
Andrea Fumagalli - O pensamento neoliberal fundamenta-se no conceito de neutralidade da moeda e na suposição da perfeita competição nos mercados financeiros. Na verdade, os mercados financeiros não são imparciais e neutros, mas expressão de umahierarquia bem precisa: longe de serem concorrenciais, escondem uma pirâmide que vê, na parte superior, poucos operadores financeiros controlando mais de 65% de fluxos globais e, na base, uma miríade de pequenos investidores e operadores desempenhando uma função passiva. Tal estrutura permite que poucas empresas tenham capacidade de atingir e afetar a dinâmica do mercado. As agências de rating (amiúde em conluio com as financeiras) ratificam, de modo instrumental, decisões oligárquicas, tomadas de tempos em tempos.
Com tal farsa, o pensamento neoliberal tenta fazer passar como objetiva, neutra e naturalmente dada, uma estrutura de poder que, ao contrário, objetiva favorecer uma distribuição que vai dos mais pobres para os mais ricos.
IHU On-Line - Quais são os espaços e os limites da democracia neste cenário? Que novas formas políticas surgem como resistência e confronto?
Andrea Fumagalli - No mesmo momento em que as hierarquias do mercado ditarem as escolhas da política econômica, e o próprio mercado estabelecer as regras das relações humano-sociais, a democracia, entendida como processo de decisão resultante de um princípio dialético, está morta. A democracia está morta exatamente no momento que tem início a parábola do capitalismo cognitivo.
IHU On-Line - Vale a pena analisar esta predominância da economia sobre a política como elemento explicativo da desconfiança da política e da apatia dos eleitores? Por quê?
Andrea Fumagalli - A desconfiança da "política" surge no exato momento em que ela se torna uma caixa vazia, que ratifica decisões tomadas em outros lugares. É consequência, não causa, da prevalência do poder econômico sobre o poder político e sobre o direito.
IHU On-Line - Como entender que governos de esquerda, como no Brasil, Bolívia e Equador, professem um modelo de desenvolvimento não sustentável, ignorando as terras indígenas com a construção de barragens e estradas, por exemplo?
Andrea Fumagalli - As compatibilidades econômicas e a subsunção da vida e da natureza são alheias às diferenças entre "direita" e "esquerda", enquanto normas garantem um processo de acumulação originária, da qual, junto à exploração e à comercialização da vida, o processo de valorização não pode prescindir. No limite, se houver alguma diferença entre direita e esquerda, elas dirão respeito não à esfera das modalidades de acumulação, mas à esfera da distribuição. Uma lei como o Bolsa Família, por exemplo, dificilmente teria sido promulgada por um governo de direita.
IHU On-Line - De que modo se pode falar de outra economia, num contexto marcado pela hegemonia do mercado financeirizado?
Andrea Fumagalli - Pode-se falar de "outra economia", se esta outra economia não só puder exercitar o poder de decisão sobre como produzir, o que produzir e de que modo produzir, mas, propedeuticamente, tiver autonomia de decisão, não sujeita às restrições e ao comando da financeira. E, para chegar a essa autonomia decisional (que, por exemplo, a Grécia não pode exercer, apesar de Syriza ter conquistado poder decisional), é necessário autonomia, do ponto de vista do circuito monetário-financeiro. Para isto, então, é necessário construir um circuito monetário alternativo, complementar e não substitutivo do tradicional, submetido ao comando da Troika, emitindo, sob controle democrático, uma moeda paralela, utilizável para produção de valor de uso interno, de trabalho e de impostos. Chamamos esta moeda complementar de Moeda Social!

 


“O nível de entropia da produção atual é tal, que o globo terrestre corre o risco de transformações climáticas irreversíveis”


IHU On-Line - No interior de uma companhia capturada pelo dispositivo financeirizado, como analisa as críticas do Papa Francisco à globalização da indiferença e o lançamento da encíclica Laudato Si’, que prega uma ecologia integral, em termos ambiental, econômico e social?
Andrea Fumagalli - Acredito que seja um convite à governança capitalística em grau de levar a sério os vínculos do ecossistema, que agora, em termos físicos, foram alcançados. O nível de entropia da produção atual é tal, que o globo terrestre corre o risco de transformações climáticasirreversíveis.
IHU On-Line – Em entrevista à IHU On-Line, em 2010, você disse que um dos principais efeitos do biocapitalismo sobre o trabalho é o controle das faculdades cognitivas do ser humano, e não apenas o disciplinamento do corpo. Quais são os impactos desta realidade para a autonomia e para a subjetividade dos contemporâneos?
Andrea Fumagalli - Este acompanhamento, que hoje chamaríamos de "subsunção da vida", é realizado através de três mecanismos principais: precariedade (envolvendo chantagem), dívida (que implica dependência e culpabilidade) e competição individual (que implica tendência ao reconhecimento social e ao mérito, em detrimento dos outros). Todos convergem em direção a um comportamento autointeressado e a uma ruptura dos laços sociais, como também à criação de um consenso passivo tal para garantir o poder existente e impotencializar quem luta por um mundo melhor.
IHU On-Line - Em que medida este controle das faculdades cognitivas torna-se trabalho precário e de sujeição do trabalhador?
Andrea Fumagalli - Por meio da chantagem, da dívida, da (parcial) lobotomia cerebral, da resignação.
Por Márcia Junges / Tradução: Ramiro Mincato