terça-feira, 24 de março de 2015

TUDO E' SUSPEITO...

Merval, Sérgio Moro e a morte do direito

           

O juiz Sérgio Moro foi, como se sabe, homenageado pelas organizações Globo como personalidade do ano no prêmio Faz a Diferença, honraria que recebeu por ser um magistrado imparcial e rigoroso, sendo apenas mera coincidência um eventual alinhamento de suas decisões com os desejos deste poderoso grupo de comunicação.     


Mas muita gente boa opinou, inclusive, que pelos nítidos interesses políticos e econômicos que o grupo Globo persegue, o melhor para um juiz tão cioso de sua independência e imparcialidade, como Sérgio Moro, seria ter se recusado a receber o prêmio. Tememos que estas opiniões não tenham alcançado Moro a tempo, pois talvez o fizessem refletir sobre os perigos para a sua credibilidade desta tão estreita proximidade com uma empresa que é praticamente o órgão de um partido político (PSDB) e porta voz de um movimento golpista. E o que acontece? Um hipotético leitor malicioso, que não conheça a seriedade do juiz Moro, ao ler a edição desta terça-feira (24) do jornal O Globo, é capaz de pensar no impensável: que o magistrado e a empresa de comunicação têm interesses políticos comuns e traçam táticas em conjunto. Senão, vejamos. O juiz mandou transferir, nesta segunda-feira (23), 12 presos da Operação Lava Jato da carceragem da polícia federal, em Curitiba, para um presídio em Pinhais, onde os detidos (que ainda não foram julgados e muito menos condenados, sendo isto, é lógico, um mero detalhe muito justificadamente ignorado pelo novo e avançado ordenamento jurídico brasileiro) usarão uniformes, tomarão banho coletivo, além de outras regalias como a possibilidade, admitida pelo próprio juiz Sérgio Moro, de que venham a sofrer violências de outros detentos.

A esperança de Merval

Entre os presos transferidos está o ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, que tem se negado de forma enfática a fazer o acordo de delação premiada. Só permaneceram na PF Nestor Cerveró e Ricardo Pessoa, que está em processo de negociação da delação premiada. Segundo escreve um dos principais colunistas amestrados da mídia hegemônica, Merval Pereira, na edição desta terça-feira do jornal O Globo, a transferência dos presos pode ser decisiva “para que surjam novas provas no processo do petrolão” e liga diretamente esta esperança ao envio de Renato Duque “para a cadeia do Complexo Médico-Penal em Pinhais”. Para Merval, isto “faz com que Renato Duque esteja mais próximo do que nunca do momento de decisão sobre sua própria delação premiada”. Merval lembra (com certeza neste momento já leram para Duque esta parte da coluna várias vezes) que enquanto o delator Barusco “está em liberdade devido à delação premiada, Renato Duque está na cadeia.” E, o mais espantoso, Merval já adianta qual será o veredito de Sérgio Moro, tanto em relação à Duque quanto em relação a Barusco: “Renato Duque está na cadeia próximo de uma condenação que será mais rigorosa do que a do próprio delator”.

Os aspectos irrelevantes

Notem que o jornalista não se preocupa sequer em tomar qualquer precaução ao fazer sua afirmativa. Ele não escreve que Duque “pode” estar próximo a uma condenação rigorosa. Ou que “deve” estar próximo a uma condenação rigorosa. Ele é enfático ao mostrar conhecimento antecipado não só do veredito mas também de sua extensão. Denota Merval uma inaceitável proximidade com o centro de condução da Operação Lava Jato, onde o grupo Globo seria (vejam anossa precaução: “seria”) encarregado de blindar qualquer coisa feita em nome de alcançar os resultados desejados. Merval termina ainda com um aviso que é uma clara ameaça (trecho que deve também estar sendo lido e relido para Duque por delegados atenciosos), depois de adiantar que as primeiras sentenças de Sérgio Moro serão dadas até o meio do ano, diz Merval, mais uma vez mostrando saber de antemão os vereditos: os “ex-dirigentes da Petrobras têm pouco tempo para decidir revelar seus segredos antes de serem condenados”. Só um último escrúpulo de consciência impediu Merval de sugerir métodos como simulação de afogamento, privação do sono, e outras práticas mais “eficazes”, infelizmente, pelo que sabemos, ainda não adotadas no moderno ordenamento jurídico brasileiro para, não só obrigar alguém a falar, mas a falar o que se deseja ouvir. Não se exige nem a verdade, nem provas do que se afirma, aspectos irrelevantes que não interessam ao que existe de mais avançado em nossa justiça. É a morte do direito.

O valentão que ameaça a Dilma

A passeata neofascista do dia 15 deu fôlego a valentões de ocasião. Em declaração ao principal porta voz do movimento golpista, o jornal O Globo, o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (PSDB-SP) afirmou que “A presidenta Dilma vai deixar o cargo, por vontade própria ou não.” Para quem não se lembra, o candidato a Mussolini é conhecido por iniciativas bizarras. Em 2013 entrou com ação na Procuradoria Geral de República pedindo a condenação da presidenta por improbidade administrativa por esta ter enviado cartões de natal aos servidores públicos. Depois disse que iria acionar o TSE pelo encontro de Dilma com Lula! Por estas e outras o deputado recebeu do jornalista Jânio de Freitas a alcunha que o acompanha até hoje: “aspirante à perda do senso de ridículo”. Ou seja, um bobo da corte que só um jornal como o da famiglia Marinho leva a sério.

Constrangidos

Notas Vermelhas já mostrou seu pouco apreço pelas avaliações destas agências internacionais, mas é engraçado assistir ao constrangimento dos jornalões, que apostavam no rebaixamento da nota do Brasil para estampar, nesta terça-feira (24) em manchetes garrafais o “aumento da crise”. Como a agência não rebaixou a nota, reafirmando que o país é um local seguro para se investir, a matéria com a notícia foi relegada às páginas internas. O site UOL (grupo Folha) tinha no início da manhã desta terça-feira (24) uma manchete hilariante, onde dizia que a agência S&P tinha dado “outra chance” ao Brasil. Imagino que o UOL, em um esforço de reportagem, presenciou o momento da decisão, que foi mais ou menos assim: 


Diretor 1 da S&P: E aí, pessoal, vamos rebaixar mesmo a nota do Brasil?

Diretor 2 da S&P: Eu acho sacanagem, brasileiro é gente boa. Eu sempre passo o carnaval lá.

Diretor 3 da S&P: É verdade, e a caipirinha, e a caipirinha?

Diretor 1 de novo da S&P: Está decidido, vamos dar mais uma chance para o Brasil. Eles merecem.

Só mesmo o jornalismo de qualidade do grupo Folha para revelar o lado humano do mercado financeiro.

Que país é este? Vídeo sobre a sonegação da Globo

Uma das manchetes do jornal O Globo de hoje é “Tesoureiro do PT vira réu na Lava-Jato”, e acima do título: “Que país é este”? Para entender que país é este é preciso reservar apenas 17 minutos e assistir a esta excelente produção do Diário do Centro do Mundo. No vídeo abaixo, conta-se resumidamente a escabrosa história da fraude milionária da Globo, incluindo su
borno à funcionários públicos e cumplicidades camufladas no judiciário e no aparelho policial. Proponho uma corrente de divulgação do vídeo como parte das comemorações dos 50 anos da Globo. Assistam e, pela democracia no Brasil, divulguem.


Para terminar com alegria, um poema que está circulando nas redes





Colabore com o Notas Vermelhas: envie sua sugestão de nota ou tema para o email wevergton@vermelho.org.br

Defesa explicita a FHG

Reuters põe entrevista com FHC no ar e esquece de tirar frase que denuncia favorecimento
Postado em  24 de março de 2015 - no DCM Em vermelho, a deferência a FHC publicada inadvertidamente A imagem fala tudo.

Em vermelho, a deferência a FHC publicada inadvertidamente
A imagem fala tudo.

Na Reuters, a corrupção vem desde FHC, mas “podemos tirar se achar melhor”

24 de março de 2015 | 16:10 Autor: Fernando Brito
reut
O alemão Paul Julius Reuter, com os telégrafos com que criou a Reuters, no século 19, jamais imaginaria que sua agência de notícias, hoje uma das maiores do mundo, ia tão alegremente entregar-se aos padrões brasileiros de jornalismo.
Ontem, o site da Reuters publicou uma entrevista de Fernando Henrique Cardoso culpando Lula pelos casos de corrupção na Petrobras.
Lá no sexto parágrafo, o texto de Brian Winter, porém, citava as informações de Pedro Barusco de que o desvio de dinheiro começara no governo do tucano entrevistado.
Por distração, foi ao ar, junto do texto, uma observação do editor, semelhante àquela que andou frequentando os e-mail à redação da TV Globo: “Podemos tirar, se achar melhor”.
Assim, com esto jeito meigo de ser.
Quando a Reuters percebeu a “mancada” correu a fazer a reedição que aparece acima deste post.
Um amigo viu e imprimiu a página e, com o texto exato, foi possível achar o resultado na varredura do Google, embora a página original já não mais esteja publicada.
Recortei da tela e apliquei na imagem para que você possa entender a estranha “reedição”, que corrige a mancada, mas não a bajulação.
Fica como mais um exemplo – de tantos e tantos – do sabujismo que a mídia adota, agora em versão internacional, para que o leitor – com o perdão da palavra – possa conhecer os intestinos das fábricas de notícias.

Meu comentario:


Os responsáveis pela mídia brasileira [na maioria políticos] são todos liberais que se identificam com o capitalismo empresarial norte americano, pior que o capitalismo de mercado distributivo adotado pelo PT

reforma política tem nome

A pressa do PMDB para aprovar a sua reforma política tem nome

O segredo para compor uma grande bancada? Simples: muito dinheiro empresarial. Por isso que o PMDB tem pavor do fim do financiamento privado de campanha...


Maria Inês Nassif Edilson Rodrigues / Agência Senado
Desde a Constituinte de 1988, os partidários da reforma política de diversos matizes ideológicos acumularam sucessivos fracassos nas mais diversas tentativas de mudar as regras partidárias e eleitorais. Agora, o PMDB, que é um dos partidos com maior pulverização ideológica do Congresso, conseguiu a façanha de alinhavar um consenso interno em torno de propostas de mudança na legislação, arregimentar apoios de outros partidos e dar uma velocidade ímpar ao debate. O PMDB, hoje, tem condições de articular a aprovação de uma emenda constitucional (que precisa do apoio de 3/5 dos deputados e senadores) para manter a salvo o financiamento privado de campanha e derrubar o sistema proporcional. Isso se articula em torno da PEC Vaccarezza, cuja tramitação anda a passos largos na Comissão Especial e pode chegar ao plenário no próximo mês.

Embora os líderes do partido não deem mais do que declarações óbvias sobre o tema, existem indícios suficientes de que o financiamento privado de campanha é o centro dos interesses da cúpula peemedebista.

O partido, que lançou candidato a presidente da República pela última vez em 1998, é um dos principais destinos dos financiamentos empresariais.

O grande poder do PMDB é sua bancada parlamentar, que faz dele, sempre, o principal partido dos governos de coalizão que se formam desde FHC. É em torno dessa grande bancada – que tem capacidade de voto e veto nas votações legislativas – que esse dinheiro se mobiliza. No momento, todavia, o financiamento empresarial de partidos e campanhas eleitorais encontra-se sob duplo ataque: de forças políticas que o consideram como o grande fator de corrupção da política, e querem proibi-lo; e do Supremo Tribunal Federal, que não declarou ainda a inconstitucionalidade desse tipo de financiamento porque o ministro Gilmar Mendes pediu vistas ao processo, no meio do julgamento, e retarda a decisão.

A Coalizão pela Reforma Política Democrática, liderada pela OPAB e pela ABI e com o apoio de mais de 103 entidades representativas da sociedade civil, por sua vez, empreende um trabalho de mobilização para conseguir as 1,5 milhão de assinaturas necessárias para tornar um projeto de lei como de iniciativa popular. A proposta proíbe o financiamento empresarial e permite o financiamento de pessoas físicas apenas no limite de R$ 700,00 por pessoa.

A pressa da Comissão Especial de Reforma Política convenientemente poderia transformar a permissão para o financiamento privado em norma constitucional antes que o STF declare inconstitucional essa prática de angariação de fundos, e antes que o projeto de lei consiga os apoios necessários para adquirir o status de projeto de iniciativa popular, que teria uma força política muito maior para tramitar no plenário.

Se o PMDB conseguir, com a manobra liderada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, aprovar a emenda constitucional liberando o financiamento privado, poderá manter o alto custo de campanhas parlamentares, que garantem ao partido grandes bancadas e, em consequência, um igual poder de coação junto a qualquer governo, seja ele de que partido for.

Um balanço das doações das principais empresas implicadas na Operação Lava Jato, por exemplo, indicam que o PMDB, sem candidato a presidente da República, dividiu de forma praticamente igualitária esses recursos com o PT e com o PSDB, ambos com candidatos presidenciais com chances de vitória.

A soma das doações legais feitas pelas Galvão Engenharia, Odebrecht, UTC, Camargo Correa, OAS, Andrade e Gutierrez, Mendes Jr, Iesa, Queiroz Galvão, Engevix, Setal, GDK, Techint, Promon, MPE e Skanska foi de R$ 222.570.081,00. Deste dinheiro, 25% foram para o PT, 24% para o PSDB e 21% para o PMDB. O PSB, com a candidata que ficou em terceiro lugar na disputa, ficou com 7%. Nas eleições de 2010, essas empresas contribuíram legalmente com R$ 135.516.000,00. O PMDB ficou com a maior fatia, de 24%, seguido do PT, com 23%,e  do PSDB, com 20%.

FRENTE PARLAMENTAR EM DEFESA DA PETROBRAS

Esses tucanalhas entreguistas, lacaios dos interesses americanos, espertalhões e ladrões, tentam de todas as formas esquartejar a Petrobras, mas não passarão! 
plantaobrasil.com.br

Será lançada nesta terça (24), na Câmara dos Deputados, a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Petrobras; de acordo com o deputado Davidson Magalhães (PCdoB-BA), articulador e presidente do colegiado, o objetivo principal da frente é tentar separar duas pautas: a referente à apuração dos crimes de corrupção e a empresa em si; “A Petrobras não se confunde com corrupção e é um símbolo nacional. Queremos levantar no Congresso, além do debate sobre Operação Lava Jato e apurações sobre denúncias, que existe uma outra Petrobras que não é necessariamente a empresa envolvida nesses escândalos”, diz Magalhães

Será lançada amanhã (24), às 17h, na Câmara dos Deputados, a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Petrobras. De acordo com o deputado Davidson Magalhães (PCdoB-BA), articulador e presidente do colegiado, o objetivo principal da frente é tentar separar duas pautas: a referente à apuração dos crimes de corrupção e a empresa em si. “A Petrobras não se confunde com corrupção e é um símbolo nacional. Queremos levantar no Congresso, além do debate sobre Operação Lava Jato e apurações sobre denúncias, que existe uma outra Petrobras que não é necessariamente a empresa envolvida nesses escândalos”, diz Magalhães.

O parlamentar acredita que o Congresso e a sociedade precisam reagir contra tentativas de “esquartejar” a petroleira brasileira, que significa vender partes da companhia, prejudicando seu caráter vertical.

A frente promoverá uma mobilização interna, no Congresso, para tentar barrar iniciativas de quebrar o regime de partilha, adotado na área do pré-sal, e também propostas de privatização.

Outro movimento é fazer mobilizações fora do Parlamento. Os membros da frente pretendem aprofundar articulações com movimentos sociais, dialogar com a presidência e a direção da Petrobras, com a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e com a Agência Nacional do Petróleo, para monitorar os impactos da crise na indústria. Os parlamentares têm a intenção de “mobilizar a classe política, principalmente os governadores, que são os mais afetados pela redução das atividades da Petrobras”, diz Magalhães.

Magalhães lembra que há setores influentes que não disfarçam intenção de privatizar atividades da Petrobras, “que hoje é uma empresa verticalizada, do poço ao posto”.

Segundo ele, “existem propostas veiculadas por aí” para vender partes da companhia. “Fernando Henrique e o senador (José) Serra (PSDB-SP) estão propondo vender atividades como refino, distribuição de combustíveis. Isso é um retrocesso, é voltarmos ao tempo de exportação de produtos primários e manufaturados”, afirma o presidente da frente parlamentar.

Em entrevista a um portal de internet há menos de um mês, Serra defendeu que “a Petrobras deveria ser dividida em empresas autônomas”. “Eu não teria nenhum problema de desfazer, ou conceder, ou associar a Petrobras em áreas diversas, que ela não tem que estar”, declarou o tucano. Logo após a deflagração da Operação Lava Jato, em março de 2014, o ex-presidente FHC escreveu um artigo pregando que a oposição precisava "tomar a unha o pião dos escândalos da Petrobras" e reafirmar "a urgência de mudar os critérios de governança das estatais".

“Nós defendemos a integralidade da Petrobras”, explica Davidson Magalhães. “A empresa que defendemos na frente parlamentar é a Petrobras que agora, em fevereiro, bateu recorde de produção, que está entre as dez maiores petroleiras do mundo, é responsável por quase 20% dos investimentos do país e 10% do PIB.”

A tentativa de quebrar a verticalidade da estatal, de acordo com os membros da frente, é contrária à criação de emprego no país e diminuiria a venda de produtos com maior valor agregado. “Isso está na contramão do esforço que a indústria brasileira tem que fazer, para produzir produtos com maior valor agregado incorporando mais tecnologia. Estamos liderando em nível internacional a produção em águas profundas, com o pré-sal.”

Interesses internacionais
O deputado baiano aponta para interesses internacionais que sairiam vencedores do enfraquecimento e venda de partes da estatal. “Qual é o capital nacional que tem condições de comprar setores da companhia? Nenhum. Isso vai acabar sendo jogado na mão de grandes empresas multinacionais num momento em que conseguimos autossuficiência em petróleo, estamos no caminho para buscar a mesma coisa em gás natural e precisamos avançar na área do refino.”

Segundo Magalhães, nove das dez maiores petroleiras do mundo são empresas verticalizadas, que estão no refino, na venda de combustível, na indústria química e de fertilizantes. “Se você limita a atuação, se faz um esquartejamento da Petrobras, é um retrocesso do ponto de vista da industrialização.”

Para ser criada, a frente teve o apoio de 210 deputados federais e 42 senadores, que subscreveram a proposta de criação. Além de Davidson Magalhães, a coordenação é formada pelos deputados Vicentinho (PT-SP), Aliel Machado (PCdoB-PR), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Zeca do PT (PT-MS) e os senadores Roberto Requião (PMDB-PR), Antonio Carlos Valadares (PSB, ex-governador de Sergipe), Fátima Bezerra (PT-RN) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).São Paulo – Será lançada amanhã (24), às 17h, na Câmara dos Deputados, a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Petrobras. De acordo com o deputado Davidson Magalhães (PCdoB-BA), articulador e presidente do colegiado, o objetivo principal da frente é tentar separar duas pautas: a referente à apuração dos crimes de corrupção e a empresa em si. “A Petrobras não se confunde com corrupção e é um símbolo nacional. Queremos levantar no Congresso, além do debate sobre Operação Lava Jato e apurações sobre denúncias, que existe uma outra Petrobras que não é necessariamente a empresa envolvida nesses escândalos”, diz Magalhães.

O parlamentar acredita que o Congresso e a sociedade precisam reagir contra tentativas de “esquartejar” a petroleira brasileira, que significa vender partes da companhia, prejudicando seu caráter vertical.

A frente promoverá uma mobilização interna, no Congresso, para tentar barrar iniciativas de quebrar o regime de partilha, adotado na área do pré-sal, e também propostas de privatização.

Outro movimento é fazer mobilizações fora do Parlamento. Os membros da frente pretendem aprofundar articulações com movimentos sociais, dialogar com a presidência e a direção da Petrobras, com a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e com a Agência Nacional do Petróleo, para monitorar os impactos da crise na indústria. Os parlamentares têm a intenção de “mobilizar a classe política, principalmente os governadores, que são os mais afetados pela redução das atividades da Petrobras”, diz Magalhães.

Magalhães lembra que há setores influentes que não disfarçam intenção de privatizar atividades da Petrobras, “que hoje é uma empresa verticalizada, do poço ao posto”.

Segundo ele, “existem propostas veiculadas por aí” para vender partes da companhia. “Fernando Henrique e o senador (José) Serra (PSDB-SP) estão propondo vender atividades como refino, distribuição de combustíveis. Isso é um retrocesso, é voltarmos ao tempo de exportação de produtos primários e manufaturados”, afirma o presidente da frente parlamentar.

Em entrevista a um portal de internet há menos de um mês, Serra defendeu que “a Petrobras deveria ser dividida em empresas autônomas”. “Eu não teria nenhum problema de desfazer, ou conceder, ou associar a Petrobras em áreas diversas, que ela não tem que estar”, declarou o tucano. Logo após a deflagração da Operação Lava Jato, em março de 2014, o ex-presidente FHC escreveu um artigo pregando que a oposição precisava "tomar a unha o pião dos escândalos da Petrobras" e reafirmar "a urgência de mudar os critérios de governança das estatais".

“Nós defendemos a integralidade da Petrobras”, explica Davidson Magalhães. “A empresa que defendemos na frente parlamentar é a Petrobras que agora, em fevereiro, bateu recorde de produção, que está entre as dez maiores petroleiras do mundo, é responsável por quase 20% dos investimentos do país e 10% do PIB.”

A tentativa de quebrar a verticalidade da estatal, de acordo com os membros da frente, é contrária à criação de emprego no país e diminuiria a venda de produtos com maior valor agregado. “Isso está na contramão do esforço que a indústria brasileira tem que fazer, para produzir produtos com maior valor agregado incorporando mais tecnologia. Estamos liderando em nível internacional a produção em águas profundas, com o pré-sal.”

Interesses internacionais
O deputado baiano aponta para interesses internacionais que sairiam vencedores do enfraquecimento e venda de partes da estatal. “Qual é o capital nacional que tem condições de comprar setores da companhia? Nenhum. Isso vai acabar sendo jogado na mão de grandes empresas multinacionais num momento em que conseguimos autossuficiência em petróleo, estamos no caminho para buscar a mesma coisa em gás natural e precisamos avançar na área do refino.”

Segundo Magalhães, nove das dez maiores petroleiras do mundo são empresas verticalizadas, que estão no refino, na venda de combustível, na indústria química e de fertilizantes. “Se você limita a atuação, se faz um esquartejamento da Petrobras, é um retrocesso do ponto de vista da industrialização.”

Para ser criada, a frente teve o apoio de 210 deputados federais e 42 senadores, que subscreveram a proposta de criação. Além de Davidson Magalhães, a coordenação é formada pelos deputados Vicentinho (PT-SP), Aliel Machado (PCdoB-PR), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Zeca do PT (PT-MS) e os senadores Roberto Requião (PMDB-PR), Antonio Carlos Valadares (PSB, ex-governador de Sergipe), Fátima Bezerra (PT-RN) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

Como fazer uma geração de zumbis

Como fazer uma geração de jovens imbecilizados

Autor: Fernando Brito
geracao
Recomendo a leitura das duas reportagens da Folha de hoje (aqui eaqui) sobre os jovens universitários de faculdades particulares – e caras – de São Paulo.
Narra que a coisa chega ao ponto de se fazerem “reuniões de pais”, assistir aula com a mamãe e, até, irem juntos a entrevistas de estágio. Até  caso “de mãe reclamar de reprovação em MBA” acontece em uma delas.

Cria-se uma geração de incapazes, supérfluos, paparicados, a pretexto de zelar pela “segurança” e pelo “investimento” que estão fazendo, como se a universidade não tivesse como um de seus principais papéis ser o ambiente múltiplo e biodiverso onde se consumaria a sua transformação em adultos, independentes.
Parece existir uma culpa doentia desta camada social que pretende manter os filhos nesta redoma de classe em que se encapsularam e a se relacionarem com a vida e a sociedade como “consumidores” e não como partícipes da “vasta fauna humana”.
Como desprezam a diversidade, desprezam o que é diferente de si mesmos.
Infantilizando os filhos o que se consegue é torna-los egoístas, covardes, despreparados para um mundo que é cada dia mais feito para a mediocridade.
O contrário de gerações e gerações de jovens rebeldes e contestadores que levaram o mundo à frente, forma-se uma geração que só contesta mesmo a conivência humana e embarca no “sou rico, sou diferenciado, tenho mais direitos que os outros”.
Superproteção, que reparo até em queridos amigos para com seus filhos, não é amor, é prisão.
E gente presa se desacostuma à liberdade, de tal maneira que, mesmo quando solta, ainda carrega as grades em sua mente.
Desculpem o desabafo, mas gosto demais da juventude – e do que ficou dela em mim –  para não escrever sobre isso.

“A vida é muito curta para ler a Veja”

 

Jean Wyllys: “A vida é muito curta para ler a Veja”

março 22, 2015 17:15
Jean Wyllys: “A vida é muito curta para ler a Veja”
O parlamentar criticou recente capa da revista Veja, que traz em destaque Eduardo Cunha (PMDB-RJ); segundo Wyllys, há uma tentativa de transformar o presidente da Câmara em “grande estadista”, sem ao menos mencionar que ele é um dos investigados pela Operação Lava-Jato
Por Redação
No último sábado (21), o deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) se manifestou, em sua página no Facebook, sobre capa recente da revista Veja, que traz em destaque a figura do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Segundo o parlamentar do Psol, há uma tentativa de enaltecer o nome de Cunha, sem qualquer menção ao fato de ele estar sendo investigado pela Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, por suposto recebimento de propina.
Confira o depoimento na íntegra:
A vida é muito curta para ler Veja e o fruto de meu trabalho é precioso demais pra gastá-lo com essa revista. Mas, na livraria onde estive há pouco, vi a capa de sua nova edição e a fotografei. Vejam que a revista – que transformou em herói nacional o senador corrupto Demóstenes Torres (DEM-GO), peça-chave do esquema de corrupção de Carlos Cachoeira, do qual também fazia parte um repórter da Veja – decidiu, nessa edição, transformar Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em grande estadista (percebam que não há, na capa da revista, qualquer menção ao fato de o presidente da Câmara estar indiciado na operação Lava Jato, que investigou pesado e antigo esquema de corrupção na Petrobras, e denunciado pelo Ministério Público Federal ao STF). O que dizer desse “jornalismo”? Deixem seus comentários…
Foto de capa: Divulgação

BRASILEIRO VOCE SABE QUANTOS SÃO CONDENADOS POR COMPARTILHAR SUA VISÃO DO MUNDO?

QUANTOS NÃO SÃO CONDENADOS POR COMPARTILHAR SUA VISÃO DO MUNDO? #LiuCaldas  

MP FAZ 'VARREDURA' EM R$ 62 MI DE DOAÇÕES ELEITORAIS

 
A investigações da MP sobre as doações legais a partidos  envolvendo empresas ligadas a Petrobrás mostra que mais de 53% do valor foram para a bancada do PMDB. Engraçado... porque a mídia só cita o tesoureiro do PT???  (até minha filhinha sabe que é Vaccari Neto) Quem é mesmo o tesoureiro do PMDB e do PSDB?????

MP FAZ 'VARREDURA' EM R$ 62 MI DE DOAÇÕES ELEITORAIS

A Procuradoria-Geral da República (PGR) vai investigar R$ 62,6 milhões de doações eleitorais legais declaradas à Justiça em busca de propinas do esquema de corrupção montado na Petrobras.

Segundo reportagem de Felipe Bachtold, a apuração será realizada nas prestações de contas de 2010 de siglas e de políticos que tiveram pedido de investigação autorizado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Na época, foram questionados R$ 32,8 milhões de contribuições para o PMDB, R$ 9,8 milhões ao PT e R$ 9 milhões ao PSDB.

Em delações premiadas, o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef ligaram ao esquema políticos como os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), além dos senadores Gleisi Hoffmann (PT-PR), e Sérgio Guerra (tucano morto em 2014).
http://www.plantaobrasil.com.br/news.asp?nID=88172
 
Você não ouvirá nadinha do Bonner sobre o Banestado; se ouvir, será de forma manipulada.

Rede Globo em crise

Ex colunista da Globo quer dar um basta definitivo no jornalismo-lixo da emissora

FG
Não me proponho contribuir para a quebra da Globo. Seria um desperdício de tecnologia em audiovisual acumulada durante décadas, a qual se tornou um patrimônio nacional de valor incalculável. Quando o senador Crivella agendou uma conversa com João Roberto Marinho na última campanha eleitoral, sugeri a ele que deveria dizer que, se eleito, se comprometeria a lutar pela consolidação do Rio como capital audiovisual da América Latina e um dos principais centros de produção de arte audiovisual do mundo. O líder seria a Globo, naturalmente, não a Record, cuja base audiovisual é São Paulo.
Acontece que os programas de boa qualidade formal da Globo, como as novelas, casos especiais, Globo Repórter, Fátima Bernardes, The Voice (não sei por que não “A Voz”) e SuperStar funcionam como uma espécie de rede física de esgoto pelo qual flui o material de má qualidade, a saber, o Jornal Nacional e, principalmente, o Jornal da Globo. Vai também junto desse lixo esse monumento à imbecilidade globalizada, o BBB Brasil, que disputa com Faustão o campeonato da idiotice, salvo apenas, no caso de Faustão, pela Dança dos Famosos, para os que tem estômago para tolerar as piadas de mau gosto do apresentador.
O lamentável é que os outros canais, como Record, Bandeirantes e SBT, não se aproveitam das falhas estruturais da Globo para lhe ocuparem o espaço jornalístico. Na Band o jornalismo é tão pobre que as notícias dos principais Estados são veiculadas por rádio, sem acompanhamento de imagem. A Record tem a sorte de ter em seus quadros um dos maiores jornalistas do Brasil, Paulo Henrique Amorim, mas também nela falta infraestrutura para o noticiário em geral. Com isso, a Globo nada de braçadas, fixando o padrão de mediocridade que move a maior parte do jornalismo de televisão.
Como colunista do Globo, privei durante quase um ano da intimidade de Roberto Marinho, o que me possibilitou conhecer bem algumas de suas facetas. Era um homem simples, sem ideologia, voltado quase exclusivamente para o jornal, não a tevê. É que, de jornal, ele acreditava entender bem – entrou na tipografia e acabou dono -, enquanto a televisão não lhe era familiar, e deixava entregue a José Bonifácio, o Boni, e Walter Clark. Boni e Clark puderam dar uma direção profissional à televisão, sem interferência do dono, enquanto o jornal era estritamente vigiado por ele.
Talvez viesse daí a mediocridade do Globo quando comparado com o Jornal do Brasil, por exemplo. Entretanto, mesmo que não fosse um luminar do jornalismo, Roberto Marinho tinha o espírito da notícia. Lamentou várias vezes não ter podido dar o furo do Plano Cruzado porque Sarney lhe pedira reserva. (O curioso nesse episódio é que Sarney não se deu conta de que estava passando informação privilegiada para o maior grupo de comunicação do país num momento crucial da vida econômica brasileira. Na verdade, Sarney temia tanto o grupo Globo que não pensou duas vezes antes de lhe entregar uma ficha valiosa que não foi usada.)
O espírito jornalístico de Roberto Marinho não foi transmitido à prole. No caso da televisão, foi totalmente desvirtuado. Como jornal perdeu espaço no mundo da comunicação, a penetração da tevê tornou-se uma arma mortal de difusão ideológica. No Jornal Nacional ela vinha sendo usada com alguma moderação porque os editores, William Bonner à frente, calculavam que os telespectadores são sobretudo de classe média baixa. A partir da última eleição, contudo, com o sistema Globo assumindo papel de militante pró-Aécio, a manipulação ideológica também do noticiário televisivo no horário nobre tornou-se aberta.
Como já escrevi anteriormente, o sistema de três feudos e várias satrapias jornalísticas do Globo não tem hoje nenhum controle político. É o campo da liberdade sem limites dos âncoras e apresentadores, no qual atua a lei da selva. Um ensaio iluminado de Norberto Bobbio ensina que os luminares do alvorecer da Idade Moderna não esclareceram bem o que entendiam por liberdade. Alguns, como Locke e Montesquieu, viam a liberdade como o não limite; outros, como Rousseau e Hobbes, como prerrogativa de estabelecer os próprios limites. Os primeiros inspiraram o liberalismo econômico. Os segundos, a democracia.
A tevê Globo é hoje o império da liberdade sem limites, do liberalismo econômico que gerou nas quatro últimas décadas o neoliberalismo. Antes, por contraditório que possa parecer, Roberto Marinho lhe dava um caráter democrático. Um dia, na minha época no Globo, entrei na sala dele e lhe expus o que sabia dos rumores de corrupção do Governo Collor. “O que acha que eu devo fazer?”, perguntou ele a mim, que tinha pouco mais de metade de sua idade. “Ponha na televisão”, sugeri. Ele ficou em silêncio alguns segundos para comentar, encerrando a conversa: “É muita responsabilidade…”
É essa responsabilidade que a Globo perdeu sob a influência nefasta do grupo Veja. Destruidora do Governo Collor, sem provas – a entrevista que publicou com o irmão de Collor foi um monumento à irresponsabilidade jornalística -, Veja começou a articular suas “revelações” de escândalos, oriundas de espionagem paga, com o noticiário do Jornal Nacional e o Jornal da Globo. Duplamente irresponsáveis, esses dois sistemas de empulhação jornalística estão destruindo o Brasil com intrigas, e contribuindo para a degradação de todas as instituições brasileiras, Executivo, Legislativo e Judiciário. Chegou o momento do basta.
Para destruir Veja, o que se justifica como profilaxia da imprensa brasileira, é muito fácil: basta parar de comprá-la e cancelar as assinaturas. Caso sinta necessidade de revista, compre a Carta Capital como alternativa, com uma linha mais imparcial.
No caso da tevê também é fácil. Como queremos preservar as novelas e punir o jornalismo-lixo, vamos fazer o seguinte: no horário do Jornal Nacional e do Jornal da Globo – depois da novela, num caso, e do BBB, do outro -, vamos desligar a televisão ou mudar de canal. Todos os anunciantes da Globo saberão pelas pesquisas que, naquele horário, os aparelhos ou estarão desligados ou ligados em outro canal. (Sugiro que alguém mais competente que eu em matéria de internet arranje um jeito de tornar essa convocação nacional através das redes sociais, começando numa data marcada com antecedência e combinando novas datas até que se torne conhecida alguma providência do sistema Globo em reestruturar profissionalmente seus jornais!)
J. Carlos de Assis Jornalista, economista e professor, doutor pela Coppe/UFRJ, autor de mais de vinte livros sobre Economia Política, sendo o último “A Razão de Deus”, pela Civilização Brasileira.(via Jornal GGN)

De quem é a culpa pelos 20% do Jornal Nacional? Por Paulo Nogueira


Postado em 24 mar 2015
Números desastrosos
Números desastrosos
Se Mino Carta citou Jesus numa conversa sobre os protestos, me sinto autorizado a fazer isso também.
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Minha citação é: “Não julgue para não ser julgado.”
Penso, especificamente, nas grandes empresas de jornalismo.
A Globo, por exemplo. Acaba de sair a notícia de que o Jornal Nacional bateu na histórica marca de 20 pontos de Ibope – uma migalha para quem já teve duas, três vezes isso.
Abaixo dos 20, o dilúvio. (Atualização: uma revisão do Ibope elevaria depois este número para 25, o que não muda nada na vigorosa tendência de queda. Longe disso. O que se viu foi a Globo festejando a medíocre marca de 25%, como time tradicional que escapa de rebaixamento.)
Nos mesmos dias, soube-se que Babilônia, a nova novela, caiu vertiginosamente no espaço de uma semana.
E o BBB, como desgraças andam juntas, teve na semana passada a pior sexta de sua existência no Brasil.
A Globo bate sucessivos recordes negativos.
E então vamos a meu ponto: de quem é a culpa?
Se você julgar a Globo como seus comentaristas julgam o governo, a culpa é exclusivamente da própria Globo.
O diretor de telejornalismo Ali Kamel e o apresentador William Bonner teriam que ser impiedosamente despedidos pelos números catastróficos da audiência em sua gestão.
Na área de entretenimento, demissões sumárias teriam também que ocorrer. Novelas que se esfolam para bater em 30 pontos são uma vergonha para quem chegou a ter 100% dos televisores em últimos capítulos, como Selva de Pedra.
Feitas as demissões, os irmãos Marinhos teriam que se auto-substituir, como fez um jogador africano na Holanda depois de uma vaia interminável de sua própria torcida.
Atribuir a outras coisas?
Veja como a Globo lida com isso quando Dilma coloca o Brasil dentro de um contexto de crise global.
Pergunte a Kamel, ou a Bonner, ou a Míriam Leitão, ou a Merval, ou a quem for, qual a causa da derrocada das audiências da Globo – não apenas na tevê, mas em mídias como jornal, revista e rádio.
Ninguém, com certeza, dirá que a responsabilidade é da própria Globo. Ninguém admitirá falta de qualidade nos telejornais, ou nas novelas, ou na falta de capacidade de inovar na administração e nos produtos.
A culpa está lá fora.
Da mesma forma, pergunte aos Civitas como a Abril, em tão pouco tempo, se tornou uma empresa morta em vida.
Gestão ruinosa? Conteúdos desvinculados do espírito do tempo? Más escolhas, como Fabio Barbosa?
Mais uma vez, o problema está lá fora.
Muito bem. Por que circunstâncias externas valem para as empresas, e só para elas?
Todos sabem as restrições editoriais que faço à Globo e à Abril, e trabalhei nelas tempo suficiente para saber que não são administradas com excelência. (É o lado B de empresas que gozam de reserva de mercado e outras mamatas. Como filhos mimados, têm dificuldade em se virar fora de ambientes protegidos.)
Mas, com tudo isso, é inegável que o mundo externo responde e muito pela crise que Globo e Abril enfrentam.
A internet transformou seus produtos em velharias.
Mesmo que a Globo fizesse o melhor jornalismo do mundo, uma coisa do padrão da BBC, e ainda que a Abril fosse administrada por Rupert Murdoch, as coisas continuariam complicadas, dado o poder disruptivo da internet.
A situação do Brasil é bem menos grave do que a da Abril e a da Globo. Como a agência de avaliação de risco S&P avaliou ontem, o Brasil continua a ser um bom porto para os investidores.
A economia, previu a S&P, deve ter um soluço em 2015, uma queda de 1% no PIB, para voltar a crescer 2% em 2016.
Se Dilma for hábil em poupar os mais desfavorecidos, não haverá grandes problemas sociais – ou mesmo pequenos.
De novo: as empresas de mídia enfrentam desafios imensamente maiores que os do Brasil. A rigor, o cemitério as aguarda, a alguns quarteirões de distância.
Tudo isso considerado, seria uma injustiça atribuir o drama delas apenas a elas mesmas.
É o que elas fazem ao examinar as dificuldades econômicas do momento. Tudo culpa do governo, segundo elas.
Isso mostra cinismo, falta de visão e – a palavra é dura, mas não há outra mais precisa – um tipo de canalhice que faz você não lamentar o estado terminal em que elas se encontram.
(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).
Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Oligopólio midiático exerce domínio sobre os brasileiros


Oligopólio midiático afia as garras para manter o domínio sobre o Brasil

Monopólio da mídia
“Ultimamente a coisa se tornou mais complexa porque as instituições tradicionais estão perdendo todo o seu poder de controle e de doutrina. A escola não ensina, a igreja não catequiza, os partidos não politizam. O que opera é um monstruoso sistema de comunicação de massa, impondo padrões de consumo inatingíveis e desejos inalcançáveis, aprofundando mais a marginalidade dessas populações”. – Darcy Ribeiro (1922-1997)
Deus ou diabo, preto ou branco, corrupto ou honesto, bom ou ruim. Para os brasileiros, não existe meio termo. Temos esta tendência a radicalizar tudo em dois pólos. Uma característica bem brasileira, coisa de pele, do DNA de colonizados que esperam ansiosamente a realização da eterna profecia do “país do futuro”. As coberturas da eleição 2014 tem se aproveitado da incapacidade nacional em mediar discursos e relativizar oposições em busca de uma análise crítica e realista do nosso momento histórico. O oligopólio midiático verde e amarelo (ou seria branco, vermelho e azul?) sabe explorar períodos importantes do ideário nacional em busca de passar a mensagem própria ao invés da real. São craques em amplificar nosso “complexo de vira-latas”, como bem foi visto antes da Copa do Mundo 2014, escancarando uma suposta incapacidade nossa para realizações deste vulto, pobres seres periféricos que somos. Quantas vezes não ouvimos que iríamos “passar vergonha”?
A eleição desenhou o cenário ideal para que aqueles que detém a responsabilidade de informar finalizem o plano iniciado em 2003. Inconformados com a vitória de Lula e a troca de comando do país, empenharam-se em uma guerra suja com o objetivo de colar no PT a etiqueta de “partido dos corruptos”. Boa parte dos brasileiros caiu nesta falácia esquecendo-se dos incontáveis escândalos anteriores a 2003. O maior símbolo desta boçalidade que joga contra a cidadania é a vontade de “derrotar o PT”. Como fosse o partido o causador de todos os males atuais, do vírus Ebola à guerra no oriente médio. Aécio Neves, ao contrário, goza de descarado apoio dos oligopólios midiáticos, interessados em manter os gordos privilégios e dando de ombros para o bem do país. Empresas que só enxergam os imundos umbigos e praticam uma espécie de “censura branca”, alijando opiniões contrárias, escondendo e suavizando notícias e discursos negativos contra seus queridinhos. A confusão joga a favor delas, uma vez que cidadãos menos informados usam os mesmos clichês vazios para referendar as próprias escolhas, independente da região onde nasceram ou mesmo do nível de escolaridade.
Temos uma mídia que, no grosso de sua garganta, desinforma ao invés de informar, esconde ao invés de reportar, inventa ao invés de contar. Dissemina uma ignorância baixa, que traz consigo ódios, violências, desinteligências e proíbe o ato da crítica que não lhe convém. A luta contra a obrigatoriedade do diploma de jornalista joga a favor das empresas, uma vez que a profissão é cada vez mais desvalorizada, paga menos e contrata mais profissionais despreparados e manipuláveis. Qual o objetivo disso? Impedir o povo de pensar. Continuar controlando uma geração de idiotas da objetividade, incapazes de raciocínios que levem em conta possibilidades alheias ao próprio cabresto. O projeto de continuísmo da dominação ideológica contém, obviamente, a falsa vontade de ver um país com educação e tecnologia de ponta. Defendem cada vez mais um ensino tecnicista, que mande os jovens pobres da escola para as fábricas, nunca para as universidades. Afinal, um povo bem educado não aceita mentiras gratuitas.
Parafraseando o escritor Monteiro Lobato, o jornalista Palmério Dória produziu um raciocínio que muito se aproxima do que descrevi acima: Ou o Brasil acaba com o monopólio da mídia ou o monopólio da mídia acaba com o Brasil.  Esta eleição é só mais um exemplo do quanto nosso país anda impregnado desse veneno imbecilizante com um pé nos velhos engenhos, nos navios negreiros e nas capitanias hereditárias. Aliado a tudo isto, Aécio Neves e seus pares, inclusive Marina Silva – alguém que virou as costas para o próprio passado e preferiu ajoelhar-se e beijar a mão do coronel -, defendem que tudo continue como está. Não é preciso andar muito por aí para perceber o porque. Basta olhar as capas dos jornalões, das revistas semanais e ler as entrelinhas dos noticiários televisivos. O PT de Dilma Rousseff e antes de Lula, não teve coragem para enfrentar este estado de coisas. E agora vê uma vitória antes dada como certa escapar-lhe cada vez mais entre os dedos. Não será a primeira vez que o partido enfrenta lutas duras como esta. O que não pode esquecer é que o erro não pode ser cometido de novo. O Brasil precisa disso, talvez mais do que qualquer outra coisa.

A Justiça no Brasil é braço da elite

A Justiça no Brasil é braço da elite

Defensor dos sem-terra no Pará por mais de uma década, frei Henri Burin des Roziers fala do País de hoje e dos anos setenta e oitenta
por Leneide Duarte-Plon — publicado 24/03/2015 
na Carta Capital                                                                                                                                                                         AFP
Frei
Para o frei Henri Burin des Roziers não há reforma agrária porque a propriedade da terra é imposta pela violência
De Paris
Em seu quarto no convento Saint-Jacques, em Paris, a 12 mil quilômetros de Rio Maria, pequena cidade do Pará onde defendeu na Justiça inúmeros camponeses sem-terra, o frade dominicano e advogado Henri Burin des Roziers, 85 anos, recebe CartaCapital para falar da sua experiência no Brasil, onde foi morar em 1978. Rio Maria, campeã de assassinatos por encomenda de líderes sindicais, é conhecida como “a terra da morte anunciada e, por isso, virou símbolo da luta camponesa no Pará.

advogado dos sem-terra pertence a uma tradicional família francesa. Estudou em Cambridge e fez doutorado na Sorbonne,  antes de se tornar alvo de matadores profissionais. Em 2005, recebeu o Prêmio Internacional dos Direitos Humanos, na França, onde, em 1994, fora condecorado com a Légion d’Honneur.
CartaCapital: Segundo a Comissão Pastoral da Terra, entre 1985 e 2011, 1.610 pessoas foram assassinadas no Brasil em conflitos de terras. Camponeses, padres, freiras e advogados que defendiam os camponeses. Entre os estados brasileiros, o Pará é o mais violento, com 645 mortos entre 1985 e 2013. Por que essa violência?
Henri Burin des Roziers: Certamente, por causa da impunidade. Foi por isso que, quando fui enviado a Rio Maria, trabalhei contra a impunidade dos pistoleiros e seus mandantes, que tinham matado sindicalistas. Em Rio Maria, tinham assassinado João Canuto, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, tinham ameaçado o outro presidente, que teve de fugir, e depois assassinaram quem o sucedeu, Expedito Ribeiro de Souza. E nada acontecia. Por isso, passei grande parte do meu tempo no Brasil tentando agir para que a Justiça julgasse e condenasse os assassinos. Essa impunidade diminuiu um pouco, alguns foram julgados.
CC: O senhor obteve vitórias. Como se explica a violência em torno da terra no Brasil?
HBR: Eles continuaram a assassinar, claro, até hoje o fazem. Mas não da mesma forma sistemática. Creio que por causa do nosso trabalho. A Justiça, hoje no Brasil, ainda está ligada às classes dominantes. Na época, eles compravam juízes. Obtivemos condenações formidáveis em Rio Maria, mas na hora da execução da pena tivemos problemas por causa do conluio da Justiça com os ricos. Apesar de tudo, acho que houve pequenos avanços. No País, há uma cultura da violência, sobretudo no Norte. Ela se explica pela impunidade, mas também porque está na estrutura da sociedade. Os  que têm poder na região são violentos e a propriedade da terra é uma realidade que se impõe pela violência.
CC: A reforma agrária no Brasil é impossível? Por que nunca foi realizada?
HBR: Creio que há uma razão histórica. Na história do Brasil, o problema da propriedade e da terra é visceral. Talvez por causa das Capitanias Hereditárias e das Sesmarias, no início da colonização. Os primeiros colonos recebiam o poder a partir da terra. Desde a origem, o problema era fundamental. A terra como símbolo de riqueza e poder.
CC: Por que tanto Lula quanto Dilma Rousseff não ousaram fazer a reforma agrária?
HBR: Antes deles houve quem tentasse. O golpe de Estado de 1964 aconteceu em parte por causa das Ligas Camponesas de Francisco Julião. O problema da propriedade da terra no Brasil é explosivo.
CC: Como o senhor viu a nomeação da representante do agronegócio, grande latifundiária, Kátia Abreu, para o Ministério da Agricultura ?
HBR: É imcompreensível. Dilma Rousseff foi eleita com muita mobilização dos Sem-Terra, do MST. Nomeou essa mulher para sobreviver, para ter um apoio político. Dilma está fragilizada. Totalmente envolvida em um jogo difícil. Agora é o poder pelo poder. É o que se dá com o PT. No Partido dos Trabalhadores, salvo algumas exceções, o conjunto dos parlamentares luta para manter o poder. Não têm mais preocupações ideológicas, não se empenham por reformas. Dilma Rousseff não tem mais nada a ver com a Dilma Rousseff de Lula, quando chegou ao poder. Mas vale dizer que era uma tecnocrata, não está na origem do PT.
CC: Depois do assassinato da freira Dorothy Stang, em 2005, o senhor passou a ser protegido por policiais. Por que o senhor era um alvo?
HBR: Porque trabalhei no Brasil por muito tempo como advogado, principalmente como advogado de acusação, se posso dizer assim, tentando levar à Justiça os matadores de camponeses e seus mandantes. Levamos à Justiça assassinos de camponeses e líderes do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria. Nos anos 80, os fazendeiros da região tinham decidido que o sindicato teria de fechar. Para tanto, mandaram matar, em dezembro de 1985, seu primeiro presidente, João Canuto. Depois mataram seus dois filhos, José e Paulo. Não mataram a viúva porque não a encontraram. O sucessor de Canuto teve de fugir para não ser morto. Outro camponês, Expedito Ribeiro de Souza, assumiu a presidência do sindicato e foi assassinado em 1991. Depois, assassinaram um diretor do sindicato, Brás de Oliveira. Um companheiro dele conseguiu escapar, foi sequestrado e mandado para longe de Rio Maria.
CC: Como defensor dos sem-terra, o senhor passou a ser um alvo?
HBR: Lembro que, já ameaçado de morte, Expedito foi convidado, em dezembro de 1990, a falar num grande congresso da CUT, em São Paulo. Fez um discurso emocionante, diante de mil trabalhadores. Disse que era pai de nove filhos e, como presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, estava ameaçado de morte. Todos os amigos lhe diziam para ir embora, mas ele fora eleito presidente e não podia abandonar os companheiros. OLe Monde Diplomatique fez uma matéria sobre esse encontro na CUT, cujo título era: “Esse homem vai ser assassinado”. E foi, em fevereiro de 1991.
CC: O senhor estava lá?
HBR: Não, eu estava deixando o Brasil e indo para a Guatemala. Com o assassinato de Expedito, a Comissão Pastoral da Terra começou a procurar um advogado. Havia advogados como Luiz Eduardo Greenhalgh, que naquele tempo era formidável. Depois, deixou-se seduzir pelo poder, infelizmente. Tinha sido advogado de presos políticos na ditadura. Havia também Márcio Thomaz Bastos, depois ministro da Justiça do presidente Lula. Esses advogados estavam a serviço da causa, mas diziam que do Rio e de São Paulo não podiam acompanhar os acontecimentos em Rio Maria. No entanto, se não se fizesse algo imediatamente, o processo estaria comprometido. Aceitei então ser o advogado. E assim fui para Rio Maria. E fui aos poucos retomando os casos já enterrados, inclusive o de João Canuto.
CC: O senhor foi para o Brasil em 1978. Por que o Brasil?
HBR: Em 1969, eu fui para o convento Saint-Jacques, onde estavam alguns dos dominicanos brasileiros exilados pela ditadura. Tomamos posição clara na defesa daqueles que estavam presos, e que foram, inclusive, torturados. A luta armada sequestrou o embaixador  Giovanni Bucher, exigiu a libertação dos presos e foi assim que frei Tito de Alencar e outros foram soltos. Frei Tito veio para o Saint-Jacques e também foi aqui que conheci o dominicano Magno Vilela. Muito inteligente, ele foi determinante para que eu decidisse trabalhar no Brasil. Decidi ir em 1976, mas as autoridades brasileiras recusaram meu visto. Os dominicanos me diziam que eu nunca conseguiria. Cogitei então ir para o Peru, mas, quando estava para embarcar, já em 1978, soube que o visto fora dado. O papa Paulo VI morrera e, para ser bem-vista, a ditadura, que defendia a candidatura do Núncio Apostólico no Brasil, Sebastiano Baggio, resolveu dar os vistos aos quatro dominicanos franceses que estavam na lista de espera. Foi eleito João Paulo I, morreu logo depois. Em seguida,  esse triste João Paulo II foi eleito papa. Fui para o Brasil e não para o Peru.
CC: O senhor foi para a Amazônia?
HBR: Primeiramente, para o Rio, depois visitei Fortaleza, Belo Horizonte, São Paulo e Brasília. Aprendi o português. Quando conheci Magno Vilela, no convento Saint-Jacques, já tinha experiência de jurista na região de Haute Savoie. Ele me disse que essa experiência seria útil nas lutas populares no Brasil. Depois dessa conversa é que fiz meu pedido para o Brasil.
CC: Em 2013, depois da eleição do papa Francisco, o senhor disse, em São Paulo: “O papa deve mudar de vida, parar de se comportar como um príncipe. Deve ser um homem de diálogo no interior da Igreja e deve acabar com esse aspecto de autoridade absoluta”. O que acha agora?
HBR: Até agora, estou feliz. Nos sentíamos no deserto, perseguidos durante 40 anos sob o poder de João Paulo II e do triste Ratzinger-Bento XVI. Com Francisco, a gente se sente reabilitado. O que vi até agora me dá esperança. Sobretudo o discurso que ele fez em Roma para os movimentos populares. Disse que era preciso fazer uma revolução. Esperamos resultados. Fico, porém, um pouco apreensivo, sua sucessão me preocupa muito.
CC: Numa entrevista a um jornalista francês o senhor mencionou dom Helder Câmara como uma figura importante no seu percurso e falou dele com admiração. O senhor o conheceu? Como inspirou seu trabalho?
HBR: Nunca o encontrei pessoalmente. Mas a admiração vem de longe. Quando eu era capelão dos estudantes aqui em Paris, nos anos 1960, dom Helder, o bispo vermelho dos pobres, vinha frequentemente à Europa e passava sempre por Paris, onde fazia conferências que atraíam multidões. Ele denunciava a pobreza terrível do Brasil, das crianças do Nordeste. Era o bispo dos pobres, ele lembrava que naquele país de opulência havia uma grande pobreza. A gente mandava os estudantes irem ouvi-lo e depois fazíamos debates. Ele ficou como uma referência. Seu impacto no público francês era muito forte. Eu lia o que ele dizia e fazia. Ele criou um excelente centro de direitos humanos no Recife, mas outro bispo destruiu o que ele fez.

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