segunda-feira, 16 de março de 2015

Brasil vive 'histeria coletiva'

Brasil vive 'histeria coletiva'

247 - Em entrevista ao jornal gaúcho Zero Hora, o ator, poeta e humorista Gregório Duvivier definiu como 'histeria coletiva' o que se vê hoje no Brasil.
"O que há hoje é uma histeria coletiva. Famosa indignação coletiva. Ficam anos sem se manifestar, sem participar de nada. Não participam da vida do Legislativo, não sabem o que é reforma política e de repente ficam indignados, como se a corrupção tivesse sido inventada ontem. É uma luta idiota essa pelo fim da corrupção — afirma", disse ele.
Ele também aponta um viés golpista nas manifestações deste domingo. "Em vez de pensar na reforma, em uma maneira efetiva de acabarem com a corrupção em longo prazo, as pessoas pensam em algo superficial. O que se quer é um golpe. Querem a volta dos militares. Qual a proposta de quem quer tirar a Dilma? Pra botar quem? Por quê? Qual é a alegação, a legalidade disso?", questiona.
Ele afirma ter votado em Dilma no segundo turno e diz que a crítica deve ser feita pela esquerda. "Meu voto nela foi no segundo turno. Dado o que tinha, preferi ela, mas sei que tem mil problemas nesse governo. Mas temos que bater no governo pela esquerda e não pela direita. A questão ambiental e indígena é uma tragédia. Devemos questionar por que ele está tão a direita. E quanto a corrupção, não é problema especifico do Governo Dilma."

A corrupção e' generalizada, que seja investigada no varejo e atacado

A corrupção seja investigada no executivo, no legislativo e no judiciário

by Talis Andrade
Faixa da passeata deste 15 de março
Faixa da passeata deste 15 de março

O povo pediu nas ruas o fim da corrupção.
Que ela seja investigada já! no executivo, no judiciário e no legislativo.
Que o "Abre-te, Sésamo" aconteça em todas as cavernas das prefeituras, dos governos estaduais, das câmaras municipais, dos tribunais, do governo da União, do Congresso Nacional.
Que todas as cavernas sejam aclaradas. Nas reitorias, nos cartórios, nas estatais, nos quartéis, no fisco, nos serviços terceirizados, nos leilões da justiça, nas quermesses do executivo, nas Anas, nos pedágios...
Que sejam analisadas todas as outorgas, notadamente de fontes de água, de entrega de ilhas marítimas e oceânicas; todas as concessões para explorar os minérios do Brasil, a começar pelo ouro, pelo nióbio, pelos diamantes, pelos meios de comunicação de massa; todos os precatórios assinados pelos desembargadores, e pagos por prefeitos e governadores; todas as isenções fiscais que beneficiam as castas, as elites protegidas pelo sigilo (fiscal e bancário); todas as anistias concedidas pela justiça secreta do foro especial.
Que seja fiscalizado todo o dinheiro arrancado do povo, via impostos diretos e indiretos, para autarquias, planos de saúde, serviços de informações estratégicas, pesquisas de opinião pública, fundações, ONGs, hospitais, igrejas, maçonaria, partidos políticos, promotores culturais, proxenetas e pedófilos dos esportes amadores, escolas e hospitais particulares...
Que sejam exterminados o tráfico de dinheiro, de minérios, de órgãos humanos, de prostitutas infantis; o mercado negro de venda de sentenças judiciais, do dólar paralelo; o contrabando de medicamentos, de madeira nobre; as máfias dos fiscais, dos alvarás, das obras e serviços fantasmas e dos agiotas das campanhas eleitorais...

Que prometem o judiciário e o legislativo? Apenas o governo da União anuncia o combate do bem contra as almas sebosas

jc anti
A presidente Dilma Rousseff esteve reunida com nove ministros e o vice, Michel Temer, no Palácio do Planalto. Após o encontro, os ministros da Justiça, Jose Eduardo Cardozo, e de Minas e Energia, Eduardo Braga, fizeram um pronunciamento a respeito das manifestações do último fim de semana e reafirmaram que o governo está ouvindo as manifestações e aberto ao diálogo. Cardozo reconheceu que o país precisa passar por uma mudança, pois, só assim, conseguirá superar os desafios. Além disso, os ministros disseram que

não vão retirar os programas sociais.

Durante o pronunciamento do ministro da Justiça, Jose Eduardo Cardozo, a palavra “humildade” foi usada para dizer que o governo reconhece que é preciso mudar, e que para chegar a essa mudança é preciso à união de todos os que estão no poder, seja da base aliada ou da oposição.
“Reitero que até o final da semana, a presidente da República, assim como anunciou no seu programa de reeleição, irá lançar um projeto para auxiliar as empresas a implementar um mecanismo que ajude a coibir e investigar a corrupção. É preciso ter humildade para reconhecer que o momento é delicado e que é necessário uma mudança. O governo está aberto ao diálogo com todos, oposicionistas ou não, e estamos abertos a debater com a sociedade brasileira. A presidente Dilma Rousseff governa para 200 milhões e não apenas para os que votaram nela”, comentou Cardozo.
Já o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, reforçou as palavras de Jose Eduardo Cardozo:
“O governo sabe que temos um desafio grande, e que é preciso enfrentá-lo. O governo buscou até o esgotamento da sua capacidade com o Tesouro para combater esse momento, e tentando manter todos os programas sociais. Todos esses ajustes são com o único objetivo de continuar crescendo, e alcançando o nível que queremos chegar. Mas para vencer desafios, é preciso coragem para mudar. Reforço que esses novos ajustes serão necessários para que possamos deixar a nossa economia saudável por emprego e distribuição de renda. Um governo que tem compromisso com a transparência e a eficiência, não pode se esconder neste limite, e é isso que nós estamos fazendo, anunciando que chegamos a esse limite”, anunciou o titular da pasta de Minas e Energia.
Ao ser questionado sobre como a presidente ficou após ver todas aquelas pessoas nas ruas protestando contra a corrupção e contra seu governo, o ministro Eduardo Cunha lembrou-se do passado político de Dilma Rousseff para mostrar que ela aceita qualquer manifestação, desde que democrática.
“A presidenta Dilma sofreu uma prisão lutando pela democracia, ela perdeu a sua liberdade para que conseguíssemos nossa democracia, portanto, ela encarou as manifestações de ontem com esse sentimento. Sentimento de quem prega a liberdade de reivindicações, desde que democráticas, e as reivindicações que tivemos nos últimos dias foram totalmente democratas”, explicou Cunha.
Para encerrar, o ministro da Justiça, Jose Eduardo Cardozo, comparou as manifestações do último fim de semana com as que aconteceram em 2013, e que ao contrário do que ocorreu há um ano e meio,

desta vez existe uma causa direta, a corrupção.

“As manifestações de ontem, foram totalmente diferente das manifestações de 2013, antes foram reclamados outras coisas difusas, hoje o povo se manifesta pela corrupção. A grande verdade, é que a corrupção é muito antiga no Brasil, mas hoje ela é investigada e punida. Na história brasileira, desde a constituição de 88, passando por todos os governos, o Brasil trabalha para que possamos investigar coisas como essas”, encerrou Cardozo. Fonte Jornal do Brasil 
Talis Andrade | março 16, 2015 às 5:33 pm | Tags: abre-te sésamo, anticorrupção, água outorga, contrabando, corrupção ativa crime hediondo, corrupção dos banqueiros, corrupção faz dependência, corrupção mata, corrupção passiva crime hediondo, corrupção policial, dólar paralelo, desperdício dinheiro público, diamantes, dinheiro achado, dinheiro chorado do povo, dinheiro de origem desconhecida, dinheiro de origem oculta, dinheiro de plástico, dinheiro do povo para shopping, dinheiro do trabalhador, dinheiro do tráfico, dinheiro fantasma, dinheiro invisível, dinheiro na cueca, dinheiro na meia, dinheiro para a saúde, dinheiro sem destino, dinheiro sujo, encantado dinheiro do tráfico, fim da corrupção, fiscalização do dinheiro público, ilhas, imposto da corrupção, imposto da corupção, justiça secreta, ladrão que fabricava dinheiro, leilões quermesses, mapa da corrupção, Marcha Anticorrupção, máfia da isenção fiscal, máfia das funerárias, máfia de branco, máfia do asfalto, máfia do frio, máfia do metrô, máfia dos alvarás, máfia dos banheiros, máfia dos fiscais, máfia dos medicamentos, máfia dos trilhos, mercado negro, nióbio, omertà máfia, ouro, outorga, pedágio, precatório, prefeitos ladrões, prostituta respeitosa, sonegação, tráfico de diamantes, tráfico de dinheiro, tráfico de moedas, Vale do Rio Mais do que Doce, venda de sentenças, vereador ladrão | Categorias: Brasil, Corrupção, Costumes, Governo, Justiça, Legislativo | URL: http://wp.me/p1uVgF-c6n
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HERESIAS/HERESIAS SO' HERESIAS!!

A historia deste casal... me faz lembrar uma outra historia  resumida na frase: "Quando os missionários chegaram pela primeira vez na nossa terra, eles tinham as Bíblias e nós tínhamos a terra. Cinqüenta anos depois, nós tínhamos so' as Bíblias e eles tinham a terra."

Um casal de analfabetos da periferia de Rio Grande pode ter a casa onde vive leiloada para quitar uma dívida contraída ao assumir o papel de fiador da Rede Nacional de Missão Cristã Cristo Redentor.
A dívida contraída com o aval de mecânico aposentado Miguel Alves Gonçalves, 55 anos, e a mulher, Cleuza Maria Alves Gonçalves, 51 anos, ultrapassa R$ 14 mil.

Segundo o casal, o pastor da igreja em Rio Grande, Antônio Siqueira, teria ido à casa onde eles residem, no bairro Ernesto Bucholz, ainda em 1998, e afirmado que, se aceitassem assinar o contrato, seriam abençoados por Deus. - Meu marido assinou por nós porque não sei escrever nem o meu nome. Fizemos por bondade e pela obra de Deus - conta Cleuza.

http://apolocatevang.blogspot.com.br/2008/07/cpia-10-pgina-abertura-indice-pgina-1-2.html
 
ANTÔNIO SIQUEIRA, PASTOR - REDE NACIONAL DE MISSÃO CRISTÃ CRISTO REDENTOR - TRAPAÇA - Casal pode perder casa por ser fiador de Igreja Publicado no Jornal Zero Hora em 16/07/2002 - Dívida ultrapassa R$ 14 mil Autor: CAROLINE TORMA - Um casal de analfabetos da periferia de Rio Grande pode ter a casa onde vive leiloada para quitar uma dívida contraída ao assumir o papel de fiador da Rede Nacional de Missão Cristã Cristo Redentor. A dívida contraída com o aval de mecânico aposentado Miguel Alves Gonçalves, 55 anos, e a mulher, Cleuza Maria Alves Gonçalves, 51 anos, ultrapassa R$ 14 mil. A casa está avaliada em R$ 12 mil. Segundo o casal, o pastor da igreja em Rio Grande, Antônio Siqueira, teria ido à casa onde eles residem, no bairro Ernesto Bucholz, ainda em 1998, e afirmado que, se aceitassem assinar o contrato, seriam abençoados por Deus. - Meu marido assinou por nós porque não sei escrever nem o meu nome. Fizemos por bondade e pela obra de Deus - conta Cleuza. O prédio, localizado na Rua Augusto Duprat, no bairro Cidade Nova, foi alugado em novembro daquele ano. A igreja funcionou no local por seis meses. Quando recebia intimações da Justiça, devido ao atraso no aluguel, o casal encaminhava a documentação ao pastor e nunca compareceu a nenhuma audiência no fórum local. No ano passado, a casa onde vivem - único imóvel dos fiéis - foi a leilão, mas não teve comprador. Um segundo leilão foi suspenso, este ano, pelo advogado Henrique Zanotta, contratado para defender a igreja e o casal. - Sempre que procurávamos a igreja, eles diziam para não nos preocuparmos, que a dívida vinha sendo paga em juízo. Não temos outro lugar para morar e agora respondemos a uma ação de despejo - relata Miguel Gonçalves. O caso foi parar no Ministério Público. Conforme o promotor Francisco Simões Pires, uma ação será montada requisitando a extinção da igreja. O casal será representado por um defensor público, e a intenção é mover uma ação requerendo a eliminação da sentença e a anulação da fiança.

Fosso brasileiro para o golpismo [neo]liberal

Fosso brasileiro para o golpismo [neo]liberal

Construindo o fosso brasileiro: a crise da atual realidade e a fabricação midiática de uma crise histérica com ares golpistas

WELLINGTON FONTES MENEZES*
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  1. A onda do momento o “protestismo golpista”
A nova moda alardeada pela Grande Mídia é o “protestismo” cujo mote é achincalhar o governo Dilma e o PT fazendo ventilar o engodo que o despejar de soluções mágicas reacionárias e golpistas resolveria qualquer crise a qualquer momento. A questão posta em pauta não é protestar (fato este legítimo dentro de qualquer estrutura social), mas é pertinente saber os motivos (com mínimo de senso de realidade) pelo qual se está se protestando sob o risco de ser mais um títere nas mãos de manipuladores de plantão! Todavia, o conhecimento mais pausando da realidade em tempos de muita conexão de (des)informação deslumbrada parece se tornar nula a construção sináptica reflexiva. Um velho filme acinzentado começa a se repetir, cujo enredo a história recente brasileira mostrou-se como termina de forma lastimável!
Imaginemos se, por hipótese, em pleno horário nobre, a Rede Globo mandasse todos seus telespectadores pularem da bela Ponte Rio-Niterói em nome da “pátria”? Seria a marcha para o grande rio de zumbis! Faltaria espaço para tantos suicidas voluntários diante daquela quilométrica estrutura fluminense. Em nome do Brasil, a pátria onde figuras que a classe média e boa parte deste pessoal neo-indignada adora achincalhar com a ideologia do colonizado, agora dizem que vão lutar pela nossa “pátria” (leia-se contra os pobres, contra Dilma e o PT e, também, contra tudo que é feio e bobo!).
O surto repentino de “brasileiros patrióticos” parece ser tão verdadeiro quanto uma nota de três reais. A onda do panelaço “gourmet” dos bairros nobres paulistanos diante do pronunciamento da presidenta Dilma em 08 de março foi um exemplo do quanto de reacionarismo patético ronda as alas mais reacionárias e burguesas da sociedade.  Temos assim, a sapiência escorrendo pelo nariz e pela extremidade do intestino grosso dos neo-indignados da Grande Mídia. Tal como a onda catártica de meados de 2013, o “protestismo” volta a se ensaiar mais uma vez como farsa diante de uma grande fogueira de desinformação e ilusões infantilizadas.
  1. A História como parâmetro
Em 1964, na fervura pré-golpe, tivemos manifestações em praça pública ditas “populares” com o rótulo “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, fato este que serviu de catapulta para a tomada do poder pela estupidez dos militares derrubando o governo do presidente João Goulart. O mote da “corrupção” e da suposta “ameaça comunista” eram frequentes na boca de seus participantes. Tais palavras de ordem desencadeadas por uma turba foi marcada por devaneios políticos alicerçados pelo poder da Grande Mídia da época. Ademais é falso dizer que tivemos um golpe “somente” militar no país, mas sim tivemos um golpe civil-militar no Brasil, cuja amálgama foi a adesão considerável de parcelas das classes médias e burguesia atrelada com a força opressiva e bélica dos militares.
A influência golpista dos Estados Unidos em fomentar diversos golpes não deve ser esquecida dentro na América Latina e, particularmente, no Brasil daquele período (casos emblemáticos aconteceram na Argentina e no Chile). Nunca nenhum grupo isolado em ondas golpistas conseguiu algum êxito sozinho. É preciso uma pré-estrutura para que, de fato, consiga ter “sucesso” a proposta de alteração radical da ordem vigente, ou seja, um golpe, propriamente dito o termo.
Recuando no tempo, dez anos antes, em 1954, onde a União Democrática Nacional, a UDN, e partidos da centro-direita forçaram um movimento golpista de tomada do poder fabricando uma onda de descontentamento midiática-popular contra o governo do presidente Getúlio Vargas. O resultado desta contenda contra a persistente fragilidade democrática nacional foi o suicido de Vargas e o país mergulhado em nova crise institucional. O coroamento das estruturas golpistas contra Vargas e a débil democracia brasileira ecoaram no golpe civil-militar de 1964.
Hoje temos muitas diferenças entre 1954 e 1964, e a onda dos “neo-indignados” se apresenta mais restrita, pulverizada e setorizada. Dilma não é nenhum Vargas ou Goulart (muito longe destas duas figuras centrais na política nacional), e também o PT não é uma estrutura tão frágil tal como foram seus partidos da época. Hoje os movimentos sindicais e os sindicatos, apesar dos pesares e com todas as contradições internas destas agremiações, se encontram mais fortes do que estava há mais de cinquenta anos atrás. A democracia brasileira se encontra mais consolidada, apesar de continuarmos a viver com enormes disparidades econômicas e sociais. Contra Dilma, os grupos do ódio apenas regurgitam a acusação, diga-se bem claro, sem provas, de que ela seja “corrupta, feia e boba”. Uma consistência tão firme tal como geleia de miolos moles! É na aposta da fraseologia infantil e da pouca aderência da memória histórica que a Grande Mídia e setores mais reacionários apostam suas fichas golpistas.
  1. A verdadeira crise sem retoques
A atual crise econômica é o resultado de um modelo que sofre duplo impacto: o desgaste em apostar na famigerada opção quase que estritamente neoliberal com algum viés social e a difícil conjuntura externa (ainda arregimentada pelo lastro da grande crise internacional de 2008). O Brasil conseguiu se “blindar” como pode da crise que grassou por todos os Estados Unidos e Europa, só que nenhum país da periferia capitalista consegue resistir por muito tempo, apesar dos avanços da economia brasileira dos últimos dez anos. A demanda reprimida deu fôlego ao consumismo do mercado interno com ajuda de diversos incentivos por parte do Governo Federal nas gestões dos dois mandatos de Lula e o primeiro mandato de Dilma. O resultado do esgarçamento da fórmula adotada de um modelo econômico abalado por crises internas e externas é a opção de Dilma foi apostar numa equipe do Ministério da Fazenda neoliberal e adoção de medidas impopulares, queixas generalizadas e de curto fôlego diante do quadro presente. Na falta de horizontes, optou-se pelo caminho requentado mais simples e o resultado é o que já se esperava: insatisfação popular e baixo crescimento econômico.
O golpista mote de Grande Mídia foi se apegar no caso da Petrobras. Os interesses por detrás de empresa estatal são tão enormes quanto profundamente obscuro. A pressão para que ela seja vendida não é de agora e muito já se tentou fazer a sua entrega para a tal “iniciativa privada”, principalmente nos dois governos do ex-presidente tucano, Fernando Henrique Cardoso. Sintomático que o mesmo partido, o PSDB, que mais queria entregar à estatal a preços de banana para a iniciativa privada se diz hoje tão preocupada com sua defesa da empresa. Curiosamente, a questão da novela mexicana em torno da corrupção envolvendo a Petrobras é apenas a cereja do bolo do mote de destruição política das estruturas de governo de Dilma atrelada a uma matilha eleita pelos próprios brasileiros dos piores congressistas dos últimos tempos. Dilma, na prática se encontra em dificuldades nas duas casas legislativas presididas por figuras do esgoto da política nacional.
Os recentes ataques especulativos através da alta crescente do dólar é um sintomático mecanismo de entender que o cafetão capitalismo financeiro do vampirismo rentista aposta da desestabilização do governo Dilma. A virtualidade do mundo financeiro contra a materialização do mundo dos que trabalham e sustentam este ciclo de operações de extorsões econômicas.
Ao invés de taxar grandes fortunas, o atual modelo econômico defendido pelo ministro Joaquim Levy é de preferir fazer o autista modelo de sobrecarregar com impostos os trabalhadores, cortar gastos sociais e recuar trabalhistas e, depois, redistribuir com serviços incipientes (para isto, dão o nome de “austeridade fiscal”). Paradoxalmente, quem mais deveria estar indignado com as políticas neoliberais de Dilma seriam setores à esquerda do espectro político, e não como acontece hoje, à direita e seus extremos insanos que sempre apoiou medidas de austeridade econômica que prejudicam sempre os trabalhadores em detrimento do desenvolvimento nacional. Daí a certeza que o movimento não é contra a economia do país, mas contra a figura política do grupo que atualmente está ocupando o poder (mesmo que não consegue governar sozinho).
  1. A campanha midiática de excitação ao ódio
Sobre as tais passeatas e os ódios expurgados nas redes sociais pedindo “impeachment” da presidenta é a prova da demência política que vem ecoando em setores mais extremos, antidemocráticos e estúpidos da sociedade. O PT deixou de ser um partido de esquerda do início dos anos 1980 para ser o maior partido ideológico dos anos 2000 de todo o continente americano. A vitória nas urnas e a ocupação de ciclo de poder no Planalto o tornaram vulnerável às intempéries inatas do poder e o natural desgaste da imagem do partido, levando em consideração a incessante campanha de destruição da imagem partidária perante um avançado monopólio de informações da grande elite econômica que forma o que chamamos de Grande Mídia. Em nome da tal “liberdade de expressão”, a permissão para expelir mentiras, falsas acusações e produzir toda uma campanha de excitação histérica de apelo ao ódio primitivo.
A arte de “ser governo” empurrou o PT para o minado campo de alianças com setores mais atrasados e reacionários do país. A aliança com o PMDB, o maior partido do país deriva de um emaranhado de interesses da elite dominante, foi o maior exemplo do retro-desenvolvimentismo petista e a opção por um governo cada vez mais dócil, conservador e passivo com os interesses que não estavam em suas bases históricas.
Sim, o PT tem culpa da crise que se atolou e deve refletir a respeito dos seus erros crassos. Mas não é exclusivamente culpado por todos os fracassos, fato este seria de uma extrema falta de senso político! O messianismo político é uma patologia dentro do imaginário popular o qual apenas resulta em ressentimentos, ódios e niilismos inúteis.
Se formos apontar erros do PT enquanto governo, certamente a opção pela “revolução cosmética” sem mexer nas estruturas fundamentais da sociedade brasileira foi um dos maiores erros do partido ao acreditar que fazer alianças com setores da direita e de grandes especuladores vampirescos, por si somente, seria garantia de estabilidade, lealdade e governabilidade. O preço da ilusão da “governabilidade indolor” foi a da fragmentação da legenda e a erosão do patrimônio ético e político do partido. As consequências são notórias e o desânimo de sua militância se tornou visível na dispersão de legendas de elementos que saíram de suas fileiras.
É fundamental ainda lembrarmos que no Brasil vive sob a égide do “presidencialismo de coalizão”, ou seja, nenhum partido governa sozinho e não consegue impor sua vontade se não angariar forças políticas (leia-se, aderência ao clientelismo fisiológico imediatista). Daí a dificuldade concreta entre o sonho idílico do “Lula lá” e a realidade do mote conservador do “Lulinha, Paz e Amor” (em alusão à flexibilidade de Lula para compor alianças políticas).
Diante de mais um horizonte com ares golpista no Brasil, é claro, que somente com o apelo à um carnaval da demência histórica promovido pela Grande Mídia para reviver um clima de 1954 e 1964 visando quebrar a norma democrática e jorrar ódios histéricos contra Dilma e o PT. É importante ressaltar que nenhum erro de Dilma, a figura da presidenta, até agora, justifica qualquer pedido de “impeachment” de um governo recém-reeleito pela maioria dos brasileiros. O campo das elites dominantes que nunca se conformaram com o PT no poder (a intolerância pelo seu significado simbólico), mesmo que o partido tenha feito concessões ao limite do inimaginável e os ganhos desta flexibilidade petista. Sendo assim, é mais fácil canalizar o ódio para uma pessoa um dado segmento social bem específico, ou seja, no caso, a presidenta e seu partido.
Todavia, é sintomático o ridículo de todo o teatro da burguesia que quer empurrar ideologicamente para a adoção de um pensamento reacionário sectário uma classe média desnorteada e abalada psicologicamente. Muito sintomático é o fato explícito dos veículos da Grande Mídia poupar todos os demais partidos políticos de direita e políticos mais reacionários do poder (como é o caso do mineiro ex-presidenciável Aécio Neves e o “queridinho” da Grande Mídia paulista, o governador Geraldo Alckmin), em particular, é visível a canonização política do PSDB como sendo a nova UDN golpista do momento.
Ainda que incipientes, as significativas conquistas sociais e o acesso a uma parcela que saiu da pobreza extrema para o consumo é, por si mesma, motor de um tipo de ódio narcísico e perverso da Casa Grande. Ademais, é sintomático que em parcela de emergentes narcíseos, a memória histórica do ambiente o que o sujeito surgiu é apagada por uma sanha de “novos tempos de bonança”. Em tempos de crise econômica, o medo de voltar ao estágio inicial de sua escalada diante da pobreza repercute de forma histérica e reproduz tons de brutalidade e ódio. Portanto, diante da crise, todos os gatos uivam como lobos. As queixas são desnorteadas e escorrem para o ralo de um autismo político que não geram demanda política com consistência: ao sabor dos ventos da manipulação midiática, o sujeito grita o que não entende e balança a cabeça pelo que menos entende ainda. É um ciclo do analfabetismo político explícito e patológico.
  1. Um turvo horizonte e saídas para a crise
Relembrando o grande pensador alemão da Escola de Frankfurt, Theodor Adorno, e a educação para evitarmos a barbárie. A falência da educação é a construção exponencial de “homens de bens” (a farsa conservadora do bom-mocismo) em ejaculadores de ódios, anteparos de fobias e carniceiros de sua própria existência. Neste fosso do autismo político, toda uma Alemanha bem esclarecida caiu no desejo de reconstruir sua estrutura narcísica e a canalização por parte um exímio orador, como Adolf Hitler e o seu grupo desfraldando uma bandeira pintada com uma suástica nos anos 1920 até final de 1940 (e ainda continua vivíssimo no imaginário e ações políticas do Velho Continente)! A crise alemã que desencadeou após a Primeira Guerra (1914-1918) foi fundamental para a histeria nazista tomasse corações e mentes de um povo que era considerado um dos mais cultos de toda a Europa.
As lições da história estão aí para serem aprendidas e, principalmente, refletidas. O autismo político às replicam no ápice da histeria e da demência do fanatismo social sempre em nome de uma elite que quase nunca sai dos alicerces reais do poder. A aposta de uma sociedade consumista sem lastro de cidadania construiu uma horda de brasileiros com concepções niilistas, uma passividade acrítica e de fácil mimetização aos discursos perversos de golpismos sem maiores reflexões jorrados pelas elites através dos seus mecanismos de comunicação.
Um exemplo da falência da Educação e da ação crítica de um povo, entre outras várias opções do estilhaçamento da cultura poderá ser visto nas estéreis e estúpidas programações televisivas, a cultura do hiperconsumo descartável e a histeria sintomática de pessoas e grupos alienados e motivados por informações deturpadas nas redes sociais. Ao contrário do que imaginava os mais eufóricos, a internet e as redes sociais não são “a revolução da informação”, mas sim, a extensão das mentiras, limitações e debilidades coexistentes nas caducas programações televisivas midiáticas nas mãos dos grandes grupos de ideologia dominante.
A manipulação de desejos e ódios continua tão viva e catastrófica tal como foi arregimentada no passado. Do ponto de vista político, Sem um acordo que busque uma coalização dos grupos mais progressistas e uma guinada para atender os anseios dos mais precisam do Pode Público, a crise poderá se estender com resultados mais desastrosos. O chamado “pacto social” dentro de uma democracia como a brasileira ainda é um dos mecanismos a serem operados em momentos de crise. Todavia é necessário, mais uma vez, que o Governo Dilma busque um novo pacto social levando em consideração as reais demandas dos brasileiros e as necessidades vitais daqueles que mais precisam ser cuidados e amparados e, fundamentalmente, buscando setores à esquerda, sindicais, movimentos sociais e setores mais progressistas da sociedade.
A selvageria em jogar grupos frágeis na esteira da crise econômica é o pior dos caminhos e o que repercutirá inevitavelmente em sintomas sociais de extrema gravidade de violência e marginalidade. A este respeito, temos na América do Sul, oriundo dos sinais visíveis dos nossos vizinhos, que tanto a Venezuela quanto a Argentina começam a sofrer diante das suas respectivas crises dentro de suas limitações de poder, forte insatisfação das elites econômicas locais com ares golpistas e problemas da produção interna e circulação da riqueza na economia.
É preciso que haja a calma necessária e a ação política mais enfática do Governo Federal, que busque se aproximar das esquerdas e dos movimentos sociais mais democráticos e legítimos, para que a profundidade do fosso não se torne um túmulo. As medidas necessárias ainda passam também pela democratização da mídia e a quebra do monopólio destas verdadeiras cadeias de comunicações reacionárias que expelem ódios primitivos e desinformação para toda a sociedade.
* menezesWELLINGTON FONTES MENEZES é Doutorando em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Mestre em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), Bacharel e Licenciado em Física pela Universidade de São Paulo (USP), Professor universitário e de ensino médio.

Ditadura Militar

Ditadura Militar

10 mitos sobre a ditadura no Brasil (ou Por que você não deve querer que ela volte)

2 de abril de 2014
Em 1964, um golpe de estado que derrubou o presidente João Goulart e instaurou uma ditadura no Brasil. O regime autoritário militar durou até 1985. Censura, exílio, repressão policial, tortura, mortes e “desaparecimentos” eram expedientes comuns nesses “anos de chumbo”. Porém, apesar de toda documentação e testemunhos que provam os crimes cometidos durante o Estado de exceção, tem gente que acha que naquela época “o Brasil era melhor”. Mas pesquisas da época – algumas divulgados só agora, graças à Comissão Nacional da Verdade – revelam que o período não trouxe tantas vantagens para o país.
Nas últimas semanas, recebemos muitos comentários saudosistas em relação à ditadura na página da SUPER no Facebook. Em uma época em que não é incomum ver gente clamando pela volta do regime e a por uma nova intervenção militar no país, decidimos falar dos mitos sobre a ditadura em que muita gente acredita.

1. “A ditadura no Brasil foi branda”
ditabranda
Foto: Auremar de Castro/DEDOC Abril

Pois bem, vamos lá. Há quem diga que a ditadura brasileira teria sido “mais branda” e “menos violenta” que outros regimes latino-americanos. Países como Argentina e Chile, por exemplo, teriam sofrido muito mais em “mãos militares”. De fato, a ditadura nesses países também foi sanguinária. Mas repare bem: também foi. Afinal, direitos fundamentais do ser humano eram constantemente violados por aqui: torturas e assassinatos de presos políticos – e até mesmo de crianças – eram comuns nos “porões do regime”. Esses crimes contra a humanidade, hoje, já são admitidos até mesmo pelos militares (veja aqui e aqui). Para quem, mesmo assim, acha que foi “suave” a repressão, um estudo do governo federal analisou relatórios e propõe triplicar a lista oficial de mortos e desaparecidos políticos vítimas da ditadura militar. Ou seja: de 357 mortos e desaparecidos com relação direta ou indireta com a repressão da ditadura (segundo a lista da Secretaria de Direitos Humanos), o número pode saltar para 957 mortos.

2. “Tínhamos educação de qualidade”
Naquele época, o “livre-pensar” não era, digamos, uma prioridade para o regime. Havia um intenso controle sobre informações e ideologia – o que engessava o currículo – e as disciplinas de filosofia e sociologia foram substituídas por Educação, Moral e Cívica e por OSPB (Organização Social e Política Brasileira, uma matéria obrigatória em todas as escolas do país, destinada à transmissão da ideologia do regime autoritário). Segundo o estudo “Mapa do Analfabetismo no Brasil”, do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), do Ministério da Educação, o Mobral (Movimento Brasileiro para Alfabetização) fracassou. O Mobral era uma resposta do regime militar ao método do educador Paulo Freire – considerado subversivo -, empregado, já naquela época, com sucesso no mundo todo. Mas os problemas não paravam por aí: com o baixo índice de investimento na escola pública, as unidades privadas prosperaram. E faturaram também. Esse “sucateamento” também chegou às universidades: foram afastadas dos centros urbanos – para evitar “baderna” – e sofreram a imposição do criticado sistema de crédito.

3. “A saúde não era o caos de hoje”
Se hoje todo mundo reclama da “qualidade do atendimento” e das “filas intermináveis” nos hospitais e postos de saúde, imagina naquela época. Para começar, o acesso à saúde era restrito: o Inamps (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social) era responsável pelo atendimento público, mas era exclusivo aos trabalhadores formais. Ou seja, só era atendido quem tinha carteira de trabalho assinada. O resultado era esperado: cresceu a prestação de serviço pago, com hospitais e clínicas privadas. Essas instituições abrangeram, em 1976, a quase 98% das internações. Planos de saúde ainda não existiam e o saneamento básico chegava a poucas localidades, o que aumentava o número de doenças. Além disso, o modelo hospitalar adotado relegava a assistência primária a segundo plano, ou seja, para os militares era melhor remediar que prevenir. O tão criticado SUS (Sistema Único de Saúde) – que hoje atende cerca de 80% da população – só foi criado em 1988, três anos após o fim da ditadura.

4. “Não havia corrupção no Brasil”
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Arquivo Editora Bloch/Veja Rio/DEDOC Abril
Uma características básica da democracia é a participação da sociedade civil organizada no controle dos gastos, denunciando a corrupção. E em um regime de exceção, bem, as coisas não funcionavam exatamente assim. Não havia conselhos fiscalizatórios e, depois da dissolução do Congresso Nacional, as contas públicas não eram sequer analisadas, quanto mais discutidas. Além disso, os militares investiam bilhões e bilhões em obras faraônicas – como Itaipu, Transamazônica e Ferrovia do Aço -, sem nenhum controle de gastos. Esse clima tenso de “gastos estratosféricos” até levou o ministro Armando Falcão, pilar da ditadura, a declarar que “o problema mais grave no Brasil não é a subversão. É a corrupção, muito mais difícil de caracterizar, punir e erradicar”. Muito pouco se falava em corrupção. Mas não significa que ela não estava lá. Experimente jogar no Google termos como “Caso Halles”, “Caso BUC” e “Caso UEB/Rio-Sul” e você nunca mais vai usar esse argumento.

5. “Os militares evitaram a ditadura comunista”
É fato: o governo do presidente João Goulart era constitucional. Seguia todo à risca o protocolo. Ele chegou ao poder depois da renúncia de Jânio Quadros, de quem era vice. Em 1955, foi eleito vice-presidente com 500 mil votos a mais que Juscelino Kubitschek. Porém, quando Jango assumiu a Presidência, a imprensa bateu na tecla de que em seu governo havia um “caos administrativo” e que havia a necessidade de reestabelecer a “ordem e o progresso” através de uma intervenção militar. Foi criada, então, a ideia da iminência de um “golpe comunista” e de um alinhamento à URSS, o que virou motivo para a intervenção. Goulart não era o que se poderia chamar de marxista. Antes de ser presidente, ele fora ministro de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek e estava mais próximo do populismo. Em entrevista inédita recentemente divulgada, o presidente deposto afirmou que havia uma confusão entre “justiça social” – o que ele pretendia com as Reformas de Base – e comunismo, ideia que ele não compartilhava: “justiça social não é algo marxista ou comunista”, disse. Há também outro fator: pesquisas feitas pelo Ibope às vésperas do golpe, em 31 de março, mostram que Jango tinha um amplo apoio popular, chegando a 70% de aprovação na cidade de São Paulo. Esta pesquisa, claro, não foi revelada à época, mas foi catalogada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

6. “O Brasil cresceu economicamente”
Um grande legado econômico do regime militar é indiscutível: o aumento da dívida externa, que permaneceu impagável por toda a primeira década de redemocratização. Em 1984, o Brasil devia a governos e bancos estrangeiros o equivalente a 53,8% de seu Produto Interno Bruto (PIB). Sim, mais da metade do que arrecadava. Se transpuséssemos essa dívida para os dias de hoje, seria como se o Brasil devesse US$ 1,2 trilhão, ou seja, o quádruplo da atual dívida externa. Além disso, o suposto “milagre econômico brasileiro” – quando o Brasil cresceu acima de 10% ao ano – mostrou que o bolo crescia sim, mas poucos podiam comê-lo. A distribuição de renda se polarizou: os 10% dos mais ricos que tinham 38% da renda em 1960 e chegaram a 51% da renda em 1980. Já os mais pobres, que tinham 17% da renda nacional em 1960, decaíram para 12% duas décadas depois. Quer dizer, quem era rico ficou ainda mais rico e o pobre, mais pobre que antes. Outra coisa que piorava ainda mais a situação do população de baixa renda: em pleno milagre, o salário mínimo representava a metade do poder de compra que tinha em 1960.

7. “As igrejas apoiaram”
Sim, as igrejas tiveram um papel destacado no apoio ao golpe. Porém, em todo o Brasil, houve religiosos que criaram grupos de resistência, deixaram de aceitar imposições do governo, denunciaram torturas, foram torturados e mortos e até ajudaram a retirar pessoas perseguidas pela ditadura no país. Inclusive, ainda durante o regime militar, uma das maiores ações em defesa dos direitos humanos – o relatório “Brasil: Nunca Mais” – originou-se de uma ação ecumênica, desenvolvida por dom Paulo Evaristo Arns, pelo rabino Henry Sobel e pelo pastor presbiteriano Jaime Wright. Realizado clandestinamente entre 1979 e 1985, gerou uma importante documentação sobre nossa história, revelando a extensão da repressão política no Brasil.


8. “Durante a ditadura, só morreram vagabundos e terroristas”
Esse é um argumento bem fácil de encontrar em caixas de comentário da internet. Dizem que quem não pegou em armas nunca foi preso, torturado ou morto pelas mãos de militares. Provavelmente, quem acredita nisso não coloca na conta o genocídio de povos indígenas na Amazônia durante a construção da Transamazônica. Segundo a estimativa apresentada na Comissão da Verdade, 8 mil índios morreram entre 1971 e 1985. Isso sem contar as outras vítimas da ditadura que não faziam parte da guerrilha. É o caso de Rubens Paiva. O ex-deputado, cassado depois do golpe, em 1964, foi torturado porque os militares suspeitavam que, através dele, conseguiriam chegar a Carlos Lamarca, um dos líderes da oposição armada. Não deu certo: Rubens Paiva morreu durante a tortura. A verdade sobre a morte do político só veio à tona em 2014. Antes disso, uma outra versão (bem mal contada) dizia que ele tinha “desaparecido”. Para entrar na mira dos militares durante a ditadura, lutar pela democracia – mesmo sem armas na mão – já era motivo o suficiente.

9. “Todos os militares apoiaram o regime”
Ser militar na época não era sinônimo de golpista, claro. Havia uma corrente de militares que apoiava Goulart e via nas reformas de base um importante caminho para o Brasil. Houve focos de resistência em São Paulo, no Rio de Janeiro e também no Rio Grande do Sul, apesar do contragolpe nunca ter acontecido. Durante o regime, muitos militares sofreram e estima-se que cerca 7,5 mil membros das Forças Armadas e bombeiros foram perseguidos, presos, torturados ou expulsos das corporações por se oporem à ditadura. No auge do endurecimento do regime, os serviços secretos buscavam informações sobre focos da resistência militar, assim como a influência do comunismo nos sindicatos, no Exército, na Força Pública e na Guarda Civil.

10. “Naquele tempo, havia civismo e não tinha tanta baderna como greves e passeatas”
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Estudantes que participavam de uma reunião da UNE são presos no interior de São Paulo. Foto: Cristiano Mascaro/DEDOC Abril
Quando os militares assumiram o poder, uma das primeiras medidas que tomaram foi assumir a possibilidade de suspensão dos diretos políticos de qualquer cidadão. Com isso, as representações sindicais foram duramente afetadas e passaram a ser controladas com pulso forte pelo Ministério do Trabalho, o que gerou o enfraquecimento dos sindicatos, especialmente na primeira metade do período de repressão. Afinal, para que as leis trabalhistas vigorem, é necessário que se judicializem e que os patrões as respeitem. Com essa supressão, os sindicatos passaram a ser compostos mais por agentes do governo que trabalhadores. E os direitos dos trabalhadores foram reduzidos à vontade dos patrões. Passeatas eram duramente repreendidas. Quando o estudante Edson Luísa de Lima Souto foi morto em uma ação policial no Rio de Janeiro, multidões foram às ruas no que ficou conhecido com o a Passeata dos Cem Mil. Nos meses seguintes, a repressão ao movimento estudantil só aumentou. As ações militares contra manifestações do tipo culminaram no AI-5. O que aconteceu daí para a frente você já sabe.
Mas, se você já esqueceu ou ainda não está convencido, confira uma linha do tempo da ditadura militar nesse especial que a SUPER preparou sobre o período. Não deixe de jogar “De volta a 1964″, o jogo que mostra qual teria sido sua trajetória durante as duas décadas do regime militar no Brasil.


Fontes: Folha, Estadão, EBC, Brasil Post, Pragmatismo Político, O Globo, R7
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Equilibrando as energias da casa com Feng Shui

Brazil com Z

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Leitura bem interessante! Equilibrando as energias da casa com Feng Shui http://buff.ly/1EjUUzC
Coisas dando errado sem motivo? Quebrando objetos? Pode ser uma questão de energia e há uma forma fácil de mudar isso. Como? através do feng shui!
 
Já teve dias que você entrou em sua casa e sentiu algo “preso”? Coisas dando errado sem motivo? Quebrando objetos? E já entrou em casas com uma harmonia e atmosfera tão gostosas, que pareceu tomarem conta de você? Se já, te digo: é uma questão de energia e há uma forma fácil de mudar isso. Como? equilibrando as energias da casa (mesmo com pouca grana) através de uma ferramenta milenar: o feng shui!

Você provavelmente já tinha ouvido falar dele mas já havia aplicado? Teve medo? No post de hoje – além de me apresentar – explico detalhadamente esse assunto ;)

O QUE QUE É?

Feng shui (se diz fong shuei) é um sistema filosófico chinês de harmonizar energias com o ambiente circundante. O termo feng shui se traduz literalmente como “vento-água” em Inglês. Feng shui é uma dos Cinco Artes da metafísica chinesa, onde “forças vitais” que se ligam o universo, à Terra e à humanidade em conjunto, conhecidas como qi, podem ser potencializadas através dos movimentos certos: os 5 movimentos que regem a prática do Feng Shui.
Entre as escolas de Feng Shui mais conhecidas na atualidade se destacam:
  • A Escola da Forma, pertencente ao Feng Shui Tradicional Chinês;
  • A Escola da Bússola, também pertencente ao Feng Shui Tradicional Chinês;
  • A Escola do Chapéu Preto, de origem Tibetana, que usa como instrumento o Ba Gua, alinhando o norte – gua do trabalho – à porta principal.
Os cinco movimentos Madeira, Fogo, Água, Metal e Terra são os movimentos da energia que criarão e farão a manutenção da ordem das coisas. As imagens de Madeira, Fogo, Água, Metal e Terra são representações simbólicas para explicar e assimilar cada um dos movimentos e suas relações de geração, controle e destruição.
Se a energia de um elemento permanece estagnada, observamos diversos contratempos: negócios que não concretizam, brigas sem motivo, doenças sem explicação, uma sensação de perdas e fracassos. Quando a energia flui demais, se sente cansado, esgotado, sem ânimo para qualquer coisa. O ideal é um equilíbrio.
Vamos dar uma olhada melhor nos movimentos?

ÁGUA

A água é a energia elementar associada ao inverno, estação de quietude e repouso, durante a qual a energia é condensada, conservada e armazenada.  Sua cor é o preto, a cor que contém todas as outras cores em forma concentrada. Na natureza, a água é dissipada por excesso de calor; em seres humanos, a energia da água está esgotada pelo “calor” de estresse e excesso de emoções. A maneira de conservar a energia potencial da água é quietude.

MADEIRA

A próxima fase do ciclo sazonal é a primavera, durante a qual o elemento Madeira surge a partir da energia potencial da água, assim como as plantas brotam do chão em chuvas de primavera. Madeira  é expansiva, alegre, explosiva. É a energia criativa, associada com vigor e juventude, crescimento e desenvolvimento. Sua cor é verde, a cor vibrante de crescimento, e exige a livre expressão e espaço para expansão. O bloqueio que dá origem a sentimentos de frustração, raiva, ciúme e estagnação.

FOGO

Assim como a primavera se desenvolve naturalmente para o verão, então a energia criativa agressiva da Madeira amadurece para a energia florescente de Fogo. Esta é a fase mais abertamente energética Sua cor é o vermelho, a cor quente do fogo e sangue. Ela está associada com amor e compaixão, generosidade e alegria, abertura e abundância. Se bloqueou resulta em hipertensão e histeria, problemas cardíacos e distúrbios do sistema nervoso.

TERRA

Para o final do verão vem um equilíbrio perfeito durante o qual fogo queima e transforma-se em energia elemental da Terra. Nem yin nem yang predominam durante este período; em vez disso, estão em um estado de equilíbrio ideal.  Sua cor é o amarelo, a cor do sol e da terra, da alegria plena. Se a energia da Terra é deficiente, a digestão é prejudicada e todo o organismo se desequilibra devido à alimentação insuficiente e vitalidade.

METAL

Enquanto o verão passa para o outono, a energia da Terra se transforma em Metal. Durante a fase Metal, a energia mais uma vez começa a se condensar, e chamar para dentro para a acumulação e armazenamento, assim como as culturas de verão são colhidas e armazenadas no outono para uso no inverno. Resíduos são eliminados, e só a essência é mantida em preparação para a fase de Água. A sua cor é branca, a cor da pureza e essência. Resistindo essa energia pelo apego sentimental pode causar sentimentos de melancolia, tristeza e ansiedade, que se manifestam fisiologicamente em dificuldades respiratórias, dores no peito, problemas de pele e baixa resistência. Constipações e outras doenças respiratórias são indicadores de energia metal bloqueada.
Quando se trabalha usando o ba-gua, existem dois ciclos de movimento no Feng Shui: o ciclo construtivo e o ciclo destrutivo. No ciclo construtivo, a água nutre a madeira, que alimenta o fogo, que produz terra, que cria metal, que transporta e segura a água. No ciclo destrutivo, água extingue o fogo, que derrete metal, que corta madeira, que suga a terra, que prende a agua. Saber qual dos ciclos usar é essencial para uma boa circulação energética.
Os cinco elementos do feng sgui

Legal! Mas como saber qual ciclo usar? E de que forma fazer isso, sem precisar quebrar paredes ou usar objetos caros? E dá para fazer de forma mais ecológica?
Calma! Te respondo no próximo post!
Até ;)
Vivien Patrícia

fatos que provam que estamos intimamente conectados com o cosmos

fatos que provam que estamos intimamente conectados com o cosmos

7 fatos que provam que você e o cosmos estão intimamente conectados

10/07/2014 - 09H07/ atualizado 13H0707 / por André Jorge de Oliveira
Foto em longa exposição mostra a trajetória de estrelas durante a noite (Foto: flickr/creative commons/ ben a. king)

O que antes pertencia ao domínio da religião e do mito está, cada vez mais, tornando-se consenso na ciência: todas as coisas do Universo estão profundamente relacionadas umas com as outras.
Acredite: conforme os cientistas vão escavando os mistérios da realidade, fica cada vez mais evidente que parece haver uma profunda interdependência entre as coisas. Esta convicção, que já foi muitas vezes trazida à tona pela intuição humana, tem ganhado cada vez mais espaço na comunidade científica.
Existem certos fatos, já familiares à ciência, que podem dar origem a uma espécie de espiritualidade, similar àquela proporcionada pela religião. São descobertas grandiosas que nos recordam que fazemos parte de um grande todo, do qual somos inseparáveis. Elas reforçam a ideia de que a velha distinção homem versus natureza não faz sentido algum.
Separamos sete destes fatos, que têm grande impacto filosófico e podem te fazer olhar de outra forma para a realidade ao seu redor. Confira:
1 – Somos todos poeira das estrelas
A frase, tornada famosa pelo astrônomo Carl Sagan, significa basicamente que todos os elementos que formam os seres humanos, os vegetais, as rochas e tudo o mais que existe no planeta foram formados há bilhões de anos, durante a explosão de estrelas a anos luz de distância daqui. É isso mesmo: elementos pesados como o ferro que corre no nosso sangue, ou o ouro que compõe as nossas jóias, só podem ser sintetizados na natureza em condições extremas de temperatura e pressão – ou seja, quando uma estrela morre e explode violentamente, virando uma supernova. O material formado, então, se espalha pelo espaço interestelar, podendo dar origem a novas estrelas e planetas.
2 – Os átomos do seu corpo já pertenceram a outros seres vivos
A Terra é praticamente um sistema fechado – a matéria que existe aqui não escapa naturalmente para o espaço sideral. Logo, podemos concluir que todos os átomos existentes no planeta estiveram aqui desde o início, e circularam ao longo das eras por incontáveis ciclos químicos e biológicos. Isto quer dizer que os elementos que hoje compõem nossos corpos podem, perfeitamente, ter feito parte de um tiranossauro rex no passado, ou de uma árvore, uma pedra, ou até mesmo de outros seres humanos.
3 – Toda a vida na Terra tem um grau de parentesco
Quando olhamos para a exuberante biosfera que  existe em nosso planeta, é difícil acreditar que, nos primórdios da vida, o único ser se resumia a um organismo unicelular. Ao longo de bilhões de anos de evolução, as espécies foram se diferenciando e se adaptando a diferentes ambientes. Mas, por mais distintas que pareçam, todas têm um grau de parentesco umas com as outras, sem exceção. Todas tiveram um ancestral comum em algum momento.
4 – Quimicamente, animais e plantas se complementam
As árvores são nossas "primas", e podem ser compreendidas como complexas fábricas naturais que sintetizam o gás carbônico, eliminando o oxigênio. No nosso caso, o processo é reverso – nós respiramos o oxigênio e expelimos gás carbônico. Podemos dizer então que os vegetais e os animais são, evolutivamente falando, perfeitos uns para os outros, e mantém uma relação de interdependência.
5 – Seu corpo é perfeitamente adaptado para viver na Terra
Não apenas o corpo humano, mas todos os seres vivos do planeta, são minuciosamente moldados para sobreviver no ambiente terráqueo. Se vivêssemos em um lugar com maior gravidade, por exemplo, nossos músculos e estrutura óssea teriam de ser bem mais resistentes para aguentar a pressão. O implacável processo de seleção natural se encarrega de escolher as espécies mais aptas à sobrevivência. De certa forma, toda a vida que conhecemos tem a cara da Terra, porque é perfeita para ela.
6 – No nível quântico, não existem objetos sólidos
Quando tocamos em qualquer objeto, sentimos claramente que se trata de algo sólido, palpável. No entanto, a sensação não passa de um engano de nossos sentidos: são apenas as nuvens de elétrons dos átomos de nossa pele interagindo com as nuvens eletrônicas do objeto. O que se pode chamar de sólido é o núcleo dos átomos, mas eles jamais se tocam. Os átomos são compostos quase que inteiramente de vazio.
7 – Partículas subatômicas podem estar conectadas mesmo a milhões de anos luz uma da outra
Não importa que uma das partículas esteja na Via Láctea e a outra na vizinha Andrômeda – se houver entre elas o chamado entrelaçamento quântico, uma é parte indissociável da outra. Elas se influenciam instantaneamente, superando até mesmo a velocidade da luz. Isto é possível pois o princípio sugere que a matéria universal esteja interligada por uma rede de “forças”, sobre a qual pouco conhecemos, que transcende até mesmo nossa concepção de tempo e espaço.
>>>> Quer ver grandes mestres da ciência falando de forma inspirada sobre os mistérios do Universo e compartilhando sua paixão pelo que estudam? Então confira nossa lista de 9 vídeos inspiradores sobre o cosmos.

parte das pessoas (e você provavelmente se inclui nesse grupo) está errada sobre quase tudo

parte das pessoas (e você provavelmente se inclui nesse grupo) está errada sobre quase tudo

http://revistagalileu.globo.com/

Só não sei que nada sei

20/01/2015 - 18H01/ atualizado 18H0101 / por Thiago Souza de Souza
 (Foto: Marco Furtado/Editora Globo)

Na última campanha eleitoral, muito marqueteiro experiente se aproveitou da guerra de informações falsas para – não fique surpreso – manipular dados e convencer o eleitor a votar no seu candidato. Mas uma pesquisa feita pela consultoria britânica Ipsos Mori e divulgada depois das eleições deixou claro que o problema da desinformação atinge o resto do mundo também.
O instituto responsável pelo estudo descobriu que boa parte das pessoas (e você provavelmente se inclui nesse grupo) está errada sobre quase tudo. Os participantes da pesquisa precisavam estimar vários índices sociais dos seus países, como taxas de criminalidade, de desemprego e de imigração. E a maioria não só errou, mas errou por muito. “As pessoas não levaram em conta o fato de nunca terem tido acesso a essas estatísticas, e deviam ter sido bem mais cautelosas em suas estimativas”, diz o professor de psicologia David Dunning, da Universidade Cornell, em Nova York.
Talvez a ignorância tenha sido estimulada pelas redes sociais, você pode pensar depois de certamente já ter se afogado pelo menos uma vez no mar de chorume promovido pelas discussões no Facebook. No entanto, você está errado (é bom ir se acostumando). “Medimos atividades de mídia social na análise, e não houve nenhuma relação real entre os níveis de atividade e  quão ignorantes as pessoas eram”, diz Bobby Duffy, diretor do Ipsos Mori. “A verdadeira questão aqui não é a mídia ou a rede social, mas como lembramos e somos afetados pelas informações.”
Quando as pessoas se veem diante de dados concretos, costumam não dar lá muita bola. Mas quando ouvem uma história contada por uma pessoa próxima, que pode estar falando a verdade ou ­espalhando um boato sobre, por exemplo, o corte de políticas de assistência social do governo, aí sim a coisa adquire outro significado, mais real e importante. “Podemos ouvir uma história que até é verdadeira, só que incrivelmente rara e não representativa, mas ela vai colar de um jeito que uma estatística mais abrangente não conseguiria”, diz Duffy.
THE CHELSEA CLINTONS
Com as pontas dos cabelos pintadas de verde e pulseirinhas coloridas, a menina primeiro faz cara de dúvida, mas logo em seguida já está rindo, mascando seu chiclete com força e esbanjando confiança em frente a uma câmera. O repórter quer saber se ela conhece a banda The Chelsea Clintons. “Conheço a música deles. Não sei se vou ao show, mas conheço”, diz a jovem. E do que ela mais gosta na banda? “São divertidos. Passam uma energia boa, você nota que essa sensação vem de um lugar bom, poucas bandas conseguem passar isso.”
O curioso é que a banda não existe, nunca existiu, foi inventada apenas com o propósito de pescar sabichões por aí. Cenas como essa, do talk show Jimmy Kimmel Live!, são famosas no YouTube. Mas você certamente já pegou no flagra algum amigo ou conhecido arrotando conhecimentos inexistentes para se passar por entendido. Mostrar-se inteligente e posar de bem informado e engajado é característico da condição humana, afirma o professor Dunning.
Ele passou anos estudando e pesquisando comportamentos cognitivos para descobrir que nossa burrice é convicta. Com a ajuda de outros psicólogos, promoveu uma série de entrevistas semelhantes ao quadro de Jimmy Kimmel. Dunning perguntava aos entrevistados se eles tinham familiaridade com conceitos de física, biologia, política e geografia. Um expressivo número alegou familiaridade com termos genuínos como “força centrípeta” e “fóton”. Mas também afirmaram que conheciam coisas inventadas, como “pratos de parallax”, “ultra-lipid” e “cholarine”. “As pessoas não têm um índice interno expressamente separado do que elas sabem versus o que elas não sabem”, explica o professor. E, quanto mais confiança ao responder a uma pergunta, maior é a probabilidade de a resposta estar errada, como mostra a pesquisa do Ipsos Mori (veja abaixo).
O problema é que as pessoas tomam decisões a partir do que acham que sabem, em vez de basear-se nos fatos verdadeiros que desconhecem. É o que chamamos de efeito Dunning-Kruger: a incapacidade de perceber os limites do próprio conhecimento, que leva indivíduos com menos informação a acreditarem que sabem mais do que aqueles realmente entendidos. Os portadores dessa síndrome receberam de Dunning o carinhoso apelido de “idiotas confiantes”. “Os incompetentes são frequentemente abençoados com uma confiança inadequada, afiançada por alguma coisa que, para eles, parece conhecimento.”
 (Foto: Revista Galileu)