sexta-feira, 13 de março de 2015

QUEM MANDA INTERNAMENTE NO BRASIL

Imprensa, massa e poder na análise lúcida de Luciano Martins Costa



 Os jornais de terça-feira (10/3) procuram marcar a reação de moradores de algumas cidades do Sul e do Sudeste à aparição da presidente Dilma Rousseff na televisão, na noite de domingo (9/3), como um divisor de águas no embate político que convulsiona as instituições da República. Numa curiosa unanimidade, como se os três principais diários de circulação nacional fossem editados numa mesma sala, o evento é apresentado como o ponto de inflexão a partir do qual se institucionaliza um novo momento no longo processo de desgaste promovido pela imprensa.
 As edições dos jornais seguem uma linha proposta pelos principais noticiosos da TV na noite anterior, quando o protesto foi tratado como uma reação espontânea de parte da população ao conteúdo do discurso presidencial, principalmente ao fato de a presidente da República ter pedido “paciência” pelas medidas econômicas que estão sendo adotadas.Acontece que o barulho nas janelas eclodiu antes que ela começasse a falar, ou seja, as pessoas que se manifestaram nem ficaram conhecendo o teor do discurso.
 Mas não se pode dizer que a imprensa brasileira é incoerente. O que explica essa aparente contradição é a linha adotada agora por todos os jornais e vocalizada por alguns representantes da oposição: trata-se de promover o desgaste contínuo da imagem da presidente, impedindo que governe – mas com o cuidado de evitar que o governo fique paralisado.
 Até mesmo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi alistado entre os porta-vozes dedicados a manter a pressão sob controle. Em discurso e entrevista, ele afirma que os atores políticos vão tomar a frente do movimento que eclodiu nas redes sociais, estimulado pela mídia.
Em suma, o que dizem os diários nas entrelinhas é que a oposição viu no bater de panelas e nos xingamentos uma oportunidade de liderar o protesto nas cidades e nas classes sociais onde a presidente teve menos votos, para transformar esse descontentamento regional e classista em um movimento de caráter nacional.
 Essa é a possibilidade que os conselheiros de comunicação da presidente da República não viram, quando recomendaram que ela fosse à TV pedir a compreensão da sociedade para as medidas de correção na economia.Os assessores da presidente ainda acham que esse embate se dá no campo da razão.
 O impulso de destruição

 O que está em curso é uma velha lição ditada em 1960 pelo ensaísta Elias Canetti: a boa condução do rebanho consiste em mantê-lo em marcha na direção e velocidade desejadas, sem permitir que iniciativas individuais retardem ou atrapalhem a caminhada.
 As vaias e o barulho das panelas indicam que o núcleo dos descontentes está maduro para sair de casa e engrossar a manifestação marcada para o dia 15/3, mas os líderes da oposição e a imprensa estão de olho naquilo que Canetti chamou de “descarga” e “impulso de destruição”.
 O que unificou os cidadãos de renda elevada, na noite de domingo, foi a imagem da presidente Dilma Rousseff na televisão, não seu discurso. O que os jornais tentam fazer, dois dias depois, é uma racionalização da descarga de irracionalidade – processo que unifica os componentes dessa massa que são, por sua natureza, extremamente individualistas. Analisar os pontos do discurso, como fazem alguns jornalistas, é parte do processo de legitimação do que vem em seguida: o impulso de destruição.
 A oposição busca o poder político, a imprensa busca o poder econômico por meio da política.Para fazer funcionar sua estratégia de conquistar o que não obtiveram nas urnas, a oposição e a imprensa precisam que a pressão social alcance todas as regiões do país, ou pelo menos a maioria das capitais. Mas não podem permitir que o movimento saia de controle, ou seja, é preciso criar as condições para a eclosão da descarga, mas estabelecer a priori um limite para a ação.
Por quê? Simplesmente porque a massa não pode ser controlada no impulso de destruição.
 Para obter um consenso mínimo, a aliança liderada pela imprensa precisa cooptar a classe média emergente nos bairros que não aderiram ao protesto – ou garantir que as maiorias permaneçam silenciosas. Não é por outra razão que os jornais tratam de avalizar algumas lideranças de movimentos que, até a véspera, só existiam no ambiente virtual das redes digitais – entre eles um menino de 19 anos que mal consegue articular duas frases com sentido completo.
 O principal entre os muitos erros do governo nesse embate é considerar que a razão pode predominar no ambiente comunicacional envenenado e radicalizado pelas grandes corporações de mídia.
Luciano Martins Costa

PAULINHO DA FORÇA TENTA INTIMIDAR O PROCURADOR

DEPUTADO PAULINHO DA FORÇA TENTA INTIMIDAR O PROCURADOR RODRIGO JANOT

NA MESMA LINHA DE RENAN CALHEIROS QUE AMEAÇOU ABRIR UMA CPI PARA "INVESTIGAR" O MINISTÉRIO PÚBLICO.


Enquanto os acusados eram só do PT, ou enquanto as "ilações" e a quebra seletiva de sigilo, com VAZAMENTOS esculachavam os membros do PT ou do governo, estava tudo "bem", e o PROCURADOR JANOT era o máximo, bem como os corruptos delatores, Paulo Roberto Costa, Barusco e Yousseff mereciam FÉ nas acusações que faziam. Bastou a COISA virar, e quatro dezenas de não petistas serem denunciados, para que a OPOSIÇÃO e os PUXA-SACO do Deputado Eduardo Cunha, passarem a atacar a PGR.

Essa atitude do PAULINHO DA FORÇA, não tem sentido e mais parece, como diz o ditado popular, "conversa de bêbado".
Querer quebrar sigilo de Janot é manobra, diz procurador
13 Março 2015 | 14:34
Por Julia Affonso e Fausto Macedo
Alexandre Camanho, presidente Associação Nacional dos Procuradores da República, critica iniciativa de Paulinho da Força que pediu a quebra do sigilo do procurador-geral da República
Na semana em que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enfrentou severas críticas de políticos alvos da Operação Lava Jato e o pedido de quebra de sigilo feito pelo deputado federal Paulinho da Força (SD-SP), a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) manifestou novamente seu apoio a ele. O presidente da entidade, Alexandre Camanho, classificou como manobra o requerimento apresentado pelo presidente do Solidariedade à CPI da Petrobrás.
“O MP está concentrado na questão de fazer uma prova consistente e atender aos reclames da ampla defesa, do contraditório. As balizas técnicas essenciais de uma investigação criminal”, afirmou. “Alguém querer quebrar o sigilo ou investigar o membro do Ministério Público responsável pela investigação, evidentemente é uma manobra, uma tentativa de descrédito ou de diversionismo.
(007bondeblog)
 
COMENTARIO:
POR QUE NÃO MOSTRAR A VIDA SINDICAL DESTE SENHOR?!

VAMOS AJUDAR AO PROCURADOR E O MP A ABRIR A CAIXA PRETA DO SENHOR PAULINHO DESDE QUANDO ELE INICIOU-SE NO MOVIMENTO SINDICAL… PORQUE ELE NÃO E’ UM SINDICALISTA HONESTO COMO SE COLOCA.
 

Whatsapp - o principal veiculo usado pelo articulador de campanhas para quem quer vender produtos, espalhar boatos ou apenas confundir

Whatsapp - o principal veiculo usado pelo articulador de campanhas para quem quer vender produtos, espalhar boatos ou apenas confundir

O impeachment será no Whatsapp

Da greve de caminhoneiros ao panelaço, o aplicativo tem se tornado o principal articulador de campanhas para quem quer vender produtos, espalhar boatos ou apenas confundir

Whatsapp
Whatsapp soma 20 milhões de usuários apenas no Brasil
"panelaço" que tomou as varandas dos bairros mais ricos do Brasil durante o discurso da presidenta Dilma Rousseff no domingo 8 pegou de surpresa boa parte da população, que se assustou com a ação convocada pelo Whatsapp em 12 capitais. Antes disso, a rede já havia sido utilizada para articular o bloqueio de 128 pontos de rodovias federais nagreve de caminhoneiros no mês passado.
No Piauí, o grupo Projeto Escolinha de Taipa tenta socorrer escolas públicas em más condições. Professores e membros da comunidade se articulam pelo aplicativo para arrecadar material escolar e até trocar o telhado de unidades cobertas com palha.
As ações mais recentes, no entanto, são menos nobres: no começo da semana ecoou no Whatsapp uma mensagem de voz em que um sargento Ferreira "informava" que "a inteligência das Forças Armadas" estaria aquartelada, "trabalhando descaracterizada em todo o território nacional". Ele pede à população que estoque comida porque "está para estourar uma guerra no Brasil": "Haverá intervenção federal de direita e de esquerda".
Outro alarme falso chamava a atenção para o confisco da poupança, similar ao Plano Collor. "Dia 18 [de março] a Dilma vai retirar o dinheiro das contas. Saca todo o dinheiro e não deixa nada", alertava a voz de uma mulher.
Especialista em desmascarar boatos travestidos de notícia, o editor do Boatos.org, Edgard Matsuki, fala das possibilidades multimídia da nova forma de comunicação. "Boa parte dos rumores são em formato de áudio. Se quem falou tem uma boa locução, a mensagem acaba mais convincente do que um texto digitado", explica.
Diretor-executivo da Paradox Zero, agência de estratégias digitais, Paulo Rebêlo acredita que o Whatsapp é a rede do momento para a agitação política. "Ele é mais rápido, objetivo e pessoal do que o Facebook ou o Twitter. Ao mesmo tempo, não tem poluição visual nem anúncios e é muito mais fácil de aprender a usar."
Com cerca de 800 milhões de usuários no mundo e 20 milhões só no Brasil, o Whatsapp decidiu, no final do ano passado, aumentar para cem o número máximo de pessoas por grupo. "Basta ter dez listas para atingir diretamente mil usuários. Com uma estratégia bem definida, a eficiência é muito alta", calcula Rebêlo.
De olho nesse filão, agências de marketing digital se especializam em estratégias para aumentar o alcance e a eficiência das mensagens enviadas pelo aplicativo. Uma delas é a Sendixx.com. Seu diretor comercial, Marcelo Quaresma, conta que a eficácia das mensagens enviadas pelo aplicativo chega a 96% e seu tempo médio de retorno é de 2 minutos e 18 segundos. "Não existe meio mais assertivo ou retorno tão ágil no mercado."
A empresa, então, criou uma ferramenta que permite, "por uma quantia muito baixa, o envio em grande escala de mensagens de texto, vídeo e imagem". "Identificamos automaticamente todos os usuários ativos do Whatsapp e, através de mais de 40 mil linhas telefônicas, enviamos campanhas para milhares de pessoas de uma vez."
No Whatsapp, explica Quaresma, ninguém precisa curtir, seguir ou compartilhar para que os outros vejam. "Se alguma mensagem impacta realmente o consumidor, ele interage, permitindo que as empresas dediquem seus esforços aqueles que são os reais interessados em sua marca ou produto."
Mas será que as legendas politicas usariam esse potencial para fins partidários? "Sim", garante o diretor da Sendixx. "Em todos os segmentos da política: desde grandes partidos, passando pela política dos principais clubes do País até as universitárias." Rebêlo concorda: "É de conhecimento geral que os partidos se articulam por meio dessas ferramentas. É válido, faz parte do jogo."
Embora não exista dispositivo para rastrear uma mensagem, Rebêlo explica que elas precisam partir de uma base. No entanto, só o Facebook - dono do aplicativo - pode rastrear o caminho reverso para identificar o número de origem, que "também pode ser forjado".
O que preocupa Matsuki, do Boatos.org, é justamente esse alcance. No Facebook, a boataria começou logo após as eleições: Dilma chegou a ser acusada de tramar a morte de Eduardo Campos e de homenagear traficante; até o presidente venezuelano Nicolás Maduro estaria disposto a invadir o Brasil para defender a presidenta em caso de golpe.
Agora é a vez do Whatsapp. "O receptor da mensagem nem sempre se interessa por política, não lê o assunto. Sua principal fonte de informação são as redes sociais", diz o especialista. "Muita gente quer genuinamente melhorar o Brasil ao espalhar notícias sem checar sua veracidade." Bem intencionados ou não, acabam atuando como massa de manobra.
(Carta Capital)

ÉTICA E ÁGUA

 
Isto serve em todas as situações onde a ética é a essência da vida:

ÉTICA É TÃO ESSENCIAL A UM PAÍS ....
TAL QUAL A ÁGUA É AO PLANETA TERRA.
QUANTA A ÁGUA UMA ESTAÇÃO CHUVOSA TUDO RESOLVE.....
JÁ O ESTRAGO DA AUSÊNCIA DE ÉTICA TALVEZ DEZ GERAÇÕES NÃO CONSIGA RESGATAR AS CONSEQUÊNCIAS DANTESCAS QUE ELA CAUSOU
Na atual conjuntura, esta frase é mais válida que nunca!

nacionalismo e universalismo humanista

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Panorâmica Social
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O difícil equilíbrio entre nacionalismo e universalismo humanista

Patriotismo
O nacionalismo moderno teve a sua gênese nas lutas dos povos europeus contra a tirania dos reis absolutistas e contra a Igreja, que foi, durante muito tempo, a única instituição cujo poder pairava acima de todos os povos. De lá pra cá, o nacionalismo tem servido a diversos propósitos – uns, bastante nobres, como no processo de independência de algumas ex-colônias pelo mundo, mas outros, nem tanto, como na afirmação da superioridade nacional perante outras nações, além de intenções golpistas em seu nome.
O processo nacionalista no Brasil começou ligado ao movimento romântico, de exaltação das nossas supostas qualidades particulares, nossa cultura e nosso povo. E esse tipo de louvação utópica da “pátria amada” descambou para um tipo de nacionalismo ufanista superficial e perigoso, pois manipula os interesses de classes específicas como se fossem os interesses de todos os cidadãos.
Como consequência, os símbolos nacionais brasileiros foram sequestrados pelas classes mais conservadoras, especialmente os militares, e passaram a servir como justificativa para corrigir de tempos em tempos as “distorções” na política através de golpes, em nome dos supostos interesses maiores da “pátria” (na verdade, interesses de classe). Não existe ideologia mais reacionária no país do que o lema que orienta esse tipo de nacionalismo: “Deus, pátria e família”, três criações altamente discriminatórias que tem o seu sucedâneo na lema da nossa bandeira: “Ordem e Progresso”. Disso implica que: se você não segue o mesmo deus que eu, se não defende a mesma pátria e o mesmo modelo de família que o meu, então você é um inimigo que deve ser atacado, um perigo, um “subversivo” da ordem, que atenta contra as nobres tradições nacionais. Obviamente são ideias ridículas baseadas numa mitologia nacional arcaica.
Mas então, o que fazemos? Descartamos essa ideia em nome de outras, mais justas e universalistas, ou seja, a defesa de todos os povos do mundo, a favor da diversidade, do pluralismo e da solidariedade, independentemente das cores de sua bandeira?
De fato, uma coisa que pouco levamos em conta é que temos, enquanto classe trabalhadora e assalariada nesse mundo regido pelo capitalismo, muito mais em comum com os nossos semelhantes de outros países do que com nossos próprios líderes políticos e membros das elites econômicas brasileiras. Estes últimos, por sua vez, têm muito mais afinidades de interesses com seus colegas estrangeiros nas suas reuniões de Davos do que com os brasileiros das classes mais baixas. Somos brasileiros mas de “brasis” completamente diferentes. Mas na hora de levantarmos bandeiras, querem que levantemos as mesmas inócuas bandeiras nacionais, e não a das nossas próprias demandas enquanto classe. Isso não é muito adequado, mas é exatamente o que acontece quando nos deixamos levar por uma crença de que no Brasil de tantas desigualdades, todos estamos abrigados igualmente sob uma mesma pátria amada e mãe gentil, com os mesmos interesses e direitos.
Mas por outro lado, não seria correto adotarmos a postura inversa, ou seja, de abandonar completamente a atenção pelas questões nacionais, que dizem respeito à soberania e aos interesses do nosso país, numa lógica que seria tão equivocada quanto a do seu oposto: um nacionalismo exacerbado e cego. Porque existem grandes corporações e países de olho nas facilidades de explorar a nossa apatia perante a defesa de nossos recursos naturais, por exemplo. O que devemos é estar conscientes das distorções que o nacionalismo nos causa, percebermos os interesses que estão por trás da nossa bandeira, e não deixar de entender que tudo isso é uma mera construção histórica, e que não somos nem melhores e nem piores do que nenhum outro país do mundo apenas porque somos brasileiros. Mas temos, de fato, enquanto povo, alguns interesses em comum que devem ser defendidos a nível internacional.
Por fim, e mais importante: devemos atentar para as especificidades de classe, de etnia e de gênero que estão inseridas dentro deste contexto maior e generalizante chamado “nação brasileira”, se quisermos combater as injustiças históricas que o nacionalismo oculta em nome de um suposto interesse maior chamado pátria.
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Divisão tocana com relação à manifestação do dia 15

Divisão tocana com relação à manifestação do dia 15

Manifestações, ditaduras, corrupção... por Percival Maricato


Manifestações, ditaduras, corrupção...
Percival Maricato
Os tucanos estão divididos com relação à manifestação do dia 15. Alguns aderem ao esforço inaudito dos opositores de Dilma nas redes sociais, entusiasticamente, escrevem sobre o “mar de lama”, conclamam à luta pelo impeachment. Outros, como FHC, tomam posições mais responsáveis: manifestação sim, golpe não (mas para manifestantes radicalizados, para que serve ir a rua senão para golpear de morte o adversário?). Serra anda desaparecido. Aécio vacila, afinal deve sentir que a presidência pode ser alcançada por vias legítimas e mais seguras, deve conquistar votos que foram para, terá sua oportunidade.
Impeachement levaria a um governo do PMDB ou uma eleição. Ambas as opções com resultados imprevisíveis. Se a presidência lhe caísse no colo teria que governar com o PMDB e os mesmos fisiológicos que hoje cercam Dilma.  Ainda teria do outro lado a metade do país que votou na presidente e se mantém silenciosa. São dezenas de milhões de brasileiros gratos pelas políticas sociais e econômicas introduzidas pelos governos petistas, especialmente na periferia. Há divisão é mais que nítida. Estariam esses milhões  dispostos a ficar calado?
Quem tem mais leitura e experiência política sabe que não se pode medir a temperatura política do país pela classe média e mídia de uma ou algumas poucas cidades grandes, por mais poderosa e influentes que sejam, sabe que golpes de direita podem ser tornar incontroláveis (de esquerda também)  e que golpes militares nem sempre seguem pelo caminho esperado. Estes podem estar se sentindo tão lesados como boa parte da população, por ver acontecer em governos petistas, lamentavelmente, tanta corrupção como nos anteriores, mesmo que pela primeira vez em mais de quinhentos anos, ela esteja sendo combatida até nas altas esferas do poder político e econômico. Mas estariam eles dispostos a anular os benefícios sociais dados a parcela mais carente dos brasileiros, como quer parte dos manifestantes, principalmente em São Paulo? Reduziriam o tamanho da Petrobrás, como propõe Jose Serra? Iram mesmo para a direita ou optariam por um modelo venezuelano, que lhes daria mais poder? Muitas são as incógnitas.
Por falar em “mar de lama”, marchas contra o governo, a mídia na oposição, a situação está parecida com o que ocorria às vésperas da deposição de Collor ou da deposição de Vargas (o suicídio frustrou os golpistas) e Jango?  Bom lembrar que  “mar de lama” era a palavra de ordem mais usada por Lacerda, que fez da vida, depois de deixar de ser comunista, uma cruzada por um golpe de direita. Quando ele ocorreu, em 1964, depois de várias tentativas, em vez de ser chamado para assumir poder, acabou marginalizado e por insistir em participar (frente ampla tentada com Juscelino), cassado. Lição para ser lembrada.
A conduta sensata dos democratas em épocas de efervescência política é por água na fervura, lembrar lições da história, a necessidade da tolerância e não do ódio, na convivência humana, a aceitação de pessoas das  variadas ideologias e classes sociais, de ser imprescindível a inclusão social, política e econômica dos marginalizados não só para termos paz e civilização, mas por questão de Justiça e até de desenvolvimento econômico, a valorização da importância do Estado Democrático de Direito, que permite não só rodízio no poder, mas fazer oposição, apontar corrupção e etc.
Na última ditadura de direita (militar) um jornalista podia ser corajoso o suficiente para apontar políticos ou militares poderosos como corruptos? Impossível ou inútil. Primeiro, não tinha como obter informações, todos os poderes (legislativo, judiciário) e órgãos policiais obedeciam o executivo (até ministros do STF foram “aposentados”), que por sua vez, acabava em um único chefe, que também era chefe do exército; depois, mesmo que as obtivesse, não teria como divulgar, os meios de comunicação estavam censurados; por fim, precisava ser mesmo muito corajoso, pois sua punição poderia ser tortura ou desaparecimento, sua família poderia sofrer represálias. E nada disso iria sair nos jornais. Se fosse um político, no outro dia estaria com os direitos políticos cassados. Se fosse um empresário, com muita sorte perderia apenas o patrimônio. Os demais nem pensar...
Conclusão: temos que conviver.
Percival Maricato

Quando e' corrupta

Quando e' corrupta

Camargo Correa só era corrupta na Petrobras e não nos negócios com o PSDB?

13 de março de 2015 | 09:31 Autor: Fernando Brito
camargo
Conceição Lemes, do Viomundo, publica uma imperdível investigação, meticulosa e documentada, sobre os negócios da dupla Dalton Avancini e Eduardo Leite,  presidente e vice-presidente da Camargo Corrêa, que assinaram um acordo de delação premiada com o Ministério Público, sob as bençãos do juiz Sérgio Moro.
Com toda a sua delicadeza, Conceição pergunta: “a delação premiada de Avancini e Leite vai se restringir à corrupção na Petrobras ou abrangerá também contratos da Camargo Corrêa com outras empresas e órgãos públicos municipais, estaduais e federais em todo o País?”
E lista, pacientemente, com farta documentação, a denúncias que pesam sobre os dois em obras realizadas em terras paulistanas que, até, já os tinham levado “em cana”.
Os senhores promotores da Lava-Jato ganham, na reportagem, um roteiro pronto para inquirirem os dois executivos.
Vamos ver se o seguem, ou estão atrás de uma “delação seletiva”. onde o pecado com um é virtude com outro.

Mídia concentra foco na Lava Jato, mas ignora
empreiteiras na Castelo de Areia e no trensalão

Conceição Lemes, no Viomundo
Em 27 de fevereiro, dois executivos da cúpula da Construtora Camargo Corrêa fecharam acordo de delação premiada com o juiz Sérgio Moro e os procuradores da Operação Lava Jato, que investiga a corrupção na Petrobras.
São Dalton Avancini e Eduardo Hermelino Leite, respectivamente, presidente e vice-presidente da empreiteira. O criminalista Celso Vilardi, advogado de ambos,  não participou das negociações e já informou que vai renunciar à defesa desses clientes.
Camargo Corrêa também não participou do acordo. Em nota, diz que “tomou conhecimento pela imprensa que seus executivos Dalton Avancini e Eduardo Leite firmaram acordos individuais de colaboração com o Ministério Público Federal”.
A pergunta que não quer calar: a delação premiada de Avancini e Leite vai se restringir à corrupção na Petrobras ou abrangerá também contratos da Camargo Corrêa com outras empresas e órgãos públicos municipais, estaduais e federais em todo o País?
Na época da ditadura, já era voz corrente que as empreiteiras “engraxavam” agentes de órgãos públicos para obter vantagens.
O empresário tucano Ricardo Semler, em artigo publicado em novembro de 2014, salientou que sob Dilma, “nunca se roubou tão pouco”. E revelou ainda:
Nossa empresa deixou de vender equipamentos para a Petrobras nos anos 70. Era impossível vender diretamente sem propina. Tentamos de novo nos anos 80, 90 e até recentemente. Em 40 anos de persistentes tentativas, nada feito.
A delação premiada de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, só veio confirmar o que se supunha. Em audiência à Justiça Federal do Paraná, ele disse que:
1) As principais empreiteiras do País distribuíam entre si os contratos, mediante pagamento de propina e desvio de dinheiro público, repassado a partidos políticos.
2) O esquema revelado na Operação Lava Jato operava em todo o País.
3) Ele  não era exclusividade da Petrobras; existia em outras empresas e órgãos públicos municipais, estaduais e federais.
Em português claro: as empreiteiras denunciadas na Lava Jato estão muito mais juntas e misturadas do que mostram a mídia, a Polícia Federal (PF) e o próprio Ministério Público Federal (MPF). Inclusive a Camargo Corrêa, conectada às operações Lava Jato e Castelo de Areia e ao trensalão tucano.
Diante disso, o Viomundo gostaria de saber:
* O juiz  Sérgio Moro e os procuradores federais perguntarão a Dalton Avancini sobre a sua prisão decretada em 2010 pelo Ministério Público Estadual de São Paulo (MPE-SP) em função de corrupção na Sanasa?
A Sanasa (Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A.) é empresa de economia mista controlada pela Prefeitura de Campinas, no interior do Estado de São Paulo. Na época, Avancini fugiu e foi considerado foragido.
A Camargo Corrêa foi uma das empresas acusadas de integrar o cartel que fraudava licitações na área de saneamento. O próprio MPE-SP menciona contratos bilionários do grupo com a Sabesp.
* O juiz  Sérgio Moro e os procuradores federais indagarão também a Avancini sobre o Consórcio Via Amarela, responsável pela construção da Linha 4- Amarela do Metrô de São Paulo?
Avancini representa a Camargo Corrêa no consórcio do qual participa a Alstom, multinacional francesa envolvida no esquema que fraudou e superfaturou licitações do  Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), em conluio com agentes públicos de sucessivos tucanos no Estado de São Paulo. O chamado trensalão, ou propinoduto tucano, como ficou conhecido o esquema.
Castelo avancini
Tal qual a Alstom a Camargo Corrêa também integra o cartel fraudador.
Um dos contratos denunciados por superfaturamento é justamente o da Linha 4- Amarela do Metrô. Em valores atualizados, a obra foi orçada em R$ 3,3 bilhões. Na Operação Castelo de Areia, há a informação de pagamento de propina da ordem de R$ 16 milhões.
* O juiz  Sérgio Moro e os procuradores federais questionarão Eduardo Leite sobre o consórcio formado para construir o Sistema Produtor São Lourenço, obra da Sabesp?
O consórcio chama-se SPSL Águas — Sistema de Tratamento e Disposição S/A. Eduardo Leite representa nele a Camargo Corrêa.
castelo eduardo 2
O Sistema Produtor São Lourenço consiste em construir uma represa no rio Piraí, no município de Ibiúna, para enviar 4,7 mil litros de água por segundo para cidades da Grande São Paulo por uma tubulação de 83 quilômetros de extensão. Em valores atualizados, uma obra de R$ 6,6 bilhões.
Apenas dois consórcios participaram da licitação. O formado pelas empresas Carioca Christiani- Nielsen e Saneamento Ambiental Águas do Brasil foi desclassificado pela Sabesp.  Saiu vencedor o SPSL Águas, composto pelas empreiteiras Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez.
 Em reportagem publicada em CartaCapital, o jornalista Fábio Serapião denunciou:
“Mesmo após a apresentação de recurso [pelo grupo desclassificado], a Sabesp manteve sua decisão e sagrou vencedor o consórcio SPSL, com uma proposta cuja contraprestação por parte da estatal supera em 14 milhões de reais o preço referencial estipulado no item 6 do edital. Ou seja: foi feita uma licitação que serviu para aumentar, em vez de baixar por meio da concorrência, o preço a ser desembolsado pela estatal”.
* O juiz  Sérgio Moro e os procuradores federais interrogarão os dois delatores sobre as descobertas da PF na Operação Castelo de Areia?
A  Castelo de Areia  foi desencadeada pela Polícia Federal  (PF)e focou na Camargo Corrêa. Ela investigou um esquema de evasão de divisas, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e repasses ilícitos para políticos envolvendo executivos da empreiteira, entre 2009 e 2011.
Em 2011, foi anulada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a alegação de que partiu de denúncia anônima. A  Procuradoria-Geral da  República (PGR) recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Em fevereiro deste ano, o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, confirmou a decisão do STJ.
Daí, outra pergunta que não quer calar: será que, agora, com a delação premiada, os dois executivos da Camargo Corrêa finalmente esclarecerão as provas obtidas pela PF na Castelo de Areia?
DOCUMENTOS DA CASTELO DE AREIA CITAM CONSELHEIROS DO TCE, JORNALISTA DE VEJA E MATARAZZO
A Castelo de Areia, repetimos, concentrou-se na Camargo Corrêa. Um dos relatórios da PF sobre essa operação (na íntegra, ao final desta reportagem) tem 284 página e  refere-se a informações contidas em  pen-drives e documentos físicos apreendidos.
Um deles é o manuscrito abaixo, de 31/01/2008, que indica a base de cálculo de valores referentes à sigla PMN, que é como, na Camargo Corrêa, se convencionou chamar a Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo.
De acordo com as anotações do documento, a Camargo Corrêa teria recebido até dezembro de 2007 R$ 21.314.104,00 referentes aos lotes 4 e 5 da Linha Amarela. Desse montante, foi calculado 1% –  R$ 213.140,00 –, que se seria o “por fora” para a pessoa indicada pela sigla “F.B.” ainda não identificada.
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Fonte: Relatório da PF, página 47
O documento abaixo concerne à  obra identificada como PSM, que significa Anel Viário – Metrô de São Paulo.
Ele tem duas partes. Na superior, manuscrito em azul, está o valor de R$ 125 mil, que seria a “contrapartida” pela autorização de “acerto de aditivo” da obra. Estaria relacionado à sigla “E.B.”, que a PF identificou como sendo Eduardo Bittencourt Carvalho.
O relatório da PF diz:
Considerando-se algumas citações em outros documentos relacionados mais a frente, há indícios de que tais citações dizem respeito a EDUARDO BITTENCOURT CARVALHO, ex-presidente e atual conselheiro do TCE-SP, uma vez que este seria um dos responsáveis pela liberação de pagamento de aditivos das obras no âmbito estadual.
Na parte inferior do documento, surge a menção ao termo CLEIMS – METRO L4. Na verdade, segundo o relatório da PF, o correto seria CLAIMS — o termo utilizado para designar os aditivos aos contratos de prestação de serviços executados pelas empreiteiras.
Ainda com relação a esta anotação há a indicação de compromisso de valores da ordem de R$ 5 milhões referentes a três parcelas devidas nos meses de janeiro a março de 2008.
castelo 2
Fonte: Relatório da PF, página 48 
O documento seguinte relaciona valores datados de 01.04.2008.
Na parte superior do manuscrito, o valor de R$ 55.900,00 refere-se à propina paga por acordo judicial com a Prefeitura de Jundiaí. Está registrado como Custos Diversos (Polt), que poderia indicar a expressão Políticos. Diz a respeito a 10% do valor total  — R$ 559.000 — recebido pela Camargo Corrêa naquela data. Não há indicação de possível beneficiário.
Na sequência, há citação de R$ 192.000 referentes ao “acerto” do contrato para execução de obras da Linha 4-Amarela (PMN) do Metrô de São Paulo.
Dos R$ 192.000, R$ 126.000 seriam para o (a) CMr. Para OG4 iriam R$ 66.000.
O relatório da PF diz:
Estas siglas ainda não estão identificadas. Contudo, ao lado dos valores surge o nome de Robson Marinho, possivelmente referindo-se ao auditor do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP).
Robson Marinho é conselheiro do TCE-SP e foi denunciado em vários casos de corrupção, entre eles o da Alstom.
Atualmente, por decisão da Justiça de São Paulo, o conselheiro está afastado do cargo.  Chefe da Casa Civil do governo Mário Covas (PSDB), entre 1995 e 1997, Marinho é acusado pelo Ministério Público de receber propina da multinacional francesa Alstom para favorecê-la em um contrato com a Eletropaulo quando esta empresa ainda pertencia ao governo do estado.
O relatório da PF acrescenta:
Em outra pesquisa chegamos à informação de que o Metrô criou um Grupo de Trabalho para avaliar as propostas do Consórcio Via amarela, o chamado GT, que foi criado em 10/01/2005, pelo então presidente do metrô, Luiz Carlos Frayze David. Esse grupo foi criado em 10 de janeiro de 2005 e tendo como Coordenador Marco Antonio Buoncompagno – GC 4 –, o que poderia indicar ser ele o beneficiário indicado pela sigla OG4.
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Fonte: Relatório da PF, página 29
O documento abaixo mostra quatro valores. Nos três primeiros, não há indicação de beneficiário.
Segundo o relatório da PF, o primeiro — R$ 146.443 – diz respeito à sigla ACOO (Aeroporto de Congonhas). Representa aproximadamente 5,5% do que a Camargo Corrêa recebeu pela obra de setembro a novembro de 2005.
O segundo — R$ 63.839 – relaciona-se à sigla AV (Aeroporto de Vitória). Representa aproximadamente 5,5% do que a Camargo Corrêa recebeu por essa obra em outubro de 2005.
O terceiro — R$ 234.912 – refere-se à obra CBM (DER – Bauru – Marília). Representa aproximadamente 5,5% dos recebimentos da Camargo Corrêa pela obra nos meses de novembro e dezembro de 2005..
O único valor – R$ 50.000 — com indicação de beneficiário é o quarto. Aparece relacionado à sigla genérica NNN, não sendo atrelado a uma obra específica.
O relatório da PF expõe:
Há menção de que este valor estaria direcionado à Revista “A”, mais precisamente ao jornalista REINALDO AZEVEDO, atualmente articulista da Revista VEJA.
Depois, acrescenta:
Outros nomes que surgem no manuscrito são de ANDREA MATARAZZO, que provavelmente seria o então secretário de coordenação das subprefeituras da Prefeitura de São Paulo, além do prenome “CARLOS”, o qual ainda não foi possível identificar.
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Fonte: Relatório da PF, página 129
Diante desses indícios, os documentos obtidos na Castelo de Areia não mereceriam ser melhor investigados? O que mostramos é apenas a mínima parte de um dos relatórios da PF sobre a operação.
CAMARGO CORRÊA: A CONEXÃO LAVA JATO-CASTELO DE AREIA- PROPINODUTO TUCANO
Na verdade, as digitais da Camargo Corrêa estão nos três escândalos mencionados no intertítulo acima.
Por exemplo, ela e a Andrade  Gutierrez (outra empreiteira denunciada na Lava Jato e no trensalão) têm um contrato de R$ 1,2 bilhão para execução de um dos lotes da Linha 5-Lilás do Metrô de São Paulo, onde houve ação do cartel e superfaturamento de mais de R$ 300 milhões.
Não é o único. Os contratos do governo paulista com a Camargo Corrêa somam quase R$ 11 bilhões. Entre as obras, figuram o desassoreamento da calha do rio Tietê e  o Rodoanel Sul, onde o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou superfaturamento.
Estima-se que, de 1996 a 2010, a Camargo Corrêa teria pago cerca de R$ 200 milhões em propina para agentes públicos de sucessivos governos tucanos em São Paulo. O cálculo baseia-se no valor dos contratos da empreiteira  com o governo paulista e o percentual de propina  – 3% a 6% — pago a agentes públicos. Já em todo o país o esquema teria movimentado mais de R$ 500 milhões.
  – Além da Camargo Corrêa, outras empreiteiras denunciadas na Lava Jato  também estão no trensalão tucano? – alguns leitores devem estar já perguntando.
A resposta é sim. Iesa, OAS, Odebrecht, Queiroz Galvão e Galvão Engenharia, por exemplo, estão tanto no trensalão quanto na Lava Jato.
Aliás, a divulgação da Lista da Lava Jato comprovou o que já havíamos denunciado: os vazamentos seletivos na mídia, que funciona como partido político de oposição ao governo federal.
Do contrário, como explicar o nome do senador Aécio Neves (PSDB-MG) ter sido escondido durante toda a campanha eleitoral e só aparecido quando se soube oficialmente na semana passada que ele não seria investigado pelo STF, apesar de mencionado pelo doleiro Alberto Youssef na Lista de Furnas?
Curiosamente, em 6 de março,  O Globo publicou que Dalton Avancini, presidente da Camargo Corrêa, iria detalhar na sua delação premiada como funcionava o esquema de propina na Usina de Belo Monte. E que isso teria sido fundamental para os procuradores federais aceitarem fazer acordo com o executivo.
Belo Monte é do setor elétrico, não tem nada a ver com a Petrobras.
Curiosamente, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao justificar a não abertura de inquérito de Aécio Neves no STF disse que a Lista de Furnas não se referia à Petrobras.
Por que a não conexão de Furnas com a Petrobras serviu para Janot tirar Aécio da lista oficial da Lava Jato e agora o MPF vai investir sobre o Belo Monte?
Youssef é um velho “conhecido” da Justiça, pois atuou fortemente no caso Banestado.
As referências do doleiro a Aécio Neves na Bauruense e na Lista de Furnas (aqui e aqui) indicam que esses esquemas se comunicavam no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Só para lembrar: empresas do grupo Alstom (denunciada no trensalão) em consórcio com a Bauruense (envolvida na Lista de Furnas e ouras improbidades) prestaram serviços ao governo paulista.
Será que se pode ser parcial na apuração dos malfeitos? Afinal, delações parciais acabam protegendo e mantendo esquemas em outros lugares que há muito já deveriam ter sido estancados.
Por que não se investigar todo o cartel de empreiteiras, que age no Brasil inteiro de modo a viciar licitações de órgãos públicos federais, estaduais e municipais?
Tampouco esquemas fraudulentos são exclusividade de empreiteiras. As contas bancárias de personagens do trensalão tucano no Credit Suisse e provavelmente no HSBC suíço (Leia  PS do Viomundo)  poderão mostrar que esses esquemas usavam os mesmos dutos para pagar propinas. Por isso, tem de se investigar todos os contratos dos governos estaduais com o clube de empreiteiras, assim como atacar todos os esquemas.
É o único jeito de se superar práticas cristalizadas. Também de impedir que escândalos envolvendo tucanos e demos continuem a ser colocados embaixo do tapete, graças à blindagem da mídia bandida e à colaboração de alguns membros do Judiciário.
Operação Castelo de Areia — Relatório da Polícia Federal.pdf by Conceição Lemes
PS do Viomundo:  Já havia sido divulgado que 11 integrantes da família Queiroz Galvão (donos de empreiteiras citadas na Lava Jato) tinham contas no HSBC da Suíça.
Hoje, 12 de março, O Globo revela que dois engenheiros envolvidos no trensalão tucano também abriram contas no HSBC da Suíça. Paulo Celso Mano Moreira da Silva, hoje com 70 anos, foi diretor de operações do Metrô, e Ademir Venâncio de Araújo, de 62 anos, diretor administrativo do Metrô e diretor de obras da CPTM. Atualmente são acusados de improbidade administrativa pelo MPE-SP.
Em 10 de abril de 1997 Silva e Araújo assinaram contrato para que a Alstom fornecesse, sem licitação, um sistema de sinalização e controle da linha Norte-Sul (Vermelha) do Metrô de São Paulo. Eles recorreram a um termo aditivo sobre um contrato firmado oito anos antes entre o Metrô e Alstom.
Silva aparece como proprietário da conta numerada 22544FM, aberta em 12 de outubro de 1994. Em 2007, ele tinha US$ 3 milhões. Sua mulher, Vera Lúcia Perez Mano Moreira da Silva, que já morreu, constava como co-titular.
Araújo consta, por sua vez, como “diretor técnico do metrô de São Paulo” e dono de três contas numeradas: uma aberta em nome da Jemka Investments Limited, outra em nome da Mondavi Holding Trading Ltd. e uma terceira com o número 29233SC. Segundo as planilhas do HSBC, somando as três, Araújo dispunha de US$ 6,9 milhões em 2007.
PS do Tijolaço: Ah, a lista do HSBC nas mãos da Conceição Lemes …