terça-feira, 3 de março de 2015

Todo cuidado, todo alerta sobre o avanço do fascismo a partir de São Paulo sera' pouco

A elitista boçalidade do Mal: o avanço do fascismo a partir de São Paulo

“Que passo é esse que se dá entre a discordância com relação à política econômica e a impossibilidade de sustentar o lugar do outro no espaço público?
"O outro, se não for um clone/espelho, só existe como inimigo”.
Eliena Brun, jornal El Pais 


Artigo de Eliane Brun, do jornal El País:

A boçalidade do mal

Guido Mantega e a autorização para deletar a diferença


Em 19 de fevereiro, Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda dos governos de Lula e de Dilma Rousseff, estava na lanchonete do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, quando foi hostilizado por uma mulher, com o apoio de outras pessoas ao redor. Os gritos: “Vá pro SUS!”. Entre eles, “safado” e “fdp”. Mantega era acompanhado por sua esposa, Eliane Berger, psicanalista. Ela faz um longo tratamento contra o câncer no hospital, mas o casal estava ali para visitar um amigo. O episódio se tornou público na semana passada, quando um vídeo mostrando a cena foi divulgado no YouTube.
Entre as várias questões importantes sobre o momento atual do Brasil – mas não só do Brasil – que o episódio suscita, esta me parece particularmente interessante:
“Que passo é esse que se dá entre a discordância com relação à política econômica e a impossibilidade de sustentar o lugar do outro no espaço público?”.
A pergunta consta de uma carta escrita pelo Movimento Psicanálise, Autismo e Saúde Pública (MPASP), que encontrou na cena vivida por Guido e Eliane ecos do período que antecedeu a Segunda Guerra, na Alemanha nazista, quando se iniciou a construção de um clima de intolerância contra judeus, assim como contra ciganos, homossexuais e pessoas com deficiências mentais e/ou físicas. O desfecho todos conhecem. Em apoio a Guido e Eliane, mas também pela valorização do Sistema Único de Saúde (SUS), que atende milhões de brasileiros, o MPASP lançou a hashtag#VamosTodosProSUS.
Pode-se aqui fazer a ressalva de que a discordância vai muito além da política econômica e que o ex-ministro petista encarnaria na lanchonete de um dos hospitais privados mais caros do país algo bem mais complexo. Mas a pergunta olha para um ponto preciso do cotidiano atual do Brasil: em que momento a opinião ou a ação ou as escolhas do outro, da qual divergimos, se transforma numa impossibilidade de suportar que o outro exista? E, assim, é preciso eliminá-lo, seja expulsando-o do lugar, como no caso de Guido e Eliane, seja eliminando sua própria existência – simbólica, como em alguns projetos de lei que tramitam no Congresso, visando suprimir direitos fundamentais dos povos indígenas ou de outras minorias; física, como nos crimes de assassinato por homofobia ou preconceito racial.
O que significa, afinal, esse passo a mais, o limite ultrapassado, que tem sido chamado de “espiral de ódio” ou “espiral de intolerância”, num país supostamente dividido (e o supostamente aqui não é um penduricalho)? De que matéria é feita essa fronteira rompida?

A descoberta de que aquele vizinho simpático com quem trocávamos amenidades no elevador defende o linchamento de homossexuais tem um impacto profundo
A resposta admite muitos ângulos. Na minha hipótese, entre tantas possíveis, peço uma espécie de licença poética à filósofa Hannah Arendt, para brincar com o conceito complexo que ela tão brilhantemente criou e chamar esse passo a mais de “a boçalidade do mal”. Não banalidade, mas boçalidade mesmo. Arendt, para quem não lembra, alcançou “a banalidade do mal” ao testemunhar o julgamento do nazista Adolf Eichmann, em Jerusalém, e perceber que ele não era um monstro com um cérebro deformado, nem demonstrava um ódio pessoal e profundo pelos judeus, nem tampouco se dilacerava em questões de bem e de mal. Eichmann era um homem decepcionantemente comezinho que acreditava apenas ter seguido as regras do Estado e obedecido à lei vigente ao desempenhar seu papel no assassinato de milhões de seres humanos. Eichmann seria só mais um burocrata cumprindo ordens que não lhe ocorreu questionar. A banalidade do mal se instala na ausência do pensamento.
A boçalidade do mal, uma das explicações possíveis para o atual momento, é um fenômeno gerado pela experiência da internet. Ou pelo menos ligado a ela. Desde que as redes sociais abriram a possibilidade de que cada um expressasse livremente, digamos, o seu “eu mais profundo”, a sua “verdade mais intrínseca”, descobrimos a extensão da cloaca humana. Quebrou-se ali um pilar fundamental da convivência, um que Nelson Rodrigues alertava em uma de suas frases mais agudas: “Se cada um soubesse o que o outro faz dentro de quatro paredes, ninguém se cumprimentava”. O que se passou foi que descobrimos não apenas o que cada um faz entre quatro paredes, mas também o que acontece entre as duas orelhas de cada um. Descobrimos o que cada um de fato pensa sem nenhuma mediação ou freio. E descobrimos que a barbárie íntima e cotidiana sempre esteve lá, aqui, para além do que poderíamos supor, em dimensões da realidade que só a ficção tinha dado conta até então.
Descobrimos, por exemplo, que aquele vizinho simpático com quem trocávamos amenidades bem educadas no elevador defende o linchamento de homossexuais. E que mesmo os mais comedidos são capazes de exercer sua crueldade e travesti-la de liberdade de expressão. Nas postagens e comentários das redes sociais, seus autores deixam claro o orgulho do seu ódio e muitas vezes também da sua ignorância. Com frequência reivindicam uma condição de “cidadãos de bem” como justificativa para cometer todo o tipo de maldade, assim como para exercer com desenvoltura seu racismo, sua coleção de preconceitos e sua abissal intolerância com qualquer diferença.
Foi como um encanto às avessas – ou um desencanto. A imagem devolvida por esse espelho é obscena para além da imaginação. Ao libertar o indivíduo de suas amarras sociais, o que apareceu era muito pior do que a mais pessimista investigação da alma humana. Como qualquer um que acompanha comentários em sites e postagens nas redes sociais sabe bem, é aterrador o que as pessoas são capazes de dizer para um outro, e, ao fazê-lo, é ainda mais aterrador o que dizem de si. Como o Eichmann de Hannah Arendt, nenhum desses tantos é um tipo de monstro, o que facilitaria tudo, mas apenas ordinariamente humano.

Ao permitir que cada indivíduo se mostrasse sem máscaras, a internet arrancou da humanidade a ilusão sobre si mesma
Ainda temos muito a investigar sobre como a internet, uma das poucas coisas que de fato merecem ser chamadas de revolucionárias, transformaram a nossa vida e o nosso modo de pensar e a forma como nos enxergamos. Mas acho que é subestimado o efeito daquilo que a internet arrancou da humanidade ao permitir que cada indivíduo se mostrasse sem máscaras: a ilusão sobre si mesma. Essa ilusão era cara, e cumpria uma função – ou muitas – tanto na expressão individual quanto na coletiva. Acho que aí se escavou um buraco bem fundo, ainda por ser melhor desvendado.
Como aprendi na experiência de escrever na internet que não custa repetir o óbvio, de forma nenhuma estou dizendo que a internet, um sonho tão estupendo que jamais fomos capazes de sonhá-lo, é algo nocivo em si. A mesma possibilidade de se mostrar, que nos revelou o ódio, gerou também experiências maravilhosas, inclusive de negação do ódio. Assim como permitiu que pessoas pudessem descobrir na rede que suas fantasias sexuais não eram perversas nem condenadas ao exílio, mas passíveis de serem compartilhadas com outros adultos que também as têm. Do mesmo modo, a internet ampliou a denúncia de atrocidades e a transformação de realidades injustas, tanto quanto tornou o embate no campo da política muito mais democrático.
Meu objetivo aqui é chamar a atenção para um aspecto que me parece muito profundo e definidor de nossas relações atuais. A sociedade brasileira, assim como outras, mas da sua forma particular, sempre foi atravessada pela violência. Fundada na eliminação do outro, primeiro dos povos indígenas, depois dos negros escravizados, sua base foi o esvaziamento do diferente como pessoa, e seus ecos continuam fortes. A internet trouxe um novo elemento a esse contexto. Quero entender como indivíduos se apropriaram de suas possibilidades para exercer seu ódio – e como essa experiência alterou nosso cotidiano para muito além da rede.

Finalmente era possível “dizer tudo”, e isso passou a ser confundido com autenticidade e liberdade
É difícil saber qual foi a primeira baixa. Mas talvez tenha sido a do pudor. Primeiro, porque cada um que passou a expressar em público ideias que até então eram confinadas dentro de casa ou mesmo dentro de si, descobriu, para seu júbilo, que havia vários outros que pensavam do mesmo jeito. Mesmo que esse pensamento fosse incitação ao crime, discriminação racial, homofobia, defesa do linchamento. Que chamar uma mulher de “vagabunda” ou um negro de “macaco”, defender o “assassinato em massa de gays”, “exterminar esse bando de índios que só atrapalham” ou “acabar com a raça desses nordestinos safados” não só era possível, como rendia público e aplausos. Pensamentos que antes rastejavam pelas sombras passaram a ganhar o palco e a amealhar seguidores. E aqueles que antes não ousavam proclamar seu ódio cara a cara, sentiram-se fortalecidos ao descobrirem-se legião. Finalmente era possível “dizer tudo”. E dizer tudo passou a ser confundido com autenticidade e com liberdade.
Para muitos, havia e há a expectativa de que o conhecimento transmitido pela oralidade, caso de vários povos tradicionais e de várias camadas da população brasileira com riquíssima produção oral, tenha o mesmo reconhecimento na construção da memória que os documentos escritos. Na experiência da internet, aconteceu um fenômeno inverso: a escrita, que até então era uma expressão na qual se pesava mais cada palavra, por acreditar-se mais permanente, ganhou uma ligeireza que historicamente esteve ligada à palavra falada nas camadas letradas da população. As implicações são muitas, algumas bem interessantes, como a apropriação da escrita por segmentos que antes não se sentiam à vontade com ela. Outras mostram as distorções apontadas aqui, assim como a inconsciência de que cada um está construindo a sua memória: na internet, a possibilidade de apagar os posts é uma ilusão, já que quase sempre eles já foram copiados e replicados por outros, levando àimpossibilidade do esquecimento
O fenômeno ajuda a explicar, entre tantos episódios, a resposta de Washington Quaquá, prefeito de Maricá e presidente do PT fluminense, uma figura com responsabilidade pública, além de pessoal, às agressões contra Guido Mantega. Em seu perfil no Facebook, ele sentiu-se livre para expressar sua indignação contra o que aconteceu na lanchonete do Einstein nos seguintes termos: “Contra o fascismo a porrada. Não podemos engolir esses fascistas burguesinhos de merda! (...) Vamos pagar com a mesma moeda: agrediu, devolvemos dando porrada!”.

O outro, se não for um clone, só existe como inimigo
O ódio, e também a ignorância, ao serem compartilhados no espaço público das redes, deixaram de ser algo a ser reprimido e trabalhado, no primeiro caso, e ocultado e superado, no segundo, para ser ostentado. E quando me refiro à ignorância, me refiro também a declarações de não saber e de não querer saber e de achar que não precisa saber. Me arrisco a dizer que havia mais chances quando as pessoas tinham pudor, em vez de orgulho, de declarar que acham museus uma chatice ou que não leram o texto que acabaram de desancar, porque pelo menos poderia haver uma possibilidade de se arriscar a uma obra de arte que as tocasse ou a descobrir num texto algo que provocasse nelas um pensamento novo.
Sempre se culpa o anonimato permitido pela rede pelas brutalidades ali cometidas. É verdade que o anonimato é uma realidade, que há os “fakes” (perfis falsos) e há toda uma manipulação para falsificar reações negativas a determinados textos e opiniões, seja por grupos organizados, seja como tarefa de equipes de gerenciamento de crise de clientes públicos e privados. Tanto quanto há campanhas de desqualificação fabricadas como “espontâneas”, nas quais mentiras ou boatos são disseminados como verdades comprovadas, causando enormes estragos em vidas e causas.
Mas suspeito que, no que se refere ao indivíduo, a notícia – boa ou má – é que o anonimato foi em grande medida um primeiro estágio superado. Uma espécie de ensaio para ver o que acontece, antes de se arriscar com o próprio RG. Não tenho pesquisa, só observação cotidiana. Testemunho dia a dia o quanto gente com nome e sobrenome reais é capaz de difundir ódio, ofensas, boatos, preconceitos, discriminação e incitação ao crime sem nenhum pudor ou cuidado com o efeito de suas palavras na destruição da reputação e da vida de pessoas também reais. A preocupação de magoar ou entristecer alguém, então, essa nem é levada em conta. Ao contrário, o cuidado que aparece é o de garantir que a pessoa atacada leia o que se escreveu sobre ela, o cuidado que se toma é o da certeza de ferir o outro. O outro, se não for um clone, só existe como inimigo.

Na eleição de 2014, descobriu-se que os bárbaros eram até ontem os aliados na empreitada da civilização
O problema, quando se aponta os “bárbaros”, e aqui me incluo, é justamente que os bárbaros são sempre os outros. Neste sentido, a eleição de 2014, da qual derivou a tese, para mim bastante questionável, do “Brasil partido”, bagunçou um bocado essa crença. Não foi à toa que amizades antigas se desfizeram, parentes brigaram e até amores foram abalados, que até hoje há gente que se gostava que não voltou a se falar. As redes sociais, a internet, viraram um campo de guerra, num nível maior do que em qualquer outra eleição ou momento histórico. Só que, desta vez, os bárbaros eram até ontem os aliados na empreitada da civilização.
Descobriu-se então que pessoas com quem se compartilhou sonhos ou pessoas que se considerava éticas – pessoas do “lado certo” – eram capazes de lançar argumentos desonestos – e que sabiam ser desonestos – e até mentiras descaradas, assim como de torturar números e manipular conceitos. Eram capazes de fazer tudo o que sempre condenaram, em nome do objetivo supostamente maior de ganhar a eleição. Os bárbaros não eram mais os outros, os de longe. Desta vez, eram os de perto, bem de perto, que queriam não apenas vencer, mas destruir o diferente ou o divergente, eu ou você. O bárbaro era um igual, o que torna tudo mais complicado.
Não se sai imune desse confronto com a realidade do outro, a parte mais fácil. Não se sai impune desse confronto com a realidade de si, este um enfrentamento só levado adiante pelos que têm coragem. Como sabemos, enquanto for possível e talvez mesmo quando não seja mais, cada um fará de tudo para não se enxergar como bárbaro, mesmo que para isso precise mentir para si mesmo. É duro reconhecer os próprios crimes, assim como as traições, mesmo as bem pequenas, e as vilanias. Mas, no fundo, cada um sabe o que fez e os limites que ultrapassou. O que aconteceu na eleição de 2014 é que os bons e os limpinhos descobriram algumas nuances a mais de sua condição humana, e descobriram o pior: também eles (nós?) não são capazes de respeitar a opinião e a escolha diferente da sua. Também eles (nós?) não quiseram debater, mas destruir. De repente, só havia “haters” (odiadores). De novo: desse confronto não se sai impune. A boçalidade do mal ganhou dimensões imprevistas.

A experiência poderosa de se mostrar sem recalques transcendeu e influenciou a vida para além das redes
Seria improvável que a experiência vivida na internet, na qual o que aconteceu nas eleições foi apenas o momento de maior desvendamento, não mudasse o comportamento quando se está cara a cara com o outro, quando se está em carne e osso e ódio diante do outro, nos espaços concretos do cotidiano. Seria no mínimo estranho que a experiência poderosa de se manifestar sem freios, de se mostrar “por inteiro”, de eliminar qualquer recalque individual ou trava social e de “dizer tudo” – e assim ser “autêntico”, “livre” e “verdadeiro” – não influenciasse a vida para além da rede. Seria impossível que, sob determinadas condições e circunstâncias, os comportamentos não se misturassem. Seria inevitável que essa “autorização” para “dizer tudo” não alterasse os que dela se apropriaram e se expandisse para outras realidades da vida. E a legitimidade ganhada lá não se transferisse para outros campos. Seria pouco lógico acreditar que a facilidade do “deletar” e do “bloquear” da internet, um dedo leve e só aparentemente indolor sobre uma tecla, não transcendesse de alguma forma. Não se trata, afinal, de dois mundos, mas do mesmo mundo – e do mesmo indivíduo.
A mulher que se sentiu “no direito” de xingar Guido Mantega e por extensão Eliane Berger, e tornar sua presença na lanchonete do hospital insuportável, assim como as pessoas que se sentiram “no direito” de aumentar o coro de xingamentos, possivelmente acreditem que estavam apenas exercendo a liberdade de expressão como “cidadãos de bem indignados com o PT”, uma frase corriqueira nos dias de hoje, quase uma bandeira. Ao mandar Guido e Eliane para outro lugar – e não para qualquer lugar, mas “pro SUS” – devem acreditar que o Sistema Único de Saúde é a versão contemporânea do inferno, para a qual só devem ir os proscritos do mundo. Possivelmente acreditem também que o espaço do Hospital Israelita Albert Einstein deve continuar reservado para uma gente “diferenciada”. Em nenhum momento parecem ter enxergado Guido e Eliane como pessoas, nem se lembrado de que quem está num hospital, seja por si mesmo, seja por alguém que ama, está numa situação de fragilidade semelhante a deles. O direito ao ódio e à eliminação do outro mostrou-se soberano: aquele que é diferente de mim, eu mato. Ou deleto. Simbolicamente, no geral; fisicamente, com frequência assustadora.
Mas, claro, nada disso é importante. Nem é importante a greve dos caminhoneiros ou a falta de água na casa dos mais pobres. Tampouco a destruição de estátuas milenares pelo Estado Islâmico. Essencial mesmo é o grande debate da semana que passou: descobrir se o vestido era branco e dourado – ou preto e azul. Até mesmo sobre tal irrelevância, a selvageria do bate-boca nas redes mostrou que não é possível ter opinião diferente.
Já demos um passo além da banalidade. Nosso tempo é o da boçalidade.
Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora dos livros de não ficção Coluna Prestes - o Avesso da Lenda, A Vida Que Ninguém vê, O Olho da Rua,A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos e do romance Uma Duas. Site: desacontecimentos.com Email: elianebrum.coluna@gmail.com Twitter:@brumelianebrum.

QUEM TEM INTERESSE NA PETROBRAS

QUEM TEM INTERESSE NA PETROBRAS
‘Agentes externos, internos, mídia e setor financeiro querem abocanhar a Petrobras’ Imprimir E-mail
Escrito por Valéria Nader e Gabriel Brito, da Redação   
Sexta, 13 de Fevereiro de 2015




Sob ventos recessivos, o Brasil vive sob intensa carnificina capitalista, com grandes empresas nacionais e transnacionais disputando os principais financiamentos e direções dos projetos desenvolvimentistas. Tal como analisado por este Correio já há algum tempo, estamos diante de “disputas intercapitalistas” entre variados e pujantes setores, o que, obviamente, não poderia deixar o petróleo e a Petrobrás de fora. Essa é a discussão que se faz na entrevista com Felipe Coutinho, novo presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), para além do viciado noticiário policial em torno da empresa.


“A Petrobrás e o petróleo brasileiro da camada do pré-sal estão no centro desta disputa. Os oportunistas e históricos entreguistas não descansam. Ao mesmo tempo em que a companhia é lesada e vilipendiada por agentes externos e internos, é ainda atacada pela mídia empresarial na sua condição de operadora única do pré-sal. Fomentam a desinformação na busca pelo petróleo brasileiro, em favor das multinacionais que esgotaram suas reservas”.

Evidentemente, Coutinho defende a punição dos agentes corruptores e corrompidos que têm sido identificados pela Operação Lava Jato da Polícia Federal, responsáveis por imenso dano às contas da empresa. No entanto, quando falamos da maior petrolífera do mundo e maior responsável pela exploração das suculentas jazidas do pré-sal, é imperioso levar a discussão aos termos da soberania nacional, das possibilidades de avanço social com a renda auferida e da eterna cobiça do cartel petrolífero, “assessorado” pela mídia corporativa.

“A conjuntural redução do preço do petróleo no mercado internacional, o aumento da produção nacional rumo à reconquista da autossuficiência, uma política de preços que compense a companhia pelas perdas históricas e a revisão do plano estratégico podem facilmente recuperar a situação financeira da companhia. É preciso também registrar a importância de interromper os leilões, que apenas atenderiam ao interesse das multinacionais, dos países dependentes do petróleo e ao sistema financeiro”, ponderou.

Sobre o acidente no navio-plataforma em São Mateus (ES), Coutinho toca num ponto delicado, mas que reforça os interesses em jogo em torno da maior empresa brasileira. “A indústria do petróleo é cada vez mais complexa. O petróleo convencional, de fácil acesso e barato de se produzir, é cada vez mais escasso. Precisamos buscar o petróleo em regiões cada vez mais remotas, em instalações mais complexas, em condições mais intensivas em trabalho e em capital. As contradições entre a apropriação privada da riqueza gerada em relação à preservação da vida e da natureza se agravam”.

A entrevista completa com Felipe Coutinho pode ser lida a seguir.



Correio da Cidadania: A Operação Lava Jato traz a cada dia novas e estrondosas revelações sobre as criminosas relações entre empreiteiras privadas e gestores da Petrobras, agora com a revelação dos políticos envolvidos no esquema. Como tem visto o atual estágio desses acontecimentos?

Felipe Coutinho: Até aqui as principais revelações derivam do vazamento seletivo das delações premiadas. São denúncias de réus confessos que, por meio deste mecanismo legal, buscam a redução das penas. É necessário que as denúncias sejam rigorosamente apuradas, os culpados, tanto os corruptos quanto os corruptores e os operadores da fraude, sejam exemplarmente punidos, e que os recursos desviados sejam recuperados.

A Petrobrás é a vítima, mas é evidente a vulnerabilidade institucional da companhia na sua relação com os fornecedores de bens e serviços. Os empresários se organizaram em cartel para obter contratos super-lucrativos e fraudar a Petrobrás que, por sua vez, não teve robustez institucional para resistir à atuação de altos executivos corrompidos.

Para viabilizar o interesse privado na Petrobrás, os empresários se utilizaram dos “serviços ilegais”, ou seja, do tráfico de influência dos políticos corruptos e da atuação de executivos de aluguel no alto da pirâmide do poder corporativo estatal. Para viabilizar a fraude, os corruptos e corruptores também se utilizaram dos serviços dos operadores, os doleiros, para transferência e lavagem dos recursos roubados.

As revelações se acumulam numa escalada de novos delatores, é necessária a precaução, para não assumir como verdade qualquer denúncia sem a devida apuração. A mistura de acusações verdadeiras e falsas pode atrapalhar a apuração das primeiras e propiciar condenações prematuras e irreparáveis.

O fato novo e positivo é a investigação dos corruptores. São os principais agentes ativos e beneficiários da fraude. O papel protagonista destes empresários se revela na comparação entre os valores fraudados, via contratos superfaturados, e os valores pagos a título de propina, que segundo os depoimentos variam de 3% a 5% do valor dos contratos.

Correio da Cidadania: Como você analisa o caso Petrobras à luz do contexto mais geral do capitalismo brasileiro, vez que a empresa está visivelmente no seio de uma disputa intercapitalista predatória e a resultante promiscuidade público-privada, hoje encabeçada pelas grandes e onipresentes empreiteiras?

Felipe Coutinho: São muitos os interesses privados que cercam a Petrobrás. A apropriação privada da renda petroleira pode ocorrer de diversas formas, umas legais e outras ilegais. Isso sempre foi assim, o que difere é a gestão política do Estado Nacional, que arbitra e tenta conciliar os diferentes interesses privados e o contraditório interesse público, de natureza social.

Entre os interesses privados posso citar:

  • Empreiteiros e fornecedores de bens e serviços em busca de contratos super-lucrativos;

  • Banqueiros e seguradores em busca de juros pelo pagamento de dívidas e contratos para obtenção de lucros;

  • Industriais consumidores de combustíveis ou de petroquímicos em busca de subsídios;

  • Comerciantes, distribuidores de combustíveis, também por subsídios;

  • Industriais produtores de etanol e de biodiesel em busca de subsídios e de vantagens indiretas na correlação entre os preços dos combustíveis líquidos e na questão logística;

  • Controladores e executivos de petroleiras de capital privado, nacional e internacional, ou de capital estatal estrangeiro, em busca de oportunidades de acesso ao petróleo brasileiro com baixo risco e acesso às tecnologias da Petrobrás;

  • Empresários, prestadores de serviços de consultoria, em busca de contratos lucrativos e de informações que podem conferir lucro ou vantagem geopolítica aos governos e corporações para os quais, secretamente, trabalham;

  • Por fim, os empresários de comunicação, em busca de contratos lucrativos de publicidade com a Petrobrás, ou satisfação de interesses inconfessos na sua relação com o capital internacional.

Os interesses na disputa intercapitalista são administrados dentro do Estado Nacional. Eventualmente, pode haver cisões, mas logo se busca construir um novo consenso, em novas bases, normalmente proporcional ao poder econômico que se reflete no poder político.

O interesse social, em busca do atendimento às necessidades da população e garantia de direitos, muitos dos quais constitucionais, mas sistematicamente descumpridos pelo Estado, está em contradição com aqueles de natureza privada, descritos anteriormente.

A conciliação de tantos e contraditórios interesses pode ser feita durante um tempo e em alguns países, mas nunca todo o tempo e em todos os lugares. O acirramento da disputa se agrava nos períodos de crise, nos quais o crescimento econômico não ocorre, quando existe excedente de produção, endividamento e empobrecimento dos assalariados. Existe também a dificuldade de administrar as expectativas de uma população que é levada pela propaganda a associar a felicidade ao consumo, em sociedades cada vez mais desiguais.

A Petrobrás e o petróleo brasileiro da camada do pré-sal estão no centro desta disputa. Os oportunistas e históricos entreguistas não descansam. Ao mesmo tempo em que a companhia é lesada e vilipendiada por agentes externos e internos, é ainda atacada pela mídia empresarial na sua condição de operadora única do pré-sal. Fomentam a desinformação na busca pelo petróleo brasileiro, em favor das multinacionais que esgotaram suas reservas.

O sistema financeiro é ainda mais poderoso e pode se apropriar da renda petroleira, pelo perverso mecanismo da dívida pública, sob diferentes marcos legais da exploração petroleira. É urgente a realização da auditoria cidadã da dívida pública para evitar a evasão da renda petroleira para o rentismo parasitário.

Correio da Cidadania: Nesse sentido, como situa os governos petistas dos últimos anos nesse processo? O que dizer de sua condução da economia e posicionamentos políticos e, especialmente, da sua condução da Petrobras e da exploração das bacias do pré-sal?

Felipe Coutinho: Foram governos de conciliação. Ao mesmo tempo em que promoveram a valorização do salário mínimo e as políticas compensatórias do bolsa família, garantiram a prioridade do pagamento dos juros da dívida e os contratos derivados da “privataria tucana”.

Foi possível conciliar os interesses contraditórios enquanto as mercadorias primárias se valorizavam no mercado internacional e o endividamento das famílias promovia o mercado interno e a percepção de progresso entre os assalariados.

Em relação ao petróleo, houve avanços relevantes: aumento das reservas da Petrobrás; recomposição do corpo técnico da companhia; apoio aos investimentos que resultaram na descoberta do pré-sal; revisão da participação da Petrobrás na geração de energia termoelétrica; retomada dos investimentos em novas refinarias e entrada nas energias potencialmente renováveis; desenvolvimento da produção industrial de biodiesel; e a participação na produção do etanol.

O principal avanço diz respeito à alteração do regime da exploração do petróleo do pré-sal, a adoção do regime de partilha com garantia de participação mínima de 30% e operação única da Petrobrás.

Apesar de avançar em relação ao regime de concessão, adotado no governo do PSDB e mantido para os campos do pós-sal nos governos do PT, o monopólio estatal não foi recuperado. O monopólio estatal, exercido pela Petrobrás, foi o responsável pelo nosso desenvolvimento tecnológico e industrial. É o melhor regime para atender ao interesse da maioria da população brasileira.

Correio da Cidadania: Como está de fato a situação financeira da empresa? E em que medida esta situação é resultado da prática tarifária predominante nos últimos anos?

Felipe Coutinho: A situação financeira merece cuidado e é consequência da política energética nacional e do plano estratégico e de negócios da Petrobrás ainda vigente. Ao mesmo tempo em que o governo utilizou a companhia para controlar a inflação, vendendo derivados mais baratos do que são importados, o plano de investimentos da companhia projetou acentuada aceleração da curva de produção do petróleo. Para atender a aceleração da produção foi necessário concentrar enormes investimentos em muito pouco tempo. Ao mesmo tempo em que o fluxo de caixa era prejudicado pela política de preços no mercado interno.

A conjuntural redução do preço do petróleo no mercado internacional, o aumento da produção nacional rumo à reconquista da autossuficiência, uma política de preços que compense a companhia pelas perdas históricas e a revisão do plano estratégico podem facilmente recuperar a situação financeira da companhia.

É preciso também registrar a importância de interromper os leilões promovidos pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). É importante desenvolver os campos já leiloados em prol do atendimento às nossas necessidades. Novos leilões apenas atenderiam ao interesse das multinacionais, dos países dependentes do petróleo importado e do sistema financeiro. O sistema financeiro ganharia pelo acesso a novas oportunidades de renda pelo endividamento da indústria e pela garantia do “superávit primário” oriundo da renda petroleira.

Correio da Cidadania: O que achou da troca da diretoria da empresa, após meses de turbulências?

Felipe Coutinho: A diretoria anterior, apesar de até aqui não ter sido envolvida diretamente por denúncias da Operação Lava Jato, estava em situação política delicada. O desastre relativo ao balanço do 3º trimestre de 2014 foi a gota d’água e tornou insustentável sua manutenção.


Correio da Cidadania: Em meio aos últimos episódios, especialistas e políticos associados a uma visão de mercado, e a mídia que os acompanha, têm feito observações críticas quanto a diversos aspectos ligados à administração da Petrobras: desde o modelo de partilha, que substituiu o modelo de concessões de FHC, passando pela definição da Petrobras como operadora única do pré-sal e pela sua política de conteúdo nacional. Há até mesmo aqueles que criticam o excesso de diversificação da estatal e advogam pela venda dos ativos que dão prejuízo. O que responderia a cada uma dessas críticas?

Felipe Coutinho: São oportunistas, aproveitam-se  do sentimento de indignação resultado da natureza das revelações, mas também da forma como são divulgadas, para advogar por interesses privados, apresentando-os como de interesse geral. Fazem isso sempre que podem, são os ideólogos do capitalismo neoliberal que, apesar das evidências do desastre social de suas políticas, repetem diuturnamente os seus dogmas.

Devemos esclarecer a sociedade que não podemos confundir alhos com bugalhos. Devemos sanear a Petrobrás, defendê-la institucionalmente, recuperar os valores fraudados, punir exemplarmente corruptos, corruptores e operadores. Impor restrição à liberdade e expropriação dos empresários, políticos, executivos e doleiros condenados.

Cabe aqui lembrar o papel dos banqueiros na lavagem do dinheiro em nível internacional. Ao que parece, os corruptores foram alcançados, mas e quanto aos banqueiros e seus executivos, quando responderão pela lavanderia global do dinheiro sujo?

Além disso, o principal é garantir que todo o petróleo brasileiro seja utilizado para saldar a dívida social e construir a infraestrutura para produção sustentável das energias renováveis, que serão cada vez mais necessárias. Para isso, é imperativo não somente defender o regime de partilha, mas avançar na retomada do monopólio estatal, exercido pela Petrobrás e sob o controle social.


Correio da Cidadania: O que vislumbra pela frente? Diante da cobiça em torno à Petrobras levantada pela atual crise, acredita na hipótese de a maior empresa nacional ficar fora da exploração do pré-sal, tido como o maior tesouro econômico do país?

Felipe Coutinho: O momento é propício a mudanças, mas mesmo assim o mais provável é que continue tudo como está. Entre as mudanças possíveis, podemos avançar ou retroceder sob o ponto de vista do interesse popular.

Apesar da correlação de forças da política institucional ser desfavorável às causas populares, a política das ruas pode surpreender o poder constituído. Exemplo recente foram as chamadas jornadas de junho de 2013. Foram mobilizações pela conquista de direitos, pelo atendimento de necessidades sociais, primeiro pela mobilidade urbana, depois educação, saúde etc.

Primeiro o poder econômico e político, liderado pelo seu órgão de propaganda, a mídia corporativa, tentou rechaçar e condenar o movimento. Depois, com o fracasso da primeira reação, passaram a disputar a pauta e transformar a natureza original da indignação popular. Tática antiga, usada em muitos países do mundo ao longo da história. A desorganização popular não resistiu à violência policial e à propaganda política massiva dos meios de comunicação, o ímpeto popular arrefeceu, mas a brasa ainda está acesa.

Acredito que a Petrobrás é, acima de tudo, a sua História. Seu nascimento foi fruto da consciência sobre a importância do petróleo e da magnífica mobilização popular, a campanha “O Petróleo é Nosso” está no seu DNA, no seu código genético. Acredito que a população brasileira nunca vai abandonar a sua maior realização. Cabe a nós, petroleiros, escancarar as portas da Petrobrás para a população, promover a transparência, a democracia no local de trabalho e, principalmente, condicionar a direção da companhia ao controle social.

Correio da Cidadania: Dentro de todo este contexto, o que você comenta, ainda que num primeiro momento, sobre o acidente do navio-plataforma no litoral de São Mateus (ES), com mortos e feridos?

Felipe Coutinho: No momento em que concedo esta entrevista, tenho poucas informações sobre o ocorrido. Passo, portanto, a discorrer sobre aspectos gerais da questão da segurança operacional na indústria do petróleo.

Notória é a correlação entre a terceirização e o aumento dos acidentes entre os trabalhadores. Não posso afirmar nada em relação a este caso mas, de forma geral, a indústria do petróleo é cada vez mais complexa. O petróleo convencional, de fácil acesso e barato de se produzir, é cada vez mais escasso. Precisamos buscar o petróleo em regiões cada vez mais remotas, em instalações mais complexas, em condições mais intensivas em trabalho e em capital.

A Petrobrás é a companhia do mundo com maior experiência na produção de petróleo em águas profundas. Sempre esteve na vanguarda desta fronteira exploratória, mas, ainda assim, o aumento da complexidade das suas instalações exige prudência e aprendizado contínuo, em todas as etapas, do desenvolvimento tecnológico à operação. Isso vale para todas as condições severas nas quais se produz o petróleo não convencional, seja o petróleo de águas profundas, o do folhelho (shale em inglês), o de xisto ou o das areias betuminosas.

As contradições entre a apropriação privada da riqueza gerada - para arcar com o pagamento dos dividendos, dos juros dos empréstimos tomados, dos seguros, dos impostos e do reinvestimento para compensar a queda natural da produção dos campos maduros - em relação à preservação da vida e da natureza se agravam. Quanto mais próximos das condições extremas de produção do petróleo, maior é a contradição entre o lucro, privadamente apropriado, e a vida.


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Gabriel Brito é jornalista; Valéria Nader, jornalista e economista, é editora do Correio da Cidadania.

dormir sem roupa faz bem

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Revista Galileu
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5 motivos (científicos) para você dormir sem roupa http://ow.ly/JTjik

5 motivos (científicos) para você dormir sem roupa

03/03/2015 - 17H03/ atualizado 17H0303 / por Fernando Bumbeers
 (Foto: Creative Commons)
Tome banho, escove os dentes e NÃO vista o seu pijama. Você está preparado para mais uma noite de sono. A Cosmopolitan listou alguns motivos científicos que comprovam que dormir nu é bom para você. Parece brincadeira, mas não é: dormir do jeito que você veio ao mundo é saudável e emagrece.
1. Você vai dormir melhor
Enquanto dormimos, nossa frequência cardíaca cai, diminuindo a temperatura do corpo. Dormir de pijama pode atrapalhar esse processo natural e interferir em seu sono - afinal você fica mais quente do que o natural. Muitos casos de insônia estão ligados à temperatura corporal.
2. Você vai se sentir mais atraente
A alta temperatura do corpo durante a noite interrompe a produção de melatonina e outros hormônios considerados de anti-envelhecimento. Isso faz você se sentir menos atraente, afinal, são eles que deixam sua pele e seus cabelos saudáveis.
3. Você vai emagrecer
Dormir sem roupa melhora a qualidade do sono. Isso permite que os níveis de cortisol, um hormônio associado com o estresse, diminuam bastante, mantendo os níveis de energia e de fome sob controle - quem nunca sentiu mais fome quando estava nervoso? Quando o sono é interrompido (talvez por um pijama desconfortável), os níveis de cortisol disparam. Por essa razão muita gente acorda com fome.
4. Você vai fazer mais sexo
“Dormir nu incentiva o sexo e deixa os relacionamentos mais felizes”, disse a endocrinologista especializada em equilíbrio hormonal, Jennifer Landa. Tudo está relacionado a ocitocina, um dos hormônios responsáveis pelo apetite sexual, que também é produzido durante o sono.
5. É muito mais fácil
Escolher um pijama, se vestir, depois ter que tirar. É trabalho demais pra uma noite de sono, convenhamos. Depois de um dia de trabalho, o melhor (e mais fácil) a se fazer é tomar um banho e cair na cama - sem pijamas.
Confira outros 7 body hacks para dormir melhor.
 

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades


10.5.2008
O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS
Tempo que foge!
[Ricardo Gondim]

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não vou mais a workshops onde se ensina como converter milhões usando uma fórmula de poucos pontos. Não quero que me convidem para eventos de um fim-de-semana com a proposta de abalar o milênio.
Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos parlamentares e regimentos internos. Não gosto de assembléias ordinárias em que as organizações procuram se proteger e perpetuar através de infindáveis detalhes organizacionais.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de “confrontação”, onde “tiramos fatos à limpo”. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário do coral.
Já não tenho tempo para debater vírgulas, detalhes gramaticais sutis, ou sobre as diferentes traduções da Bíblia. Não quero ficar explicando porque gosto da Nova Versão Internacional das Escrituras, só porque há um grupo que a considera herética. Minha resposta será curta e delicada: – Gosto, e ponto final! Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: “As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos.
Já não tenho tempo para ficar dando explicação aos medianos se estou ou não perdendo a fé, porque admiro a poesia do Chico Buarque e do Vinicius de Moraes; a voz da Maria Bethânia; os livros de Machado de Assis, Thomas Mann, Ernest Hemingway e José Lins do Rego.
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita para a “última hora”; não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja andar humildemente com Deus. Caminhar perto dessas pessoas nunca será perda de tempo.
Soli Deo Gloria.

Ricardo Gondim
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Versão resumida

O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS
Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui
para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas..
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam
poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir
assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar
da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo
de secretário geral do coral.
‘As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,
minha alma tem pressa…
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,
muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com
triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua
mortalidade,
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!

Ricardo Gondim
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