quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

À luz da teoria Gestalt

Nova publicação em Psicologia

“O que fizemos (continuamos a fazer) das crianças que um dia fomos?”

by psicomarcosmarinho

À luz da teoria Gestalt, o psicólogo Walter Ribeiro lança livro acerca do desenvolvimento infantil e interações com o outro.

capaEspecializado em Gestalt Terapia, o psicólogo Walter Ribeiro lançará, em Brasília, livro que aborda a deterioração da infância a partir das interações com o social. O evento de lançamento do título “O que fizemos (continuamos a fazer) das crianças que um dia fomos?” acontecerá no próximo dia 13 de março, a partir das 18:30, na Livraria Sebinho, em Brasília.
À luz da teoria Gestalt, o autor realiza uma observação do processo de desvio do natural desenvolvimento infantil a partir da imposição de regras e costumes pré-estabelecidos. De acordo com o livro, a partir dos três anos a criança é “forçada a abandonar a pureza de sua forma em se relacionar com os outros e incluir no seu comportamento as normas e valores de sua tribo”.
O psicólogo Walter Ribeiro é um dos pioneiros da Gestalt Terapia no Brasil, responsável por trazer a abordagem para Brasília. “A gestalt é, em si, uma filosofia. Ela vai buscar força em si mesma”, disse Ribeiro, em entrevista ao jornal Correio Braziliense, em 2010.  Na ocasião, ele destacou que a diferença da terapia Gestalt é que o outro não é tratado como um inferior, como um doente, mas como igual. Segundo ele, foi implantado pela civilização, há séculos, um sistema hierárquico de convivência. “Nós achamos que esse sistema é responsável pela maior parte dos distúrbios e desajustes da pessoa”, disse.
Walter Ribeiro foi fundador do CEGEST – Centro de Estudos de Gestalt Terapia de Brasília - em 1984. É membro do Conselho Diretor do CEGEST e docente dos cursos de especialização.
O livro é publicado pela Editora Thesaurus.
Serviço:
Lançamento do livro “O que fizemos (continuamos a fazer) das crianças que um dia fomos?”
Autor: Walter Ribeiro
Data/hora: 13 de março, a partir das 18:30
Local: Livraria Sebinho – Cln 406, Bloco C, s/n, Lojas 30/34/44/72 – Asa Norte, Brasília – DF
psicomarcosmarinho | 19/02/2015 às 16:55 | Tags: gestalt, psicologia | Categorias: psicologia | URL: http://wp.me/p2NsmY-o8

os ataques à Petrobrás

Carlos Antonio Fragoso Guimarães
Compartilhada publicamente13:13
 
Luis Fernando Veríssimo e Diogo Santos refletem os ataques à Petrobrás sob a ótica do contexto maior: a velha guerra pelo seu controle e seu petróleo
"Do ponto de vista da eternidade nada do que está sendo revelado, em capítulos diários, sobre o propinato na Petrobras e os partidos políticos que beneficiou deixa de ser grave, mas é impossível não ver o cerco à estatal do petróleo no contexto maior da vel...
 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Luis Fernando Veríssimo e Diogo Santos refletem sobre os ataques à Petrobrás sob a ótica do contexto maior: a velha guerra pelo seu controle e seu petróleo

"Do ponto de vista da eternidade nada do que está sendo revelado, em capítulos diários, sobre o propinato na Petrobras e os partidos políticos que beneficiou deixa de ser grave, mas é impossível não ver o cerco à estatal do petróleo no contexto maior da velha guerra pelo seu controle, que já dura quase 70 anos, desde que a Petrobras venceu a primeira batalha, a que lhe permitiu simplesmente existir, quando diziam que nunca se encontraria petróleo no Brasil."

Luis Fernando Veríssimo

  "A campanha contra a Petrobras levada à frente pelo bloco conservador brasileiro é, neste contexto, absolutamente funcional aos interesses das petroleiras ocidentais estrangeiras. Mais do que enfraquecer a Petrobras, esta campanha objetiva retirar do Brasil o controle sobre seu próprio futuro, como várias vezes vimos acontecer na história da estatal e na história do país".
Diogo Santos
Seguem dois textos sobre os interesses por trás do massacre midiático contra a Petrobrás:

O Contexto Maior

Luis Fernando Veríssimo
  Recomenda-se a desiludidos com a atualidade em geral e com o PT em particular a procurar refugio no contexto maior. O contexto maior não absolve, exatamente, o contexto imediato, a triste realidade de revelações e escândalos de todos os dias, mas consola. Nossa inspiração deve ser o historiador francês Fernand Braudel, que — principalmente no seu monumental estudo sobre as civilizações do Mediterrâneo — ensinou que, para se entender a Historia, é preciso concentrar-se no que ele chamava de la longue durée, que é outro nome para o contexto maior. Braudel partia do particular e do individual para o social e daí para o nacional e o generacional, se é que existe a palavra, e na sua história da região, o indivíduo e seu cotidiano eram reduzidos a “poeira” (palavra dele também, que incluía até papas e reis) em contraste com a longue durée, o longo prazo da história verdadeira. Assim na sua obra se encontram as minúcias da vida diária nos países do Mediterrâneo mas compreendidas sub specie aeternitatis, do ponto de vista da eternidade, que é o contexto maior pedante.
  Do ponto de vista da eternidade nada do que está sendo revelado, em capítulos diários, sobre o propinato na Petrobras e os partidos políticos que beneficiou deixa de ser grave, mas é impossível não ver o cerco à estatal do petróleo no contexto maior da velha guerra pelo seu controle, que já dura quase 70 anos, desde que a Petrobras venceu a primeira batalha, a que lhe permitiu simplesmente existir, quando diziam que nunca se encontraria petróleo no Brasil. Mais do que em qualquer outra frente de confronto entre conservadores e progressistas e direita e esquerda no Brasil, na luta pela Petrobras, e por tudo que ela simboliza além da exploração de uma riqueza nacional, se definem os lados com nitidez. A punição dos responsáveis pelos desvios que enfraqueceram a estatal deve ser exemplar e todos os partidos beneficiados que se expliquem como puderem, mas que se pense sempre no contexto maior, no qual a sobrevivência da estatal como estatal, purgada pelo escândalo, é vital.
  Fernand Braudel viveu e lecionou no Brasil. Não conheço nenhum texto dele sobre sua experiência brasileira. Seria interessante saber como ele descreveria, ou preveria, hoje, a longue durée da nossa História. O que significaria, na sua avaliação, o longo dia no poder do PT? O contexto maior tudo perdoaria ou tudo justificaria? Enfim, o contexto maior de todos é o Universo, que, no fim, engole todos os significados. O que também não é um consolo...

Importância do Pré-Sal (e da Petrobrás) na Geopolítica do Petróleo

Diogo Santos


  O Brasil vive um período de repactuação entre o capital público e as frações capital privado em relação aos seus diferentes papéis no próximo ciclo de crescimento da economia brasileira. Garantir a indispensável participação do capital público é tarefa que deve unificar todos os setores avançados da nação. A unidade se torna imprescindível quando do outro lado estão interesses sensíveis do Imperialismo, como é o caso do petróleo na camada pré-sal.
  Ignácio Rangel, ilustre pensador brasileiro e certamente o mais original entre nossos grandes economistas, escreveu que o setor público e o setor privado devem repactuar suas respectivas participações na economia sempre que as oportunidades de investimentos de um ciclo econômico estão se esgotando. Nas superiores palavras de Rangel:
“Quer isso dizer que a lua-de-mel entre o setor privado e o setor público da economia dura enquanto, por um lado, o empresariado capitalista considera suficientes as oportunidades de investimentos que lhe são abertas e enquanto as responsabilidades deixadas ao Estado não exigem dele que tente aumentar demasiado sua participação no dividendo nacional. Periodicamente, esse equilíbrio se rompe, tornando necessária uma redistribuição de funções, e essa ruptura de equilíbrio se manifesta por uma série de perturbações – notadamente, ao longo do processo de industrialização, o recrudescimento do processo inflacionário, o qual supõe […] precisamente o esgotamento das oportunidades de investimento para o empresariado capitalista.”

  No Brasil, vivemos este período nos anos recentes. A campanha eleitoral catalisou a disputa em torno da decisão de quem dará as cartas na próxima rodada de crescimento econômico. Após o segundo turno, a definição da equipe econômica do próximo governo Dilma foi o capítulo mais aguardado, pois sua composição sinalizaria qual pacto o governo pretende fazer com as frações financeira e produtiva do capital.
  A realização dos contratos de investimentos no setor de logística foi um momento importante desta repactuação entre o capital público e o privado. A adoção do modelo de concessão reforça a presença de um Estado menos subserviente às imposições do capital privado. Do outro lado da corda, as empresas pressionaram para aumentar o retorno mínimo dos contratos. O tempo gasto além do esperado para destravá-los releva certamente as inescapáveis rodadas de pressão de ambos os lados.
  O capítulo mais importante, entretanto, da definição de papéis entre o público e o privado se deu em torno do modelo de exploração do pré-sal. O regime de partilha é uma grande conquista para uma nação cuja soberania ainda está em construção. Não por acaso, ainda hoje encontramos os porta-vozes locais de interesses estrangeiros defendendo o retorno ao modelo anterior, no fundo, por discordarem do pacto proposto pelo Estado brasileiro.
  Poucos temas estão tão imbricados com os interesses das potências hegemônicas do capitalismo como o controle sobre a produção mundial do petróleo. A relevância do pré-sal para as petroleiras tradicionais deriva de sua magnitude, mas é reforçado pelos movimentos realizados no setor de energia, desde o início dos anos 2000, por dois grandes países em desenvolvimento: Rússia e China.
  A Rússia viveu durante a década de 1990 a formação de uma plutocracia durante governo antinacional de Yeltin, patrocinada pelo Estado, que levou a graves prejuízos para a indústria do petróleo russa. O conluio entre governo e banqueiros fatiou e distribuiu as recém-criadas empresas para privatização. Um dos mecanismos utilizados foram os empréstimos tomados pelo governo que tinham como garantias as ações das empresas ainda não privatizadas. Caso o governo não pagasse o empréstimo o banco colocava as ações em leilão. O governo não pagava, os leilões eram de fachada e os bancos se tornavam proprietários das ações. A empresa Yukos, por exemplo, foi adquirida por US$390 milhões, avaliada em seguida com o valor de US$15 bilhões. Uma das consequências deste verdadeiro saque ao patrimônio do povo russo foi que em 1996, a produção de petróleo foi de apenas 60% do valor recorde do ano de 1987.
  A partir do primeiro governo Putin, a Rússia percorreu um caminho de retomada do controle público sobre o estratégico setor de petróleo e gás como parte da retomada de um projeto de desenvolvimento nacional. O governo alterou o regime de tributação e conseguiu aumentar as receitas oriundas do setor; o BC russo adotou mecanismos para que grande parte das receitas das empresas permanecesse na Rússia; e a estatal do petróleo, a Rosneft, e a estatal do gás, a Gazprom, passaram adquirir participação acionária e ativos das empresas vistas como estratégicas ou desconectadas dos interesses nacionais. Em poucos anos, a produção de petróleo voltou a crescer vigorosamente.
  O controle soberano da Rússia sobre a economia do petróleo e gás retira a capacidade das tradicionais petroleiras ocidentais, ancoradas nos respectivos Estados, de dominarem uma das maiores reservas do mundo. As reservas de outros países, consequentemente, se tornam ainda mais relevantes. Ao mesmo tempo, a determinada política russa de ampliação da produção e exportação de petróleo amplia a concorrência pelos mercados consumidores.
  A Rússia, todavia, ainda não se libertou da enorme dependência que sua economia possui do setor do petróleo, o que a torna vulnerável às pressões externas. E aqui é preciso fazer alguns comentários sobre a atual crise no preço do petróleo e seus impactos sobre a Rússia, mesmo que temporariamente nos afastemos do intento principal deste texto.
  De junho até dezembro deste ano o preço do barril do petróleo caiu 45%, chegando a estar abaixo dos US$60,00, menor valor desde 2009. A persistente crise economia mundial ainda vivida em todas as partes do mundo e a extração do petróleo de xisto dos EUA contribuíram para a oferta de petróleo exceder a demanda e assim derrubar o preço. Entretanto, a decisão da Opep, que comercializa cerca de 40% do petróleo vendido no mundo, de manter o volume de produção em um nível sabidamente muito acima da capacidade de consumo mundial foi o fator mais desestabilizador do preço da commodity.
  Ao que parece, esta postura da Opep – da Arábia Saudita em especial, pois outros membros como a Venezuela propuseram a redução da oferta para evitar o derretimento do preço – é uma tática de concorrência por meio de preço predatório. A Arábia Saudita é responsável por mais de 30% do total produzido pela Opep e possui o menor custo de produção de petróleo do mundo, o que lhe dá um grande poder de suportar preços baixos. Com o preço do barril acima de US$70,00, muitos projetos de exploração de alto custo passariam a ser viáveis, o que ampliaria a concorrência. O banco Goldman Sachs avalia que muitos campos que estão na iminência de serem explorados se tornam inviáveis com os níveis atuais do preço do petróleo. As consequências serão atrasos de investimentos, necessidade de redução de custos, vendas de ativos e desvalorização das empresas que operam em campos que possuem custos elevados. A disposição da Opep de não intervir na queda do preço e deixar entender que permitirá uma queda ainda maior, manifesta esta tática de concorrência predatória.
  A Rússia que até então vinha enfrentando razoavelmente o impacto das sanções econômicas impostas pelos EUA e UE, tomou um grande golpe com a queda do preço do petróleo nos últimos meses. A fuga de capitais decorrente das sanções se intensificaram com a queda do preço. Em novembro o BC, que já vinha aumentando a taxa básica de juros, passou adotar o regime de câmbio flutuante. Somente no dia 15 de dezembro, a moeda russa perdeu 10% de valor frente ao dólar. No dia 16, o BC decidiu elevar a taxa de juros de 10,5% para 17%, em uma forte medida de tentar estancar o processo de desvalorização do rublo.
  A desvalorização da moeda na intensidade que ocorreu pressionará para cima a taxa de inflação, diminuirá em grande medida a arrecadação do Estado com as receitas do setor do petróleo provocando um inevitável corte de gastos, desvalorizará as empresas com grande volume de dívidas denominadas em dólar, o que poderá levar a mais fuga de capitais e mais pressão sobre a taxa de câmbio. O aumento da taxa de juros, por sua vez, reforça um horizonte de recessão no próximo ano. No momento em que a Rússia enfrenta seu maior embate geopolítico em anos, o governo russo terá que lidar com repercussões negativas da grande desvalorização do rublo. Impossível não pensar na provável articulação entre Arábia Saudita e as potências ocidentais para derrubar o preço do petróleo e estrangular a Rússia.
 Voltando ao curso principal do texto, falemos do segundo país que também tem desempenhado um importante papel na última década com repercussões sobre a geopolítica do petróleo.
  A China vem adotando uma política decidida de construir sua segurança energética e ter a garantia de que seu processo de desenvolvimento não será bloqueado por escassez de petróleo. O país asiático já é o maior consumidor de energia do mundo, respondendo por 19% da demanda mundial e estudos tem apontado que se tornará o maior importador de petróleo nos próximos anos. Atualmente a China importa 59% de sua demanda de petróleo e derivados.
  Ciente de que não pode se tornar dependente dos países produtores de petróleo do Oriente Médio, devido à instabilidade interna destes países e sintonia com a política norte-americana, a China realiza grandes investimentos em várias partes do mundo. Turcomenistão, Cazaquistão, Uzbequistão, Egito, Equador, Venezuela, Canadá, Quênia e Uganda são países que possuem participação chinesa na exploração de petróleo de alguma maneira, seja via estatais chinesas, join ventures ou participações em empresas locais ou estrangeiras.
  Entre todos estes investimentos, destacam-se os feitos na África. A China tem feito investimentos em diversos setores naquele continente como em infraestrutura logística, construção de hospitais e escolas. Tem firmado parcerias de intercâmbio entre universidades chinesas e africanas, fornecido equipamentos militares e realizado perdão de dívidas de governos. Desde 2009, a China é o principal parceiro comercial da África.
  Esta forte e crescente presença da China na África já despertou o receio das grandes potências ocidentais que acusam a China de pretender colonizar a África. Na realidade, a China tem disponibilizado os recursos aos países africanos que sempre foram negados pelas instituições controladas pelos EUA como o Banco Mundial e o FMI. Ademais, a China não impõe aos países africanos as exigências que acompanham os pacotes de empréstimos destes órgãos. Sem desconsiderar as precauções que os países africanos devem tomar para aproveitar a presença chinesa para seu desenvolvimento, a desfaçatez desta crítica feita pelo ocidente à China através da Imprensa alinhada, Secretários de Relações Exteriores dos diversos países e representantes na África, desnuda a situação de uma civilização que tem ficado com cada vez menos alternativas para enfrentar o potente modelo econômico construído na China desde a Revolução liderada pelo Partido Comunista. Todas estas décadas de benevolência do Ocidente com a África, só lhe rendeu mazelas sociais e fotografias de alguma estrela de Hollywood com suas crianças.
  No setor do petróleo, a presença chinesa na África é solidamente crescente. O Sudão é atualmente o terceiro maior produtor de petróleo da África devido ao volume de investimentos feitos pela China através das estatais CNPC e Sinopec. O país produzia em 2000, 174 mil barris de petróleo por dia e passou a produzir em 2010, 486 mil. A China é a maior fonte de investimento direto externo do país. Na Nigéria e Angola, o primeiro e o segundo maiores produtores de petróleo da África respectivamente, a hegemonia das petroleiras Shell, ExxonMobil, Chevron Texaco, Total e BP foi quebrada pela gigante chinesa, CNOOC. Para se ter dimensão da presença da China na Angola, basta dizer que este país disputa com a Arábia Saudita a posição de principal origem das importações chinesas de petróleo. A CNOOC também atua na Guiné Equatorial que saltou sua produção de 91 mil para 274 mil b/d entre 2000 e 201o.
  O poder das estatais do petróleo chinesas é reforçado por estarem inseridas na estratégia nacional de desenvolvimento de seu país. Por um lado, podem ter um comportamento mais ousado, uma vez que não necessitam ser lucrativas isoladamente, o que lhes dá grande vantagem sobre as concorrentes privadas. Por outro lado, o governo chinês quando necessário reforça as ofertas feitas pelas empresas nas licitações de licenças de exploração petróleo por meio da disponibilização de empréstimos nos bancos de desenvolvimento chineses aos países possuidores das reservas petrolíferas.
  No Brasil a presença chinesa não se restringe na participação da CNPC e da CNOOC no consórcio que venceu o leilão do campo de libra. Em 2005, a Sinopec participou da construção de um gasoduto entre o sudeste e nordeste brasileiros. Em 2009, assinou um importante contrato com a Petrobras, possibilitando que esta obtivesse um empréstimo de US$10 bilhões no Banco de desenvolvimento da China. Em 2010, após a descoberta do pré-sal, a Sinopec e a Sinochem passaram a adquirir ativos de outras empresas estrangeiras que atuam no Brasil.
  O cenário da ação chinesa no setor de petróleo traz a inescapável consequência de ampliar a concorrência e impor novos condicionantes à política adotada pelas petroleiras ocidentais tradicionais, além de restringir a participação destas empresas no maior mercado consumidor de petróleo do próximo período. Para as petroleiras ocidentais é imperativo que disputem com a China o direito de exploração das novas áreas. No pré-sal, os chineses saíram na frente.
  O contexto de maior competição mundial na indústria do petróleo faz do pré-sal uma reserva muito valiosa. O acirramento da concorrência intercapitalista impõe aos capitais individuais a necessidade de intensificarem a acumulação, o que torna as áreas abertas para valorização do capital cada vez mais disputadas.
 A campanha contra a Petrobras levada à frente pelo bloco conservador brasileiro é, neste contexto, absolutamente funcional aos interesses das petroleiras ocidentais estrangeiras. Mais do que enfraquecer a Petrobras, esta campanha objetiva retirar do Brasil o controle sobre seu próprio futuro, como várias vezes vimos acontecer na história da estatal e na história do país.
 Uma página a parte da ofensiva conservadora é a ação contra a Petrobras em curso na justiça dos EUA, que pode custar centenas de milhões de dólares à estatal brasileira, movida por um escritório de advocacia especializado na rapinagem.
 Esses escritórios se aproveitam de momentos de dificuldades das empresas, buscam alguma regra do mercado de capitais norte-americano que elas possam ter infringido, convocam os acionistas para abrirem o processo judicial e lucram milhões de dólares com a causa.
 O editorial do jornal O Globo que defende abertamente a revisão do modelo de partilha e a entrada das petroleiras ocidentais na exploração do pré-sal não fez mais do que explicitar a razão da campanha orquestrada contra a Petrobras: dilapidar a autoridade do PT, de Dilma e de Lula e desvalorizar a Petrobras a fim de inviabilizar a participação diferenciada da estatal na exploração do pré-sal.
 É da soberania brasileira que se trata o tema da exploração do pré-sal, portanto interessa a toda a nação. Diante do panorama de exacerbação da concorrência no mercado mundial de petróleo, a tentativa de enfraquecer a Petrobras e, portanto, a participação do capital público no pré-sal exige um grau de unidade dos setores nacionalistas e democráticos em um patamar elevado. Algumas iniciativas têm contribuído para gestar um programa político que lance as bases para esta unidade necessária. As frentes de defesa da Reforma Política Democrática como a Coalizão Democrática, o Encontro do Fórum Nacional de Democratização da Mídia marcado para os primeiros meses de 2015, a criação do Fórum21 e as plenárias conjuntas de partidos de esquerda, organizações sociais e centrais sindicais são exemplos destas iniciativas.
 O próximo ano vai se desenhando para os setores avançados da sociedade brasileira como o momento de exercitar e transformar em ação política mobilizadora as iniciativas citadas anteriormente. A defesa da exploração soberana do pré-sal será um bom teste.
 Diogo Santos é graduado em Economia pela UFMG, membro da Sessão Mineira da Fundação Maurício Grabois
Fonte: Carta Maior

Alienação ecológica

Carlos Antonio Fragoso Guimarães está em um círculo assinado por você. Mais informações
Carlos Antonio Fragoso Guimarães
Compartilhada publicamente11:29

Alienação ecológica, especulação imobliliária e capitalismo selvagem: São Paulo desmatou 79% das florestas que protegem mananciais hídricos. Reflexões sobre a escassez de água no Brasil.

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A água no mundo e sua escassez no Brasil

texto de Leonardo Boff

A atual situação de grave escassez de água potável, afetando boa parte do Sudeste brasileiro onde se situam as grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, nos obriga, como nunca antes, a repensar a questão da água e a desenvolver uma cultura do cuidado, acolitado por seus famosos erres (r): reduzir, reusar, reciclar, respeitar e reflorestar.
Nenhuma questão hoje é mais importante do que a da água. Dela depende a sobrevivência de toda a cadeia da vida e, consequentemente, de nosso próprio futuro. Ela pode ser motivo de guerra como de solidariedade social e cooperação entre os povos. Especialistas e grupos humanistas já sugeriram um pacto social mundial ao redor daquilo que é vital para todos: a água. Ao redor da água se criaria um consenso mínimo entre todos, povos e governos, em vista de um bem comum, nosso e do sistema-vida.
Independentemente das discussões que cercam o tema da água, podemos fazer uma afirmação segura e indiscutível: a água é um bem natural, vital, insubstituível e comum. Nenhum ser vivo, humano ou não humano, pode viver sem a água. A ONU no dia 21 de julho de 2010, aprovou esta resolução: “a água potável e segura e o saneamento básico constituem um direito humano esencial.
Consideremos rapidamente os dados básicos sobre a água no planeta Terra: ela já existe há 500 milhões de anos; 97,5% das águas dos mares e dos oceanos são salgadas. Somente 2,5% são doces. Mais de 2/3 dessas águas doces encontram-se nas calotas polares e geleiras e no cume das montanhas (68,9%); quase todo o restante (29,9%) são águas subterrâneas. Sobram 0,9% nos pântanos e apenas 0,3% nos rios e lagos. Destes 0,3%, 70% se destina à irrigação na agricultura, 20% à indústria e restam apenas 10% destes 0,3% para uso humano e dessedentação dos animais.
Existe no planeta cerca de um bilhão e 360 milhões de km cúbicos de água. Se tomarmos toda a água dos aceanos, lagos, rios, aquíferos e calotas polares e a distribuissemos equitativamente sobre a superfície terrestre, a Terra ficaria mergulhada debaixo da água a três km de profundidade.
A renovação das águas é da ordem de 43 mil km cúbicos por ano, enquanto o consumo total é estimado em 6 mil km cúbicos por ano. Portanto, não há falta de água.
O problema é que se encontra desigualmente distribuída: 60% em apenas 9 países, enquanto 80 outros enfrentam escassez. Pouco menos de um bilhão de pessoas consome 86% da água existente enquanto para 1,4 bilhões é insuficiente (em 2020 serão três bilhões) e para dois bilhões, não é tratada, o que gera 85% das doenças segundo OMS. Presume-se que em 2032 cerca de 5 bilhões de pessoas serão afetadas pela escassez de água.
O Brasil é a potência natural das águas, com 12% de toda água doce do planeta perfazendo 5,4 trilhões de metros cúbicos. Mas é desigualmente distribuída: 72% na região amazônica, 16% no Centro-Oeste, 8% no Sul e no Sudeste e 4% no Nordeste. Apesar da abundância, não sabemos usar a água, pois 37% da tratada é desperdiçada, o que daria para abastecer toda a França,  a Bélgica, a Suíça e norte da Itália. É urgente, portanto, um novo padrão cultural em relação a esse bem tão essencial (cf.o estudo mais minucioso organizado pelo saudoso Aldo Rabouças, Aguas doces no Brasil: Escrituras, SP 2002).
Uma grande especialista em água que trabalha nos organismos da ONU sobre o tema, a canadense Maude Barlow, afirma em seu livro “Agua: pacto azul (2009): “A população global triplicou no seeculo XX mas o consumo da água aumentou sete vezes. Em 2050 quando teremos 3 bilhões de pessoas a mais, necessitaremos de 80% a mais de água somente para o uso humano; e não sabemos de onde ela virá”(17). Esse cenário é dramático, pois coloca claramente em xeque a sobrevivência da espécie humana e de grande parte dos seres vivos.
Há uma corrida mundial para privatização da água. Ai surgem grandes empresas multinacionais como as francesas Vivendi e Suez-Lyonnaise a alemã RWE, a inglesa Thames Water e a americana Bechtel. Criou-se um mercado das águas que envolve mais de 100 bilhões de dólares. Ai estão fortemente presentes na comercialização de água mineral a Nestlé e a Coca-Cola que estão buscando comprar fontes de água por toda a parte no mundo, inclusive no Brasil.
Mas há também fortes reações das populações como ocorreu no ano 2000 em Cochabamba na Bolivia. A empresa america Bechtel comprou as águas e elevou os preços a 35%. A reação organizada da população botou a empresa para correr do país.
O grande debate hoje se trava nestes termosA água é fonte de vida ou fonte de lucro? A água é um bem natural, vital, comum e insubstituível ou um bem econômico a ser tratado como recurso hídrico e posto à venda no mercado?
Ambas as dimensões não se excluem mas devem ser retamente relacionadas. Fundamentalmente a água pertence ao direito à vida, como insiste o grande especialista em águas Ricardo Petrella (O Manifesto da Agua, Vozes 2002). Nesse sentido, a água de beber, para uso na alimentação e para higiene pessoal e dessedentação dos animais deve ser gratuita.
Como porém ela é escassa e demanda uma complexa estrutura de captação, conservação, tratamento e distribuição, implica uma inegável dimensão econômica. Esta, entretanto, não deve prevalecer sobre a outra; ao contrário, deve torná-la acessível a todos e os ganhos devem respeitar a natureza comum, vital e insubstituivel da água. Mesmo os altos custos econômicos devem ser cobertos pelo Poder Publico.
Não há espaço para discutir as causas da atual seca. Remeto ao estudo do importante livro do cientista Antonio Donato  Nobre "O futuro climático da Amazônia”, lançado em meados de janeiro deste ano de 2015 em São Paulo, onde afirma que a mudança climática é um fato de ciência e de experiência. Adverte:”estamos indo para o matadouro”.
Uma fome zero mundial, prevista pelas Metas do Milênio, deve incluir a sede zero, pois não há alimento que possa existir e ser consumido sem a água.
A agua é vida, geradora de vida e um dos símbolos mais poderosos da natureza da Última Realidade. Sem a água não viveríamos.
Leonardo Boff é colunista do JBonline e escreveu Do iceberg à arca de Noé, Mar de Idéias, Rio, 2010.

Aldeia Oprimida

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Uma Aldeia Oprimida



Francimar Moreira

Não foi na idade média, e muito menos na era pré-histórica, que ela existiu. A opressão de que falamos atravessou os séculos e sobrevive reinando altaneira e com a mais absoluta desenvoltura, a despeito da revolução francesa, da Declaração Universal dos Direitos Humanos e de todas as lutas em que estiveram envolvidos bravos combatentes que deram a própria vida na tentativa de libertar o homem dos grilhões opressores.

Francimar Moreira
Francimar Moreira é ex-vereador de Imperatriz
Não foi implantada a ferro e fogo nem sustentada a baionetas ou câmaras de torturas, como é comum acontecer, apesar de conviver com fogo e chumbo. A maldita, à qual nos referimos, é fruto de uma histórica e longeva dominação que tem na ignorância e covardia dos que se deixam dominar e na absoluta ausência de escrúpulos dos vilões opressores, o amálgama que alimenta, ampara e robustece a malfazeja.

Não foi por falta de aviso ou denúncia, porquanto não somente o padre Antonio Vieira – um dos mais argutos e festejados homens que habitaram essa Aldeia – denunciou reiteradamente, com destemor e determinação, os horrores de seu tempo, como Jesus Cristo, o mensageiro-mor da fraternidade, em uma sábia e antológica advertência, proclamou: “Bando de víboras; que coam mosquitos, mas engolem elefantes!”.

Não foi por falta de indignação e rebeldia, visto que muitos já manifestaram o seu mais firme e contundente repúdio, e até pegaram em armas, na tentativa vã de remover essa vilania que oprime a Aldeia e mantém escravizados alguns milhões de seres humanos. Faltou, sim, infelizmente, que um número maior de pessoas compreendesse a dimensão da sordidez e tivesse coragem moral de também se rebelar contra o seu caráter obsceno.

Não foi denunciado a contento?... Foi. Porquanto homens extraordinários arriscaram a própria vida, fazendo isso. Como foi o caso do admirável professor João Parsondas de Carvalho, que – rompendo distâncias na escuridão de noites taciturnas sobre o lombo de animais, em canoas, a pé e até nadando sobre as águas barrentas de rios caudalosos – enfrentou sacrifícios atrozes para denunciar a barbárie praticada no seu tempo.

Não houve tantas vítimas e rios de sangue derramado, em quantidade suficiente, para que o mundo inteiro fosse sensibilizado pela infâmia que de fato tem ocorrido nessa Aldeia aviltada? É certo que houve. Vítimas nunca faltaram. É só verificar o sofrimento do povo, ou ler as páginas d’A GUERRA DO LEDA – da lavra do fantástico Parsondas de Carvalho –, que serão encontrados relatos chocantes sobre as atrocidades praticadas naquela época.

Não foi falta de gritos e ranger de dentes, que ecoassem mundo afora, despertando os que vivem nos palácios, ou ser ouvidos pelos defensores de plantão da causa dos oprimidos? Não. Não foi isso. O próprio Parsondas de Carvalho, com maestria e coragem, descreveu sobre os gritos de crianças, mulheres e anciões desesperados, diante das atrocidades cometidas pelos capangas do governador-tirano, Benedito Leite.

Não faltou, então, um levante popular, uma revolução, ou mesmo um governo comprometido com a maioria do povo dessa Aldeia, que, de fato, governasse para todos?!... È lógico que faltou. Os sucessivos governos colocaram-se, reiteradamente, ao lado dos opressores e governaram para os aliados políticos, apoiadores e sócios. A maioria do povo apenas foi usada para legitimar o poder por meio do voto de cabresto.

Não existem nefastas consequências sociais e econômicas diante desse vilipêndio?... Os índices negativos, a alta concentração de renda, a pobreza extrema..., os pequenos e médios comerciantes apelando para o contrabando e produtos roubados, ou vendo seus meios de sobrevivência desaparecer, porque não têm como concorrer com os protegidos ou sócios dos chefes da Aldeia, falam por si. E por fim: “A violência filha da outra” – como diria Chico Buarque de Holanda –, é retroalimentada pelos vermes da iniquidade que reina.

Não existe esperança de mudar essa esdrúxula e humilhante situação que tanto sofrimento e vergonha causam aos habitantes dessa Aldeia? Existe, sim. Após séculos de submissão e barbárie, os detentores do direito de votar resolveram mudar a principal liderança do lugar. E esta, vencido 1/12 avos do primeiro ano de governo, não somente tem se havido com absoluta competência, como sinaliza que haverá novos tempos.

Não existe perigo de retrocesso? Ameaças sempre estarão rondando!... Mas o novo timoneiro da Aldeia compreendeu que se fazia necessário realizar mudanças que sinalizassem que as coisas tomariam novos rumos. Isso ocorrendo, os seus habitantes, esperançosos de que virá um novo tempo, encarregar-se-ão de formar o escudo protetor necessário para resistir às tentativas de golpes – qualquer que seja a sua natureza.

Não haverá conspiração, ainda que a médio ou longo prazo? Sim. Ela sempre existirá e já deve estar havendo. Os que se acostumaram sugar nas tetas da Aldeia não vão desistir facilmente de tentar tê-las novamente ao alcance da boca. No entanto, basta o novo comando criar a expectativa de que a maioria dos antes subjugados vislumbre a possibilidade de ver suas vidas melhorarem, para que o escudo protetor de que falamos se fortaleça e impossibilite que os conspiradores tenham sucesso em sua pretensão.

EGO: O ESTADO ATUAL DA HUMANIDADE -II

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EGO: O ESTADO ATUAL DA HUMANIDADE - A ILUSÃO DA PROPRIEDADE
CAPÍTULO DOIS - EGO: O ESTADO ATUAL DA HUMANIDADE 1.6 - A ILUSÃO DA PROPRIEDADE "Possuir" alguma coisa - o que isso quer dizer realmente? O que significa tornar alguma coisa "minha"? Se alguém parar no centro de uma grande cidade, apontar para um arranha-cé...
"Possuir" alguma coisa - o que isso quer dizer realmente? O que significa tornaralguma coisa "minha"? Se alguém parar no centro de uma grande cidade, apontar para um arranha-céu e disser: "Aquele prédio é meu. Sou o dono dele", ou

 CAPÍTULO DOIS - EGO: O ESTADO ATUAL DA HUMANIDADE
1.6 - A ILUSÃO DA PROPRIEDADE

"Possuir" alguma coisa - o que isso quer dizer realmente? O que significa tornaralguma coisa "minha"? Se alguém parar no centro de uma grande cidade, apontar para um arranha-céu e disser: "Aquele prédio é meu. Sou o dono dele", ou essa pessoa é muito rica, ou está se iludindo, ou é uma mentirosa. Em qualquer um desses casos, ela está contando uma história em que a forma de pensamento "eu" e a forma de pensamento "prédio" se fundem numa coisa só. É assim que o conceito mental de propriedade funciona. Se todo mundo confirmar sua história, é porque deve existir uma papelada assinada que ateste o motivo pelo qual todos concordam com isso. A pessoa é rica. Caso ninguém aceite sua afirmação, ela será mandada para um psiquiatra, pois ou está tendo alucinações ou é uma mentirosa compulsiva.
É importante reconhecer que a história e as formas de pensamento que a constituem, independentemente de todos concordarem com elas ou não, não têm nada a ver com quem a pessoa é. Ainda que a afirmação seja aceita, trata-se, no fim das contas, de uma ficção. Muitos indivíduos não compreendem isso até estarem no leito de morte e constatarem que nada que é exterior, nenhuma coisa, jamais correspondeu a quem eles são. Com a proximidade da morte, todo o conceito de propriedade acaba se revelando sem o menor sentido. Nos seus últimos momentos de vida, as pessoas também entendem que, embora tenham estado em busca de uma percepção mais completa do eu ao longo de toda a sua existência, o que elas estavam de fato procurando, seu Ser, na verdade sempre havia estado ali, mas fora obscurecido de modo significativo por sua identificação com as coisas, o que, em última análise, significa identificação com a mente.
"Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos Céus", disse Jesus. O que significa "humildes de espírito"? Nenhuma bagagem interior, nenhuma identificação. Nenhuma relação com coisas e com conceitos mentais que possuam uma percepção do eu. E o que é o "Reino dos Céus"? A simples, porém profunda, alegria do Ser que está presente quando abandonamos as identificações e nos tomamos "humildes de espírito".
É por isso que renunciar a todos os bens é uma prática espiritual antiga tanto no Oriente quanto no Ocidente. Desistir dos bens, porém, não nos libera automaticamente do ego. Ele tentará assegurar a própria sobrevivência encontrando alguma coisa com a qual se identificar - por exemplo, uma imagem mental da própria pessoa como alguém que superou todos os interesses pelos bens materiais e é, portanto, superior ou mais espiritualizada do que as outras. Há indivíduos que abrem mão de todas as posses, no entanto têm um ego maior do que alguns milionários. Se deixarmos de lado um tipo de identificação, o ego logo encontrará outra. No fim das contas, não importa ao que ele se apega desde que isso tenha uma identidade. Ser contra o consumismo ou não concordar com a propriedade privada seriam outras formas de pensamento, outras mentalidades, capazes de substituir a identificação com os bens. Por meio delas podemos nos considerar certos e classificar os outros como errados. Como veremos adiante, estabelecer uma divisão desse tipo é um dos principais padrões mentais egóicos, uma das maiores demonstrações de inconsciência. Em outras palavras, o conteúdo do ego pode mudar, todavia a estrutura mental que o mantém vivo não se altera.
Um dos pressupostos inconscientes é de que, ao nos identificarmos com algo por meio da ficção da propriedade, a aparente solidez e permanência desse objeto material endossará nossa percepção do eu com mais firmeza e constância. Isso se aplica sobretudo aos imóveis e ainda mais às terras, pois acreditamos que esses são os únicos bens que temos condições de possuir que não podem ser destruídos. O absurdo de termos alguma coisa torna-se ainda mais evidente no caso da terra. Na época da colonização da América do Norte, por exemplo, os nativos consideravam a propriedade da terra um conceito incompreensível. E, assim, eles a perderam quando os europeus os fizeram assinar folhas de papel, que eram igualmente incompreensíveis para sua cultura. Os indígenas sentiam que pertenciam a terra, mas ela não lhes pertencia.
O ego tende a equiparar ter com ser: eu tenho, portanto eu sou. E, quanto mais eu tenho, mais eu sou. Ele vive por meio da comparação. A maneira como os outros nos vêem nos transforma em como nos vemos. Se todas as pessoas vivessem em mansões ou fossem ricas, suas casas luxuosas e sua riqueza não serviriam mais para destacar sua percepção do eu. Alguém poderia então se mudar para uma cabana simples, renunciar à fortuna e recuperar uma identidade sendo ele mesmo e sendo considerado mais espiritualizado do que os outros. O modo como um indivíduo é visto pelos demais torna-se o espelho que lhe diz como e quem ele é. Na maioria das vezes, a percepção do ego sobre o valor pessoal está ligada ao valor que a pessoa tem aos olhos dos outros. Ela precisa que eles lhe dêem uma percepção do eu. Caso viva numa cultura que, em grande medida, equipara seu valor a quanto e ao que ela possui, é bom que seja capaz de detectar essa ilusão coletiva para não ser condenada a correr atrás de coisas pelo resto da vida na vã esperança de encontrar seu valor e satisfazer sua percepção do eu.
Você quer saber como se livrar do apego às coisas? Nem tente fazer isso. É impossível. Esse vínculo desaparece por si mesmo quando paramos de tentar nos encontrar nas coisas. Nesse meio-tempo, simplesmente tenha consciência de que está ligado a elas. Às vezes, você pode não saber que está vinculado a alguma coisa, quer dizer, identificado com ela, até perdê-la ou sentir a ameaça da perda. Depois disso, se você ficar aborrecido ou ansioso, é porque o apego existe. Caso esteja consciente de que está identificado com algo, a identificação não é mais total. "Eu sou a consciência que está consciente de que existe vínculo." Esse é o começo da transformação da consciência.
Eckhart Tolle, O Despertar De Uma Nova Consciência.

Alerta Vermelho

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Revista Galileu

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Estado Islâmico, terrorismo no Egito... organização prevê quais crises explodirão em 2015 http://ow.ly/JjkNw
Organização prevê quais crises explodirão em 2015
 
 

Alerta vermelho

19/02/2015 - 09H02/ atualizado 09H0202 / por Revista Galileu
O Council on Foreign Relations, organização norte-americana sem fins lucrativos dedicada à política internacional, resolveu dar uma de Mãe Dináh e divulgou uma previsão de quais conflitos podem ocorrer ainda este ano e qual seria a importância de cada um deles para os Estados Unidos. O estudo que resultou na previsão foi dividido em duas fases: primeiro foram feitas consultas públicas pela internet para recolher sugestões de possíveis embates, e depois as sugestões foram encaminhadas a um conselho de especialistas que indicou as 30 mais prováveis em ordem de importância para o governo norte-americano.
 (Foto: Revista Galileu)

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EGO: O ESTADO ATUAL DA HUMANIDADE - A IDENTIFICAÇÃO COM O CORPO
CAPÍTULO DOIS - EGO: O ESTADO ATUAL DA HUMANIDADE 1.8 - A IDENTIFICAÇÃO COM O CORPO Independentemente dos objetos, outra forma básica de identificação é com o próprio corpo. Em primeiro lugar, ele é masculino ou feminino - assim, o sentido de ser homem ou ...
Independentemente dos objetos, outra forma básica de identificação é com o próprio corpo. Em primeiro lugar, ele é masculino ou feminino - assim, o sentido de ser homem ou mulher adquire um papel significativo na percepção do eu da maioria das


EGO: O ESTADO ATUAL DA HUMANIDADE - A IDENTIFICAÇÃO COM O CORPO

CAPÍTULO DOIS - EGO: O ESTADO ATUAL DA HUMANIDADE
1.8 - A IDENTIFICAÇÃO COM O CORPO
Independentemente dos objetos, outra forma básica de identificação é com o próprio corpo. Em primeiro lugar, ele é masculino ou feminino - assim, o sentido de ser homem ou mulher adquire um papel significativo na percepção do eu da maioria das pessoas. O gênero torna-se uma identidade. A identificação com ele é estimulada na mais tenra idade e nos força a assumir um papel, a adotar padrões condicionados de comportamento que afetam todos os aspectos da nossa vida, e não apenas a sexualidade. Muitas pessoas ficam aprisionadas nesse papel, e isso ocorre com mais intensidade nas sociedades tradicionalistas do que no Ocidente, onde a identificação com o gênero está começando a diminuir um pouco. Em algumas culturas tradicionalistas, o pior destino que uma mulher pode ter é ser solteira ou estéril; no caso do homem, é não ter potência sexual e não ser capaz de gerar filhos. A plenitude da vida é entendida como a completa vivência da identidade sexual da pessoa.


No Ocidente, é a aparência do corpo que, em grande parte, contribui para a percepção de quem pensamos que somos: sua robustez ou debilidade, sua beleza ou feiúra em relação aos outros. Para um número significativo de pessoas, o sentimento de valor pessoal está intimamente ligado à sua força física, à sua boa aparência, a seu preparo físico. Muitos se sentem inferiorizados em seu valor pessoal por considerarem seu corpo feio ou imperfeito.
Em alguns casos, a imagem mental, ou o conceito, "meu corpo" apresenta uma completa distorção da realidade. Uma mulher jovem que seja muito magra pode se considerar gorda e, assim, deixar de comer. Ela já não consegue ver o próprio corpo, tudo o que "vê" é o conceito mental do seu corpo que lhe diz "eu sou gorda" ou "vou engordar". Na raiz desse problema está a identificação com a mente. Como as pessoas estão se tornando cada vez mais identificadas com a mente, o que corresponde à intensificação do distúrbio egóico, tem havido também um aumento impressionante no número de casos de anorexia nas últimas décadas. Se o indivíduo com essa disfunção alimentar pudesse observar o próprio corpo sem a interferência dos julgamentos da mente ou até mesmo reconhecê-los pelo que são em vez de acreditar neles - ou, melhor ainda, se conseguisse sentir o corpo internamente, isso daria início à sua cura.
Quem está identificado com sua boa aparência, sua força física ou suas habilidades sofre quando esses atributos começam a diminuir ou desaparecer, o que é um processo inevitável. Sua própria identidade, que era baseada nesses elementos, fica então sujeita à ameaça de um colapso. Em qualquer caso, feias ou bonitas, as pessoas extraem uma parte significativa da sua identidade, seja ela negativa, seja positiva, do próprio corpo. Para ser mais exato, obtêm sua identidade da percepção do eu, que, erroneamente, vinculam à imagem ou ao conceito mental do seu corpo, que, em última análise, não é mais do que uma forma física que compartilha o destino de todas as formas - impermanência e, por fim, desintegração.
Equiparar o corpo físico percebido pelos sentidos - que é destinado a envelhecer, definhar e morrer - ao eu sempre causa sofrimento, cedo ou tarde. Deixar de fazer essa identificação não quer dizer que estejamos negligenciando ou desprezando o corpo. Se ele for forte, bonito ou vigoroso, podemos aproveitar e valorizar essas qualidades - enquanto elas durarem. Podemos também melhorar nossa condição física por meio de uma nutrição correta e de exercícios físicos. Se não vincularmos o corpo a quem somos, quando a beleza desaparecer, o vigor diminuir ou nos tornarmos incapacitados fisicamente, isso não afetará nosso sentido de valor nem de identidade. Na verdade, quando o corpo começa a se enfraquecer, a dimensão informe, a luz da consciência, consegue brilhar mais facilmente através da forma que se extingue aos poucos.
Não são apenas as pessoas que têm um corpo bonito ou quase perfeito que apresentam maior probabilidade de associá-lo a quem elas são. Qualquer um pode simplesmente se identificar com um corpo "problemático" e tornar uma imperfeição física, uma doença ou uma incapacidade sua própria identidade. Essa pessoa então está sujeita a pensar e falar de si mesma como uma "sofredora" que porta essa ou aquela doença ou incapacidade crônica. Ela recebe uma grande atenção de médicos e de outros indivíduos que estão sempre confirmando sua identidade conceitual como sofredora ou paciente. Assim, de modo inconsciente, essa pessoa se prende à enfermidade porque esta se tornou a parte mais importante de quem ela acredita ser. Trata-se de outra forma de pensamento com a qual o ego consegue se identificar. Depois que ele encontra uma identidade, resiste em se dissociar dela. Embora seja incrível, mas não raro, o ego que está em busca de uma identidade mais forte é capaz de criar doenças só para se fortalecer com elas.
Eckhart Tolle, O Despertar De Uma Nova Consciência.

Não estamos sós em nós mesmos

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Polêmico? Depende...

Não estamos sós em nós mesmos.

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.....O corpo humano é composto por cerca de 100 trilhões de células e, apenas quase 10% são células genuinamente humanas......Os cientistas, por meio de suas últimas pesquisas, mostram que o número restante pertence aos reinos das bactérias, fungos, aracnídeos, entre outros organismos microscópicos que vivem em simbiose com o animal mamífero Homem.
..... A pessoa vulgar – senso comum – não percebe que é um ecossistema ambulante. Minúsculos ácaros (animais microscópios pluricelulares) vivem nos folículos dos cílios oculares e alimentam-se de células mortas da pele ao seu redor, evitando a contaminação do cristalino por material em decomposição, por exemplo. Vários tipos de fungos reinam na língua humana, nos dentes, na pele, no intestino e estômago, no ouvido interno e externo etc.
.....Constataram que vários vírus infectaram e infectam o Homem desde o Homem Pré-Histórico. Hoje, estes vírus já fazem parte da cadeia genética, compondo 8% do genoma humano. Tais vírus estão desativados, entretanto, fazem parte do sistema imunológico do Homem.
.....O corpo humano, como já afirmado, é composto por 100 trilhões de células, das quais cerca de 10 trilhões são células humanas e, cerca de 90 trilhões de micróbios, que em geral e regra, convivem em perfeita harmonia com o ser humano. Às vezes, tais micróbios entram em turbulência, como por exemplo, o vírus do Herpes ou Papiloma Vírus Humano (HPV), provocam o surgimento de feridas, ou quando usado antibióticos prejudicando o ecossistema estomacal, causando dor ou azia, por exemplo.
.....Os remédios usados matam muitos organismos além do focado e previsto. Matam os nocivos, causadores de mal-estar e doenças, mas também matam vários organismos benéficos como a bactéria Acrotobacillur Acidophilus - animal importantíssimo que contribui no processo de digestão e assimilação de nutrientes -, cuja ausência se faz perceber no conjunto simbiôntico.
.....Na maior parte do tempo, as pessoas não percebem e nem se conscientizam da presença desses vários organismos hospedeiros, cujos organismos fazem companhia, não as deixando nunca sozinhas...
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nível socioeconômico tem a ver com desempenho escolar?

nível socioeconômico tem a ver com desempenho escolar?

Afinal, o que nível socioeconômico tem a ver com desempenho escolar?

“É quase impossível garantir o mesmo nível de aprendizado para alunos de alto e baixo nível socioeconômico.”

A sentença acima contempla duas possíveis linhas de pensamento.
A primeira reconhece achados solidamente estabelecidos na pesquisa educacional que indicam clara associação estatística entre nível socioeconômico (NSE) e os mais diversos indicadores educacionais das pessoas. Desempenho, nível escolar alcançado, ocorrência de repetência e/ou abandono, tudo isso costuma estar relacionado com as condições socioeconômicas das pessoas.
A segunda linha de pensamento propõe que as diferenças educacionais entre indivíduos são uma função e uma necessidade emanada da estrutura social, de classes. Assim, somente seriam reduzidas severamente as diferenças educacionais por origem social quando as desigualdades sociais fossem igualmente reduzidas.
Ainda que tenham contribuído para alertar contra um certo “otimismo ingênuo” presente há algumas décadas, quanto ao papel redentor da educação, as teses que circularam, e circulam, nas principais vias conceituais da sociologia da educação, desenvolvidas a partir de matrizes como o casamento entre teoria social funcionalista francesa e marxismo, ou mesmo inspiradas por interpretações do Relatório Coleman, padecem da falta de demonstração empírica robusta.
nse
Afinal, há alguma lei férrea que afirme a indissociabilidade entre NSE e desempenho escolar? Essa associação – verificada em inúmeros estudos – se mantém estável ao longo da história? É invariável através dos contextos nacionais ou regionais? É imune a políticas deliberadamente dedicadas a reduzi-la? Apresenta redução diretamente explicável pela redução de desigualdades socioeconômicas?
A resposta a todas essas perguntas é não.

Nível Socioeconômico X Atributos Individuais

A “lei” da indissociabilidade entre NSE e desempenho/trajetória escolar enfrenta, desde sua origem, resistências e críticas severas, sobretudo pela pequena parcela da variação nos indicadores educacionais passíveis de serem explicados pelo NSE. Tudo bem que o NSE é usualmente o mais forte fator explicativo das diferenças educacionais, mas apenas quando desprezamos atributos individuais.
Dizendo de outra maneira: os modelos explicativos, por exemplo, do desempenho em testes educacionais padronizados apontam quase sempre o NSE como fator mais forte no condicionamento das diferenças entre estudantes. O problema é que eles deixam, também sempre, a maior parte da variação (algo em torno de 70%) inexplicado. Isso ocorre porque tais modelos não costumam incorporar medidas indicativas das capacidades dos indivíduos (capacidades sobretudo cognitivas), nem costumam contemplar alguma medida de base, bem precoce, desses estudantes testados.
Assim, o NSE se destaca na explicação porque faltam outras medidas, outras informações sobre as capacidades dos estudantes. O que acontece nos estudos em que tais informações individuais são incorporadas? O peso relativo do NSE desaba ou é bastante inferior aos atributos pessoais dos estudantes testados, que não podem ser reduzidos a variáveis socioeconômicas.

Equidade social na educação

Há boas demonstrações de que a força explicativa do NSE sobre as diferenças educacionais varia de sociedade para sociedade e também no tempo. A tendência é que sociedades que se tornam mais modernas e incluem parcelas crescentes de suas populações no acesso a sistemas escolares, que equalizam progressivamente a oferta escolar disponível a seus cidadãos, apresentem redução do peso do NSE e aumento do peso das capacidades individuais de seus membros na definição das oportunidades da vida.
Abaixo, vídeo feito para divulgação do estudo Excelência com Equidade, feito em 2012 pela Fundação Lemann e Itaú BBA.

Mesmo considerando essa tendência geral, a variação entre países ou mesmo entre regiões de um país, pode ser grande. Assim, o desempenho geral de um país ou região em testes educacionais, como o PISA, varia não apenas quanto à média que alcançam, mas também quanto à homogeneidade de seus resultados internos. Por exemplo, dois países de desempenho médio parecido no teste podem apresentar variações muito diferentes entre seus “melhores” e “piores” estudantes. Ambos, o desempenho médio e a variação (dispersão) entre os resultados individuais podem estar mais ou menos fortemente associados com o NSE. Alguns países costumam ser tomados como exemplo, dado que a variação no desempenho de seus alunos é fracamente associada ao NSE dos mesmos.
Ou seja, o NSE tende a enfraquecer seu peso no condicionamento das diferenças educacionais, à medida que sociedades ampliam e equalizam suas ofertas escolares. Isso varia no tempo e no espaço, o que significa que políticas educacionais distintas, além de alguns fatores culturais, são capazes de forjar um modelo de equidade social na educação, mas também podem preservar a força da origem social. Na prática a “lei de ferro” é fraca. Um modelo de sociedade justa, para os padrões ocidentais modernos, é aquele em que indivíduos têm suas oportunidades marcadas menos pelas diferenças de origem social e mais por seus atributos pessoais, em acréscimo a arranjos redistributivos que promovam a elevação do bem estar de todos. Nesse modelo, a educação escolar joga papel decisivo na abertura de leques de oportunidades aos indivíduos e na promoção de regimes de colaboração e coesão social compatíveis com nossos padrões civilizatórios.

Equidade/Qualidade em educação

Algumas iniciativas vão sendo experimentadas, na busca de fazer de sistemas escolares um certo contraponto a tendências iníquas das sociedades. A sentença que originou esse pequeno texto pede que se trate dessa questão, especialmente em países como o Brasil, onde a desigualdade de oportunidades escolares é intensa e, até onde sabemos, parece bastante afetada pela origem social dos indivíduos. Aliás, o Brasil pode ser usado como evidência de que não há uma linha direta entre redução de desigualdade socioeconômica – de renda e acesso a bens – e redução da desigualdade escolar. A desigualdade social no Brasil recente sofreu redução, mas essa não foi acompanhada de algo equivalente na educação.
Ao longo do século XX e até hoje, diferentes políticas foram sendo testadas, na tentativa de que as oportunidades promovidas pela escola sejam menos afetadas pela origem social de seu público. As chamadas políticas compensatórias procuram concentrar recursos em escolas e estudantes que, presume-se, sejam mais vulneráveis a condições sociais adversas. Políticas de distribuição de estudantes entre unidades educacionais que se contraponham a mecanismos seletivos de base socioeconômica (“loterias” de vagas, cotas) são outra linha possível que vem sendo tentada. Políticas atentas a aspectos de segregação residencial ou por outras características adscritas são igualmente observadas.
A busca de equacionamento do dilema equidade/qualidade em educação não permite referendar o determinismo representado pela frase que originou essas linhas. As evidências empíricas e o avanço conceitual dos estudos educacionais também não.

Marcio da Costa
Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense (1982), mestrado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1992) e doutorado em Sociologia pelo IUPERJ (1998). Atualmente é professor associado da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Coordenador do GT Educação e Sociedade da Sociedade Brasileira de Sociologia, desde 2004. Coordena grupo de pesquisa interinstitucional denominado "Estudo sobre os Determinantes Socioeconômicos, Raciais e Geográficos das Desigualdades no Sistema de Ensino". Integra grupo interinstitucional de pesquisa "Observatório das Metrópoles" e coordena Observatório Educação e Cidade (Edital INEP/CAPES 2010). Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Sociologia da Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: sociologia da educação, política educacional, teoria sociológica, avaliação de políticas públicas e avaliação educacional.