quarta-feira, 9 de julho de 2014

PSOL e seus velhos problemas

PSOL e seus velhos problemas

PSOL acumula velhos problemas

Por Rodrigo Martins, na revista CartaCapital:


Com apenas dez anos de existência, o PSOL chega à corrida eleitoral deste ano com uma barulhenta militância animada pelas manifestações de rua. O partido acaba de apresentar sua candidata à Presidência da República, a ex-deputada gaúcha Luciana Genro, de 43 anos, eleita por unanimidade na convenção nacional em 22 de junho. A imagem de uma legenda unida não está, contudo, estampada nas fotos do evento.

Algumas das principais lideranças não compareceram à festa, entre elas os deputados federais Jean Wyllys, Ivan Valente e Chico Alencar. O único senador do partido, Randolfe Rodrigues, também não deu as caras. E quem não prestou atenção ao noticiário político na semana anterior pode ter estranhado ainda mais a cena. O candidato não era justamente Rodrigues?

Era, mas o senador desistiu da candidatura nove dias antes da convenção. Justificou a debandada pela necessidade de dedicar-se à política no Amapá, por temer o retorno ao poder do grupo político ligado ao ex-presidente José Sarney. Não poupou, porém, críticas à direção do PSOL, a quem atribui o “equívoco” de abraçar a campanha #nãovaitercopa e “erros de avaliação” das demandas populares durante as jornadas de junho. Para complicar o cenário, a legenda deve seguir sozinha na disputa nacional. Não conseguiu fechar acordos com nenhum outro partido de esquerda. O PSTU e o PCB optaram pelo voo-solo.

Os desentendimentos locais também contribuem para dividir a militância. Em maio, o filósofo e colunista de CartaCapital Vladimir Safatle desistiu de concorrer ao governo de São Paulo. Sem alternativa, o partido optou por lançar o jornalista Gilberto Maringoni. No calor dos acontecimentos, Safatle não escondeu a insatisfação com a direção: “Não desisti, a candidatura foi abandonada”. Em carta aberta à militância, queixou-se da falta de estrutura e recursos. “Durante as várias vezes em que discuti a infraestrutura para a campanha, ouvi que 2% de votos estaria bom. Não penso assim, acho esse raciocínio completamente equivocado e, se pensasse dessa forma, não teria aceitado entrar no debate em torno da candidatura. Queria saber a quem interessa que o nosso partido continue pequeno.”

A despeito das ausências no lançamento da candidatura, Luciana Genro nega qualquer rusga ou divisão interna. “Houve um debate político acirrado, mas construímos uma unidade muito sólida. A ausência dos parlamentares na convenção não foi um sinal de desunião. Na verdade, não percebemos que isso poderia transmitir essa mensagem errada. Teremos um grande ato no Rio de Janeiro em 6 de julho, e lá estarão todos os parlamentares e demais lideranças.”

A presidenciável foi duas vezes deputada estadual no Rio Grande do Sul e deputada federal por outros dois mandatos. Filha do governador gaúcho Tarso Genro, do PT, ela aposta em uma ousada plataforma política, baseada na auditoria da dívida pública e uma ampla reforma do sistema tributário, incluída a taxação de grandes fortunas. A descriminalização da maconha, a legalização do aborto e a garantia dos direitos LGBT compõem os demais temas que a gaúcha pretende levar ao debate eleitoral. Segundo ela, é preciso vencer a hipocrisia e fazer um contraponto à onda conservadora que se alastra no País. “Sabemos que muitos deixarão de votar no PSOL por conta dessas posições, mas é preciso vencer os preconceitos e fazer as discussões necessárias.”

Ao desistir de concorrer à Presidência, Randolfe Rodrigues sugeriu ao PSOL lançar a candidatura de Marcelo Freixo, ex-deputado estadual do Rio de Janeiro. “Meu nome não conseguiu unir a esquerda, tampouco foi capaz de fazer frente ao avanço conservador no País. Precisávamos de um nome de peso, e o Freixo conseguiu ficar em segundo lugar na disputa pela prefeitura carioca”, afirma o senador. Esqueceu-se de combinar com os russos. Freixo recusou a oferta e disse estar mais interessado em ampliar a bancada estadual do partido.

Rodrigues sustenta ainda que o partido precisa fazer uma autocrítica. Primeiro, por ter abraçado a campanha contra a Copa. “Criticar os gastos abusivos com estádios ou a inversão de prioridades é correto, mas opor-se à uma festa que o povo ama é um tiro no pé”, sentencia. Além disso, reclama do “centralismo” e da “rígida hierarquia” existente no partido. “É um modelo de esquerda que remonta ao século XIX.”

Em resposta, Luciana Genro afirma que o PSOL jamais adotou o slogan #nãovaitercopa. “Em vez disso, o grande mote foi ‘Na Copa vai ter luta’. E isso está correto, como tirar a razão dos sem-teto ou dos metroviários que aproveitaram a exposição para reivindicar seus direitos? Essa crítica do Randolfe está absolutamente descontextualizada da prática do partido.” Ela não arrisca um palpite do porcentual de votos que pode obter. Na semana em que desistiu da candidatura, o senador do Amapá nem sequer conseguiu pontuar em uma pesquisa do Ibope. Ainda assim, a candidata aposta alto: “Hoje, temos três deputados federais. A expectativa é duplicar ou mesmo triplicar a bancada do PSOL na Câmara”.

Ao voltar-se para a política amapaense, especulou-se que Rodrigues pudesse lançar candidatura ao governo estadual. Ele mesmo admite ser remota a possibilidade, uma vez que a maioria dos partidos de esquerda fechou acordos locais para apoiar a reeleição de Camilo Capiberibe, do PSB. Mas pressiona o governador a liberar mais recursos para a prefeitura de Macapá, administrada pelo correligionário Clécio Luís, antes de declarar apoio. O acordo deve ser sacramentado após a assinatura de um convênio de 32 milhões de reais para obras de pavimentação na capital.

A corrupção da CBF

A corrupção da CBF

Romário: "A corrupção da CBF tem raízes em todos os clubes brasileiros"


Por Romário, publicado nas redes sociais: “Passado o luto das primeiras horas seguidas da derrota, vamos ao que verdadeiramente interessa! Quem tem boa memória, vai lembrar da minha frase: Fora de campo, já perdemos a Copa de goleada!
Infelizmente, dentro de campo, não foi diferente.
Ontem foi um dia muito triste para nosso futebol. Venceu o melhor e ninguém há de questionar a superioridade do futebol alemão já há alguns anos. Ainda assim, o mundo assistiu com perplexidade esta derrota, porque nem a Alemanha, no seu melhor otimismo, deve ter imaginado essa vitória histórica.
Porém, se puxarmos da memória, vamos lembrar que nossa seleção já não vinha apresentando nosso melhor futebol há muito tempo. Jogamos muito mal. Infelizmente, levamos sete e, por mais que isso cause mal-estar, devemos admitir que a chuva de gols foi apenas reflexo do pânico, da incapacidade de reação dos nossos jogadores e da falta de atitude do treinador de mudar o time.
Vivemos uma crise no nosso esporte mais amado, chegamos ao auge dela. Acha que isso é problema só dos jogadores ou do Felipão? Nem de longe.
Nosso futebol vem se deteriorando há anos, sendo sugado por cartolas que não têm talento para fazer sequer uma embaixadinha. Ficam dos seus camarotes de luxo nos estádios brindando os milhões que entram em suas contas. Um bando de ladrões, corruptos e quadrilheiros!
O meu sentimento é de revolta.
Estou há quatro anos pregando no deserto sobre os problemas da Confederação Brasileira de Futebol, uma instituição corrupta gerindo um patrimônio de altíssimo valor de mercado, usando nosso hino, nossa bandeira, nossas cores e, o mais importante, nosso material humano, nossos jogadores. Porque não se iludam, futebol é negócio, business, entretenimento e move rios de dinheiro. Nunca tive o apoio da presidenta do País, Dilma Rousseff, ou do ministro do Esporte, Aldo Rebelo. Que todos saibam: já pedi várias vezes uma intervenção política do Governo Federal no nosso futebol.
Em 2012, eu apresentei um pedido de CPI da CBF, baseado em um série de escândalos envolvendo a entidade, como o enriquecimento ilícito de dirigentes, corrupção, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e desvio de verba do patrocínio da empresa área TAM. O pedido está parado em alguma gaveta em Brasília há dois anos. Em questionamento ao presidente da Câmara dos Deputados, sr. Henrique Eduardo Alves, mas ouvi como resposta que este não era o melhor momento para se instalar esta CPI. Não concordei, mas respeitei a decisão. E agora, presidente, está na hora?
Exceto por um vexame como o de ontem, o Brasil não precisaria se envergonhar de uma derrota em campo, afinal, derrotas fazem parte do esporte. Mas vergonha mesmo devemos sentir de ter uma das gestões de futebol mais corruptas do mundo. A arrogância dessa entidade é tão grande que até o chefe da assessoria de imprensa chega ao absurdo de bater em um atleta de outra seleção, como fez o Rodrigo Paiva contra um jogador do Chile Pinilla. Paiva pegou quatro jogos de suspensão e foi proibido de acessar o vestiário dos jogadores. Este ato foi muito simbólico e diz muito sobre eles. O presidente da entidade, José Maria Marin, é ladrão de medalha, de energia, de terreno público e apoiador da ditadura. Marco Polo Del Nero, seu atual vice, recentemente foi detido, investigado e indiciado pela Polícia Federal por possíveis crimes contra o sistema financeiro, corrupção e formação de quadrilha. São esses que comandam o nosso futebol. Querem vergonha maior que essa?
Marin e Del Nero tinham que estar era na cadeia! Bando de vagabundos!!!
A corrupção da CBF tem raízes em todos os clubes brasileiros, vale lembrar que são as federações e clubes que elegem há anos o mesmo grupo de cartolas, com os mesmos métodos de gestão arcaicos e corruptos implementados por João Havelange e Ricardo Teixeira e mantidos por Marin e Del Nero. Vale lembrar, que estes dois últimos mudaram o estatuto da entidade e anteciparam a eleição da CBF para antes da Copa. Já prevendo uma possível derrota e a dificuldade que eles teriam de se manter no poder com um quadro desfavorável.
E os clubes? Sim, eles também são responsáveis por essa crise. Gestões fraudulentas, falta de investimento na base, na formação de atletas. Grandes clubes brasileiros estão falindo afogados em dívidas bilionárias com bancos e não pagamentos de impostos como INSS, FGTS e Receita Federal.
E toda essa má gestão que tem destruído o nosso futebol, infelizmente, tem sido respaldada há anos pelo Congresso Nacional com anistias e mais anistia destes débitos. Este ano tivemos mais um projeto desses vexatórios para salvar os clubes. Um projeto que previa que clubes pagassem apenas 10% de suas dívidas e investissem 90% restante em formação de atletas. Parece até deboche. Uma soma de aproximadamente R$ 4 bilhões ou muito mais, não se sabe ao certo. Corajosamente, o deputado Otávio Leite, reconstruiu o texto e apresentou uma proposta honesta estruturada em responsabilidade fiscal, parcelamento de dívidas e a criação de um fundo de iniciação esportiva, com obrigações claras para clubes e CBF.
Em resumo, a nova proposta além de constituir a Seleção Brasileira de Futebol e o Futebol Brasileiro como Patrimônio Cultural Imaterial – obrigava a CBF a contribuir com alíquota de 5% sobre as receitas de comercialização de produtos e serviços proveniente da atividade de Representação do Futebol Brasileiro nos âmbitos nacional e internacional. O tributo também incidiria sobre patrocínio, venda de direitos de transmissão de imagens dos jogos da seleção brasileira, vendas de apresentação em amistosos ou torneios para terceiros, bilheterias das partidas amistosas e royalties sobre produtos licenciados. O valor seria destinado a um fundo de iniciação esportiva para crianças e jovens de todo o Brasil. Esses e outros artigos dariam responsabilidade à CBF, punição à entidades e outros gestores do futebol, a CBF estaria sujeita a fiscalização do TCU e obrigada a ter participação de um conselho de atletas nas decisões.
Mas este texto infelizmente não foi para a frente. Sete deputados alemães fizeram os gols que desclassificaram nosso futebol e nos tirou a chance de moralizar nosso esporte. Estes deputados, como todos sabem, fazem parte da Bancada da CBF, mudei o nome porque Bancada da Bola é muito pejorativo para algo que amamos tanto. Gosto de dar os nomes: Rodrigo Maia (DEM -RJ), Guilherme Campos (PSD-SP), Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), José Rocha (PR-BA) , Vicente Cândido (PT-SP), Jovair Arantes (PTB-GO) e Valdivino de Oliveira (PSDB-GO).
Essa partida ainda pode ser revertida com a votação do projeto no Plenário da Câmara. Será que esses sete deputados voltarão a prejudicar o nosso futebol?
O futebol brasileiro tomou uma goleada e a derrota retumbante, infelizmente, não foi só em campo. Nem sequer tivemos o prazer de jogar no Maracanã, um templo do futebol mundial, reformado ao custo de mais de R$ 1 bilhão. Acha que foi porque não chegamos a final? Não. Poderíamos ter jogado qualquer outro jogo lá. A resposta disso é ganância e arrogância. É a CBF que escolhe onde o Brasil vai jogar, mas, obviamente, poderia ter tido interferência do Ministério do Esporte e da presidência da República, mas nenhum destes se manifestou. Quem levou com essas escolhas?
Para fechar com chave de ouro, a CBF expulsou do vestiário Cafú, capitão de seleção do pentacampeaonato. Cafú foi expulso do vestiário enquanto cumprimentava os jogadores ontem. Este é o retrato do nosso futebol hoje, não honramos a nossa história.
Dilma tem sim que entregar a taça para outra seleção. Este gesto será o retrato do valor que ela deu ao nosso futebol nos últimos anos! Eles levarão a taça e nós ficaremos com nossos estádios superfaturados e nenhum legado material, porque imaterial, mostramos para o mundo que com toda nossa dificuldade, somos um povo feliz”