domingo, 29 de junho de 2014

O futebol como religião

O futebol como religião

O futebol como religião secular mundial

by Leonardo Boff
        A presente Copa Mundial de Futebol que ora se realiza no Brasil, bem como outros grandes eventos futebolísticos, semelhante ao mercado, assumem características, próprias das religiões. Para milhões de pessoas o futebol, o esporte que possivelmente mais mobiliza no mundo, ocupou o lugar que comumente detinha a religião. Estudiosos da religião, somente para citar […]
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O futebol como religião secular mundial

28/06/2014
        A presente Copa Mundial de Futebol que ora se realiza no Brasil, bem como outros grandes eventos futebolísticos, semelhante ao mercado, assumem características, próprias das religiões. Para milhões de pessoas o futebol, o esporte que possivelmente mais mobiliza no mundo, ocupou o lugar que comumente detinha a religião. Estudiosos da religião, somente para citar dois importantes como Emile Durkheim e Lucien Goldmann, sustentam que “a religião não é um sistema de idéias; é antes um sistema de forças que mobilizam as pessoas até levá-las à mais alta exaltação”(Durckheim).
A fé vem sempre acoplada à religião. Esse mesmo clássico afirma em seu famoso “As formas elementares da vida religiosa: ”A fé é antes de tudo calor, vida, entusiasmo, exaltação de toda a atividade mental, transporte do indivíduo para além de si mesmo”(p.607). E conclui Lucien Goldamnn, sociólogo da religião e marxista pascalino:”crer é apostar que a vida e a história tem sentido; o absurdo existe mas ele não prevalece”.
Ora, se bem reparmos o futebol para muita gente preenche as características religiosas: fé, entusiasmo, calor, exaltação, um campo de força e uma permanente aposta de que seu time vai triunfar.
A espetacularização da abertura dos jogos lembra uma grande celebração religiosa, carregada de reverência, respeito, silêncio, seguido de ruidoso aplauso e gritos de entusiasmo. Ritualizações sofisticadas, com músicas e encenações das várias culturas presentes no país, apresentação de símbolos do futebol (estandartes e bandeiras), especialmente a taça que funciona como um verdadeiro cálice sagrado, um santo Graal buscado por todos. E há, valha o respeito, a bola que funciona como uma espécie de hóstia que é comungada por todos.
No futebol como na religião, tomemos a católica como referência, existem os onze apóstolos (Judas não conta) que são os onze jogadores, enviados para representar o país; os santos referenciais como Pelé, Garrincha, Beckenbauer e outros; existe outrossim um Papa que é o presidente da Fifa, dotado de poderes quase infalíveis. Vem cercado de cardeais que constituem a comissão técnica responsável pelo evento. Seguem os arcebispos e bispos que são os coordenadores nacionais da Copa. Em seguida aparece a casta sacerdotal dos treinadores, estes portadores de especial poder sacramental de colocar, confirmar e tirar jogadores. Depois emergem os diáconos que formam o corpo dos juízes, mestres-teólogos da ortodoxia, vale dizer, das regras do jogo e que fazem o trabalho concreto da condução da partida. Por fim vem os coroinhas, os bandeirinhas que ajudam os diáconos.
O desenrolar de uma partida suscita fenômenos que ocorrem também na religião: gritam-se jaculatórias (bordões), chora-se de comoção, fazem-se rezas, promessas divinas (o Felipe Scolari, treinador brasileiro, cumpriu a promessa de andar a pé uns vinte km até o santuário de Nossa Senhora do Caravaggio em Farroupilha caso vencesse a Copa como de fato venceu), figas e outros símbolos da diversidade religiosa brasileira. Santos fortes, orixás e energias do axé são aí evocadas e invocadas.
Existe até uma Santa Inquisição, o corpo técnico, cuja missão é zelar pela ortodoxia, dirimir conflitos de interpretação e eventualmente processar e punir jodadores, como Luiz Suarez, o uruguaio que mordeu um jogador italiano e até times inteiros.
Como nas religiões e igrejas existem ordens e congregações religiosas, assim há as “torcidas organizadas”. Elas tem seus ritos, seus cânticos e sua ética.
Há famílias inteiras que escolhem morar perto do Clube do time que funciona como uma verdadeira igreja, onde os fiéis se encontram e comungam seus sonhos. Tatuam o corpo com os símbolos do time; a criança nem acaba de nascer que a porta da encubadora já vem ornada com os símbolos do time, quer dizer, recebe já ai o batismo que jamais deve ser traído.
Considero razoável entender a fé como a formulou o grande filósofo e matemático cristão Blaise Pascal, como uma aposta: se aposta que Deus existe tem tudo a ganhar; se de fato não existe, não tem nada a perder. Então é melhor apostar de que exista. O torcedor vive de apostas (cuja expressão maior é a loteria esportiva) de que a sorte beneficiará o time ou de que algo, no último minuto do jogo, tudo pode virar e, por fim, ganhar por mais forte que for o adversário. Como na religião há pessoas referenciais, da mesma forma vale para os craques.
Na religião existe a doença do fanatismo, da intolerância e da violência contra outra expressão religiosa; o mesmo ocorre no futebol: grupos de um time agridem outros do time concorrente. Ônibus são apedrejados. E pode ocorrer verdadeiros crimes, de todos conhecidos, que torcidas organizadas e de fanáticos que podem ferir e até matar adversários de outro time concorrente.
Para muitos, o futebol virou uma cosmovisão, uma forma de entender o mundo e de dar sentido à vida. Alguns são sofredores quando seu time perde e eufóricos quando ganha .
Eu pessoalmente aprecio o futebol por uma simples razão: portador de quatro próteses nos joelhos e nos fêmures, jamais teria condições de fazer aquelas corridas e de levar aqueles trancos e quedas. Fazem o que jamais poderia fazer, sem cair aos pedaços. Há jogadores que são geniais artistas de criatividade e habilidade. Não sem razão, o maior filósofo do século XX, Martin Heidegger, não perdia um jogo importante, pois via, no futebol a concretização de sua filosofia: a contenda entre o Ser e o ente, se enfrentando, se negando, se compondo e constituindo o imprevisível jogo da vida, que todos jogamos.

Leonardo Boff escreveu “Ecologia,mundialização e espiritualidade”, Record 2009.

Copa do Mundo das áreas protegidas

Copa do Mundo das áreas protegidas
 
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Copa do Mundo das áreas protegidas: Costa Rica
Daniele Bragança - 28/06/14

A seleção costarriquenha de futebol é a grande surpresa da fase de classificação da Copa 2014. Pela segunda vez em sua história, a Costa Rica disputará as oitavas de final da competição de seleções da FIFA (a primeira vez foi em sua estreia, na Copa de 1990 - em 2002 e 2006 foi eliminada na fase de grupos) e, desta vez, chega com moral elevada, saindo da fase de grupos como 1ª colocada do chamado "grupo da morte": venceu as campeãs mundiais Uruguai e Itália e empatou com a Inglaterra.
No campo das áreas protegidas já faz bonito há muito tempo, com suas 64 áreas protegidas que protegem cerca de 20% do seu território.
O turismo é a principal atividade econômica de Costa Rica e a proteção de suas florestas o seu maior atrativo. O país tem 51.110 km² de território, sendo um pouco maior do que o estado do Espírito Santo (46.095,583 km²). Possui 29 parques nacionais e o restante é dividido entre reservas biológicas (4), naturais (1) e florestais (3), além de monumento natural (1), refúgio da vida silvestre (19) e Zona protetora (3). Há outras categorias de áreas protegidas, como zonas úmidas e a estação experimental horizonte, criada em 1989 para ser o local onde são desenvolvidos projetos de pesquisa no setor de silvicultura e restauração florestal.
A mais antiga área protegida do país é o Parque Nacional Vulcão Turrialba, criado em 1955, com 1256 hectares. O parque protege ecossistema de floresta tropical, de floresta úmida montanhosa e um pedaço de terreno baldio, no topo do Vulcão Turrialba.
A geomorfologia do Vulcão Turrialba forma um único sistema, juntamente com o Vulcão Irazú. Do vulcão Turrialba, é possível observar magníficas paisagens de vários pontos do topo e em um dia claro, privilegia seus visitantes com uma vista panorâmica das planícies do Caribe.
Além disso, a Costa Rica também tem o seu Corcovado. Não se trata do Cristo Redentor, mas de um Parque Nacional que abrange 45.757 hectares de terra e 5.375 hectares de mar. O parque preserva um dos poucos remanescentes de floresta tropical primária do mundo.
Foi criado em 24 de outubro de 1975 e é tão importante para a biodiversidade que a National Geographic o chamou de "o lugar mais intenso da Terra, biologicamente falando". O Parque Nacional de Corcovado é grande o suficiente para sustentar populações significativas de anta (Tapirus bairdii), onça-pintada (Panthera onca) e queixadas (Tayassu queixada), espécies que são consideradas ameaçadas de extinção, além de conter 140 espécies de mamíferos (que representa 10% das espécies de mamíferos nas Américas).
A lista completa das 64 áreas protegidas da Costa Rica se encontra no site do Sistema Nacional de Áreas de Conservação (SINAC), autarquia do Ministério de Ambiente, Energia e Telecomunicações da Costa Rica que cuida das áreas protegidas do país.
Veja abaixo algumas das figurinhas carimbadas das unidades de conservação de Costa Rica.
copa-protegida-costa-rica-01Parque Nacional de Corcovadocopa-protegida-costa-rica-02Parque Nacional Vulcão Turrialbacopa-protegida-costa-rica-03Parque Nacional Marino Las Baulascopa-protegida-costa-rica-04Parque Nacional Guanacastecopa-protegida-costa-rica-05Parque Nacional Barra Hondacopa-protegida-costa-rica-06Parque Nacional Cahuitacopa-protegida-costa-rica-08Parque Nacional Isla del Cococopa-protegida-costa-rica-071Parque Nacional Manuel Antonio
Se você quiser torcer para o Brasil neste campeonato de áreas protegidas, acesse o WikiParques e conheça mais sobre as unidades de conservação de nosso país. O WikiParques é um site interativo dedicado aos cidadãos que querem compartilhar seus conhecimentos, explorar e debater sobre nossos Parques Nacionais e áreas protegidas. Colabore para proteger.


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A direita nacional e internacional face ao Brasil

A direita nacional e internacional face ao Brasil

A direita nacional e internacional face ao Brasil está dando um tiro no próprio pé

by Leonardo Boff
Estou publicando este artigo do Governador do Rio Grande do Sul - Tarso Genro - considerado ninguém outro que o sociólogo eminente de Coimbra e de Austin (USA) Boaventura de Souza Santos como um dos maiores intelectuais do Grande Sul do Mundo. O título de sua reflexão não esse que dei acima.Ele é mais objetivo […]
Leonardo Boff | 29/06/2014 às 14:49 | Categorias: Ética, Ecologia, Economia, Outros Autores, Política | URL: http://wp.me/p1kGid-Ll
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A direita nacional e internacional face ao Brasil está dando um tiro no próprio pé

29/06/2014
 Tarso Tenro, Governador do Rio Grande do Sul
Arquivo
A revista Forbes publicou em maio deste ano que 5% do PIB brasileiro está nas mãos de quinze ilustres famílias, que detém um patrimônio de 269 bilhões de reais. Thomas Piketty, autor do “O Capital no Século 21″ – mencionado por Paul Krugman como provavelmente o mais importante livro de economia desta década – é autor de uma frase de uma obviedade alarmante nos dias que correm, mas que passa ter valor especial porque é formulada, não por um inimigo do capitalismo, mas por um insatisfeito com os seus rumos atuais: “os poucos que estão no topo  – diz Thomas – tendem a apropriar-se de uma grande parcela da riqueza nacional, à custa da classe média baixa” e que “isso já aconteceu no passado e pode voltar a acontecer no futuro”.
O remédio apontado pelo autor, um imposto global progressivo, vai precisamente contra a tendência autorizada pelas grandes agências financeiras, públicas e privadas, de importância no mundo, como se vê nas medidas em andamento nos países da União Europeia, que pretendem recuperar suas combalidas economias. Estudo recente, publicado pelo “El País” (22 jun. 2014), mostra 10% de queda nos gastos de alimentação da população espanhola no ano de 2013, o que atinge diretamente o consumo básico dos assalariados, aposentados e desempregados, que vivem da parca ajuda estatal.
No âmbito da crise, os índices de pobreza, já alarmantes, aumentaram gravemente  nos Estados Unidos, pois hoje já afetam 46 milhões de norte-americanos, maior cifra dos últimos 50 anos, que deve ser combinada com o aumento da renda dos 1% mais ricos, em 9%, nos últimos 35 anos. (“Página 12″, 23 jun.14, baseado em estudos do professor Abraham Lowenthal, emérito da Universidade do Sul da Califórnia). Os Estados Unidos, como se sabe, superam a União Europeia em desigualdade, pois nesta a maior concentração de renda está com 10% da população e nos EUA a maior concentração de renda, em termos relativos, está com 1% da população.
Cabe um comparativo latino-americano, para verificarmos como os diferentes países colocados na cena mundial globalizada, reagem perante os dissabores da atual crise do capital. Recentemente os nossos “especialistas” em desastres econômicos – sempre atentos aos interesses especulativos e manipulações políticas no mercado de ações -passaram a mostrar a genialidade da direita mexicana para lidar com o baixo crescimento e a pobreza. Quando se depararam com as estatísticas – a partir de 2003 a economia brasileira cresceu 45,44% e a economia mexicana, no mesmo período, cresceu 30,471% – o México desapareceu das suas colunas proféticas. Mormente porque ficaria chato revelar que a participação dos salários na renda nacional, no Brasil é de 45% e no México é de 29%.  Ou seja, o Brasil cresceu muito mais com menos desigualdade.
Esse rápido repasse na crise do capitalismo, presidido pela agenda neoliberal, serve para ilustrar a guerra de interpretações travada no meio intelectual, pelas redes e pelos órgãos de imprensa tradicional, entre as lideranças das mais diversas posições do espectro político. De um lado, estão os que entendem que a crise ocorre  porque todas as “reformas”, necessárias para o reinado completo do capital financeiro sobre a vida pública e sobre os estados (capturados pelas agências que  especulam com a dívida pública, para acumular sem trabalho) aquelas reformas, repito, não foram feitas pelos governos. Por isso, as baixas taxas de crescimento, o aumento da pobreza e do desemprego.
Num outro polo, os que, por diversos meios e com diversas gradações,  sustentam que a decomposição da socialdemocracia, em nome de um “ajuste” conservador e predatório dos direitos sociais  (com a renúncia de uma agenda socialista ou democrático-social verdadeira), significou a vitória dos valores dos que “estão no topo”, como diz Piketty. E que a pretensão verdadeira daquela agenda é desapropriar os direitos sociais, que vem sendo conquistados desde o Século 19, para conformar uma sociedade dos mais aptos, dirigida pelos mais fortes e mais ricos, capazes de se servir das grandes transformações tecnológicas, distribuindo migalhas de sobrevivência para a maioria da população, tendo como intermediária uma pequena e rica classe média, apartada nos seus condomínios ou pequenos bairros com segurança privada.
A campanha contra o Governo brasileiro e contra o Estado brasileiro, desencadeada pelos órgãos de imprensa e partidos políticos vinculados à primeira posição, no mundo inteiro,  passava a imagem de um país degradado na sua vida pública, com autoridades incapazes de acolher um evento como a Copa do Mundo, incompetentes para dar segurança às autoridades de fora do país e ineptos para a realização da própria competição. Esta campanha, no entanto,  não foi um mero mau humor da direita mundial. Foi nitidamente uma orquestração política de caráter estratégico  para desmoralizar um BRIC que, com seus avanços e recuos, com as suas vacilações e posições ousadas, já tinha demonstrado que é possível crescer, distribuir renda, cuidar da vida dos mais pobres e excluídos e, ainda,  exercer um papel político no cenário internacional,  com certa margem de autodeterminação e soberania, criticando o neoliberalismo com as “costas quentes”. À esquerda ultra-radical isso parece pouco, mas,  examinada a situação internacional e a própria fragilidade interna das bases políticas para desenvolver estas ações de resistência, convenhamos que é um feito extraordinária que nenhum governo, pelo mundo afora, conseguiu realizar com tal amplitude.
O mais grave é que os veículos de comunicação tradicionais do país, não só repassaram este pânico desmoralizante da nação e das suas instituições, como alimentaram com falsas informações os veículos externos. Trabalharam diretamente contra o Brasil, embora já ensaiem uma autocrítica oportunista, Não se tratou de mero equívoco, mas de parceria política, porque, para estes grupos, nunca se coloca como real a disjuntiva “Soberania X Dependência”, ou “Estado Social x Estado Mínimo”, ou “Cooperação Interdepende x Subordinação Dependente”, ou mesmo “Democracia x Autoritarismo”. Porque soberania, estado social, cooperação sem submissão, sempre apontam para mais democracia (não menos democracia), para mais participação das pessoas na política e na renda (não menos participação)  e as receitas europeias para resolver as crises são incompatíveis com tais conquistas da modernidade.
O traço material desta aliança e da campanha contra o Brasil é o interesse em ganhar dinheiro com a dívida pública, gerando instabilidade e desconfiança nos governos ou submetendo as nações a governos dóceis e à agenda da redução das funções públicas do Estado. A ideologia da aliança é o liberalismo econômico, ora ornamentado com traços de fascismo e intolerância, ora casado com a austeridade fiscal. Ela tanto pode arrastar as classes médias para os protestos, como atiçar o “lúmpen” para fazer quebradeiras de bens públicos e privados -principalmente bens públicos – assim esvaziando os movimento sociais e políticos de esquerda, que estão insatisfeitos, com justiça, com os limites que já bloqueiam o crescimento econômico e impedem  a melhoria da qualidade do serviços públicos nas áreas da saúde, transporte e segurança, principalmente nas grandes regiões metropolitanas. A repressão, então, por este mecanismo perverso de isolamento dos lutadores sociais, aparece legitimada para a maioria da sociedade, que não se identifica com a violência gratuita à margem da lei, aceitando uma violência do Estado, que julga “necessária”, mesmo que muitas vezes também à margem da lei.
Arrisco dizer que, diferentemente das crises clássicas do capitalismo – como na crise de 29 e  na crise “do petróleo” nos anos 70 – a crise atual se diferencia, enquanto crise política conjugada com a crise econômica,  por encontrar o capital com um grau organização mais complexo e sofisticado, sem aparência imediata, mas mais capaz de interferir rapidamente sobre os Estados, sem guerras extensivas e ocupações militares em todos os territórios de domínio. De um lado, há uma verdadeira “Internacional do Capital Financeiro”, com seus tentáculos internos na mídia e nos partidos tradicionais  -que já avança sobre os não tradicionais através do financiamento privado das campanhas eleitorais-  e, de outro, há uma visível fragmentação na estrutura material e espiritual das classes populares,  com a correspondente fragmentação dos seus movimentos e partidos.
Os bancos centrais dos países ricos, as agências privadas de risco, as instituições financeiras destinadas a especulação, juntamente com as grandes cadeias de comunicação globais, são organizados diretamente pelo dinheiro e apoiadas na reprodução ficta do dinheiro, com um manto ideológico e político que  carece de coerência programática, mas que se amplia no próprio movimento do dinheiro, como acumulação artificial incessante. Esta vai aparelhando e submetendo instituições, grupos e indivíduos, em todas as esferas da vida pública, assim tornando os próprios partidos liberais e neoliberais supérfluos, como inteligência política, constituindo-os como mera extensão e reprodução daquele movimento do dinheiro, promovendo a irrelevância das suas construções programáticas.
O surgimento de partidos de extrema direita e de caráter fascista em toda a Europa, com base de massas, também é uma agonia da política burguesa democrática em seu sentido clássico e, em termos humanos, imprime nestes  partidos o mesmo conteúdo ideológico de barbárie que move as atuais guerras de conquista territorial pelas fontes de energia fóssil: ambos os processos são inspiradas pelo espírito patriótico, ambos dependem de aplicação de doses maciças de violência para serem vitoriosos, ambos respaldam o poder dos mais fortes e mais decididos a dominar e vencer, ambos não tem a aniquilação da vida do outro como limite moral do seu projeto de poder.
Ao tentar desmoralizar o Brasil, sem qualquer rubor e apostando que a Copa fosse um festival de incompetência e violência generalizada, a direta conservadora e antidemocrática do país – associada material e ideologicamente ao capital financeiro e sua estrutura de poder internacional – mostrou mais uma vez que não conhece o Brasil. Nem o que tem de bom, produtivo e organizado, no Estado brasileiro. Não conhece o seu povo, porque não convive com as suas lutas nem compreende a sua linguagem, como demonstraram quando quiseram impedir o Prouni e o Bolsa-Família, por exemplo. Não conhecem o Estado Brasileiro, porque prestam atenção somente nas suas imperfeições e mazelas históricas, com os olhos de quem quer destruir o que ele tem de público para construir uma nação soberana, pautada pela Justiça e pela Liberdade.

"FERNÃO CAPELO GAIVOTA"

LUZ DO AMANHÃ
 
 
+Vania Mugnato de Vasconcelos  compartilhou originalmente :

♡ 
QUERO VIVER INSPIRADA EM
"FERNÃO CAPELO GAIVOTA" *

* personagem da obra de mesmo nome, de Richard Bach.

Há um clima estranho no ar e não sou a única a senti-lo. Há pessoas que estão entrando em processo de revolta, outras em amargura, outras indo na direção dos excessos materiais para sentir alguma coisa diferente, buscar algum sentido para viver. Não foi apenas uma pessoa que me disse sentir uma "tensão" no ar, ou que reclamou que Deus nada fez para despertar o homem nesses dias de dezembro, pois, neguem quanto quiserem, quase todo mundo esperou algo diferente como um sinal de que a humanidade mudaria: um sinal de novos tempos.

Querem saber o que sinto e penso? Sinto que vivemos uma calmaria antes de grande tempestade e que esse "ar" pesado que muitos tem sentido é a intuição de que precisamos rever valores com urgência. Nem todos percebem isso, quem está mais preocupado com a ceia de ano novo ou com a balada que virá depois, com os dias de férias na praia ou a concretização de algumas fantasias, não sente o que sinto eu e outros, pessoas que estão preocupadas com aspectos menos materiais, mais transcendentais da existência.

Tenho sentido tédio de estar aqui na Terra, queria viver um mundo onde eu não precisasse me preocupar primeiro em ter como pagar contas, comer e vestir, para depois pensar em quantas coisas queria ter oportunidade de fazer: estudar mais, viajar para conhecer outras culturas, debater conceitos não materialistas e não ser considerada louca ou fanática religiosa por isso. Queria não ter que passar metade do meu dia limpando casa, cozinha, fazendo comida, indo ao mercado, tudo para em 15 minutos saciar o corpo e em seguida ter que começar de novo. Isso não existe em mundos superiores e estou muito insatisfeita em viver na Terra como ela se apresenta, pois embora o tempo do mundo de regeneração planetária tenha chegado, para os homens ainda não chegou.

POR ISSO FALO DE MUDANÇA, divido minhas certezas de um amanhã melhor. Nunca duvidei de Deus, de sua sabedoria, justiça e amor e não será agora que começarei. Ele me dá o direito de questionar a vida, pois quem questiona saiu do bando (referência a Fernão Capelo Gaivota, que teve que sair para buscar novos objetivos para existir), a humanidade não parece perceber que somos escravos de alguns poucos que nos fazem pensar que felicidade é ter, não ser... aliás, "temam", fazem-nos crer os que nos dirigem, os que querem "ser", pois estão loucos, nada há além do que vemos, a vida é isso que podem tocar.

POUPEM-ME DESSA MENTIRA! É a maior mentira que vivemos em todos os tempos e por mais que digamos acreditar que assim não é, nos enganamos, por milênios absorvemos esse conceito do niilismo (redução ao nada após a morte) ou não teríamos tanto medo de morrer, não desejaríamos ficar aqui sem qualidade de vida, sem esforços para mudar, aceitando qualquer coisa como fosse o máximo, sem fazer o possível para partir da existência melhores por estarmos certos de que nosso futuro resulta do presente.

Estou cansadíssima desse mundo como está, mas continuarei existindo enquanto houver vida no meu corpo, o melhor e mais positivamente possível, para merecer o que virá depois. Cansei de tanta hipocrisia, tanta inversão de valores, tantas ridículas novidades que beiram a imoralidade e a falta de cultura... Música? lixo. Novelas? lixo. Filmes? lixo. Quem lê, quem estuda, que sai do bando ou tenta despertar os demais é ridicularizado. Não aceito mais ser parte cega de um bando limitado às necessidades físicas e terei que pagar o preço dessa escolha - preço que pago agora com o meu cansaço e tédio, enquanto acumulo energia para voar mais alto, assim como fez Fernão...

Sinto-me desse modo agora e não pensem que estou mal por isso, ao contrário, estou feliz e repleta de boas expectativas! Graças a Deus posso questionar, negar, criticar, sentir-me insatisfeita! Estou feliz por ter finalmente admitido de modo público e direto que que não quero ser igual a todo mundo, que não quero ter que fazer as mesmas coisas e por mais que as faça (pois há ritmos sociais necessários para a sobrevivência com qualidade, como trabalhar, estudar, comer, confraternizar, etc), não sou escrava disso, escolhi como quero viver!

AMO E CONFIO EM DEUS, e conhecendo Sua justiça penso que o ser humano é ingênuo em achar que DEUS fará qualquer coisas fora das leis que criou, perfeitas como perfeito Ele é, apenas para nos agradar, dar alegrias imerecidas, bonificar quando semeamos tanta injustiça, egoísmo, angústia, imoralidade, vida após vida. Não gosto de sofrer, não gosto de ver ninguém sofrendo, mas está na hora de todos saberem que não se colhe pêssegos em pé de chuchu. Vou à luta como tenho ido todos os dias, para dormir diferente do que acordei, pois jurei que não seria a mesma pessoa ao morrer, que era quando nasci. Prefiro dez mil vezes chorar por tentar ser melhor e receber paulada da vida em retorno, incompreendida, do que passar a vida tentando me adequar a um mundo de tantas almas ainda medíocres e cegas, tendo que um dia encarar minha consciência, às portas da morte, refletindo "desperdicei a oportunidade".

Não sou boa, não sou santa, não sou médium, não sei tudo, mas eu quero fazer diferença no mundo e só farei se eu MUDAR. E estou mudando, não aceito menos que isso de mim. Venha 2013, estou a esperá-lo cheia de energia e fé, para vencê-lo, pois 2012 eu já venci!

By Vania Mugnato de Vasconcelos

Professor Negreiros
 
E COMO EU GOSTARIA DE VÊ O MAIOR NUMERO DE PESSOAS VIVENDO SOB A INSPIRAÇÃO DE "FERNÃO CAPELO GAIVOTA" *

juiz diz que eleições no país são compradas: 'Pagou mais, levou'

Eu nunca tive duvida disso............Em livro sobre corrupção, juiz diz que eleições no país são compradas: 'Pagou mais, levou'



Imagem: Divulgação 
No pequeno povoado de Cocos, na zona rural de Benedito Leite (MA), um carente município de um dos mais pobres estados brasileiros, um convênio no valor de R$ 970 mil foi firmado em 2009 com a prefeitura local para a construção de uma pequena escola. Quatro anos depois, a construção, inacabada, ruiu.

O caso verídico é usado pelo juiz maranhense Márlon Reis como exemplo do poder nocivo da corrupção no processo eleitoral e suas nefastas consequências no exercício de mandatos eletivos. Membro do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral e um dos articuladores do projeto de autoria popular que resultou na Lei da Ficha Limpa, o magistrado compilou em livro o lado obscuro das campanhas eleitorais. 
Em "O Nobre Deputado - Relato chocante (e verdadeiro) de como nasce, cresce e se perpetua um corrupto na política brasileira", lançado nesta sexta-feira, 27, na Livraria Cultura, em São Paulo, o autor relata práticas nada republicanas do deputado Cândido Peçanha para chegar ao poder. 
O personagem é fictício, mas as práticas descritas por eles são reais. Foram relatadas ao autor por centenas de atores da política brasileira, entre eles detentores de mandato eletivo. "O trabalho de pesquisa foi enriquecido com a análise de provas colhidas em processos judiciais.
Reis realizou entrevistas em diversos Estados brasileiros e concluiu que há um padrão na adoção de certas práticas em todas as regiões do País. Entre suas fontes, cujas identidades ele preserva, há um senador. "Ele me explicou que o resultado de qualquer eleição brasileira já estava definido muito antes do encerramento da votação. Muito antes da abertura das urnas", relata Reis.
Segundo ele, as práticas descritas reduzem a nada a vontade do eleitor individual em uma eleição. "O que conta é a quantidade de dinheiro arrecadado para a campanha vencedora, que usa a verba num infalível esquema de compra de votos. Arrecadou mais, pagou mais. Pagou mais, levou. Simples assim".
O autor divide o livro em duas partes: a corrupção na arrecadação de dinheiro para as campanhas e as artimanhas para converter os recursos arrecadados em votos. 
A arrecadação de irregular de dinheiro, descreve, é feita por meio de doação não declarada de campanha, desvio de dinheiro de emendas parlamentares e convênios, licitações viciadas e agiotagem. A conversão se dá pela compra de apoio e de votos. 
Reis afirma que ouviu relatos em que deputados condicionam a liberação de emendas parlamentares à devolução de 75% do valor liberado. "O deputado propôs que o prefeito ficasse com os 25% restantes. Ou seja, o dinheiro dessa emenda seria literal e integralmente roubado", disse. 
Segundo o juiz, é comum um candidato receber dinheiro, não declarado, para a campanha sob a condição de pagar o valor em parcelas mensais, durante os quatro anos do mandato, com juros mensais que podem ser maiores que 20%. "Existe o agiota bom e o mau. O bom fica com o prejuízo quando o candidato não se elege. Mas o agiota mau cobra o dinheiro com ameaças e pode cometer crimes como sequestro e até assassinato".
O juiz relaciona ainda as eleições à prática de outros crimes. "Em anos de eleição há picos de ocorrências de assaltos a banco. Nos anos sem eleição a incidência é bem menor". 
Márlon Reis diz que sua proposta ao lançar o livro é expor para o grande público os crimes por trás das campanhas eleitorais e, com isso, combatê-las. O livro, no entanto, causou reações negativas na Câmara dos Deputados antes mesmo de seu lançamento. 
No dia 10 de junho, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves afirmou que iria entrar com uma representação no Conselho Nacional de Justiça contra o magistrado. Outros parlamentares também fizeram a mesma ameaça, mas ninguém havia efetivado até esta sexta-feira. 
"Escrevi o livro nas minhas horas vagas. O CNJ pode fiscalizar minha atuação como magistrado mas não tem poder sobre meu pensamento e minha atividade intelectual", disse o juiz. 
Valmar Hupsel Filho 
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política



Sr. Juiz, não basta só comprar… tem que saber comprar, senão, compra, mesmo pagando mais caro, mas não leva! Tem que ter a prova da transação para poder cobrar e chantagear! Se preciso for!! - Negreiros

RAUL 69 ANOS

RAUL 69 ANOS: entrevista com Sylvio Passos!




Hoje quero compartilhar com vocês uma entrevista concedida ao blog por Sylvio Passos, um cara muito bacana que foi amigo pessoal de Raul Seixas, seu ídolo, de quem vem mantendo viva a memória através de seu Raul Rock Club, o mais importante fã clube do cantor!


ENTREVISTA

Sylvio, estou muito honrado com essa entrevista e por isso quero agradecer muito a atenção que tem dispensado a mim e ao blog identidade85.com! Gostaria de fazer algumas perguntas, a princípio gerais, mas algumas outras que saem um pouco daquele roteiro de sempre. 

Raul sempre foi uma inspiração para mim – como disse a você, quando escrevia minha dissertação de Mestrado ele esteve muito presente... Mas, o assunto não sou eu, então vamos falar de RAUL SEIXAS!

1.    A princípio, gostaria que falasse um pouco da sua relação com Raulzito, como ela começou, onde e quando?

Resp: Nos conhecemos pessoalmente em 1981, fui na casa dele para mostrar o trabalho que vinha fazendo junto ao Raul Rock Club. Daquele dia em diante não nos desgrudamos mais. Nascia ali uma amizade que duraria até o fatídico 21 de agosto de 1989.

2.    Como explicaria a sempre forte presença de Raul, depois de todos esses anos, no cenário musical brasileiro?

Resp: Raul foi um artista completo, atuou em todos os setores da música brasileira e suas idéias atemporais justificam sua forte presença ainda hoje no cenário musical brasileiro.

3.    Gostaria de pedir a você que avaliasse, mesmo que brevemente, por favor, a importância do Raul para a sociedade brasileira e a crítica social, especialmente com as novas manifestações que vêm ocorrendo desde o ano passado, sobretudo agora com a Copa do Mundo em nosso país. Isso é possível?

Resp: Raul sempre olhou pro mundo e pras coisas do mundo com um olhar filosófico e tendo também como base a psicologia, a partir daí ficava muito mais fácil pra ele tecer qualquer crítica e/ou observações muito bem embasadas. 

4.    Bom, aproveitando que estamos lembrando o aniversário de 69 anos do Maluco Beleza no dia 28 de junho, outra coisa que quero que nos diga é a respeito do disco Krig-ha, Bandolo!, o primeiro disco solo de Raul Seixas. Ele também tá fazendo aniversário, completando suas quatro décadas. O que poderia dizer sobre a importância do mesmo?

Resp: Krig, Ha-Bandolo! está entre os discos mais importantes da Música Popular Brasileira. A importância é singular, tanto pelo texto como pela aceitação imediata, tanto da crítica como do público. Várias músicas do disco tocavam nas rádios e programas de TV na época de seu lançamento. Em resumo, o disco cabe muito bem como uma trilha sonora daqueles tempos de Ditadura Militar.

5.    Por último, estou sabendo de uns conteúdos que você vai lançar, que são inéditos: um box que resgata os álbuns de Raul Seixas lançados pela Gravado Eldorado entre 1983 e 1994 e os dois álbuns inéditos produzidos por você à partir de fitas K7 de seu acervo pessoal, apresentando registros ao vivo de Raulzito em 1974, no Cine Teatro Patrocínio, em Patrocínio/MG e o show de 1981 no II Festivas de Águas Claras (Iacanga) que também serão lançados em vinil. Esse material inédito de Raul, sobretudo, tem deixado muita gente curiosa. Quando será o lançamento?

Resp: O lançamento do Box com os CDs + DVD Brinde está previsto para 21 de agosto. Já as versões em LPs serão lançadas depois a cada 3 ou 4 meses.


Foto clássica dos dois

Sylvio vem trabalhando há dias em eventos em homenagem aos 69 anos de Raul, estando portanto bem ocupado, mas assim mesmo, nos concedeu esse bate-papo e também pelo Facebook nos brindou com mais uma sobre Raul:

Em agosto de 1989, alguns dias antes de Raul falecer, fui visita-lo em seu apartamento, como era de costume. Raul estava assistindo uma velha fita de Elvis. Ficamos ali no apartamento dele por horas assistindo Elvis em preto e branco requebrando na tela da TV. Durante todo aquele tempo, não trocamos uma única palavra. Silêncio. Não aquele silêncio constrangedor. Era aquele silêncio de cumplicidade.


Já quase no final da fita, olhei para o meu relógio e disse: Raul, tenho que ir. Quando eu estava saindo, já no corredor em direção ao elevador, Raul olhou por entre a fresta da porta e falou: "Sylvícola, essa foi a conversa mais importante que tivemos em toda nossa vida."


Eis a fita que viam na ocasião 
(foto de Sylvio Passos)

Sylvio Passos tem também uma banda, a Putos BRothers Band, acessem o site e conheçam!

putosbrothersband.wordpress.com

Quem vai indenizar as vítimas da mídia?

Quem vai indenizar as vítimas da mídia?

domingo, 29 de junho de 2014

Quem vai indenizar as vítimas da mídia?

Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:


Janio de Freitas, que pertence à esquálida cota de pensamento independente da Folha, nota em seu artigo deste domingo um contraste.

Uma pesquisa mundial do Gallup coloca os brasileiros como um povo essencialmente feliz e otimista. Na imprensa, e em pesquisas dos grandes institutos nacionais, o retrato é o oposto. Somos derrotados, miseráveis, atormentados.

Janio brinca no final dizendo se sentir cansado demais para explicar, ou tentar explicar, tamanha disparidade.

Não é fácil para ele se alongar nas razões, sobretudo porque a Folha é uma das centrais mais ativas de disseminação da visão de um Brasil horroroso.

A motivação básica por trás do país de sofredores cultivada pela imprensa é a esperança de que o leitor atribua tanta desgraça – coisas reais ou simplesmente imaginárias - ao governo.

Ponto.

É a imprensa num de seus papeis mais notáveis nos últimos anos: o terrorismo.

A Copa do Mundo foi um prato soberbo para este terrorismo. A imprensa decretou, antes da Copa, que o Brasil - ou melhor: o governo - daria um vexame internacional de proporções históricas.

Em vez do apocalipse anunciado, o que se viu imediatamente após o início da competição foi uma celebração multinacional, multicolorida, multirracial.

Turistas de todas as partes se encantaram com o Brasil e os brasileiros, e a imprensa internacional disse que esta era uma das melhores Copas da história, se não a melhor.

Note o seguinte: a responsabilidade por um eventual fracasso seria atribuída pela mídia ao governo. O sucesso real, pelo que se lê agora, tem vários pais, entre os quais não figura o governo.

O melhor artigo sobre o caso veio de uma colunista da Folha que se proclamou arrependida por ter ouvido o “mimimi” da imprensa.

Ela disse ter perdido a oportunidade de passar um mês desfrutando as delícias que só uma Copa é capaz de oferecer: viagens para ver jogos, confraternizações com gente de culturas diferentes e por aí vai.

É uma oportunidade única na vida - quando haverá outra Copa no Brasil - que ela perdeu por acreditar na imprensa.

Quem vai indenizá-la? O Jornal Nacional? A Veja? O Estadão? E a tantos outros brasileiros como ela vítimas do mesmo terrorismo?

Para coroar o espetáculo, o Jornal Nacional atribuiu a histeria pré-Copa à imprensa internacional.

Pausa para rir.

Mais honesto, infinitamente mais honesto, foi o colunista JR Guzzo, da Veja - o maior mestre que tive no jornalismo, a quem tenho uma gratidão eterna e por quem guardo uma admiração inamovível a despeito de nossas visões de mundo diferentes.

“É bobagem tentar esconder ou inventar desculpas: muito melhor dizer logo de cara que a imprensa de alcance nacional pecou, e pecou feio, ao prever durante meses seguidos que a Copa de 2014 ia ser um desastre sem limites”, escreveu Guzzo em seu artigo na Veja desta semana.

“Deu justamente o contrário”, continua Guzzo. “Os 600.000 visitantes estrangeiros acharam o Brasil o máximo e 24 horas depois de encerrado o primeiro jogo ninguém mais se lembrava dos horrores anunciados durante os últimos meses.”

Bem, não exatamente ninguém: o Jornal Nacional se lembrou. Não para fazer uma reflexão como a de Guzzo - mas para colocar a culpa nos gringos.

Recorro, ainda uma vez, e admitindo minha obsessão, a Wellington: quem acredita nisso acredita em tudo.

O JN parece achar que seus espectadores são completos idiotas.