sexta-feira, 23 de maio de 2014

Nossa escola não é ruim hoje, ela sempre foi ruim

Nossa escola não é ruim hoje, ela sempre foi ruim

"A razão da má escola não é a falta de tempo", diz professor da USP

Suellen Smosinski
Do UOL, em São Paulo
  • Divulgação
    Vitor Paro é professor titular da Faculdade de Educação da USP Vitor Paro é professor titular da Faculdade de Educação da USP
"Você pode fazer duas horas [de aula] por dia e ter uma educação excelente ou oito horas e ter uma educação porcaria", essa é a opinião de  Vitor Paro, professor titular da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo). Ele se refere à animação (por vezes exagerada e ingênua) em relação à educação integral como caminho para melhorar a qualidade do ensino público.
Logo em seguida, Paro explica que não é contra aumentar o tempo de aula, mas acredita que esse é apenas um dos requisitos para uma educação de qualidade. O pesquisador é um dos autores do livro "Escola de Tempo Integral - Desafio para o Ensino Público", que pode ser baixado gratuitamente na internet.
"A razão da má escola não é a falta de tempo. A escola que está ai não é ruim porque tem pouco tempo, ela é ruim porque tem um método ultrapassado e não existe a preocupação de educar. Só existe a preocupação de passar de ano. A nossa escola não é ruim hoje, ela sempre foi ruim", afirma o professor.

Mais horas na escola

O professor e pesquisador da USP chama a atenção: antes de estender o período dos alunos na escola é preciso pensar na qualidade das atividades. Caso contrário, existe o risco de multiplicar a precariedade por dois -- principalmente na escola pública. Ele aponta que ainda existe uma confusão entre o papel social e o educacional da escola em tempo integral. Muitas vezes o foco está em tirar o aluno da rua em vez de se priorizar a qualidade do ensino, como se fosse suficiente atingir o primeiro.
Para explicar, ele compara o processo de aprendizagem de crianças ricas e de pobres: "As crianças ricas já têm educação de tempo integral, mas não é que a criança tem que ir para a escola e ficar confinada. De manhã, ela tem aula e no outro período ela vai na academia, no futebol, aprende piano, aprende língua, ela tem propriedade de aprender o dia inteiro", diz.
E ele aponta ainda a importância do ambiente cultural, que é diferente conforme o poder de compra: "Eles [os estudantes de famílias mais ricas] têm acesso a teatros, bibliotecas, ideias mais avançadas. Não é isso que oferecem para as pobres [na escola pública], o que você propõe é que o mesmo que ele faz de manhã ele faça a tarde".
Ainda assim, o professor acredita que os alunos mais carentes acabam tendo uma melhora, pois o tempo adicional também é usado para revisões e brincadeiras, que, segundo ele, são importantes no processo de aprendizagem.
O educador fará uma palestra sobre o tema na tarde desta quinta-feira (22) na 21ª Educar/Educador, feira e congresso de educação, que acontece até o dia 24 de maio, na cidade de São Paulo.

O que é educação integral

Numa escola de tempo integral, o aluno teria sete horas de atividades. E a intenção é que as crianças e os adolescentes possam desenvolver outras habilidades e competências nas horas a mais. O foco estaria não apenas em reforço escolar, mas no desenvolvimento de projetos de esporte, comunicação e artes, sustentabilidade e educação ambiental.
meta do governo federal para 2014 é atender um total de 7 milhões de alunos em 2014 por meio de um programa chamado Mais Educação.

Eleições 2014 - 32 mil nomes fichas-sujas

Eleições 2014 - 32 mil nomes fichas-sujas

Cadastro com potenciais fichas-sujas tem pelo menos 32 mil nomes, aponta MPF

Bruna Borges
Do UOL, em Brasília

O cadastro nacional com pessoas que podem ser consideradas fichas-sujas nas eleições de 2014 tem mais de 32 mil nomes potencialmente inelegíveis, informou o Ministério Público Federal.
O novo sistema unifica e processa dados de mais de 30 órgãos ligados à administração pública sobre pessoas com condenações que se enquadram na Lei da Ficha Limpa.
A ferramenta utiliza dados do TSE, dos TREs (Tribunais Regionais Eleitorais), do TCU (Tribunal de Contas da União), do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), dos conselhos de classe, dos Tribunais de Justiça, dos Tribunais Federais e dos Tribunais de Conta estaduais. Segundo o MPF, o CNJ já entregou toda sua base de dados sobre o assunto.

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Conheça os partidos políticos existentes no Brasil34 fotos

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Existem atualmente 32 partidos políticos no Brasil e mais um aguardando registro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). São tantos que as siglas acabam virando uma "sopa de letrinhas" na cabeça do eleitor. Por isso, o UOL reuniu cada uma delas, seus principais representantes e quanto receberam, no ano passado, dos R$ 286,2 milhões destinados ao Fundo Partidário Arte/UOL
Como as instituições têm até 19 de maio para entregar as informações, o número de potenciais fichas-sujas pode crescer.
As pessoas da lista só podem ser oficialmente consideradas inelegíveis após sua candidatura ser registrada na Justiça Eleitoral e ser impugnada pelo MPF com base na Leia da Ficha Limpa. O caso ainda precisa julgado e condenado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para o político se tornar inelegível.
Como só é permitido realizar o registro de candidatura entre 1º e 5 de julho, em respeito à legislação eleitoral, ainda não há uma lista oficial de fichas-suja.
"Ter essas informações em um sistema único é importante, pois o tempo para impugnação [questionamento] de uma campanha é exíguo - apenas cinco dias. E, nesses cinco dias, o procurador eleitoral não consegue juntar os dados necessários para verificar se o candidato foi atingido ou não pelas inelegibilidades", opinou Eugênio Aragão, vice-procurador-geral Eleitoral.
Para o procurador, a ferramenta facilita o trabalho, pois reúne informações de ações de improbidade, ações criminais, condutas vedadas, condenações em órgãos de fiscalização de classes e tribunais de contas.
A lista com os nomes dos potenciais inelegíveis não está disponível para o público em geral. Apenas procuradores podem consultar a base de dados.
O sistema coletará informações sobre pessoas com condenações a partir de 2006.