sábado, 17 de maio de 2014

MUDANÇA RADICAL NA VIDA: passo a passo de como se pode fazê-la



Você sente que precisa mudar radicalmente sua vida? Sabe que precisa mas tem medo das consequências e mudanças que acarretarão? Não quer se desapegar de coisas ou pessoas que sabe que tem que deixar para trás? Talvez lendo este texto você consiga refletir melhor sobre como e o que fazer.
Primeiro digo que este é um texto longo, então leia-o com tempo. Usarei da maneira mais clara vários conceitos de Psicologia analítica (e por isso preciso explicá-los para que você entenda, ao final, o que realmente quis passar através desta página). Apesar de não representar diretamente o que diz este ou aquele autor específico... trata-se de meu ponto de vista pessoal. No entanto, aceito as contribuições que demais amigos e amigas possam oferecer, bastando acrescentar ao final da página.
Fi-lo em forma de etapas, não porque goste assim, mas para facilitar o pensamento e as ações, e permita que você prossiga neste processo visualizando suas etapas, sua evolução, e desta forma perceba quando está ‘travado(a)’ em algum ponto dele.
Finalmente, sugiro que você leia os demais textos do site, em especial os que publico todos os sábados sobre conceitos de Psicanálise e Psicologia. Estarão interligados a este, e te ajudarão a entender como funciona sua Psique. O da próxima semana, por exemplo, é muito importante para que você entenda melhor como o inconsciente nos ajuda, e que nem tudo que acreditamos ser ruim (pesadelos, fantasias, desejos que não podemos realizar) na realidade podem nos ajudar a conhecermos a si próprios.

Passo 1: Sentindo a necessidade de mudança
Várias podem ser as sensações que lhe indiquem a necessidade de mudança. Podem ser desde vagas sensações a claros desejos de abandonar tudo e recomeçar do zero. Em geral, quando esta necessidade é real, ela sofre um aumento gradual e constante: enquanto você não mudar o que precisa ser mudado, você não terá paz interna.
Mas o que significaria ‘paz interna’? Eu dou este nome, mas você pode chamar de equilíbrio interno, bem estar, sensação de estar no seu lugar... etc. Seria o sentimento de pertencer ao seu tempo, e ao lugar em que está neste momento. Sentir que, mesmo passando por diversas dificuldades e problemas, você PRECISA passar por eles como qualquer outra pessoa precisaria para evoluir e se tornar alguém melhor.
Esta paz interna não está relacionada a momentos ‘sem problemas’. Pelo contrário: só conseguimos ter certeza dela quando temos dificuldades a resolver, muitas sem depender de nossa vontade, e no entanto, lidamos com elas como algo natural da vida.
Você sentirá que não está em seu equilíbrio quando acordar várias vezes com um sentimento (vago ou claro) de ansiedade ou angústia (preste sempre muita atenção à primeira sensação que tem ao acordar... ela reflete muito sobre seu interior). Também sentirá que não fica feliz ou contente com coisas que antes te deixavam feliz. Perceberá que se tudo continuar como está, não há perspectiva que você se sinta melhor em algum prazo delimitável (não falo aqui do desejo que algo ‘caia do céu’ e mude tudo... e sim de uma visão crítica e realista de como as coisas estão se encaminhando em sua vida). Onde seus problemas atuais irão acabar, da forma como estão?
Você perceberá que no momento não tem forças para lutar por coisas pelas quais sabe que deveria estar lutando, e que em outros tempos te faziam mover montanhas. Sentirá como se houvesse um buraco negro dentro de seu peito, que lhe suga sua energia... e que você está angustiado(a) para agir antes que toda a energia que ainda lhe resta vá pelo ralo.
Não é importante, neste momento, saber qual é o problema que lhe aflige. Até porque, é muito provável que não seja exatamente o que você acha que é. Tenho certeza que se você soubesse o ponto certo a concertar ou já teria agido ou já teria se conformado, não é verdade? Então, por este motivo, é necessário o segundo passo.

Passo 2: entendendo como sua mente chegou neste ponto
Como não pretendo (ainda...) publicar um livro sobre conceitos de psicologia, vou usar de diversas analogias (algumas podem parecer estranhas em um primeiro momento), para que facilmente você entenda como várias linhas de psicologia entendem  que funciona sua psique. Você perceberá que quase todas as analogias se parecem com outras áreas da ciência, em especial a astronomia (como a teoria do Big Bang... até já citei um buraco negro acima, não e?). Isto ocorre porque a Psicologia a muito tempo já sabe que muitos conceitos que criamos na ciência partem de visões ‘antropomórficas’ do próprio ser humano.
Ou seja: só conseguimos explicar coisas que não entendemos a partir de como o ser humano sabe (muitas vezes de forma inconsciente) que funciona sua própria mente, por dentro! A teoria do Big Bang (apenas uma de diversas formas de explicar a origem do universo) seria na realidade a forma como cada ser humano sabe inconscientemente que se formou sua própria mente, desde sua gestação até agora. E esta também seria uma repetição de como a raça humana se desenvolveu desde o primeiro ser vivo unicelular até o primeiro homo sapiens, processo de milhões de anos, repetido a cada gestação e crescimento de cada humano.
Agora então, vou lhe dar uma versão de como sua mente se formou. Desde sua geração, na barriga de sua mãe, você já tinha um inconsciente. Imagine este inconsciente como o núcleo do universo (tanto física quanto virtualmente). Tudo que você seria estava em um minúsculo ponto, concentrando seu próprio universo reduzido.
Conforme você foi crescendo, já antes de nascer (ainda durante a gestação), pequenos estímulos foram aos poucos atingindo este núcleo. Nada que o alterasse profundamente (ainda), mas digamos que estes estímulos foram ‘aquecendo’ ou ‘esfriando’ um pouco este núcleo de tudo. E eis que chega o momento de seu nascimento, quando o maior choque de sua vida (nascer) ocorre! Ocorre o Big Bang! A enorme explosão, este núcleo se expande e cria milhares, milhões de estrelas!!! Cada qual uma personalidade em potencial, um possível ‘eu’ para você!. Mas no centro de tudo isto, ainda haverá um grande núcleo ainda (a explosão não é suficiente para desfragmentá-lo totalmente), uma gigantesca estrela, ao redor da qual todas as outras estrelas e planetas circularão, mesmo sem perceber...
Por razões diversas (tenho minha opinião própria sobre isto, semana que vem falarei um pouco mais sobre isto) uma destas pequenas estrelas começa a brilhar mais. Esta será seu ‘ego’, quem você acredita ser. Os estímulos do ambiente, somados à própria constituição original desta estrela (quem você sempre foi e sempre será, sua constituição inata) fazem esta estrela a mais brilhante dentre as outras menores, fazendo com que, para os planetas que estão mais próximos, ela pareça mais brilhante do que aquela estrela enorme, do centro da galáxia, onde tudo se originou.
A estrela central é o SELF, o centro do inconsciente. A menor, que passa a brilhar mais é seu EGO, quem você acha que é. As demais estrelas menores são seus complexos: personalidades parciais e potenciais, quem você ‘poderia’ ter sido mas não é. Elas vivem dentro de você, cada qual com sua luz própria... e todos querem poder brilhar, apesar do EGO querer sempre dominar tudo.
Daí você já percebe que começa a existir as contradições dentro de sua própria Psique, não é mesmo? Antes da Grande Explosão, sua mente era totalmente indiferenciada: tudo era igual, tudo fazia parte do TODO, a grande massa de energia e matéria que formava o núcleo de seu universo. De repente, após a explosão, o EGO é criado, e como ele ‘acha’ que é você, ele passa a controlar seu corpo e sua ‘consciência’ (que seria o espaço do Sistema Solar, por exemplo). Ele se acha tão importante, e tem tantos problemas a resolver durante sua formação e desenvolvimento (chuva de meteoros, estabilização da órbita e de sua própria massa, fusão e separação de planetas em sua órbita...) que ele nem sequer tem tempo de se preocupar com o grande centro de todo este Universo, e o que há lá.
Esta preocupação com sua própria estabilização pode ser resumida em: busca de proteção e sociabilização. É o que passamos grande parte de nossa vida, desde nossa infância, buscando. Buscamos o amor de nossos pais, sua proteção, a aceitação da sociedade em que vivemos. Isto é tarefa do Ego. Também conduz para a diferenciação (a marca do EGO): cada coisa em seu lugar, cada uma com seu significado, estabilidade, previsibilidade, CONTROLE! Afinal, depois de tanto sacrifício, ele quer ter paz, não quer que nenhuma grande explosão ocorra novamente. Cada coisa em seu lugar, e mesmo quando já estiver, seus olhos estarão fixos de olho em qualquer coisa que se movimentar ameaçadoramente, para que sua mão possa colocá-la no devido lugar novamente, à força! Este é o EGO.
Mas depois da adolescência (que para alguns pode durar a vida toda), a regra é que nosso EGO já esteja estabilizado. Porém, durante algum tempo ainda nos preocupamos com esta estabilização e aceitação social, mesmo depois de conseguir atingi-la. Não basta ter um carro, tem que ser o mais caro. Não basta o celular, tem que ser o melhor celular. Querer uma casa maior,  mais fama, ser mais amado e mais querido. É natural e normal querermos isto. Mas com o tempo (muito antes do que desejamos) isto já não bastará. Mas grande parte das pessoas ignora o vazio que sentirá quando atingirá esta fase, pois tentará preenchê-la com tudo que encontrar pela frente.
Imagine, ainda em nossa analogia, que o Sol (EGO) perceba que ele não controla totalmente sua órbita. Que ele circula algo maior, mais poderoso e mais forte, de onde ele mesmo veio. Que contem sua essência, a chave de sua própria energia. Pela própria forma como é constituído, o EGO sabe que sua energia está se acabando, e o que lhe sustenta vem desta fonte original. Mas ele sabe que para voltar a ela, a estabilidade de sua órbita, a ordem dos planetas ao seu redor, tudo pode ter que mudar. Pode até ter que ocorrer uma nova explosão!!!!
Eis você na sua atual fase...

Passo 3: Onde foi que você errou? (no próximo sábado)...
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O distúrbio da caverna

O distúrbio da caverna - Psicologia

Por Marco Aurélio Dias

O distúrbio da caverna

     Originalmente, os seres humanos são inimigos, são rivais, e esses milhares de anos de violência física primitiva praticada entre eles não podem ser apagados com a relativamente curta história do homem moderno. Instintos e traumas ancestrais fazem parte da psique humana. O distúrbio da caverna é um estado psicológico muito comum e que caracteriza uma interrupção da sequência normal de continuidade racional do homem moderno, talvez um afastamento das regras sociais de comportamento e relacionamento social, e o indivíduo entra no Labirinto da África (túnel psíquico da evolução), fica travado lá e responde com práticas de liberdade absoluta que eram comuns no tempo dos denisovanos e dos hominídeos anteriores, cujo comportamento a sociedade moderna considera crime. O estupro é um exemplo clássico desse distúrbio. As depredações, as pichações em prédios públicos e em residências particulares, etc., representam um surto momentâneo em indivíduos com propensão ao distúrbio da caverna. A pessoa pode ter esse distúrbio momentâneo ou em sequências rotineiras. A violência física nos lares contra mulheres e crianças é outro exemplo do distúrbio da caverna. Esse distúrbio pode funcionar na psique como um instinto da liberdade natural primitiva liberada, o que não é aceito pelos preceitos da liberdade social organizada através de leis, direitos e deveres. O instinto reprimido quase sempre é mais forte do que a razão e acaba agindo ocultamente. Talvez em algum momento da vida psíquica o estresse da sustentação da personalidade cause um rompimento da razão e a sombra se apodera da psique do indivíduo induzindo-o a comportamentos fora da lei ou marginalizados que estavam retidos, bloqueados e reprimidos. A liberdade natural primitiva liberada, nos casos negativos, acontece em surtos, e a pessoa age com violência irracional ou com arbitrariedades que invadem a vida íntima ou os direitos de outrem. Mas sofremos influências psíquicas de todas as fases evolutivas da psique humana e elas normalmente precisam ser filtradas pela razão nos casos em que geram comportamentos que são repudiados nos relacionamentos sociais. A razão social do ser humano não é contínua. Ela tem intervalos de razão natural. A racionalidade do homem moderno funciona na psique com uma sequência repetida de razão natural que substitui a razão social, e vice-verso, processando reflexões cognitivas imperceptíveis que comparam os conceitos do que somos e do que devemos representar. Sei que a banana que está na loja é para ser comprada, mas também sei que ela não é de ninguém e poderia ser comida sem nenhum ônus ou constrangimento moral. Essa sequência não pode ser interrompida porque a razão natural tem que ser imediatamente substituída pela razão social e vice-verso. Caso contrário o indivíduo comete delitos. Se a razão primitiva ou natural é injusta para a razão social, esta é igualmente injusta para a razão natural. Tanto é crime entrar na loja, pegar uma banana e sair sem pagar, quanto é crime tirar a banana da bananeira e colocá-la nas prateleiras da loja para ser vendida. Tanto é crime invadir um quintal, quanto é crime cercar um pedaço de terra. A razão social optou por legalizar certos crimes e devemos reconhecê-los como direitos modernos. A substituição da razão natural pela razão social é indispensável para que o indivíduo seja civilizado.  Leia mais

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A sombra e a personalidade
O labirinto da África


A sombra e a personalidade

A personalidade e a sombra

Por Marco Aurélio Dias

     A nossa liberdade natural é inibida, bloqueada e criticada desde que nascemos. Todos os seres humanos são de certa forma portadores do trauma do bloqueio da liberdade natural. Todos os nossos impulsos naturais instintivos precisam ser transformados em comportamentos sociais. Eles ficam na sombra da nossa personalidade. Por isso consideramos o ser humano como duplo: sombra e personalidade. A personalidade é o perfil que representamos socialmente. A sombra é o arquétipo natural das evoluções psíquicas e comportamentais do ser humano. Nela estão arquivados os registros das várias fases anteriores da psique moderna. A sombra é o indivíduo natural bloqueado e inibido, enquanto que a personalidade é uma representação social. O instinto de sobrevivência induz o indivíduo a pegar a banana que está na loja e se alimentar, mas deve reprimir esse comportamento. Existe um processo legal para adquirir aquela banana. A razão natural não reconhece proprietários. Os índios brasileiros achavam um absurdo os colonizadores cercarem as terras e impedi-los de circular livremente no planeta. Eles não tinham noção de propriedade particular e nunca desenvolveram essa ideia. Para a razão natural, uma banana madura, em qualquer situação, é um alimento e só serve para ser comida pelo primeiro que avistá-la. É exatamente como funciona com os outros animais. Porém o indivíduo humano tem que se reprimir e representar um papel de pessoa civilizada. A razão natural funciona bem na floresta virgem. Mas a pessoa que apresenta um quadro agudo do distúrbio da caverna, psicologicamente se alinha com a sombra e pode reagir socialmente com assaltos, roubos, estupros, mortes, chantagens, masoquismo, tirania, tortura, inveja perturbadora e todos os comportamentos negativos que conhecemos nos seres humanos, podendo mesmo cometer vários tipos de atrocidades como um antropoide hominídeo livre de 700 mil anos atrás fazia, e, além disso, com a sofisticação dos atributos da psique moderna. Ele raciocina com a razão natural: nada é de ninguém, tudo é da natureza. A psique dele não substitui a razão natural pela razão social. Talvez seja algo parecido com que denominamos de mente criminosa. Mas todo tipo de comportamento tem uma explicação psicológica e é uma reação causada por instintos, distúrbios, traumas, desvios e forças inconscientes que ainda não catalogamos nos estudos da psicologia. Esse distúrbio psíquico leva o indivíduo psicologicamente a ter comportamentos ocultos de liberdade absoluta e deve ser tratado com um método de psicologia reflexiva.
     Muitos deputados e políticos desenvolvem o distúrbio da caverna e assaltam o dinheiro público por conta de estarem vivendo psicologicamente a liberdade natural, e nem percebem a transformação. No Brasil, os prefeitos se achavam donos da coisa pública e davam terras para amigos em troca de apoio eleitoral, perdoavam dívidas de impostos a conhecidos, tiravam dinheiro do tesouro público para si mesmos, botavam funcionários da prefeitura para trabalhar nos jardins de sua casa, etc. Os colonizadores tinham liberdade natural para fazer o que queriam com os índios e com os seus escravos negros. Não são poucas as pessoas que apresentam um quadro de distúrbio da caverna e se comportam criminosa e indecorosamente como se a ética, a cidadania e as leis do direito penal não existissem para normatizar as regras do relacionamento social.     Leia mais


A evolução da psique e o labirinto da África

Por Marco Aurélio Dias

A evolução da psique e o Labirinto da África

     As pesquisas científicas comprovam as teorias evolucionistas de Charles Darwin e de outros estudiosos quanto ao fato do homem moderno ser o resultado de mutações e miscigenações de vários grupos de antropoides primitivos. Pelo menos mais de um milhão de anos esses antropoides viveram nas florestas da África, migraram para a Europa e a Ásia. Viveram inicialmente nas árvores, depois desceram, moraram em cavernas e levavam vida de animal selvagem. Era um tempo de terror selvagem e não existiam leis. Esses hominídeos matavam-se, roubavam-se e experimentavam uma liberdade natural absoluta para praticarem qualquer tipo de ação violenta e arbitrária. 
          A psique humana passou por várias fases de evolução durante esse período que nos separa daquele tempo e tem uma ligação inconsciente com as experiências do homem primitivo em todas as suas fases de expansão étnica, através do que podemos chamar de Labirinto da África. Sabemos que a natureza não dá saltos. A espécie humana evolui interiorizando suas fases psíquicas, do mesmo modo que a pessoa cresce interiorizando suas fases de criança, adolescente, jovem, etc. 
     O labirinto da África é uma concepção do corredor evolutivo, com várias combinações de passagens psíquicas conectadas e ramificações ligadas a todas as experiências evolutivas da espécie, cujo esquema psicológico nos remete a todas as fases anteriores da construção da psique moderna. A nossa conexão com o labirinto da África pode causar distúrbios de comportamento social e levar as pessoas a práticas de liberdade absoluta como naqueles tempos primitivos e que não são compatíveis com a sociedade moderna. A psique tem mobilidade e acesso aos corredores do labirinto e pode travar ou ficar presa em algum módulo ancestral da evolução psicológica humana, substituindo a razão moderna e pensando com arquétipos ultrapassados. Quando o indivíduo é provocado e fica enraivecido a sua psique vai recuando a várias fases anteriores de sua formação, chegando a estágios bem primitivos, e o indivíduo pode reagir como aquele antropoide ancestral que usava a violência naturalmente e não tinha nenhum conhecimento de respeito aos direitos sociais modernos. O primeiro recuo psíquico da pessoa enraivecida é ao estágio racional da lei de talião, e ela se sente motivada a responder com olho por olho e dente por dente, ou seja, fazer justiça pelas próprias mãos e aplicar a justa reciprocidade da pena e do crime. No entanto, sem motivações aparentes, uma pessoa pode vir a responder com pequenas reações primitivas de violência ou com diversos tipos de arbitrariedades ocultas que não são considerados crimes, mas falta de ética, falta de compostura, atitudes provocativas, relacionamentos dominadores, etc. Leia mais

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O “Cantadô”

O “Cantadô”

Lindo! O Peregrino no estilo do cordel nordestino com Roberto Diamanso

Danilo FernandesemGenizah - Há uma hora
Este homem tirou o meu fôlego. O “Cantadô”, poeta, caminhante Roberto Diamanso apresentava a sua arte cheia de poesia e brasilidade. Ritmos nordestinos – baião, xote, xaxado, repentes e outros (vejam na playlist) e lá pelas tantas ele nos surpreende com a espetacular declamação do poema O Peregrino no estilo do cordel nordestino. Num fôlego só e sem "cola". O povo pirou! Nos eventos de sábado pela manhã na Galeria Cultura Bíblica Fique ligado na agenda deles. Vale a pena. Genizah Persiga o @genizahvirtual no Twitter

INDEPENDÊNCIAS NA AMÉRICA LATINA

GEA Cipriano Barata
Novo artigo do blog. Nesse artigo falando sobre AS INDEPENDÊNCIAS NA AMÉRICA LATINA. Curtam , compartilhem e comentem. http://geaciprianobarata.blogspot.com.br/2014/05/pensando-as-independencias-na-america.html
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PENSANDO AS INDEPENDÊNCIAS NA AMÉRICA LATINA
Muitas vezes, os processos de independência da América Latina não são abordados de forma adequada nas aulas de histór...

PENSANDO AS INDEPENDÊNCIAS NA AMÉRICA LATINA

Muitas vezes, os processos de independência da América Latina não são abordados de forma adequada nas aulas de história, seja pela falta de tempo, seja pela complexidade do conteúdo – que pode causar algumas confusões.

Este texto, tem a pretensão de fornecer um apoio a estudantes e professores que tem dificuldade de abordar, estudar e compreender o período das independências, que, na maioria das vezes, acaba sendo resumido à ação de alguns “personagens heróicos”, como Bolívar, na Venezuela, e San Martín, na Argentina.

Mapa antigo da América Latina

Neste texto será abordado apenas as independências da América Latina de colonização espanhola. Visto que, estas são, muitas vezes, relegadas a um “segundo plano” frente a independência das Treze Colônias inglesas e a do Brasil.

1. Contradições internas e externas.

Geralmente, ao se tratar das independências da América Latina, é colocada a tradicional contradição dos elementos locais, os criollos, contra os elementos externos: funcionários e governantes (corregidores e vice-reis) vindos da Espanha. Embora esta situação seja, de fato, verídica, ela sozinha não explica os motivos e o posterior desenvolvimento dos movimentos.

Os criollos eram a classe dominante na América Colonial. Eram donos de terras e minas, de trabalhadores escravizados e de indígenas submetidos a trabalhos servis. É bem verdade que os criollos eram incomodados pelos funcionários coloniais – muita vezes corruptos. 

As reformas boubônicas (século XVIII), tentaram adequar algumas ideias iluministas de racionalidade às práticas de monopólio mercantilistas – reforçando assim o poder colonial. Os criollos passaram a ser vigiados de perto pelos funcionários espanhóis: o objetivo era evitar o contrabando e assegurar o máximo de controle possível às atividades produtivas exercidas pelos criollos; garantindo à Coroa os tributos vindos de impostos cobrados nas colônias. Sendo assim, as reformas boubônicas podem ser analisadas no sentido de “dividir para manter a dominação”: uma vez que dividiu as colônias em novos vice-reinos e com  novos portos abertos ao comércio (comércio feito dentro da lógica do exclusivo metropolitano  – que muitos chamam de “pacto colonial”[1]).

A rivalidade entre criollos e funcionários metropolitanos era, em última análise, um conflito “externo”: pois envolvia basicamente as relações de comércio entre os criollos, entre metrópole e outros países. As ideias liberais estavam surgindo e os criollos não suportavam mais ser asfixiados pelos sistema colonial.

Do ponto de vista interno, na dinâmica das próprias colônias, além dos criollos, que são a elite da sociedade, existem os já mencionados índios, trabalhadores escravizados, e uma grande massa de mestiços que tinha seu acesso restrito em muitos lugares (como igrejas por exemplo) e certas profissões. A maioria dos indígenas era submetida a trabalhos servis (nas fazendas e nas minas, a mita). Africanos eram submetidos a escravidão no Brasil, Colômbia (na época colonial Nova Granada), Venezuela e, principalmente nas Antilhas. Os mestiços, marginalizados, trabalhavam onde podiam: em geral viviam de empregos assalariados nas grandes cidades ou como peões nas regiões de pecuária extensiva (Rio da Prata – Argentina, Uruguai – e Rio Grande do Sul, principalmente). Todos estes grupos sociais vivendo em um mesmo espaço gera tensão. Volta e meia esta tensão virava revolta: tal como o movimento indígena de Tupac Amaru em fins do século XVIII. Tupac Amaru (que embora índio, era de uma antiga família da nobreza inca e foi educado no melhor estilo europeu em uma universidade do Peru) liderou um poderoso exército de indígenas que matou um governador chamado Arriaga.

Tupac Amaru 
A revolta de Tupac Amaru é bastante reveladora sobre as tensões sociais. Ao mesmo tempo que pregava um “retorno ao passado”, das velhas tradições incaicas, também mostrava a ojeriza aos elevados impostos do sistema colonial. O que explica a brutalidade com que a revolta de Tupac Amaru foi dizimada pelos exércitos criollos (Tupac teve a língua cortada e foi esquartejado em praça pública) é a participação popular de índios, mestiços... e até mesmo de alguns criollos, mais pobres e insatisfeitos.

Nesta complexa contradição interna-externa, os movimentos de independência na América espanhola se iniciam um tanto quanto “caducos”. Basta citarmos o exemplo do levante de Francisco Miranda na Venezuela em 1806. Miranda, um criollo de ideias radicais que lutou nos Estados Unidos e na França, conseguiu apoio inglês e desembarcou na costa da Venezuela. Ele e seus seguidores acreditavam que ao brabar um grito de independência, o povo iria se juntar à sua causa. Mas o que ocorreu foi o contrário: o povo não se manifestou; os criollos reagiram e o movimento de Miranda foi logo debelado.

Um exemplo que ilustra muito bem esta contradição interna entre criollos e as classes perigosas (como eram chamados indígenas, negros e mestiços) nos processos de independência é o que ocorreu em Quito (atual Equador) em 1810. Neste ano, enquanto os criollos se reuniam numa Junta de Governo e debatiam a possibilidade de uma emancipação, índios e mestiços se revoltaram contra a Junta. Os criollos exploravam diretamente os indígenas, e não o rei da Espanha – que vivia longe, do outro lado do imenso oceano... Se havia algum culpado pela sua miséria, eram os criollos, pensavam indígenas e mestiços. A partir daí, podemos perceber como o próprio sistema colonial criava estas contradições internas. Também é conveniente lembrar do movimento de José Tomas Boves, um dos grandes inimigos de Bolívar. Boves, que era espanhol e pertencia a uma categoria social de fazendeiros criadores de gado (llanos) reuniu uma massa de camponeses, pobres, mestiços e negros que em nome do rei da Espanha ocupou terras e as distribuiu para seus seguidores miseráveis. O movimento de Boves é um autêntico movimento de pobres contra ricos.

Ainda podemos citar o exemplo do primeiro movimento de independência do México (Nova Espanha) liderado pelo padre Miguel Hidalgo. Agregando camponeses – em sua maioria indígenas ou mestiços – Hidalgo formou um exército de cerca de 80 mil pessoas com o objetivo de chegar a Cidade do México. Seu lema era “viva o rei, abaixo o mal governo!”. Seu estandarte era a Virgem de Guadalupe. E seu objetivo era dar terra aos indígenas e por fim ao regime de castas. Mais uma vez os criollos não poderiam deixar o povo tomar as rédeas da independência e o movimento de Hidalgo foi temporariamente abalado; ressurgindo mais tarde com um de seus seguidores, o também padre José Maria Morelos.

2. Influências

Os livros didáticos geralmente apontam como as grandes influências dos movimentos de independência a Revolução Francesa de 1789 e o pensamento iluminista. A elite criolla, urbana e bem instruída nas universidades americanas e europeias, tinha acesso a leituras iluministas e aos seus principais expoentes (Voltaire, Rousseau, Montesquieu, Smith). Os criollos mais radicais, tinham sua admiração por Marat, Robespierre e Saint-Just. O fato é que a independência das Treze Colônias em 1776 e a Revolução Haitiana (1794-1804) devem ser considerados como influências muito mais decisivas do que a Revolução Francesa.

Em primeiro lugar, a Espanha era aliada da França. Foi somente quando o absolutista Fernando VII subiu ao trono, após uma trama palaciana, que o governo francês (na época a ditadura militar de Napoleão) resolveu invadir o país para não correr o risco de perder um aliado. A solução que Napoleão encontrou foi colocar no trono da Espanha seu irmão, José, em 1808. Assim, ele garantia um país aliado na Europa e também as colonias espanholas na América como possível área de dominação francesa. Por isso que após 1808 os movimentos de independência ganham força. Ao mesmo tempo que os espanhóis passam a guerra aberta contra os invasores franceses e o “rei” francês no trono de seu país. 
Mapa das Treze Colonias.

A independência das Treze Colonias é um fato que influênciou não só na América mas também a própria Revolução Francesa. Ocorre que, após os Estados Unidos consolidarem sua independência, eles adotaram uma postura “isolacionista”, enquanto a França, fazia questão de expandir seus ideais para o mundo. Mas a postura isolacionista dos Estados Unidos, não impediu que se tornasse um exemplo para os criollos, principalmente aqueles que queriam uma “independência sem mudanças”: o país rompeu com a Inglaterra e continuou com a escravidão. Uma independência que começou radical, mas terminou com um acordo entre elites (Constituição de 1787, ainda hoje em vigor, com várias emendas).

Por outro lado, a Revolução Haitiana, que se estende de 1794 até 1804, é um exemplo radical. Negros escravizados levantaram-se contra os brancos proprietários de terra pra proclamar, ao mesmo tempo, a independência e o fim da escravidão! Todos os países da América conheceram a escravidão e o pesadelo de qualquer dono de escravizados é a revolta destes trabalhadores contra sua autoridade. O lema do Haiti é “a união faz a força” e, de fato, se escravizados se unissem, teriam força o suficiente para pôr abaixo qualquer sistema colonial. Não é a toa, que a Revolução Haitiana resultou num “bloqueio continental americano” ao Haiti. De acordo com Jacob Gorender: "As dificuldades do Haiti não se deveram, com o passar do tempo, somente ao domínio da agricultura de subsistência e à ausência de perspectivas econômicas elevadas. Deveram-se também, e não menos, à quarentena, que lhe impuseram até mesmo as nações latino-americanas recém-independentes"[2] 

3. Os projetos de independência

As independências se desenvolvem num longo e complexo processo que vai de (mais ou menos) 1808 até 1824 (batalha de Ayachuco – vitória final dos criollos contra os exércitos espanhóis na Bolívia/Alto Peru). No decorrer destes anos, os criollos não esboçaram apenas um, mas vários projetos de independência. 

Primeiramente, temos que considerar que haviam vários “graus” de criollos. Havia, obviamente, os mais abastados, donos de terras e minas que possuíam levas de mão de obra a sua disposição (escravizados, livres e servis como a maioria esmagadora dos indígenas). Mas também havia os criollos, que embora tenham um pedaço de terra, não eram tão ricos e viviam modestamente. 

Esta situação, muitas vezes aproximava alguns criollos às classes perigosas e isto fez com que projetos “alternativos” ao “independência sem mudanças” da elite criolla, se tornassem um problema maior para os ricos do que a própria resistência espanhola na época das guerras de independência.

Exemplos não nos faltam. Um deles é o projeto de Hidalgo e Morelos, ao qual acabamos de nos referir. Ambos eram padres do clero secular, sendo assim tinham contato com os mais desfavorecidos pelo sistema colonial, explorados pelos ricos criollos. Hidalgo foi morto em 1811, mas seu discípulo, Morelos, continuou seu projeto de independência no México. Um projeto radical e socializante, que pregava a distribuição de terras, o fim da escravidão e dos tributos e, principalmente, a soberania popular.

Morelos representava um perigo tão grande para a elite criolla, que estes acabaram adotando um modelo conservador de independência semelhante ao do Brasil, com um imperador: o militar Agustín Iturbide. Só para citar um exemplo, Morelos convocou uma assembleia constituinte para o México, o que despertou a fúria da elite criolla. Ao invés de adotar a constituição de Morelos (redigida sob inspiração dos ideais citados acima: distribuição de terras, o fim da escravidão, dos tributos e soberania popular), os criollos resolveram adotar a constituição espanhola de 1813!

O movimento mais organizado e radical, que representou a mais original alternativa às independências conservadoras da elite criolla, foi a Liga Federal de José Artigas.

José Artigas era um criollo de origem modesta que conseguiu entrar numa milicia chamada corpo de blandengues. A função dos bandengues era policiar as terras da Banda Oriental (atual Uruguai) contra os indígenas. Mas ao entrar em contato com os indígenas, Artigas e sua tropa passaram a mediar conflitos e não mais expulsa-los das terras. Assim, ele percebeu que faltava terra para os índios... e terra para eles havia, sempre houve.

Quando o movimento de independência iniciou em Buenos Aires (1810), Artigas foi até a capital do vice-reino da Prata (que na época agregava o Paraguai, Uruguai, Bolívia, além da própria Argentina) lutar contra os espanhóis. Quando volta para a Banda Oriental, requisita auxílio dos buenairenses para libertar Montevidéu dos monarquistas. Mas a ajuda não vem. Artigas acaba formando um exército – de criollos, mestiços, negros e índios – que lutam juntos contra o poder colonial. Por fim, os artiguistas tomam Montevidéu, mas inicia a reação contra seu movimento.

De 1813 até 1820, Artigas e seus seguidores formam a Liga Federal dos Povos Livres. Uma república federativa que englobava as províncias do norte da atual Argentina, o Uruguai e parte do Rio Grande do Sul. Artigas distribuiu terras. O seu lema era “que os mais necessitados sejam os maiores beneficiados”. Mas era difícil por em prática suas ideias, isto porque, Artigas e seus seguidores, lutavam paralelamente contra as tropas de Buenos Aires, contra os luso-brasileiros e contra os exércitos da Espanha! Podemos dizer que a independência da Argentina (só proclamada em 1816) é uma reação contra Artigas.

Embora estes projetos alternativos não tenham tido uma continuidade, falar sobre as independências sem cita-los, é, no mínimo, ocultar uma parte essencial deste período da história americana.

***

Os tópicos e as analises acima, são apenas recortes. Foram feitos desta forma para facilitar a compreensão dos processos; e assim dar um subsídio empírico para se pensar os movimentos e projetos de independência. Outras leituras, de outros historiadores, são possíveis, sem dúvida. Cabe, neste sentido, levar em conta a criatividade de cada professor/historiador.

É importante que se diga que o conteúdo das independências da América Latina (de colonização espanhola) é um conteúdo que permanece relegado a um segundo plano. Muitos livros didáticos contribuem para isto, principalmente porque adotam a velha “história dos grandes personagens”. Bolívar é geralmente o mais citado, mas pouco se compreende a complexidade deste personagem – que serviu, por muito tempo de modelo ao pensamento conservador da Venezuela, até ser “ressuscitado” numa leitura de esquerda por Hugo Chavez.

Tratar com maior abrangência dos processos de independência da América, como um todo, é apenas uma parte da luta contra o eurocentrismo na história – principalmente na sala de aula. 


Notas:

[1] O termo “pacto colonial”, disseminado por uma historiografia antiga, mas ainda cheia de força, não é condizente com a situação objetiva das relações metrópole-colônias. Isto porque a ideia de “pacto” sugere que havia um acordo amigável entre colonos/criollos e os governantes metropolitanos. Uma vez que a colonização europeia da América está dentro das práticas mercantilistas, em que o governo (o Estado Absolutista) se esforçava para manter o controle sobre todas as atividades econômicas, não se pode dizer que houve um “pacto amigável” e sim uma “imposição” característica da própria lógica mercantilista: os colonos tinham a função de enriquecer a metrópole, nada além disso – essencialmente não era algo aberto a negociações. Sendo assim, o termo mais correto a ser utilizado é sistema colonial, uma vez que “pacto” da a ideia de “unidade”, enquanto que “sistema” parece abranger de forma mais adequada a situação das diversas práticas que mantinham as relações metrópole-colônias. Ademais, esta questão de “pacto colonial” pode ser debatida nas salas de aula e nos grupos de estudo.

[2] O épico e o trágico na história do Haiti. Estudos Avançados 18 (50), 2004, p. 301.
  


Sobre o Autor:
Fábio Melo
Fábio Melo. Membro Permanente e fundador do Grupo de Estudos Americanista Cipriano Barata. Pesquisa sobre História Social da América e Educação na América (América Latina e Estados Unidos). Produtor e radialista do programa "História em Pauta" na rádio 3w. Tem diversos textos escritos sobre educação, cultura e política. 

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