sábado, 17 de maio de 2014

O distúrbio da caverna

O distúrbio da caverna - Psicologia

Por Marco Aurélio Dias

O distúrbio da caverna

     Originalmente, os seres humanos são inimigos, são rivais, e esses milhares de anos de violência física primitiva praticada entre eles não podem ser apagados com a relativamente curta história do homem moderno. Instintos e traumas ancestrais fazem parte da psique humana. O distúrbio da caverna é um estado psicológico muito comum e que caracteriza uma interrupção da sequência normal de continuidade racional do homem moderno, talvez um afastamento das regras sociais de comportamento e relacionamento social, e o indivíduo entra no Labirinto da África (túnel psíquico da evolução), fica travado lá e responde com práticas de liberdade absoluta que eram comuns no tempo dos denisovanos e dos hominídeos anteriores, cujo comportamento a sociedade moderna considera crime. O estupro é um exemplo clássico desse distúrbio. As depredações, as pichações em prédios públicos e em residências particulares, etc., representam um surto momentâneo em indivíduos com propensão ao distúrbio da caverna. A pessoa pode ter esse distúrbio momentâneo ou em sequências rotineiras. A violência física nos lares contra mulheres e crianças é outro exemplo do distúrbio da caverna. Esse distúrbio pode funcionar na psique como um instinto da liberdade natural primitiva liberada, o que não é aceito pelos preceitos da liberdade social organizada através de leis, direitos e deveres. O instinto reprimido quase sempre é mais forte do que a razão e acaba agindo ocultamente. Talvez em algum momento da vida psíquica o estresse da sustentação da personalidade cause um rompimento da razão e a sombra se apodera da psique do indivíduo induzindo-o a comportamentos fora da lei ou marginalizados que estavam retidos, bloqueados e reprimidos. A liberdade natural primitiva liberada, nos casos negativos, acontece em surtos, e a pessoa age com violência irracional ou com arbitrariedades que invadem a vida íntima ou os direitos de outrem. Mas sofremos influências psíquicas de todas as fases evolutivas da psique humana e elas normalmente precisam ser filtradas pela razão nos casos em que geram comportamentos que são repudiados nos relacionamentos sociais. A razão social do ser humano não é contínua. Ela tem intervalos de razão natural. A racionalidade do homem moderno funciona na psique com uma sequência repetida de razão natural que substitui a razão social, e vice-verso, processando reflexões cognitivas imperceptíveis que comparam os conceitos do que somos e do que devemos representar. Sei que a banana que está na loja é para ser comprada, mas também sei que ela não é de ninguém e poderia ser comida sem nenhum ônus ou constrangimento moral. Essa sequência não pode ser interrompida porque a razão natural tem que ser imediatamente substituída pela razão social e vice-verso. Caso contrário o indivíduo comete delitos. Se a razão primitiva ou natural é injusta para a razão social, esta é igualmente injusta para a razão natural. Tanto é crime entrar na loja, pegar uma banana e sair sem pagar, quanto é crime tirar a banana da bananeira e colocá-la nas prateleiras da loja para ser vendida. Tanto é crime invadir um quintal, quanto é crime cercar um pedaço de terra. A razão social optou por legalizar certos crimes e devemos reconhecê-los como direitos modernos. A substituição da razão natural pela razão social é indispensável para que o indivíduo seja civilizado.  Leia mais

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A sombra e a personalidade

A personalidade e a sombra

Por Marco Aurélio Dias

     A nossa liberdade natural é inibida, bloqueada e criticada desde que nascemos. Todos os seres humanos são de certa forma portadores do trauma do bloqueio da liberdade natural. Todos os nossos impulsos naturais instintivos precisam ser transformados em comportamentos sociais. Eles ficam na sombra da nossa personalidade. Por isso consideramos o ser humano como duplo: sombra e personalidade. A personalidade é o perfil que representamos socialmente. A sombra é o arquétipo natural das evoluções psíquicas e comportamentais do ser humano. Nela estão arquivados os registros das várias fases anteriores da psique moderna. A sombra é o indivíduo natural bloqueado e inibido, enquanto que a personalidade é uma representação social. O instinto de sobrevivência induz o indivíduo a pegar a banana que está na loja e se alimentar, mas deve reprimir esse comportamento. Existe um processo legal para adquirir aquela banana. A razão natural não reconhece proprietários. Os índios brasileiros achavam um absurdo os colonizadores cercarem as terras e impedi-los de circular livremente no planeta. Eles não tinham noção de propriedade particular e nunca desenvolveram essa ideia. Para a razão natural, uma banana madura, em qualquer situação, é um alimento e só serve para ser comida pelo primeiro que avistá-la. É exatamente como funciona com os outros animais. Porém o indivíduo humano tem que se reprimir e representar um papel de pessoa civilizada. A razão natural funciona bem na floresta virgem. Mas a pessoa que apresenta um quadro agudo do distúrbio da caverna, psicologicamente se alinha com a sombra e pode reagir socialmente com assaltos, roubos, estupros, mortes, chantagens, masoquismo, tirania, tortura, inveja perturbadora e todos os comportamentos negativos que conhecemos nos seres humanos, podendo mesmo cometer vários tipos de atrocidades como um antropoide hominídeo livre de 700 mil anos atrás fazia, e, além disso, com a sofisticação dos atributos da psique moderna. Ele raciocina com a razão natural: nada é de ninguém, tudo é da natureza. A psique dele não substitui a razão natural pela razão social. Talvez seja algo parecido com que denominamos de mente criminosa. Mas todo tipo de comportamento tem uma explicação psicológica e é uma reação causada por instintos, distúrbios, traumas, desvios e forças inconscientes que ainda não catalogamos nos estudos da psicologia. Esse distúrbio psíquico leva o indivíduo psicologicamente a ter comportamentos ocultos de liberdade absoluta e deve ser tratado com um método de psicologia reflexiva.
     Muitos deputados e políticos desenvolvem o distúrbio da caverna e assaltam o dinheiro público por conta de estarem vivendo psicologicamente a liberdade natural, e nem percebem a transformação. No Brasil, os prefeitos se achavam donos da coisa pública e davam terras para amigos em troca de apoio eleitoral, perdoavam dívidas de impostos a conhecidos, tiravam dinheiro do tesouro público para si mesmos, botavam funcionários da prefeitura para trabalhar nos jardins de sua casa, etc. Os colonizadores tinham liberdade natural para fazer o que queriam com os índios e com os seus escravos negros. Não são poucas as pessoas que apresentam um quadro de distúrbio da caverna e se comportam criminosa e indecorosamente como se a ética, a cidadania e as leis do direito penal não existissem para normatizar as regras do relacionamento social.     Leia mais


A evolução da psique e o labirinto da África

Por Marco Aurélio Dias

A evolução da psique e o Labirinto da África

     As pesquisas científicas comprovam as teorias evolucionistas de Charles Darwin e de outros estudiosos quanto ao fato do homem moderno ser o resultado de mutações e miscigenações de vários grupos de antropoides primitivos. Pelo menos mais de um milhão de anos esses antropoides viveram nas florestas da África, migraram para a Europa e a Ásia. Viveram inicialmente nas árvores, depois desceram, moraram em cavernas e levavam vida de animal selvagem. Era um tempo de terror selvagem e não existiam leis. Esses hominídeos matavam-se, roubavam-se e experimentavam uma liberdade natural absoluta para praticarem qualquer tipo de ação violenta e arbitrária. 
          A psique humana passou por várias fases de evolução durante esse período que nos separa daquele tempo e tem uma ligação inconsciente com as experiências do homem primitivo em todas as suas fases de expansão étnica, através do que podemos chamar de Labirinto da África. Sabemos que a natureza não dá saltos. A espécie humana evolui interiorizando suas fases psíquicas, do mesmo modo que a pessoa cresce interiorizando suas fases de criança, adolescente, jovem, etc. 
     O labirinto da África é uma concepção do corredor evolutivo, com várias combinações de passagens psíquicas conectadas e ramificações ligadas a todas as experiências evolutivas da espécie, cujo esquema psicológico nos remete a todas as fases anteriores da construção da psique moderna. A nossa conexão com o labirinto da África pode causar distúrbios de comportamento social e levar as pessoas a práticas de liberdade absoluta como naqueles tempos primitivos e que não são compatíveis com a sociedade moderna. A psique tem mobilidade e acesso aos corredores do labirinto e pode travar ou ficar presa em algum módulo ancestral da evolução psicológica humana, substituindo a razão moderna e pensando com arquétipos ultrapassados. Quando o indivíduo é provocado e fica enraivecido a sua psique vai recuando a várias fases anteriores de sua formação, chegando a estágios bem primitivos, e o indivíduo pode reagir como aquele antropoide ancestral que usava a violência naturalmente e não tinha nenhum conhecimento de respeito aos direitos sociais modernos. O primeiro recuo psíquico da pessoa enraivecida é ao estágio racional da lei de talião, e ela se sente motivada a responder com olho por olho e dente por dente, ou seja, fazer justiça pelas próprias mãos e aplicar a justa reciprocidade da pena e do crime. No entanto, sem motivações aparentes, uma pessoa pode vir a responder com pequenas reações primitivas de violência ou com diversos tipos de arbitrariedades ocultas que não são considerados crimes, mas falta de ética, falta de compostura, atitudes provocativas, relacionamentos dominadores, etc. Leia mais

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