terça-feira, 25 de março de 2014

humanos modernos procriaram com neandertais

Luiz Guilherme Trevisan Gomes
Nos últimos 4 anos, o paleogeneticista Svante Pääbo tem procurado por uma espécie misteriosa e antiga de humanos, conhecida apenas pelo seu DNA e alguns fragmentos fósseis da Caverna Denisova, na Sibéria russa. Como esta linhagem extinta deixou traços genéticos nas populações modernas do Sudeste Asiático, Pääbo esperava encontrar seu DNA em ossos vindos da Ásia. Muito pelo contrário, sua equipe no Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva em Leipzig, Alemanha, finalmente encontrou parte da ...
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Relacionamento aberto 2: O mais antigo DNA humano contém pistas de espécie misteriosa
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Relacionamento aberto: humanos modernos procriaram com neandertais, denisovanos e uma espécie misteriosa

Escavação na Caverna Denisova, na Rússia, onde os restos mortais dos hominídeos de Denisova foram descobertos. Foto: RIA Novosti/SPL
Escavação na Caverna Denisova, na Rússia, onde os restos mortais dos hominídeos de Denisova foram descobertos. Foto: RIA Novosti/SPL
O sequenciamento dos genomas de dois parentes extintos dos humanos sugere que neandertais, denisovanos e um grupo arcaico misterioso cruzaram entre si e com os humanos modernos mais extensivamente do que se pensava.
Os genomas antigos, um deles extraído de um neandertal, e o outro extraído de um grupo humano arcaico distinto — os denisovanos — foram apresentados no dia 18 de novembro em uma reunião na Royal Society (instituição britânica destinada à promoção do conhecimento científico), em Londres. As análises genéticas indicam ter ocorrido o intercruzamento entre membros de diversos grupos humanos arcaicos que viviam na Europa e na Ásia há mais de 30 mil anos, fato que incluiu um ancestral humano asiático ainda desconhecido.
“O que isto começa a sugerir é que estamos olhando para um mundo ao estilo ‘Senhor dos Anéis’ —, que havia diversas populações de hominídeos”, diz Mark Thomas, geneticista evolutivo da University College London que compareceu à reunião mas não esteve envolvido no projeto.
Os primeiros sequenciamentos genômicos de neandertais e denisovanos revolucionaram o estudo da história humana antiga, uma vez que demonstraram que estes grupos procriaram com humanos anatomicamente modernos, contribuindo com a diversidade genética de muitas pessoas vivas hoje.
Todos os humanos cujas ancestralidades têm origem fora da África devem cerca de 2% dos seus genomas aos neandertais, e algumas populações que habitam a Oceania, como papuásios (nascidos em Papua-Nova Guiné) e aborígenes australianos, herdaram cerca de 4% do seu DNA do intercruzamento entre seus ancestrais e os denisovanos, denominados assim graças à Caverna Denisova, nas Montanhas Altai, na Sibéria, onde foram descobertos. A caverna em questão contém restos mortais depositados ali entre 30 mil e 50 mil anos atrás.
Todavia, essas conclusões se basearam em sequências genômicas de baixa qualidade, repletas de erros e lacunas, mencionou David Reich, geneticista da Harvard Medical School (faculdade de medicina de Harvard) em Boston. Agora, sua equipe, em colaboração com o pesquisador Svante Pääbo, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva em Leipzig, Alemanha, produziu versões muito mais completas dos genomas denisovano e neandertal, obtendo-se uma qualidade equiparável à dos genomas humanos contemporâneos. Ambos os genomas de alta qualidade, neandertal e denisovano, vieram da análise de ossos retirados da Caverna Denisova.
O novo genoma denisovano indica que esta população tinha um “relacionamento aberto”: no encontro de pesquisadores, Reich disse que eles procriaram com os neandertais, com os ancestrais das populações humanas que hoje vivem na China e em outras partes do Leste Asiático e, ainda, com populações oceânicas, como já havia sido noticiado por sua equipe. Surpreendentemente, porém, Reich afirmou que os novos genomas indicam que os denisovanos intercruzaram com outra população humana arcaica e extinta que teria vivido na Ásia há mais de 30 mil anos, e não era humana ou neandertal.
Formaram-se rumores quanto à identidade desta potencialmente nova população de humanos. “Não fazemos a menor ideia”, diz Chris Stringer, paleoantropólogo do Museu de História Natural de Londres, que não participou do trabalho. Ele especula que esta população pode estar relacionada ao Homo heidelbergensis, espécie que deixou a África há cerca de meio milhão de anos e deu origem aos neandertais na Europa. “Talvez ela tenha vivido na Ásia também”, afirma Stringer.
Fonte: Nature

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