A morte para os outros...

A morte nunca é algo de bom, senão para os monstros

2 de abril de 2015 | 23:02 Autor: Fernando Brito
heli
Quem tem filhos, se não sabe, pode imaginar a dor da perda de um deles.
Quem faz jornalismo, não pode se acostumar à ideia de que algo seja “abafado” por algum tempo, por razões políticas, por mais respeitável que seja a dor de alguém.
É a morte de um ser humano e isso não deve provocar senão dor, seja quem for.
Quando vi a notícia de que  havia no acidente “um filho de uma autoridade”, às 19:30 h, no JB, pensei até que pudesse ser um familiar de Lula.
O dono do helicóptero,  José Seripieri Junior, dono da Qualicorp, era também amigo de Lula.
A direita não hesitava em fazer banzé com essa amizade.
Diogo Mainardi e seu parceiro de Veja, Mário Sabino, há quatro dias, faziam insinuações sobre o uso de aeronaves de Seripieri por Lula.
É possível que muitos estivessem festejando, nas redes, se fosse de outro o filho morto.
Quem já andou muito de helicóptero, como eu, infelizmente voei, sabe que isso é uma comunidade de entusiastas, que eu costumava chamar de “surfistas de hélice”.
Não se perde uma chance de voar.
E, às vezes, como aconteceu a este rapaz de 31 anos, por isso perde-se a vida.
Alckmin pode e deve merecer todas as críticas, sim, mas não pela morte de um filho, nesta hora.
Ser de esquerda é não praticar os métodos que a direita estaria usando, neste momento.
Ser de esquerda é ser solidário à dor de todo ser humano.





Não tem como adjetivar um indivíduo que deseja a morte do outro. Isso é o extremismo da miséria humana. Como a matéria cita, o dono do helicóptero também é amigo de Lula, portanto, poderia ter sido com o filho de qualquer um, inclusive com o filho do ex presidente Lula. Mas é claro que nessa circunstância o tratamento seria bem diferente. Para uma parcela da população que acha que está com a razão de enforcar bonecos, torcer para um avião cair, para que um câncer volte para matar, que filhas de petistas sejam estupradas, e taNtos outros apelos de ódio que não caberiam nesse post. Nós que representamos a esquerda, sabemos que não estamos isentos das responsabilidades e das circunstâncias, para subirmos no pedestal imaginário da imacularidade e apontar o dedo podre festejando a desgraça alheia. Mesmo porque, somos absolutamente iguais, a morte está ai a todo momento nos colocando no chão e perguntando, quanto é que valemos mesmo???

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