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Andrea Neves
Andrea cuida de cada passo da trajetória do irmão Aécio: ela vale por um departamento de Estado

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Andrea Neves é uma dessas figuras que, de tão insondáveis, tão mitificadas, desmancham a fronteira entre a fantasia e a realidade
Reza o lugar-comum que político sem voto é político sem poder. Pois bem... A máxima não vale a mínima quando proferida no Palácio Tiradentes, sugestivamente fincado na chamada Cidade Administrativa Tancredo Neves. Andrea Neves, uma das herdeiras do capital simbólico do ex-presidente, precisou apenas de um eleitor, o irmão Aécio Neves. O escrutínio em família foi o suficiente para transformá-la em uma das figuras mais poderosas – e temidas – da política mineira nos últimos anos. Sem voto, mas com mandato fraternalmente concedido, tornou-se uma espécie de Cardeal Richelieu das Alterosas durante os oito anos da dinastia Aécio. À frente do Grupo Técnico de Comunicação do Governo, Andrea despertou som e fúria, dependendo do gosto e do partido do freguês. Aos olhos da situação, ela teve papel fundamental na construção da imagem de Aécio como gestor competente que saneou as finanças do Estado. Para a oposição, não passou de um tentáculo do irmão esticado em direção à mídia, que se valeu dos mais variados instrumentos para afagar ou sufocar veículos de comunicação. 

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Andrea Neves é uma dessas figuras que, de tão insondáveis, tão mitificadas, desmancham a fronteira entre a fantasia e a realidade. Difícil separar o fato da fábula, a imagem concreta da ilusão de ótica. Durante o governo de Aécio Neves, os mais diversos feitos foram lançados na conta da "Primeira Irmã da República das Gerais". Andrea foi acusada de manejar as verbas de publicidade do estado de acordo com os interesses políticos de Aécio e de influir na imprensa mineira, a ponto, inclusive, de provocar a queda de jornalistas pouco simpáticos ao governo. Deputados da oposição chegaram a apresentar denúncias formais contra Andrea, imputando a ela e ao irmão desvio de recursos da área de comunicação do governo.  

Os mais moderados afirmam que Andrea Neves apenas ocupou espaços naturais de um governo sem primeira-dama. Andrea assumiu funções típicas do "cargo", como a gestão dos projetos sociais do Estado. Durante o mandato do irmão, ela foi a principal interlocutora do governo junto ao terceiro setor. Desde 2006, preside o Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas), entidade beneficente que remete às Pioneiras Sociais, fundada por Sarah Kubitscheck em 1951, quando JK era governador de Minas Gerais. À frente do Servas, Andrea coordena alguns dos principais programas de assistência à infância, adolescência, terceira idade, e de erradicação da pobreza no Estado. 

"Ela é a protetora da reputação de Aécio e tem enorme influência sobre seu comportamento"


Nem mesmo seu trabalho na área social escapa da artilharia dos adversários dos Neves. Para muitos, a presidência do Servas, umbilicalmente ligado ao governo de Minas, seria uma forma de Andrea Neves permanecer no aparelho de Estado e participar da gestão de Antonio Anastasia, mesmo sem um cargo formal. Mais do que isso: seria uma maneira de Aécio manter uma mão, nem tão invisível assim, no governo de seu sucessor. Ainda assim, nos últimos meses, surgiram notícias sobre um possível estremecimento nas relações entre os irmãos Neves e Anastasia. Na esteira de uma eventual ruptura, alguns veículos mineiros passaram a especular sobre a possibilidade de a própria Andrea Neves se candidatar ao governo de Minas em 2014.

Andrea Neves sempre foi uma das mais pessoas mais próximas de Aécio. Essa ligação ficou ainda mais forte a partir de 2002, quando ele assumiu o governo de Minas Gerais. Além de comandar toda a estrutura de comunicação do Estado, ela passou a ter uma ascendência ainda maior na administração da agenda pessoal e política do irmão. "Ela é a protetora da reputação de Aécio e tem enorme influência sobre seu comportamento e postura. Andrea é o freio de um carro sempre a duzentos por hora", diz um ex-ministro, afeito às coisas de Minas. 

Movimento estudantil

Jornalista de formação, Andrea Neves participou ativamente do movimento estudantil no fim da década de 70. Fez campanha pela anistia de exilados políticos e chegou a visitar a Nicarágua, a Pasárgada da juventude esquerdista no auge da revolução sandinista. Involuntariamente, tornou-se personagem-chave de um dos episódios mais rumorosos da ditadura: o "atentado" do Riocentro. Em 30 de abril de 1981, Andrea chegava ao estacionamento para assistir ao show comemorativo do Dia do Trabalho quando ouviu uma explosão a poucos metros de onde estava. Poucos segundos depois, um homem completamente ensanguentado, com as vísceras à mostra, apareceu a sua frente. Junto do namorado e de um bombeiro, Andrea acompanhou-o até o hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca. 

No dia seguinte, ela descobriria que o ferido era o capitão Wilson Dias Machado, um dos ocupantes do Puma cinza metálico placa OT-0297. No banco do carona estava o sargento Guilherme Pereira do Rosário, que morreu na hora com a explosão da bomba. O artefato, como se soube depois, seria usado para simular um atentado de grupos radicais de esquerda. Quatro anos mais tarde, o avô de Andrea seria eleito como o primeiro presidente civil do País em 20 anos. O resto é história que a História não permitiu contar.  

Currículo

Antes de moldar a imagem de Aécio Neves, Andrea trabalhou em jornais e revistas do Rio de Janeiro, onde morava. Passou também pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História da Fundação Getulio Vargas. Logo após a morte de Tancredo Neves, foi responsável pela montagem do memorial em homenagem ao avô, na cidade de São João del Rey (MG). Nos anos 90, durante o governo de Helio Garcia, teve uma curta passagem como secretaria adjunta de Cultura de Minas Gerais. Embora breve, a permanência no cargo significou o primeiro contato dela com a gestão de verbas públicas na área cultural, que, anos depois, se tornaria uma de suas principais missões no governo de Aécio Neves.  

A fama de Andrea Neves correu mundo, não da maneira mais conveniente para ela. Durante o mandato do irmão, um estudante de jornalismo postou um vídeo na Internet acusando a área de comunicação do governo mineiro de inflar indicadores, com o objetivo de dourar a pílula da gestão Aécio Neves, e de fazer pressão sobre a mídia local para impedir a veiculação de notícias contrárias à administração pública. Na época, o vídeo chegou a ser exibido no site da Current TV, emissora independente dirigida pelo ex-vice-presidente norte-americano Al Gore. Mencionada na gravação, Andrea Neves teve de sair das brumas, sua zona de conforto, e se explicar publicamente. Em horas como essa, ela costuma repetir uma frase do escritor norte-americano Mark Twain: "Enquanto a mentira já deu a volta ao mundo, a verdade ainda está apenas calçando os sapatos". 

No momento, Andrea Neves prepara-se para uma das mais importantes e delicadas missões da sua trajetória como “primeira irmã”: a coordenação da campanha de Aécio Neves à Presidência da República. Na prática, o trabalho já começou não é de hoje, Longe de qualquer badalação – “Ela e Aécio nem parecem irmãos”, diz um amigo da família –, Andrea tem acompanhado amiúde cada citação ao virtual candidato do PSDB. Cruza dados, mapeia os veículos de comunicação mais alinhados ou mais hostis a Aécio e apara uma ou outra aresta no relacionamento entre o ex- governador mineiro e a imprensa. 

Andrea Neves sozinha vale por um departamento de Estado. Para muitos, ela personifica não apenas a comunicação, mas a própria área de Inteligência do staff de Aécio Neves. Nada fica imune ao seu radar. Ao mesmo tempo, Andrea ocupa também uma posição de destaque na interlocução entre Aécio e o empresariado, sobretudo em Minas Gerais. Difícil encontrar um grande nome da economia local com quem Andrea não tenha trânsito livre. Tudo sempre com a maior discrição e silêncio, como reza a cartilha mineira.
Dados Pessoais
  • 54 anos
  • Jornalista
  • Graduada em Jornalismo pela PUC-Rio
  • Nasceu em Belo Horizonte (MG)
  • Casada, mãe de uma filha

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