Dialogando com o Presidente Nacional do PSOL


De: secretariageral.pcb2@gmail.com
Enviada: Segunda-feira, 5 de Maio de 2014 09:03
Para: secretariageral.pcb2@gmail.com
Assunto: Dialogando com o Presidente Nacional do PSOL (resposta a texto público de sua autoria, aqui transcrito)

Dialogando com o Presidente Nacional do PSOL
(resposta a texto público de sua autoria, aqui transcrito)

Ivan Pinheiro (*)

Tive o prazer de conhecer pessoalmente o novo Presidente do PSOL, Luiz Araujo, numa visita cordial que fez, há cerca de um mês, à sede nacional do PCB no Rio de Janeiro para uma bilateral com o Secretariado Nacional do nosso partido. O encontro transcorreu num clima de camaradagem e franqueza.

Apesar da simpatia e do diálogo elevado, não foi uma reunião com a direção nacional do PSOL, mas com a tendência do seu Presidente, com a qual, aliás, temos convergências, inclusive na questão internacional. É infactível uma bilateral com a direção nacional do PSOL, por se tratar de um partido de tendências, cada qual com direção e linha política próprias, nos marcos da luta pela hegemonia do partido. 

Mas está totalmente desfocado o resumo que o companheiro Luiz Araujo faz das opiniões que lhe prestamos na ocasião. O PCB não apresenta a pré-candidatura de Mauro Iasi, "como forma de autoconstrução", conforme suas palavras. Deixamos claro à delegação da tendência do PSOL visitante que, há muitos anos, o PCB tem expressado que não está disposto a ser procurado apenas às vésperas das eleições, para conhecer propostas de meras coligações eleitorais, e que nossa proposta de frente é para além das eleições e para além dos partidos registrados no TSE, pois não são só estes os protagonistas na luta contra a ordem burguesa em nosso país.

Lutamos por uma frente permanente, de caráter anticapitalista e anti-imperialista, que se conforme nas ruas, piquetes e barricadas e no debate franco das divergências, para encontrarmos o que nos une, através de um programa comum.

O eixo central da reconstrução revolucionária do PCB é a estratégia socialista da revolução brasileira e não a via eleitoral.

Dissemos aos nossos interlocutores o que dissemos publicamente em nosso último programa na televisão: as eleições de 2014 não são para o PCB o fato político mais importante do ano, mas sim as manifestações, greves e revoltas, antes, durante e depois da Copa, em que o povo vai aprendendo a lutar e perdendo o medo da repressão. 

Sem procuração do PSTU, e a despeito de nossas posições antagônicas com este partido na luta anti-imperialista, não é elegante tornar públicos entendimentos bilaterais reservados. O dirigente do PSOL, com o devido respeito, não pode ser porta-voz nem comentarista de conversas entre parceiros que podem não se coligar, mas podem e devem estar lado a lado nas lutas populares. Esta é uma regra de ouro no diálogo entre organizações que se pretendem aliadas.

Mas uma vez tornado público o fato de o PSOL ter rejeitado uma reivindicação do PSTU de uma coligação com o PSOL no Rio de Janeiro, é irresistível indagar o que a direção do PSOL entende como frente de esquerda. Exatamente no Estado em que esse partido deve eleger uma grande bancada, em função de chamados "puxadores de legenda”, talvez o único em que um eventual aliado pode eleger um parlamentar, o PSOL não aceita coligação, para não "correr o risco" de outro partido de oposição de esquerda ter representação no parlamento, ou seja, pretende o monopólio institucional neste campo político. Que aliado é este?

O PCB não abrirá mão da pré-candidatura do camarada Mauro Iasi à Presidência da República, não por autoconstrução, mas para contribuir com uma tribuna, se possível plural, de denúncia do capitalismo e da democracia burguesa, pela criação de uma verdadeira Frente de Esquerda, inclusive com aqueles militantes e organizações que resistem à forma partido e que defendem o voto nulo, posição política que respeitamos como forma de luta, mais do que aos reformistas que acham que através das eleições é possível humanizar o capitalismo e torná-lo ético.

Não estamos pedindo ao PSOL coligação no Rio de Janeiro, sua reserva eleitoral, onde queremos continuar desenvolvendo ações políticas com sua combativa militância de base, independente de coligações. Não temos obsessão por mandatos parlamentares.  

Em alguns outros Estados, o PCB poderá construir alianças eleitorais, no campo que se conhece como frente de esquerda, a depender do programa, do tipo de relação que tivermos localmente, da unidade na luta, da direção unitária da campanha e de assegurarmos espaço para a nossa campanha nacional, que será mais política do que eleitoral.

Quanto ao fato de que provavelmente haverá diversos candidatos com perfil de esquerda, o PCB insistirá na necessidade de nos unirmos na mesma campanha em torno da pauta de reivindicações que nasceu das ruas, a partir das manifestações de junho de 2013.
  
Ivan Pinheiro
Secretário Geral do PCB
Rio de Janeiro, 2 de maio de 2014

  
  
 


PSOL trabalha pela frente de esquerda


http://www.psol50.org.br/site/noticias/2712/psol-trabalha-pela-frente-de-esquerda


Presidente Nacional do PSOL / Foto: divulgação

A última pesquisa publicada pelo Ibope trouxe a confirmação de dois fatos decisivos para entendermos o Brasil após as Jornadas de Junho. De um lado, a maioria dos brasileiros considera muito importante que ocorram mudanças políticas no país, o que mostra uma insatisfação com as condições de vida e com a forma como são conduzidos os rumos da política no Brasil. De outro, 1/4 dos entrevistados acredita que participar de protestos e outras formas de luta é um bom caminho para conquistar direitos, fenômeno presente na retomada das lutas sociais, inclusive com um grau maior de radicalidade do que em períodos anteriores.

Os elementos descritos acima reforçam a necessidade da esquerda brasileira apresentar uma alternativa eleitoral no pleito presidencial que consiga responder aos anseios de milhões de brasileiros que desejam mudanças. O PSOL, comprometido com este objetivo, apresentou ao PSTU e PCB a candidatura do Senador Randolfe Rodrigues como nome capaz de encarnar um projeto alternativo, de se contrapor à continuidade da política econômica conservadora e de atender as demandas que surgiram nas ruas no ano passado.

Neste momento a Frente de Esquerda ainda não conseguiu se consolidar. Mas, em que pese as dificuldades encontradas nas negociações, nosso partido continua acreditando na importância histórica da constituição da Frente, o que aumentaria as chances da esquerda galvanizar o sentimento difuso de mudança existente.

Das conversas com o PSTU ficaram claros dois óbices à efetivação da coligação. O primeiro diz respeito à reivindicação de que ocorra coligação proporcional no estado do Rio de Janeiro, fato que possibilitaria ao PSTU disputar com chances reais uma vaga à Câmara dos Deputados. O segundo, apresentado de forma mais contundente na segunda conversa, foi a dificuldade de efetivar uma coligação quando o PSOL também apresenta o nome da companheira Luciana Genro na condição de vice-presidente.

Da conversa com o PCB é possível sintetizar as dificuldades de coligação na medida em que o partido não parece disposto a abandonar a tática atualmente implementada, que se baseia no lançamento de candidatura própria como forma de autoconstrução.
Em paralelo ao debate nacional estão ocorrendo tratativas com nossas direções estaduais e respectivas direções dos dois partidos.

A direção do partido continuará envidando esforços para efetivar a Frente de Esquerda, pelos motivos acima elencados. Caso isso não aconteça, tentaremos estabelecer relações políticas amistosas com as candidaturas de Zé Maria (PSTU) e Mauro Iasi (PCB) visando concentrar nossas energias no combate às candidaturas conservadoras. Tal procedimento, que de todo parece óbvio e esperado, nem sempre acontece, favorecendo os adversários das mudanças sociais. Não será admissível que, coligando com nosso partido em determinados estados, tenhamos posição de hostilidade e confrontação no quadro nacional.

A orientação, mesmo que não se consolide a Frente de Esquerda em nível nacional, é que cada direção estadual analise, à luz de sua realidade local, a viabilidade de coligação com os dois partidos citados, atentando para que estes acordos preservem a autonomia das candidaturas nacionais, impedindo ataques e confrontos entre os partidos da esquerda socialista. A aplicação de uma tática nacional, qualquer que seja, não implica na transposição automática desta para as realidades estaduais. A autonomia do PSOL em cada local será respeitada, levando em conta nosso interesse maior: fortalecer uma alternativa de esquerda e socialista com Randolfe presidente e Luciana Genro vice.

Brasília, 23 de abril de 2014.

Luiz Araujo
Presidente Nacional do PSOL
 
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